quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Serenidade

Consegui ao fim de algumas semanas retomar a serenidade. Há provas físicas concretas. A minha casa teve uma inundação muito grave, vinda do telhado do prédio. Tive dias bem complexos e tenho a casa com estragos. No último sábado enchia um balde de água a cada 4 minutos e mantive a tranquilidade. Isto é bom, aceitar o negativo sem que isso desiquilibre. A neurodivergência pode ser muito complexa e quando o stress emocional aperta, rouba-nos de nós próprios. Tenho para mim que ter um cérebro que funciona de forma diferente rouba as pessoas que assim o têm daquilo que as torna "elas". Quando somos a "divergência" não estamos a ser o que somos realmente. A real personalidade desaparece - perante o estado de stress emocional - e até pode ficar seriamente doente. 

Gosto da ideia de se ser vulnerável, podemos ser com amigos, com família e com parceiros de vida, e significa que intencionalmente baixamos qualquer tipo de guarda perante aqueles que são um lugar seguro para nós. A fragilidade já é algo que me desgosta profundamente, porque não é opcional. Acontece e está ali, sempre a subtrair qualquer coisa que não deveria ser subtraído. 

As tempestades servem para muita coisa. É curioso que estas tempestades físicas, este "rio atmosférico" sobre a península ibérica, vieram culminar um período de outras tempestades, estas metafóricas.  Trouxeram a ideia de que depois da destruição vem a reconstrução e que o é destruído, é regra geral o velho ou o que não tinha estrutura sólida para continuar a existir. Depois das tempestades constrói-se sempre mais forte o que há para construir. E a água limpa, quando é feroz arrasta, mas de qualquer forma deixa exposta a realidade das coisas; e quando a realidade das coisas está à vista. É tudo mais fácil de gerir, é mais fácil recomeçar. Não há nada como saber o que fazer e saber o que fazer dá muita serenidade. 

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