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sexta-feira, maio 17, 2013

eBook - PIXEL 3

O ebook do Pixel 3 está finalmente editado e já se encontra disponível para download no site da editora Index ebooks.  Esta 3ª edição, cujo tema foi o Natal, contou com a participação de quase 30 escritores amadores que abordaram o tema da forma mais diversa possível,  resultando um mosaico de histórias que dá realismo às "verdades" do Natal do Natal no mundo real.
 
Sad Eyes do blog «Good friends are hard to find» organizou a iniciativa e o João e o Luís da Index ebooks foram responsáveis pela publicação desta edição. Estão também de parabéns todos os participantes que contribuíram para este projecto com as suas histórias.
 
Links diretos para as lojas são:
(versão ebook)
 
(versão em papel, print-on-demand)
Createspace

Também fui participante como autor e convido quem quiser a descobrir as 32 histórias. Enjoy.

quinta-feira, dezembro 20, 2012

PIXEL v2.0

Para variar o estilo concorri ao PIXEL com o seguinte texto:

6,5,4,3,2,1...
 
Não consigo expandir.
Sou um músculo tenso, parado,
Prolongado numa cãibra rasgada
no comprimento do meu abecedário emocional.
Sou uma palavra curta sem elasticidade e
a quimera da dilatação não agiliza a minha fé.
Na morte cerebral do nosso amor
será completa a minha necrose.
Decidi.
Sobram seis dias depois deste Natal feliz
ventilado mecanicamente.
Dois homens infecundos somos.
Eu ficarei, desistente.
Desligo.
6
5
4
3
2
1
...

sexta-feira, dezembro 14, 2012

Concorri ao PIXEL com este texto

Zacarias

Zacarias cresceu sem sorte. A sua vida era um túnel de vento ártico, todos os dias. Pequeno e mirrado sempre lhe disseram que nunca iria a lado nenhum e não foi. Ficou ali mesmo. Nunca saiu da casa onde nasceu, a mesma onde o olhar de resignação dos pais por aquele filho murcho continuava a escorrer por todas as paredes, penetrando-lhe o esqueleto enfezado como humidade cortante. Trabalhava no Zoo como tratador de felinos, por favor do Diretor ao pai e à mãe do Zacarias que ali tinham trabalhado em vida. De tão magro e feio nem os leões o quereriam comer e se quisessem, o mundo não perderia grande coisa. Mandava a lei que andasse sempre com dardos tranquilizantes nas calças, apesar do Diretor do Zoo preferir que fosse comido para poupar o dinheiro dos dardos. A vida arrastava-lhe o corpo numa sobrevivência dormente. Sentado no sofá à espera de ter sono, Zacarias viu cair um papel pela chaminé, «Feliz Natal» dizia. Tinha-se esquecido que hoje era dia 24 de Dezembro. Ouviu a campainha. «O Pai Natal» pensou desinteressado enquanto abria a porta. Algo o projetou contra a parede da sala, depois o chão. Em 10 segundos estava de novo no ar pendurado pelo pescoço «onde está o dinheiro cabrão? Fala ou morres agora!». A mão hercúlea esmagava-lhe a traqueia, «não tenho» disse com dificuldade. A mão gémea daquela vasculhava-lhe as calças. Zacarias não conseguia respirar, ia morrer. Caiu no chão… não ia morrer. O ladrão estava de joelhos, tonto… tombou. «Os dardos» pensou, «picou-se». Zacarias olhou para o corpo enorme no chão. Sentou-se em cima dele. Atou-lhe as mãos enormes atrás das costas e sentiu algo que nunca tinha sentido, uma ereção. Nunca tinha pensado em homens, sequer em sexo. Pensava-se assexuado, será que não era? Estava disposto a descobrir. Puxou as calças do ladrão para baixo, subiu-lhe a camisola até ao pescoço. O corpo dele era magnífico, dorsais vincados, nádegas esféricas cobertas por uma leve penugem dourada, pernas amplas e grossas. Desceu-lhe a mão entre as nádegas, sentiu a humidade, as coxas. A ereção doía-lhe, vulcânica. Tinha de telefonar à polícia. «Depois» pensou. Foi à cozinha buscar manteiga. Era noite de consoada e tinha apetite pela primeira vez.

Tive imenso prazer a escrevê-lo, espero que dê o mesmo prazer a quem o lê.

quinta-feira, dezembro 13, 2012

PIXEL 3a EDIÇÃO

Começou no dia 11 a 3a edição do PIXEL no blogue Good Friends Are Hard To Find, um concurso de pequenas histórias de temática LGBT. Desta vez o tema é Happy Xmas. Gosto muito desta inciativa porque me permite conhecer um pouco de um certo imaginário dos autores de blogues que eu visito. Como não podia deixar de ser já concorri com um texto, quem sabe me dá na gana e ainda faço mais outro. A ver... o ano ainda não acabou e até 31 de Dezembro ainda é "vindima".

quarta-feira, abril 25, 2012

Pixel - História 3

Enviei ontem a minha última história para o Pixel sobre temática LGBT dedicada ao tema «Aquele abraço». Não pensava em escrever mais depois da última, mas a redescoberta pelo gosto de pensar personagens e um momento de aborrecimento no trabalho, trouxe-me à imaginação uma história muito dura e feia, sobre um lado outsider do mundo para o qual não se olha. Assim no total, escrevi um drama, uma comédia e uma história noir (tal como está abaixo):

Odiei aquilo. O filho da puta veio-se na minha boca depois de eu lhe dizer que não queria, mas prendeu-me a cabeça. Não pude fazer nada. Depois riu-se quando me soltou. Qual é a graça, cabrão? Deves pensar que és a última bolacha do pacote. Ando à meia hora agoniado com um gosto a ovos podres e salgados na boca. O que é que o gajo tinha nos tomates? Nojento de merda. Se pudesse cortava-lhe os dois. O gajo até gosta de mim. Com ele estou sempre garantido. E hoje em dia não há muita coisa com a qual podemos contar. Na verdade nunca consegui contar com grande coisa por parte de ninguém. Quando se nasce na merda pouco mais se é que merda e ninguém quer ter merda agarrada aos sapatos. E o gajo está aqui todos os dias, aparece todos os dias sem falhar um. No outro dia deu-me um abraço. Disse-me que me amava enquanto desapertava as calças e me empurrava a cabeça para eu lha chupar. O meu pai também dizia que me amava enquanto me arreava 2 socos no focinho que me faziam espirrar sangue do nariz e da boca. Era para o meu bem, dizia ele. Eu era muito rebelde e esse castigo era amor… Anda tudo fodido dos cornos? Calem-se com a merda do amor. O gajo deve pensar que eu vou ficar aqui a vida toda. Sou puto mas não sou parvo. Daqui a 4 meses faço 18 anos. O meu pai já não me pode deitar a mão e deixo esta puta de vida e os cabrões que vêm aqui para ser chupados. Que morram todos! Mas antes que me encham os bolsos para eu me pirar para Londres… Mas o que é que aquele filho da puta tinha nos tomates. Foda-se.

quarta-feira, abril 18, 2012

PIXEL - Texto nº 2

Como gosto muito da competição dedicada ao tema «Aquele abraço» e me sinto estimulado pela criatividade das pessoas que têm estado a participar, enviei mais um texto, que reza assim:

Deus, os homens e as mulheres

«A menina quer conhecer a verdade do Amor?» disse-lhe aquela senhora com um ar de solteirona abandonada. «Desculpe?» respondeu a rapariga com um sorriso, abruptamente resgatada dos seus pensamentos. «A verdade do amor único e verdadeiro que encontra em Deus e que...». A rapariga interrompeu «por favor não me leve a mal, mas sou dada a amores mais terrenos… físicos». «Mas o amor dos homens não se compara à glória de Deus, como pode renega-lo em prol da satisfação dos desejos físicos» insistiu a mulher. A rapariga, fez um ar condescendente «agradeço-lhe muito a preocupação, mas também não sou dada ao amor dos homens. Só tenho prazer com o amor das mulheres, assim sendo estou aparentemente fora desse grupo». «Isso é Satanás a falar pela sua boca» contrapôs a mulher com ar horrorizado. «O demónio está instalado no seu corpo». «A que chama demónio? O gostar de sentir o corpo suave de uma mulher contra o meu, os mamilos eretos a roçarem-me a pele enquanto os lábios húmidos me exploram do pescoço aos pés?». A mulher a quem de repente a voz fugiu pelo efeito do espanto e da aversão, respondeu com um guincho entre o infantil e o animal «Senhor Meu Deus, salva esta mulher possuída pela Serpente…». «humm… a serpente…» continuou a rapariga com um ar libidinoso «a minha companheira tem uma língua ágil como uma serpente e dedos hábeis que já conhecem de cor o mapa das minhas pernas e das minhas nádegas e todos os caminhos que levam a serpente à minha…». «Chega!» gritou a mulher, afastando-se meio trôpega e rapidamente por força da cólera. «Já vai embora?» perguntou a rapariga «Nem me dá um abracinho de despedida?».

sexta-feira, abril 13, 2012

PIXEL 2012

O Blog Good Friends Are Hard to Find promove a segunda edição do PIXEL dedicada ao tema «Aquele abraço». São pequenas histórias LGBT com cerca de 250 palavras. Está aberto a todos os que queiram participar até 30 de Abril. Eu já queria ter participado na primeira edição, mas não tive tempo. Agora consegui com o texto que deixo em baixo. Quem sabe ainda tenho tempo para submeter outro.

Foi há 20h. Apareceu de surpresa à porta do meu trabalho. Ficou parado a olhar para mim com aquele sorriso pateta que lhe chega às orelhas, como se tivesse tido um ataque de paralisia facial enquanto se ria. Perguntou-me «somos melhores amigos não somos»? «Os melhores» respondi. Ele continuou. «Estou tão feliz, arrisquei como me ensinaste. Conheci uma pessoa. Aliás venho agora de casa dele. Não conseguimos deixar de estar juntos. É maravilhoso». Eu sei que me disse que estava feliz, que era maravilhoso, que somos melhores amigos, mas… “de casa dele”, teria ouvido bem? «Ele?» perguntei com ar jocoso para não ficar mal. «Sim, é um “ele”. Mas, sempre me disseste que não importa quem amamos, desde que seja puro e honesto». Gelei. Perdi o sorriso. «É uma brincadeira?» perguntei. Ele gaguejou «não… é a sério… não compreendo». Perdi a calma «Não compreendes?! Que parte é que não compreendes? A de que és um depravado ou a de que és um porco? Tu estás a dizer-me que és um maricas de merda e esperas que fique calmo?». Assumiu um ar confuso e culpado que ainda me enfureceu mais «nunca pensei… eu… pai, por favor…». Estendeu os braços para me abraçar. «Queres abraçar-me? Despedaças os sonhos que tenho para ti, estilhaças a nossa confiança e queres um abraço? És um traidor, metes-me nojo!» Fui-me embora e deixei-o com aquele abraço por entregar. O coma pode ser irreversível disseram-me. Se calhar o acidente foi por minha culpa, porque lhe menti a ele e a mim. Não tenho nojo dele, amo-o desesperadamente e ele é o meu melhor amigo. Quero tanto aquele abraço que deixei por entregar…