segunda-feira, março 23, 2026

Tudo é construção

Tudo na nossa vida é construção, é processo. Estamos em processo e em progresso, seja no que somos como pessoas, seja nas relações que mantemos, seja outra vertente. A capacidade de ajustar o ajustável e rejeitar o que deve ser rejeitado é fundamental neste caminho. Igualmente fundamental é ter a paciência de construir sólido, mesmo que lento, e não ter a ilusão do instantâneo. Não digo que coisas boas e completas não possam acontecer (potencialmente) de modo instantâneo, mas estão na categoria do milagre/acidental, por isso a vida é muito melhor quando nos orientamos por médias já provadas. Tal como num museu não devemos passar pelas obras de arte como se fossem uma decoração, na vida também é assim. Devemos demorar-nos o tempo suficiente para compreender o que estamos a experienciar, e deixar ficar, voltar a ver ou deixar de lado se nada daquilo fizer sentido. Mas, na grande maioria das vezes, o sentido vem de uma dedicação contínua e consistente. O abandono também deve vir do mesmo lugar.

5 comentários:

  1. Tudo é construção, mas tudo são também comandos que vêm quer do corpo (desde o básico - come, dorme, exercita-te - procura o prazer e evita a dor), quer da sociedade (sê bom colega, parceiro, pai, filho, amigo, trabalha para garantir a sobrevivência- de novo, procura boas relações com outros, sejam profissionais, sejam íntimas, evita conflitos, e cá está de novo, a procura do prazer e a minimização do sofrimento - ou então entramos em conflitos infringindo o mal sob o véu do bem, que virá para com quem nos estamos a enfrentar, achamos nós… e estamos a achar mal, claro). E andamos neste vai vem de comandos, a responder a eles, um a seguir ao outro, sejam comandos internos sejam externos, e damos isto como dado adquirido, porque toda a gente vive assim, ao sabor das marés e do que acontece- que está sempre a mudar. A nossa “construção” acaba por ser uma adaptação constante. Acho que tocas no essencial qd dizes que temos de parar e observar. Que é outra maneira de dizer: inquirir e perguntar os porquês ou sentidos de tudo o que andamos a fazer, sem dar respostas pré-construídas a estas perguntas que nunca paramos para fazer.

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    1. sistemas simpático e parassimpático a funcionar sempre ativamente :)

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  2. Até fecharmos os olhos, tudo é construção. É processo. É emendar, acertar e errar. Não sabemos sempre tudo, e mesmo quando sabemos alguma coisa hoje, amanhã já pode estar desatualizado. Há que saber navegar todos os dias de forma consistente, coerente e com margem para cometer deslizes, porque também só assim é que aprendemos.

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  3. Não sabemos mesmo é nada, coerência e consistência é a chave.

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