Levou-me tempo a sacudir os anos,
a reinventar-me um passado,
um passado em que tivessem sabido amar-me.
Levou-me tempo a deixar de chorar,
a ver as estrelas florescerem quando me fazes dançar.
Não olhes mais para as minhas mãos estragadas.
Deixa ao tempo a liberdade de nos cantar.
2 comentários:
O poema é uma reflexão sobre o amor a dois tempos - contrasta o passado onde o amor não existiu como idealizado - que a autora percebe e usa para sacudir e se reinventar (é essa a função da falta de amor: a nossa reinvenção, reconstrução), com o presente, onde pede liberdade ao tempo para aceitar o amor e ser feliz - mesmo com as mãos estragadas (pelo próprio tempo, que tira mas dá ao mesmo tempo). Eu interpreto este poema, o passado e o presente, como a aprendizagem do amor próprio - como cantava a Whitney Houston, “learning to love yourself is the greatest love of all… “ And if by chance that special place
That you've been dreaming of
Leads you to a lonely place
Find your strength in love.”
A beleza da poesia é exatamente esta. A polissemia.
No caso eu acho que este poema é sobre, ser mais fácil amar-se sozinho do que a dois. Quando o passado foi mau e o presente acontece e o corpo não sabe ser senão sozinho e batido, tem de se reinventar para haver um futuro que cante a união a dois.
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