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quinta-feira, abril 16, 2015

Memórias IV - A minha segunda ida ao Trumps

Estávamos em Agosto de 1996 e eu tinha começado a sair em Lisboa à noite com mais frequência depois de ter descoberto Frágil. O único problema deste local era ser bastante pequeno e por isso a porteira ficava um bocado à rasca com grupos grandes, o que faz sentido caso houvesse confusão. Assim o meu grupo de 8 pessoas foi barrado à porta (culpa da distracção porque normalmente partíamos o grupo e entrávamos em duas vezes).

As meninas do grupo e mais um amigo hetero sugeriram o Trumps porque não conheciam e queriam conhecer aquilo, nunca tinham estado numa discoteca gay. Fomos a votos e perdi. Só eu e um amigo hetero apavorado com a ideia é que votamos não. 

Problema. Tinha 22 anos, o corpo já atlético e tinha começado a vestir-me de acordo porque as amigas insistiam (na realidade eu continuava bastante complexado, porque um rapaz que foi gordo e sofreu por isso nunca o deixa de ser na cabeça) e estava todo de preto com uma t-shirt de pele de pêssego justa (eu sei, mas eram os anos 90 e usava-se), calças justas, botas e casaco de cabedal até aos joelhos.

Entramos no Trumps e não passei tão despercebido como da última vez. Tirei o casaco. Descemos as escadas as meninas radiantes porque ninguém parecia ligar-lhes e sentiam-se super seguras, eu vigilante, os outros gays confortáveis, o amigo hetero dos para-quedistas radiante porque tinha visto um casal de lésbicas giras a beijarem-se e isso excitava-o e o último amigo hetero num estado de nervosismo tal, como se o fossem violar a qualquer momento.

A música estava gira, bastante dançável. E como o grupo era grande comecei a dançar, o amigo para-quedista começou a roçar-se nas raparigas que ao fim de uma hora estavam bastante incomodadas. Enquanto aquilo esteve relativamente vazio não estive muito intimidado, mas quando começou a encher (e continuava a ser um local pequeno) havia demasiado homem e eram bem mais pesados do que aquilo que se vê hoje. 

Ofereceram-me duas bebidas que recusei com toda a antipatia de que fui capaz (hoje penso diferente, tinha aproveitado a bebida e vinha embora para o pé dos meus amigos, lol), lá fui dançando com as amigas, mas começou o assédio mais apertado. Não se podia olhar para a cara de ninguém que era logo entendido como um convite ao qual respondiam gestos de língua de fora, beijos aéreos ou toques. Dos 5 assédios da noite, os dois últimos já me deixaram farto, um tipo com cabelo cor de Sonosol e uma corrente no pescoço estava sempre colado a mim a dançar e um tipo parecido com o Steven Segal na faixa dos seus 50, que me puxou o braço para atenção e depois despiu a camisa até aos cotovelos para mostrar o corpo numa tentativa "poucochinha" de sedução. Ali achei que era demais e resolvi vir-me embora. O amigo hetero em pânico agradeceu, acho que o casal de raparigas lésbicas também apesar de já se rirem com o assédio do meu amigo para-quedista, que estava mais a brincar que outra coisa.

Na segunda feira seguinte, estava eu a apanhar o metro no Rossio para a universidade quando reparei num cabelo cor de Sonosol dentro da primeira carruagem, não entrei e fui para a segunda, mas ele veio atrás de mim e seguiu-me até Entrecampos. Achei isto um bocado tétrico e decidi nunca mais meter os pés no Trumps (ou outras discotecas gays). Entretanto o Frágil e depois o Lux eram os meus sítios costumeiros para dançar. Pelo menos mantive a promessa até ao verão de 2008 quando fui pela terceira vez ao Trumps e tudo foi diferente.

quarta-feira, abril 15, 2015

Memórias III - Traição ou talvez não... (parte 1)

Parece que o conceito de infidelidade quando se está numa relação é uma coisa muito relativa. Na minha cabeça tenho uma definição que me parece bastante afinada, mas já me deparei com 3 situações em que os visados não sentiam que estavam a fazer nada de mal.

Na primeira situação o namorado foi para Londres com um amigo fazer uma viagem cultural. Depois do amigo ir para a cama com as galinhas porque não gostava de vida nocturna, o namorado aproveitava para ir ele sozinho para as discotecas gay que ficavam à mão. 

Numa bebedeira que apanhou uns meses depois dessa viagem contou que numa das saídas conheceu um taxista que o levou para casa dele onde vivia com o namorado e onde ficaram a noite toda na conversa e trocaram uns beijos, mas só por curiosidade. Não aconteceu nada de mais. Noutra noite conheceu um rapaz negro com um corpo musculado espectacular e foi para casa dele, mas não tiveram sexo só ficaram os dois nus na cama e só se beijaram e tocaram e ele resolveu vir embora antes de ir mais longe. A razão por não me ter contado nada é porque já sabia como eu era e eu ia levar estas coisas muito a sério e ficar chateado. E não aconteceu nada, ele não teve sexo com ninguém. 

Era o meu primeiro namorado e estávamos juntos há 5 anos e meio. Como eu tinha aquela ideia de ter uma pessoa para sempre, acabei por perdoar. Cerca de 1 ano e tal depois ele diz que precisa de tempo para pensar porque acabou de fazer 30 anos e só teve sexo com 3 pessoas na vida. Como a nossa relação era monogâmica e estávamos juntos há mais de 7 anos isso queria dizer que ele não ia ter mais experiências. Diga-se de passagem que tive uma sorte descomunal. E assim acabou a minha primeira relação. Ele arrependeu-se mais tarde e voltou com as armas todas que resultam com um coração de manteiga. O factor sorte foi eu ter conhecido o rapaz que viria a ser o segundo namorado 4 dias antes. Disse não. E a vida começou a desenhar-se muito mais feliz. 

terça-feira, abril 14, 2015

Memórias II - Silvestre mete o pé na poça (à grande)

Resolvi fazer a tese de licenciatura na área de sociologia da família, estávamos em 1997 e eu era dado que era aos temas esquisitos e assim resolvi sugerir à orientadora: o síndrome do ninho vazio (problema enfrentado pelas domésticas depois dos filhos saírem de casa) e as dinâmicas de conjugalidade homossexual. Ela achou por bem eu fazer o segundo por estava desejosa de perceber o que se passava numa relação conjugal que não era orientada pelas determinações sociais do género. 

Meti mãos à obra de forma ambiciosa. Queria lésbicas e homossexuais. Ao fim de meses percebi que as lésbicas viviam numa espécie de bunker escondidas e que tinham medo de qualquer tipo de exposição. Não consegui nem uma entrevista. Fiquei reduzido aos homossexuais masculinos, o que mesmo assim não se revelou fácil. Seria mais fácil se eu dissesse que era gay também, mas eu só era assumido para heterossexuais e para a família (já tinha namorado, mas continuava 3/4 amigos gay e a não querer que mais gays soubessem que eu era gay). 

Numa das entrevistas que me foi conseguida por uma amiga, fui entrevistar um senhor muito simpático à Baixa. Nessa altura o meu conhecimento de Lisboa resumia-se ao Bairro Alto, Universidade e as Docas. Depois de uma hora e tal de conversa e uma excelente entrevista, eu disse-lhe que também gostaria de entrevistar o companheiro dele. Ele respondeu-me que isso não ia ser possível porque o companheiro estava no Alto de São João. E eu continuei «não faz mal eu posso esperar, não tem de ser já. Quando é que ele volta?». Ele olhou-me de forma esquisita, a minha amiga mudou de cor para um vermelho tomate. Eu sem perceber nada e de repente a minha amiga diz-me que o Alto de São João é um cemitério. Aí fui eu que mudei de cor, tive aqueles 3 segundos que parecem uma eternidade, mas ele não se chateou porque percebeu pelo meu ar aflito que foi mesmo desconhecimento da minha parte.  

segunda-feira, abril 13, 2015

Memórias I - A minha primeira ida ao Trumps

No final de 1993 admiti para mim mesmo que não era bissexual, mas sim homossexual apesar de, até ao momento nunca ter concretizado uma relação sexual com um homem. Os tempos eram diferentes. Ainda não existia Internet e as pessoas que se poderiam conhecer era em locais de engate que eu não frequentava ou na universidade onde conheci os 3 primeiros amigos gay. Tirando um que ainda era mais tanso do que eu, os outros dois eram já batidos na noite e nas discotecas de ambiente. 

Demoraram quase dois meses a convencer-me. No fim de Janeiro de 1994 lá me decidi a ir, mas estava em pânico. Tinha muito medo do que podia acontecer. Estava mais no armário que uma meia esquecida no fundo do guarda-fatos. Os meus amigos adoravam a atenção que recebiam, homens que lhe pagavam bebidas, que queriam sair com eles, que lhes diziam que eles eram os mais giros da discoteca. Isso a mim (que na altura, sim pasme-se, era muito tímido) causava-me transtorno. Queria mais passar despercebido do que outra coisa, poder observar e ver se aquilo me dizia alguma coisa ou se era um contexto que eu deveria evitar. 

Tive a brilhante ideia de andar a comer chocolates durante duas semanas porque eu tinha um acne bera e assim era garantido que ia ficar com borbulhas na cara. No dia da ida, em vez de me colocar no meu melhor, vesti uma camisa castanha e cinzenta bem feiosa e penteei-me com risco ao lado e o cabelo agarrado à cabeça. Não tinha tantas borbulhas como seria de esperar, mas algum acne rebentou. 

Quando entrei no Trumps ia todo a tremer. Na altura aquilo era bastante pequeno e tinha apenas uma escada de acesso à pista onde todos os gajos se encostavam à parede para "micar" melhor quem passava. Parecia um misto de garagem com outra coisa qualquer. Preguei os olhos ao chão e assim passei a noite toda. Não dancei e mantive-me o mais discreto possível pedindo ao namorado do amigo que andava tipo rainha do baile a luzir, que por favor não me deixasse nem para ir à casa de banho. 

Além de ser um sítio feio, o ambiente era muito pesado. Se estavam lá 3 mulheres era muito e os homens olhavam demasiado, chegavam-se demasiado. O namorado do amigo foi um 'compincha' e ficou sempre comigo (inclusive para ir ao WC e ao bar buscar uma bebida) enquanto o amigo andava a mostrar os peitorais e a beber de graça e a distribuir charme pela pista, alto e loiro como só ele sabia ser.

Quando me vi no cacilheiro da manhã rumo à margem sul senti um enorme alívio. A noite tinha acabado e eu não metia mais os pés ali. Ia continuar a ir às discotecas hetero onde podia dançar com as amigas e onde não tinha de me preocupar com o facto de alguém me meter a mão no rabo ou na pila. Comecei a ir ao Frágil. Gostava muito da música e do ambiente misto. Estar em sítios só com homens stressava-me muito. As mulheres davam um ar mais levezinho aos sítios. 

Decidi não meter mais os pés no Trumps. Contudo, em 1996, vi-me lá caído de novo, mas essa foi a segunda vez em que fui ao Trumps e desta vez sem acne.

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

Assim mais ou menos explicado...

O que nos dói não são as memórias do que vivemos, mas a memória do que poderíamos ter vivido com quem vivemos. 

terça-feira, outubro 08, 2013

Se pudessem reter apenas uma memória. Qual seria?

 
Sem sombra de dúvida a sensação do toque da mão do meu pai.

segunda-feira, março 18, 2013

Choque! Horror! Tragédia

Espetaram agora mesmo no FB uma foto da minha pessoa com 15 anos. A parte boa é que eu tenho aquilo configurado para que não se visualizem fotos etiquetadas. Para além do fraco gosto na indumentária tenho cara de antena parabólica. E eu que pensava que tinha agora um maxilar mais largo, e afinal é o contrário. Ainda bem que a idade refina. Uffff...

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Vem-me à memória...

"vem-nos à memória uma frase batida, hoje é o primeiro dia do resto da tua vida "

sexta-feira, janeiro 14, 2011

quinta-feira, julho 29, 2010

Memórias I

Ao ver esta foto do coliseu romano na Tunísia, lembrei-me de que lá estive na viagem de finalistas. Na altura fui desafiado pela R. para cantar o «Don't Cry For me Argentina». Como sempre tive esta mania de não dizer não a um desafio idiota, coloquei-me onde está a bola azul e cantei a plenos pulmões (a sentir-me tolo por dentro). Fiz o mesmo no palco do anfiteatro da Vila Adriana em Roma, mas aí cantei o «When I fall In Love» do Nat king Cole, sem pessoas a ouvir e só porque me apeteceu.

terça-feira, maio 25, 2010

Lembranças

Já não me lembro da última vez que comi uma laranja.