quarta-feira, maio 27, 2026

O tempo tem estado estranho, mas...

O tempo tem estado estranho. Não obstante, cheira-me a verão. Cheira-me a calor e a vida cheira-me a roupa levada secada ao ar livre. Estou sempre ocupado, um pouco cansado até, mas a comida tem imenso sabor, vejo flores em todo o lado. Não tenho motivos para outra coisa senão sorrir. 

terça-feira, maio 26, 2026

A poesia de Rupi Kaur

o mundo diz-me que há
milhares de opções lá fora
a um deslize de distância
mas eu olho para a tua imperfeição
para a forma como ressonas desalinhado
e escolho-te de novo
porque a tecnologia não sabe calcular
o peso do teu abraço nas minhas noites más.

A poesia de Andrea Gibson

Quero conhecer as tuas piores partes
e ainda assim achar que és 
o mais próximo do sagrado 
que este mundo já viu. 
Não ponhas só a ponta dos pés. 
Mergulha.

Já dizia a Madonna

The best things in life are always free.

segunda-feira, maio 25, 2026

Tudo certo

Conheço alguém que diz muito esta frase "e está tudo certo". É ótimo quando sentimos que realmente está tudo certo e onde devia de estar.

terça-feira, maio 19, 2026

Apaixonado por este vídeo


Dance no more - Harry Styles

Voltei a escrever

Apesar de ter um livro de histórias LGBT pendurado há uns anos -pois falta-me as ilustrações que nunca arranjo tempo (ou disposição) para fazer - voltei a escrever ficção e desta vez com um propósito profissional. Estou muito entusiasmado e vamos ver as cenas dos próximos capítulos. 

segunda-feira, maio 18, 2026

A poesia de Benjamin Prado

Passamos a vida a contar os minutos,
as notas, os dias de férias.
E esquecemos que o único que importa
é aquilo que não se pode contar:
o peso de uma lágrima,
a intensidade do frio,
o eco de um adeus.

Dessintonia

Quando aparece o homem com que sempre sonhamos e não nos conseguimos enamorar dele, o que quer dizer isto?  A pessoa ideal - provavelmente - não passa de uma ideia e há uma dessintonia entre aquilo que sonhamos como ideal e aquilo que realmente necessitamos. O que sei é que não vale a pena forçar o que não tem condições para existir fora do pensamento. A pessoa necessária é, porventura, aquela que é perfeita na sua imperfeição, que obriga a sair da nossa zona de conforto, que obriga a cedências e a compromissos. O ideal e o necessário poderão ser ambos grandes amores; mas de natureza diferente. Um será platónico e o outro físico e terreno? O amor romântico, acontece fora dos ideais românticos? O que acontece na realidade e o que na realidade acontece? 

Fim de semana na Madeira

Este fim de semana foi muito bem passado, fui a um casamento na Madeira e vim de lá cheio.  O P a C casaram depois de 6 anos de namoro e é uma alegria ver um amor daqueles. Falo muito de como os bons exemplos nos ajudam a ter uma melhor perspectiva da vida e, neste caso, o amor deles ajuda-me a ter uma enorme fé nesse estado. 

Fui ao casamento com um casal de amigos (na casa dos quais fiquei) e foi a melhor companhia que poderia ter. A S e o E são das pessoas mais bonitas que já conheci na vida e estar com eles é como ser filtrado de todo o mal que há no mundo. Não podia ter tido um fim de semana melhor. 

terça-feira, maio 12, 2026

Carla Morrison


Disfruto - Carla Mrrison

A poesia de Herberto Hélder

A casa é um corpo que nos habita.
Tem corredores que dão para o mar 
e janelas que abrem para dentro do coração. 
Cuidado com as portas: elas escondem 
o que nós não queremos saber de nós.

Grandes emoções

A pessoa que indubitavelmente mais amei foi inequivocamente a pessoa que mais me maltratou emocional e psicologicamente. Concluí, após a separação, a inutilidade de desejar encontrar "o amor da minha vida". É muito mais salutar procurar um amor para o resto da vida. Poderá ser menos intenso, mas será constante. A constância é tudo. Não deveria haver desprezo pelo simples. Nem sempre precisamos de grandes emoções.

domingo, maio 10, 2026

52

Que bonito dia. Nada poderia ter sido tão perfeito.

sexta-feira, maio 08, 2026

Trocado das ideias

Tenho este estranho hábito de após 6 meses do meu aniversário dizer logo que tenho a idade a seguir (porque 0,5 se arredonda para 1 em termos matemáticos). Assim, que desde novembro que digo ter 52 e esta semana já pensava que ia fazer 53, mas não. É a segunda vez que me baralho. Quando fiz 44 também já pensava que ia fazer 45. 

Hoje vi, numa notícia, um ator brasileiro por quem tive um crush ali no final dos meus 19. Ele está com 61 anos e está estupendo. Fazer anos é bom e envelhecer é bom e cuidar de nós é melhor ainda.

O segredo

O segredo vai ser a alma do negócio, o que não se conhece não pode ser deitado abaixo. 

terça-feira, maio 05, 2026

Testes

Acredito muito em energia e acredito em predestinação. Acredito que existe um caminho que temos de percorrer e que a nós é deixado o livre arbítrio de como o percorrer. Apenas podemos decidir como vamos fazer o caminho que temos de fazer. Não há outro. Podemos não cumprir esse caminho, esse potencial de ação, e teremos de voltar para o percorrer numa outra vida quem sabe.

Às vezes tenho a sensação de que estou a ser testado, mas os testes são enganadores ou o nosso ego é enganador e (como não sabe viver com a paz) prega partidas, essa falsa sensação de perigo para que seja sempre necessário.  Há muitos anos anos que não me sentia tão conectado e tão consciente da vida, da forma como me relaciono com as pessoas e as coisas, mas ao mesmo tempo questiono-me. Estou como Sócrates "só sei que nada sei". A maior expansão da consciência leva-nos a perceber como muitas linhas são ténues e que as certezas (muitas vezes) são vãs e que olhando melhor, ou olhando menos até perceberíamos tudo o que há para perceber. 

A dúvida permanece. Estarei a fazer bem, estarei a fazer mal? Estarei a agir como deveria, estarei fora de pé? O único conforto que posso encontrar é o desapego, não temer a perda, não me importar de ficar com nada, porque o nada somos sempre (pelo menos) nós. Tenho estado a ser arduamente testado nestas últimas semanas e fiz a minha paz com a perda ou com o desapego, porque há sempre algo por vir e a impermanência da vida tem também um lado positivo. Perder também é ser leve. Como escreveu Christian Bobin:

É preciso muito tempo para nos tornarmos jovens.
É preciso perder muita coisa
para ganhar a leveza de uma pétala de rosa
que cai sem fazer barulho.

Erro/acerto

O erro é tão necessário como o acerto. Uma sucessão de acertos é fundamental para nos dar força, mas no ato de redirecionar a vida, são os erros que nos fazem avaliar como e porquê nos desviamos da rota boa. 

Perto

 Eu quero ficar perto de tudo o que acho certo, até ao dia em que eu mudar de opinião.

Clareou


Clareou - Malu

A vida é pra quem sabe viver
Procure aprender a arte
Pra quando apanhar não se abater
Ganhar e perder faz parte
Levante a cabeça amigo a vida não é tão ruim
Um dia a gente perde mas nem sempre o jogo é assim
Pra tudo tem um jeito, e se não teve jeito
Ainda não chegou ao fim

Mantenha a fé na crença se a ciência não curar
Pois se não tem remédio então remediado está
Já é um vencedor quem sabe a dor de uma derrota enfrentar
E a quem Deus prometeu nunca faltou
Na hora certa o bom Deus dará

Deus é maior, maior é Deus
E quem tá com ele nunca está só
O que seria do mundo sem ele
Deus é maior, maior é Deus
E quem tá com ele nunca está só
O que seria do mundo sem ele

Chega de chorar
Você já sofreu demais agora chega
Chega de achar que tudo se acabou
Pode a dor uma noite durar
Mas um novo dia sempre vai raiar
E quando menos esperar clareou

Clareou, ooh, ooh, ooh (clareou, clareou)
Clareou, ooh, ooh, ooh


segunda-feira, maio 04, 2026

Poesia de Christian Bobin

O que se sabe de alguém, 
sabe-se apenas por amor. 
O resto são notas de rodapé, 
folhas secas que estalam sob os passos 
e que o vento varre ao fim do dia.

Interrogação

Querer que alguém seja a melhor versão de si, num tempo que não é o seu, não é ser tóxico? Mesmo quando se fala em mudar alguém para algo que a pessoa gostaria muito de ser (e quer ser). Assim de repente, acho que não é muito saudável apesar das boas intenções. E defino tóxico como tudo o que proporcionar um desiquilíbrio emocional da pessoa.  

Bridgerton Party

A minha prima fez 29 anos e, como sempre, fomos convidados para uma festa temática. Desta vez foi um baile "Bridgerton themed" que resultou lindamente. Achei que era engraçado fazer algo adaptado e usei um espartilho por cima da camisa e gostei do efeito. Mais uma recordação para o baú de memórias. 

quarta-feira, abril 29, 2026

A poesia de Juan Vicente Piqueras

Que a vida era isto,
este silêncio breve entre dois ruídos,
este cansaço doce de ter sido,
de ter estado, de ter amado tanto.
Este saber que o fogo não se apaga,
que se transforma em cinza para ser
a memória da chama.

terça-feira, abril 28, 2026

A poesia de Ana Martins Marques

O que dizes não é o que eu escuto. 
Entre a tua boca e o meu ouvido 
há um país inteiro 
com os seus costumes 
a sua língua própria 
e as suas fronteiras terrivelmente vigiadas. 

Ouvi hoje depois de muito tempo


In this shirt - The Irrepressibles

Investimentos

«Não invistas em alguém com base no quanto gostas dessa pessoa; investe naquele que investe em ti. Investe em alguém com base no quanto essa pessoa investe em ti. Se fizéssemos isso, poupar-nos-íamos a 80% de todas as desilusões que alguma vez iremos experienciar nas nossas vidas.» 

Matthew Hussey

segunda-feira, abril 27, 2026

Limão

Finalmente está tudo bem com ele. Parou de perder peso e está de novo tranquilo. Nada que um pouco de atenção redobrada e amor não resolva. Mais perfeito que isto, só se o amor impedisse que ele mudasse de pelo (a casa está o terror).

50/50

Estar dividido entre duas coisas que se querem muito quando a escolha é mutuamente exclusiva pode ser causa de muita ansiedade, mas fazer uma escolha difícil não tem de ser uma coisa má. Na realidade, estar preparado para não ter nenhuma das coisas é a melhor proteção contra o nervosismo da escolha. Se o ponto de partida é bom, não ir a lado nenhum não é mau. E o ponto de partida é bom.

sexta-feira, abril 24, 2026

Catarina Furtado sobre o caso "Cristina Ferreira e violação múltipla"

Achei o comentário da Catarina Furtado em relação ao caso "Cristina Ferreira" relevante e ponderado, colocando "em conta" o que deve ser tido em conta. É uma reflexão limpa sobre o que significa a responsabilidade de ser uma figura pública e ter poder de influência e um papel social. Não é de todo um ataque o que lhe dá uma força extraordinária. No post que fiz antes sobre este assunto não expus o texto e achei que seria bom ser lido por quem tiver interesse.

Vivemos num mundo onde podemos discordar, mas não podemos atacar gratuitamente as pessoas, podemos expressar a nossa opinião (ao próprio até) mas com educação e civismo. Eu acho - de facto - a Cristina Ferreira uma pessoa machista (acontece culturalmente a muitos em Portugal), mas não irei para as redes dela ofendê-la com insultos. Porque não se trata dela, mas sim do pensamento que ela veicula. 

Há sim o problema da Cristina achar que é, efetivamente, sobre ela, não conseguindo sair do registo narcísico do ataque pessoal e não pedindo desculpas porque não quer assumir a responsabilidade social associada ao seu mediatismo. As pessoas públicas que erram publicamente, que magoam ou lesam ou prejudicam (mesmo inadvertidamente) pedem desculpas. As pessoas que não o fazem apenas por prepotência de assumir que não erram (e estão numa posição de poder influenciar milhares) estão a propagar um modo de pensar, e neste caso a contribuir para um modus operandi social que lesa as mulheres. 

O texto integral:

Partilho hoje a minha opinião, dias depois da polémica, por sentir que não devia reagir a quente a algo que me provoca reações muito acesas. Faço-o, criticando fortemente todo o tipo de insultos gratuitos que se soltam em momentos destes, possibilitados pelo alcance das redes sociais e por uma necessidade estranha e cobarde de quem se quer 'vingar' do mundo dizendo apenas mal e que em nada contribui para a reflexão. Faço-o, sem nenhuma ponta de ódio, mas por vários motivos.

A frase que motivou a indignação coletiva e milhares de queixas na ERC, foi dita por uma colega que tem a mesma profissão que eu, Cristina Ferreira. Embora com estilos, posturas e escolhas profissionais distintas, partilhamos a responsabilidade de ter um microfone aberto para milhões de pessoas. E eu sei o que é ter muita exposição (para o bom e para o mau), mas também sei o que para mim representa essa responsabilidade, que implica uma gestão entre o conteúdo do que estamos a apresentar e uma dose inequívoca de bagagem pessoal que cada comunicador traz: o seu pensar.

Errar em direto acontece, já errei muitas vezes. Pedir desculpa e tentar fazer melhor é sempre uma opção, para a pessoa, para a estação. Mas o que considero importante sublinhar é que o que foi dito (e outras frases do mesmo género em situações diferentes ao longo dos anos) veio de um lugar onde não existe de facto a noção do impacto absolutamente nocivo que pode ter a formulação de uma pergunta. Não é intencional, é estrutural. Há uma postura machista que é abraçada por muitas mulheres, que se dizem não feministas, e é de facto grave quando esse discurso é normalizado, porque isso contribui e muito para a banalização do crime, da violência, da desigualdade de género, e em última instância, da misoginia que grassa na chamada manosfera (machosfera).

Comentar assuntos seríssimos de cidadania e direitos humanos exige preparação, leitura de informação fidedigna e verificação de estudos. Há mais de 25 anos que me debruço sobre estas matérias que nos dizem respeito a todos e a todas nós, que implicam um exercício diário do questionamento, quer como Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações para a População quer como fundadora da associação Corações Com Coroa. Foram já centenas as histórias reais que ouvi e documentei de raparigas e mulheres cujos direitos são permanentemente silenciados, negligenciados, esquecidos, pisados, violados. A violência com base no género não começa a falhar às mulheres no dia da agressão. Começa a falhar-lhes muito antes.

Vou muitas vezes falar a escolas e vejo que as meninas continuam mais desprotegidas. Sinto na forma como os rapazes normalizam os seus comportamentos que evidenciam retrocessos gigantes e dos quais não têm sequer consciência. Todos temos responsabilidades nisso e os comunicadores e os meios de comunicação social têm a sua quota-parte. Frases públicas ambíguas sobre violência não são só frases infelizes. A linguagem abre espaço, branqueia, legitima, normaliza, e os rapazes deixam de ouvir e de conhecer os limites e desta forma paralisam o crescimento que permite uma sociedade mais igualitária. Os estudos são claros e mostram como a nova geração está recheada de rapazes mais misóginos com ideias arcaicas sobre o papel das mulheres"

As culturas digitais reacionárias e patriarcais estão a construir novas gerações que promovem ideias distorcidas sobre intimidade, consentimento, prazer mútuo, igualdade e liberdade. É por isso ainda mais perigoso que, quando se assiste a um episódio desta natureza, grave, ainda exista quem discuta a forma, o contexto, a interpretação, em vez de se defender com clareza que toda uma sociedade está a sair prejudicada. Na chamada 'vida real' o que testemunho é que as meninas andam cada vez com mais medo e não se 'põem a jeito' quando estão apenas a viver os seus direitos, dizendo SIM ou NÃO quando lhes apetece, esperando respeito. O que está aqui em causa é um exercício de justiça social e o que aconteceu foi um tremendo beliscão à civilização, porque teve um grande alcance. A relativização da violência deve ser sempre confrontada.

Defender a vítima significa garantir que o crime não deve ser nunca normalizado através de uma retórica descuidada ou de falsas equivalências. É preciso ter consciência, empatia e curiosidade, quando se fala sobre a vida dos outros, não deixar que o discurso dos reality shows (que já contribuem também e tanto, infelizmente, para a normalização de comportamentos tóxicos e de manipulação), contamine tudo, alimentando convicções destorcidas do que significa consentimento e empoderamento feminino. A influência negativa de um caso vai muito além do erro de uma pessoa só, por mais influente e mediática que seja: tem o nome das centenas de raparigas e mulheres que sofrem todos os dias. Sei que muitas mulheres pensam assim e essa aparente contradição também me preocupa muito. São sinais culturais, mas a solidariedade deve estar, sem hesitação, do lado de quem viveu abusos inqualificáveis.

Também por isso, a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento é absolutamente essencial (bem ensinada), para combater o que estamos a viver, pelo menos, a pensar com esperança nos próximos anos. Tenho um filho e uma filha, já maiores de idade. Ponho as minhas mãos no fogo de como o meu filho nunca será um agressor porque eu, o pai e o resto da família sempre o educámos como feminista, com tudo o que isso implica de valores. Mas em relação à minha filha, tenho muito medo de que alguma vez, e não por 'descuido' dela, possa vir a ser uma vítima. Tremo só de pensar nisso e também por ela decidi escrever este longo texto",

A violação é desde 2025 um crime público, o que significa que não depende de queixa da vítima. É punida com uma pena de prisão de um a seis anos, que pode ser agravada para três a dez anos. É pouco e continuamos a ver penas suspensas e outras decisões que parecem ignorar o trauma eterno que provoca nas vítimas, a quem prefiro chamar sobreviventes. Quando o são. 

(P.S: Gostava muito que esta minha reflexão, que vem de um sentido de coerência também em relação à minha missão de vida, não fosse erradamente, de forma simplista, irresponsável e inconsequente, interpretada como um ataque pessoal a uma colega de profissão porque, honestamente, não é mesmo. Quero apenas contribuir construtivamente para uma mudança de mentalidades, também no meu meio profissional).





Coisas que eu sei

Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia.
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia.
Agora eu sei.

*Dudu Falcão*

Pra gente Acordar


Pra gente acordar - Gilsons

quarta-feira, abril 22, 2026

Já dizia a Susan Hyatt

Expose ageist bullshit.
Be ungovernable. Age offensively.

Cristina Ferreira em entrevista

Que entrevista mais desapontante. Ser uma mulher machista é assim. A Catarina Furtado fez uma reflexão bastante sensata sobre a irresponsabilidade da abordagem da Cristina Ferreira à questão da violação múltipla, apresentada no programa Dois às 10. 

A sensatez e a dignidade de pessoa pública pediam um pedido de desculpa. A arrogância do pequeno poder é o que se viu.

segunda-feira, abril 20, 2026

Opinião de Miguel Copetto no Jornal Expresso - muito interessante.

 



A ler aqui

Pessoas cansativas

Quase toda a gente sabe o que são, aquelas pessoas que parecem um zumbido, só damos por elas porque são incomodativas, tipo um mosquito que entra no quarto ou aqueles chihuahuas da vizinha que ladram irritantemente sempre que entramos ou saímos de casa - que não têm existência para lá de serem cansativos e incómodos. 

Tenho o azar de me ter saído um mosquito na rifa. Um blogger que há uns bons anos vi presencialmente 20 min - e a quem apenas disse boa noite - tem uma estranha obsessão por mim. Odeia-me, aparentemente, mas vem ler tudo o escrevo e comentar quase tudo o que escrevo (e claro está, sempre com comentários desagradáveis e cheios de fel que não publico). Transcende-me completamente este comportamento - que me parece oposto ao de uma pessoa que tem uma vida ativa, feliz e ocupada. 

Esta pessoa não me conhece de lado nenhum, mas acha que sim - possuindo apenas a informação que possuem as restantes pessoas que leem o Silvestre. Duvido que alguém que me lê ache que me conhece realmente (tirando aqueles que convivem comigo na "vida real"). Quem me lê pode apenas identificar-se mais ou menos com o escrevo e transmito, mas é isso. Quem não se identifica deixa de me ler, a menos que tenha um "crush" adolescente, porque o contrário do paixão não é o ódio, mas a indiferença. Se não se trata de um "crush", o assédio constante a outra pessoa é apenas da ordem da perturbação e/ou da maldade.

Há muito tempo que não publico nenhum comentário desse blogger (até cheguei a fazer um post sobre ele a dizer-lhe, claramente, que este blogue não tolerava aquele tipo de linguagem e de comportamento), mas ele não desarma, continua a mandar os seus comentários incessantemente e é somente chato enfadonho e cansativo. Consta-me (por terceiros, uma vez que não o leio há muito muito tempo) que inventa, também, mentiras e destila veneno, o que o torna ainda mais cansativo e enfadonho aos meus olhos.

Hoje ele vai ficar feliz porque lhe estou a dar palco, mas resolvi escrever sobre isto porque ele comentou o meu último post duas vezes, como que a comentar os comentários que publiquei no dito post. Achei isto tão, mas tão estranho que resolvi escrever o meu estado de alma sobre o assunto; é este o nível do que se passa naquela cabeça. 

Isto é um blogue, já quase ninguém lê blogues. Eu continuo a usar esta ferramenta, porque é uma maneira fácil de guardar reflexões, pensamentos aleatórios e notas sobre coisas que vi e/ou gostei. São notas da minha vida pessoal, primariamente para o meu uso pessoal e recordatório. Se algumas das coisas postadas acrescentam algo a alguém - ótimo; se não acrescentam é só insano seguir uma pessoa para assediá-la. Ele devia deixar de ler o meu blogue, como eu deixei de ler o dele quando passei a achar que ele não era o tipo pessoa que tenha valores que admiro. As pessoas deviam saber mais sobre retirar-se com dignidade em vez de insistirem em ser enjoativas. O assédio não vai parar.

quarta-feira, abril 15, 2026

O que ficou.

A minha última relação foi muito intensa. Foi a pessoa de quem mais gostei e aprendi uma coisa altamente significativa: quero muito ser gostado como gostei dele. Deixei de procurar um grande amor, aliás, acho que perdi a capacidade de me dar em total vulnerabilidade e tenho isso a agradecer a esta última aprendizagem. Não perdi a capacidade de me dar e de cuidar de alguém e de ser muito bom para quem me respeite, mas perdi a capacidade de me diluir na ideia de felicidade do outro. Estou muito mais duro e, por isso, mais inacessível. Poderia ser uma pena, mas não é. Atingi um nível muito grande de satisfação com a vida e com aquilo que tenho sozinho. Só posso ser acrescentado, a partir daqui. E se não me acrescenta, não tem lugar na minha vida, porque o resto já tenho, a completude. Sei que, no futuro, já não sofrerei em mim ou por mim. Não me falta nada. Onde não há faltas não há fome, onde não há fome não há insaciedade incontrolável. Posso crescer muito ainda, ser muito mais com alguém que, contudo, nunca me fará sentir vazio na eventualidade de se tornar ausente. A minha casa é de pedra, sólida e íntegra. Pode ficar mais bonita com novos pisos e anexos, mas desfeitas as configurações adicionais, será sempre a casa íntegra. Todo o conforto de que preciso. O que preciso tenho. Tudo o que puder ter a mais é bem vindo, mas não é necessidade. 

A poesia de Hai Zi

Eu sou um poço escavado pelos meus antepassados
para a sua descendência.
Todo o sofrimento
provém das minhas águas escuras e secretas.

terça-feira, abril 14, 2026

Cabeça feita

A teimosia é o pior dos meus defeitos. Mas, às vezes, não fosse a minha teimosia e eu capitularia perante pensamentos intrusivos. Mas (ainda) escolho o que deixo que me incomode mais profundamente. 

segunda-feira, abril 13, 2026

No teu pescoço



No teu pescoço - Bruna Magalhães & Rubel

Excesso

Apanhei este fim de semana uma das maiores bebedeiras da minha vida. Tenho um amigo que é um perigo, quando estamos juntos eu acabo sempre algo alcoolizado. Mas desta vez, porque não estou habituado a beber, porque sangria parece mais um refresco que outra coisa e porque o jantar durou imenso, acabei completamente KO. Passei o sábado com uma enorme dor de cabeça que era algo que nunca me tinha acontecido antes - ressaca.

sexta-feira, abril 10, 2026

O momento mais temido do ano

O Limão começou a mudar o pelo. Agora vou andar a comer pelo 6 meses e só sossego em outubro. 

A poesia de Myriam Soufy

«Uma valsa a dois tempos é muito mais inquietante».​​
Levou-me tempo a sacudir os anos,​​
a reinventar-me um passado​​, 
um passado em que tivessem sabido amar-me​​. 
Levou-me tempo a deixar de chorar, 
a ver as estrelas florescerem quando me fazes dançar. 
Não olhes mais para as minhas mãos estragadas. 
Deixa ao tempo a liberdade de nos cantar.

quarta-feira, abril 08, 2026

(im)perfeita mente

"Eu não sou responsável pelo bem-estar dos outros, a tristeza faz parte da vida, eu não posso salvar os outros (...) eu acredito que - se for uma relação saudável - não é a imposição de limites que vai estragar uma relação (...) há pessoas que entram em pânico de serem abandonadas, rejeitadas, de perderem aquela relação. Mas então essa relação não é segura. Será que nos faz bem? Se a relação não aceita os nossos limites é um bocado por aí (...) colocar limites é das coisas mais desafiantes que existem, e não nos podemos, também, colocar em situações em que colocar aquele limite nos traz mais angústia que leveza. Não é suposto. Temos de sair desse lugar."

Hoje, ao ouvir o podcast (im)perfeita mente reconheci e revivi a luta sobre imposição de limites pela qual passei durante muito tempo e a dificuldade que tive em estabelecê-los e em transformar-me num espaço com fronteiras definidas e legislação própria que tem de ser respeitada. A imposição de limites é uma questão basilar na saúde mental de cada um. 

terça-feira, abril 07, 2026

Lisboa



Lisboa - ANAVITÓRIA & Lenine

segunda-feira, abril 06, 2026

Ainda sobre a Páscoa

Alguém me mandou - do Minho - um pacote de amêndoas de licor. Achei um gesto bonito e inesperado que muito agradeci. 

Project Runway

Um concurso que adoro, Project Runway, voltou; agora no Disney Channel e com a Heidi Klum a apresentar de novo. O processo criativo é realmente algo de extraordinário. A vencedora da Season 21 não me convenceu, mas se quem percebe de moda a elegeu como vencedora, é porque está correto. 

Páscoa

Sobrevivi ao almoço de domingo de Páscoa feito pela mãe que, sendo um almoço festivo, tem sempre 4 entradas e 4 sobremesas e é um perigo para pessoas que sofrem de gula, como eu. Foi feliz e não tive apetite para jantar porque ainda estava cheio. 

quarta-feira, abril 01, 2026

Alice Merton


No roots - Alice Merton

Amizades

Costumo dizer que estou sempre disponível e aberto a conhecer novas pessoas, acho sempre que um novo amigo poderá estar ao virar da esquina (potencialmente). Amizades nunca são demais, mas qual o tempo útil e de qualidade que temos para dedicar aos nossos amigos? Quando estive menos bem mentalmente fiquei com a sensação de que estava sozinho e isolado, mas isso é a doença a levar a melhor sobre mim (quando ela se instala rouba-me "a voz", fala por mim, não sou exatamente eu). A realidade é que tenho muitos amigos e não falo de conhecidos, falo mesmo de amigos, pessoas que são lugares seguros para ser vulnerável e dizer o que vai realmente na alma. Sempre ouvi dizer que quando quisermos ter uma noção clara da nossa vida devemos fazer anotações em papel sobre o tema em questão e depois analisar o que está escrito. No outro dia fiz isso, coloquei no papel as relações realmente importantes que mantenho e fiquei verdadeiramente surpreendido por não ter a noção de que era tanta gente. 

Desde julho do ano passado que comecei a reformular o meu modo de pensar, a minha tipologia de valores. Não obstante, os últimos 5 meses foram essenciais para chegar a um nível de clareza que penso nunca ter tido e um nível de solidez analítica que só fará bem ao meu futuro (como tem feito no presente). A realidade é que não preciso de mais nada, embora aberto a acréscimos, tenho tudo aquilo de que necessito, não existem faltas, nem falhas. Estou completo e tenho um "edifício" cheio de amigos verdadeiros - o que não vou voltar a esquecer. Não preciso mais nada do que aquilo que tenho. Não ando à procura de ter aquilo que quero, porque quero aquilo que tenho e que é imenso. Quando existe foco, tudo muda. A lente com que vemos o mundo é a única coisa que importa.

terça-feira, março 31, 2026

Poesia de Charlotte Van den Broeck

Os edifícios inclinam-se
como se pedissem desculpa
por não suportarem
o peso das histórias que lhes confiámos.

segunda-feira, março 30, 2026

Louis Theroux: Inside the Manosphere

Este documentário é, no mínimo perturbador. Em primeiro lugar, o objeto do documentário, nomeadamente, influenciadores de extrema-direita, comunidades "incel", misoginia online e a radicalização de jovens. Estes influenciadores procuram a monetização destes discursos sabendo que a radicalização vende. Vendem também estilos de vida que não estão ao alcance de qualquer um, mas vendem (literalmente) o sonho. Não estamos a falar de "grunhos" conservadores ou de extrema-direita, estamos a falar de pessoas bastante inteligentes, uma das quais expõe o próprio entrevistador pedindo-lhe para ele dizer se o que se passa em Gaza é ou não genocídio e acusando-o depois de ele também se ter vendido ao sistema - e isso não se faz sem ter perspicácia aguçada. Ficamos a perceber os "telhados de vidro" do ideólogo do documentário e no final há ali uma sensação de que todos andam a tentar vender ideias que fazem dinheiro. 

15/20

Este fim de semana

Este último fim de semana de março foi muito bom. O P. veio visitar-me aproveitando que o melhor amigo dele estava - também - em Lisboa. Foi um fim de semana em francês, "turistando" na minha cidade. As conversas foram boas, a diversão imensa, e vejo mais sólidas as coisas que realmente importam. Abril vai entrar com eventos todos os fins de semana há muito tempo que não tinha a agenda "fechada" para o mês seguinte.  Uma coisa é certa, a vida presta. 

sexta-feira, março 27, 2026

Poesia de Hollie McNish


Posso dizer-te a raiz quadrada de nove,
mas não sei explicar por que nos dividimos
em pedaços cada vez mais pequenos,
só para nos encaixarmos na equação de outra pessoa.
Quem me dera que nos ensinassem a somar bondade, a subtrair medo
e a multiplicar as coisas que nos tornam humanos.

*Hollie McNish*

F.

O F. é meu vizinho, e é uma pessoa muito especial em quem confio de olhos fechados. Os momentos complexos trazem até nós pessoas impensáveis, com quem provavelmente nunca nos relacionaríamos porque somos de mundos diferentes. O acaso fez com que o paralelo se tornasse perpendicular, e uma pessoa conhecida a quem se diz apenas boa tarde, passa a ser um amigo. Tenho um profundo orgulho em ter passado a ser alguém especial para esta pessoa. Nestes últimos meses, terá certamente sido o meu melhor amigo e uma das pessoas que mais contribuiu para que eu me reconstruísse da maneira certa. Há um grupo largo de pessoas a quem estou muito grato, mas o F. merece um post só para ele. Que a vida lhe sorria sempre. Como ele bem diz " a minha mãe criou um soldado" e ele ajuda a fazer soldados de outras pessoas. 

Falso testemunho

Fico parvo com a capacidade inventiva de algumas pessoas. Não imaginam - por um momento - que as suas mentiras/fantasias podem prejudicar realmente pessoas? Qual é o propósito? É apenas causar danos ou será que sofrem de algum tipo de perturbação? Ou as duas? Há realmente comportamentos que me parecem no mínimo incríveis e não no bom sentido.

terça-feira, março 24, 2026

Poesia de Cécile Coulon

Eu queria oferecer-te coisas simples,
como batatas fritas
e uma tarde sem medo. 

*Cécile Coulon*

segunda-feira, março 23, 2026

Bullying

Creio que o facto de ter sofrido bullying durante bastante tempo me ensinou a ter mais empatia para com os outros e a não tolerar (de todo) pessoas más. Também me ajudou a desenvolver uma confiança muito grande ao perceber que quem diz mal, que quem ofende, que quem agride,  é pequeno e mirrado e, muitas vezes, miserável por dentro. Há coisas que não cabem na minha forma de viver e ver as relações humanas, então a presença dessas pessoas é uma espécie de zumbido de mosca, algo que só incomoda se prestarmos atenção. E se olharmos para o bonito da vida será muito raro que as sintamos, normalmente, as moscas andam perto do que está podre. 

Absolutamente maravilhoso


Sunday - Annahstasia

Tudo é construção

Tudo na nossa vida é construção, é processo. Estamos em processo e em progresso, seja no que somos como pessoas, seja nas relações que mantemos, seja outra vertente. A capacidade de ajustar o ajustável e rejeitar o que deve ser rejeitado é fundamental neste caminho. Igualmente fundamental é ter a paciência de construir sólido, mesmo que lento, e não ter a ilusão do instantâneo. Não digo que coisas boas e completas não possam acontecer (potencialmente) de modo instantâneo, mas estão na categoria do milagre/acidental, por isso a vida é muito melhor quando nos orientamos por médias já provadas. Tal como num museu não devemos passar pelas obras de arte como se fossem uma decoração, na vida também é assim. Devemos demorar-nos o tempo suficiente para compreender o que estamos a experienciar, e deixar ficar, voltar a ver ou deixar de lado se nada daquilo fizer sentido. Mas, na grande maioria das vezes, o sentido vem de uma dedicação contínua e consistente. O abandono também deve vir do mesmo lugar.

domingo, março 22, 2026

Bela

 Bela Adormecida 💚.

sexta-feira, março 20, 2026

Chefias

Sou conhecido por não ter o menor respeito pelas minhas chefias... calúnias hahaha. Pronto, é verdade. Desprezo as chefias que são "chefes", mas tenho um enorme respeito e humildade perante chefias que são líderes e que lideram pelo exemplo. Este último tipo gera em mim uma fidelidade quase canina. A minha nova chefe, estou disposto a fazer tudo por ela, porque é muito trabalhadora (a primeira a entrar e a última a sair), porque é esforçada (tenta facilitar ao máximo a workflow da sua equipa), quer que brilhemos individualmente e, para além disto, é muito exigente, mas justa e empática.  Ao longo da minha vida tive 3 chefias que respeitei e que bom é a possibilidade de passar a próxima década com alguém assim.

As cabanas que o amor faz em nós - Ana Suy

'As Cabanas que o amor faz em nós' é um livro de poesia e crónicas sobre o amor e os seus matizes, revelando a sua maior expressão através do desamor. Tenho tido alguns encontros e desencontros com esta autora (psicanalista de profissão) e, antes de entrar num livro seu onde a psicanálise é o mote total, preferi começar por algo onde a visão do psicanalista está presente, mas que é bem mais leve e quotidiano. Não sei gosto da sua poesia, é na prosa que ela se revela mais fascinante e onde expressa mais catarse e observação atenta. O livro revela uma desenvoltura agradável, e uma certa coragem também (eventualmente). Cabe a cada a um a ressonância que estes textos terão consigo. Comigo foi uma experiência simpática.

14/20 

terça-feira, março 17, 2026

Paris

Paris (a cidade do amor) é um sítio lindo para se estar. Que bom foi amar esta cidade que devolve em reciprocidade. Estive muito feliz aqui tanto a passear como a trabalhar. 

Se um amigo te morde a mão

Se um amigo te morde a mão e o teu amor por ele é verdadeiro, tens de perceber o porquê. Se ele está em dor, é natural que morda, se ele está cego é natural que morda. Se gostas mesmo dele não deixas de o tentar salvar. Ficas a uma distância de segurança longe suficiente para que ele não te faça mal, perto o suficiente para o levantar se ele cair de vez. Não se abandona a desgraça de ninguém.

Só o mercúrio deve ser retrógrado, não as pessoas

Ainda há quem tenha muito medo de declarar algum tipo de enfermidade mental porque os "velhos do Restelo" não aceitam que o espírito deve ser tratado com a mesma dignidade e diligência de um osso partido. O espírito também se quebra e não é de conserto leve. 

segunda-feira, março 16, 2026

Às vezes

Às vezes é difícil manter a razão com tanta gente "louca" à minha volta. É respirar fundo e continuar a manter o equilíbrio entre emoção e razão.  Eu sei quem sou, eu sei quem sou, eu sei quem sou (emocional, psicológica e espiritualmente).

sábado, março 14, 2026

Aquilo em que preferia não pensar - Jente Posthuma

Li este livro ontem durante a viagem de avião. Lê-se muito rápido - pela dimensão e também porque é bom e não apetece deixar de ler. É um livro sobre amor e luto e sobre o vazio existencial que esse luto nos deixa. O livro acompanha o luto de um gémeo depois do suicídio do outro e a reflexão de como continuar a existir depois de uma perda devastadora, que nos deixa numa solidão inqualificável, mesmo não se estando sozinho. A escrita é muito bonita, é emotiva, mas pontilhada de um humor subtil que  por vezes nos faz sentir a dor ao mesmo tempo que sorrimos. 

A narradora é a gémea sobrevivente, o elemento desajeitado do par. O irmão belo e bem sucedido termina a sua vida por opção própria. A narradora procura reconstruir a vida do irmão e a sua, desde a sua infância, procurando respostas e brindando-nos com toda a sua vulnerabilidade. O livro é muito acessível, porque a personagem é simples. Muito reflexiva, mas simples. Os capítulos são pequenos, parecem quase pensamentos que a narradora vai tendo. Gostei muito.

17/20

Tenho conseguido

Acho que navegamos ao longo da vida por fases muito distintas, felizmente (e às vezes infelizmente), a vida não é um processo linear. Os altos e baixos produzem em nós estados muito distintos e diferentes cérebros têm diferentes ferramentas para os gerir. O meu cérebro é - talvez - mais frágil do que o de muitas pessoas e por isso, ao longo da vida, tenho tido de recorrer a ajuda quando ela é necessária, mas se encararmos o cérebro como uma parte qualquer do corpo (por exemplo, uma articulação) podemos pensar apenas que há alturas em que o cérebro está com uma inflamação e que, passando por um período de medicação, a inflamação passa. Há situações que puxam demasiado pelas articulações, de modo igual há situações que puxam demasiado por um cérebro com algumas debilidades no funcionamento (que segrega umas coisas em demasia e outras em defeito). Com o tempo tenho vindo a perceber que, neste processo de "desinflamação", ganho sempre quando me concentro apenas nas graças e bênçãos que tenho recebido, em vez de mergulhar nos estados de me sentir lesado, zangado, vitimizado. Tudo passa nesta vida. A minha mãe gravou um disco para o meu pai há uns 65 anos atrás, uma carta áudio para ele poder ouvir onde estava. E ela terminava com "depois da tempestade vem a bonança meu amor". E depois virá a tempestade novamente e o que aprendemos vai fazer com que apreciemos cada vez mais os tempos de sol e que tenhamos cada vez melhores equipamentos para atravessar as tempestades. O que eu sei é que a esperança e a compaixão são duas coisas que me movem no processo. A compaixão é uma força motriz para se viver melhor, quanto mais compaixão melhor se aceita a vida (funciona para mim) e mais empatia se tem. Claro que isto também ajuda a ter uma noção concreta do que tem valor e ser indiferente ao que não tem, ao que não acrescenta - pessoas e coisas a serem desconsideradas. Tenho deixado "cair" várias pessoas na minha vida nos últimos tempos (de forma deliberada) e outras que deixo simplesmente de as ver e ouvir, mesmo que tenha de lidar com elas. O azedume e a falta de empatia, a loucura e a má influência, não cabem mais aqui. Como disse a minha sobrinha Leonor quando tinha 8 anos "pessoas bonitas são aquelas que têm amor no coração". É nesse ato de descoberta e celebração de pessoas especiais e/ou empáticas e/ou respeitadoras (mesmo aquelas que têm gostos e ideias diferentes da minhas, mas que partilham os mesmos valores de abertura ao próximo)  que eu vou fortalecendo esta forma de estar com compaixão. Nós somos o que comemos e também somos o que deixamos entrar/estar no nosso contexto. O bom faz-nos melhores. E só posso estar grato.

quarta-feira, março 11, 2026

Proteína

Comprei uma proteína em pó de clara de ovo e tenho uma coisa a dizer... BLHAC!

segunda-feira, março 09, 2026

Uma injeção de ânimo

Um querido amigo meu do Porto, que tinha hoje de trabalhar em Lisboa, ficou lá em casa (ontem) para pernoitar. Como não nos víamos há muito tempo, ele chegou por volta das 18h para ficarmos na conversa. A alegria que ele me traz é indescritível. É uma pessoa muito boa, presidente de uma associação que ajuda pessoas com uma doença complexa, e o sentido de humor dele deixa-me sempre bem disposto. Ontem ficamos a ver um reality show manhoso no sofá e rir do que estávamos a ver, enquanto conversávamos sobre outras coisas ao mesmo tempo. Ensinei-o a fazer um bolo rápido e fizemos o jantar juntos. Trouxe-me chocolates com a tradicional dedicatória "Para o Patrick", o que me sabe sempre bem ler. Ele já está no terceiro ano do doutoramento e está numa fase em que está a ser devorado pela pressão, por isso soube bem a ambos estas horas de descompressão. Fiquei também a saber que um casal gay nosso conhecido (estão junto há uns 12 anos) foi brindado com a chegada de um bebé via barriga de aluguer. Que bonito vai ser ver uma criança crescer no meio de uma relação sólida. 

Nota: O apelido Patrick, aconteceu porque o F. acha que eu sou o Patrick da série Schitt's Creek. Assim que ele completou a série disse-me que eu tinha de ver aquela sitcom porque o humor era mesmo o meu estilo, mas principalmente porque eu era o Patrick, um personagem que aparece na terceira série e que casa no final com um dos personagens principais. Certo é que ele tinha razão de que eu iria gostar,  adorei a série e estamos ambos a revê-la porque a Catherine O'Hara morreu (a nossa eterna Moira Rose). 

Gato escaldado

De água fria tem medo. Armado até aos dentes.

About saturday

Ontem foi o jantar de aniversário do meu querido PA. Fui vestido de punk anos 80 com kilt (o jantar era temático). O ambiente foi ótimo e falei com 24 das 28 pessoas presentes. Do ano passado só conhecia quatro pessoas, mas soube-me bem estar com as meninas do ano passado, com o meninos falei pouco. As pessoas deste ano, quatro delas chamaram-me bastante à atenção e acabámos por falar muito, sobre a sociologia, história, valores, ética. Deste grupo de quatro, uma das raparigas - mal entrei - não consegui desviar os olhos dela. Linda e emanava uma energia tão boa. O casal de amigos que chegou mais tarde, sócios, ela também tinha qualquer coisa de extraordinário - a doçura - e ele era tão tranquilo, tão saboroso ouví-lo. Last but not least, o designer - do mesmo signo que eu e a tentar, igualmente, fazer sentido das suas experiências de vida nos últimos anos. Foi uma noite muito bonita, com muita alegria, muitas ideias trocadas, muita emoção sincera. Que feliz por esta esta experiência. Espero muito os próximos capítulos com estas pessoas. 

sexta-feira, março 06, 2026

Amigos

"Os amigos não morrem: andam por aí, entram por nós dentro quando menos se espera e então tudo muda: desarrumam o passado, desarrumam o presente, instalam-se com um sorriso num canto nosso e é como se nunca tivessem partido. É como, não: nunca partiram". 
*António Lobo Antunes*

Achei esta frase tão bonita e, de facto, a minha experiência dos últimos meses tem sido uma constatação disso mesmo. Como, ainda hoje, me disse a minha querida JPP "a vida vai ser boa e vamos de mãos dadas, mesmo que à distância, mas sempre de mão na tua!!"

Sair sozinho

Amanhã tenho um jantar de aniversário com o tema "roupa que eu nunca vestiria num jantar de aniversário", acho que vai ser muito divertido, mas hoje proponho-me a fazer algo que deixou de ser um problema para mim. Sair sozinho. Vou dançar sozinho. Beber um copo à minha saúde e dar um pezinho de dança e voltar cedo para casa para aproveitar o dia de amanhã.

Yeeeiiiiiiiii

Acabei ontem o último trabalho do doutoramento. Esta avaliação saiu-me do lombo. Agora são três meses de calmaria até à próxima época de avaliações. 

terça-feira, março 03, 2026

Ginásio blues

Quando uma pessoa te lembra que o Salvador Sobral andou a enganar a malta ao dizer que um coração podia amar pelos dois. 

Simplesmente fascinante


Berghain - Rosalia

Que atuação verdadeiramente magistral. Adoro. O pináculo da arte. Acho que há muito tempo que não me emocionava tanto com uma atuação. Acho que se o que passa conceptualmente - nesta atuação - fosse aplicado à governança do mundo vivíamos todos em paz e harmonia. 

A última Pop Star?

Pode ser-se muito famoso no mundo na música, ter-se imenso sucesso e uma excelente voz, mas ser um ícone, uma Pop Star, não é para todos. Numa sociedade cada vez mais anódina e normalizada é difícil aparecer alguém com carisma suficiente para o ser. 

Foi em 2019 que percebi que o Harry Styles era mais do que um cantor com talento. Tinha uma visão de mundo, algo para dizer, não se levava demasiado a sério e compreendia a arte. Temos aqui um David Bowie revisitado? Talvez. O que não oferece dúvida é ele ser a Pop Star dos anos 20 do século XXI e não sei quando nascerá outra



Aperture - Harry Styles

segunda-feira, março 02, 2026

A minha chefe é católica

A minha chefe é 3 anos mais velha que eu e é verdadeiramente católica. É crente e praticante. Mas o praticante dela não se resume a ir à missa 2x por semana. Ela pratica a palavra de Cristo. É uma pessoa boa. Eu tenho o maior desprezo pela igreja católica e por grande parte dos católicos, que julgam que são Deus e podem julgar os outros e que não têm nenhum amor ao próximo. Nunca gostei de contrassensos, e um católico, regra geral, é isso mesmo. Alguém não suficientemente à altura da moral que apregoa. A minha chefe é capaz de ser o primeiro católico - com quem convivo em muitos anos - que tem uma moral compatível com a doutrina. Muito católico "de trazer por casa" deveria aprender com ela. Ela inspira-me respeito.

Eu não sou católico. Nasci no seio desta igreja, mas rebelei-me. Não aguentei a inconsistência. Há alternativas cristãs (não evangélicas) bem mais sadias. Uma opinião pessoal apenas.

domingo, março 01, 2026

Bom, mas bom.

Bom, mas bom, este Banana Bread. Nunca pensei que a receita ficasse assim. Imaginava mais bolo e menos pudim. Fica ali no meio entre os dois. É deliciosamente "sticky" e caramelizado. Vou definitivamente passar a fazer para sobremesas de jantar. 


Homem solteiro faz Banana Bread com Tâmaras ao domingo. 

sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Este fim de semana

Este fim de semana na rubrica "homem solteiro aos domingos" vou fazer uma versão saudável de Banana Bread. Já voltei a fazer pão de mistura e voltei a fazer o cheesecake de mirtilos. Quando voltar a ter tempo a sério vou fazer uma pizza totalmente caseira; descobri um pacote de farinha para Pizza na dispensa que já não me lembrava que tinha. 

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Quanto tempo é o nosso tempo?

Há quatro meses comecei a perguntar-me quanto tempo necessitaria para completar uma cura. Continuo a fazer-me a mesma pergunta. Quanto tempo é o meu tempo? A Martha Medeiros diz que o tempo não cura nada, apenas afasta o incurável do centro das atenções. O tempo soterra os "centros de atenção" com novas e novas camadas, até que os impulsos nervosos do incurável deixem de ser sentidos. Mesmo assim  a pergunta mantém-se, quanto tempo é o nosso tempo para soterrar centros de atenção? Especialmente quando se eliminam todos os materiais potencialmente soterrantes (dopamina fácil) da nossa vida? São apenas pergunta existenciais, porque o cérebro é reflexivo. 

Tenho, também, certezas - boas certezas -  sobre fundações bem assentes, sobre amizades estáveis, sobre a importância da dança, sobre a importância dos livros, sobre a importância do exercício físico, sobre a importância de viajar, sobre o que realmente tem valor na vida e nas pessoas, sobre a importância de estar tranquilo e satisfeito com o que se tem.

quarta-feira, fevereiro 25, 2026

Matei o bicho

Consegui acabar o trabalho de História da Ciência antes que ele acabasse comigo. Sinto-me já bem mais leve. 

segunda-feira, fevereiro 23, 2026

História da Ciência

A disciplina que mais me fascinou é a que me está a dar mais problema. Podia ter ido por uma solução simples, mas resolvi fazer uma análise comparada da ciência e do pensamento natural na antiguidade. Quando acabar isto quem vai estar antigo sou eu.

sábado, fevereiro 21, 2026

Hoje

Com o sol que está apetecia-me ir para a Gulbenkian levar uma manta e um livro e ficar a ler na relva, a sentir o sol. Mas tenho de estudar, atrasei-me imenso com a história das inundações em casa. É a vida. Já espaireci ontem.

A noite de ontem

Como prometido a Ju veio do Algarve e fomos sair. Primeiro fomos ao Purex e depois ao Incógnito (onde eu não ia há 28 anos). Quando nos conhecemos ela teria 24 e eu 32, saíamos com a mesma malta no bairro. Na altura ela estava a acabar Medicina Veterinária e agora vai a meio do curso de Medicina. Não a via fisicamente há anos e anos e foi tão boa esta reunião que iremos repetir. 

Percebi que gosto muito da onda do Purex, uma mistura de pessoas de todas as idades e estilos, onde alguém que gosta de dançar como eu pode ir semanalmente para umas duas horas de "pé de dança" e mesmo assim não perder a manhã do dia seguinte. É um sítio onde até posso ir sozinho e sei que me vou divertir.

Fui ao Incógnito porque uma amiga da Ju que é DJ ia lá passar música. O Incógnito continua igual, parado no tempo, e a música alterna entre noites mais rock e noites (como a de ontem) onde as electrónicas alternativas reinam. Quem quer fugir à música comercial, ali é um lugar de exceção. Houve uma coisas muito gira, há muito tempo que não estava num sítio onde metade das pessoas (ou mais) tinha a minha idade e era hetero. 

O que não me vou esquecer (para lá do set da DJ que foi bom) é a imagem de um homem assim dos seus 45, baixinho e rechonchudo, que é a prova viva daquilo que sempre digo. Todas as pessoas são atraentes desde que emanem uma energia boa vinda de dentro. Ele estava sozinho, vestido com uma camisa branca e uns chinos azuis escuros, e óculos escuros. Dançava e sorria ao mesmo tempo, a curtir a música para ele, como se o mundo à volta não existisse. Quando ia beber algo ao bar tirava os óculos e quando voltava à dança metia os óculos como se fosse levado para uma outra dimensão qualquer. Dançava muito bem, mas nem sei explicar como, sei que do corpo dele parecia sair só alegria e felicidade. Eu fiquei completamente cativado pelo ritmo dele, pela imagem e por aquela sensação de prazer que dele emanava. Já não via alguém assim tão magnético há mesmo muito tempo. 

Vou tentar sair todas as sextas feiras para dançar um pouco. Já percebi onde posso ir e sentir-me bem (até sozinho). Deixar sair o stress da semana para trás. Estou realmente a tentar dar-me ao mundo de novo, fazer as coisas com propósito sem ser apenas reativo. 

O novo trabalho

A nova chefe é uma pessoa humana, justa e muito trabalhadora. Lidera pelo exemplo. Os colegas são simpáticos e prestáveis. É um pequeno grupo clean, afastado da toxicidade. É o que importa.

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Reality Check: Inside America's Next Top Model (ANTM)

ANTM era um programa que eu adorava ver. Parecia que era sobre como construir uma modelo, com todo o aparato dos bastidores, parecia que era sobre empoderamento de todo o tipo de mulheres, mais tarde de homens também, e que era um programa limpo com mérito em formato de soft reality show. 

O documentário - da Netflix -  sobre o programa vem mostrar que era na realidade um programa mercenário disfarçado de escola de modelos. Tudo bem que era outra época e há 25 anos atrás não existia a consciência que existe hoje sobre identidade e respeito. Também nos mostra uma Tyra Banks a sacodir a água do capote com um destreza que mostra o quão sanguinária pode ser enquanto produtora - tudo em nome das audiências e do dinheiro que essas audiências produz (para além de um estatuto estelar de celebridade). Claro que existiram ganhos para muitas das raparigas que por lá passaram, mas não foi de certeza por causa do programa. Foi essencialmente pela fibra que já detinham e por compreenderem o jogo - a produção cheirava os fracos à distância. 

No mundo do espetáculo vale - quase - tudo e vai sempre existir impunidade, "cara de pau", perdão e numa sociedade da abundância informativa, em menos de duas semanas existe outra coisa para pensar sobre, outro escândalo, outro qualquer coisa e ninguém mais se vai lembrar disto. Por as notícias também são espetáculo, também rendem celebridade e "momento". Também é certo que este documentário pretende ser "espetáculo" e está tudo dito - pescadinha de rabo na boca. 
 

Recordações


July - Noah Cyrus

quinta-feira, fevereiro 19, 2026

Pequenas coisas

Depois de um dia de neura (que nem o ginásio acalmou) fui à aula de dança e colocaram-me em par com uma rapariga que nunca tinha visto e foi muito fixe. Tem uma energia boa, ficamos a conversar depois da aula. Fiquei feliz por este contacto. Tem o mesmo nome da minha mãe, o que é estranho em alguém de 35 anos, mas não sendo portuguesa já pode fazer sentido. 

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

Estruturas complexas

Com as tempestades e os seus efeitos (tive graves danos numa divisão da minha casa) percebi que não adianta não respeitar etapas. Agora a divisão tem de secar, até lá não posso arranjar nada e as coisas estragadas irão continuar ali, a apodrecer no processo. Só quando o estrago interior se vir por fora é que posso avançar. Está tudo à vista e pode ser renovado. O que aconteceu com a casa, serviu como uma metáfora para a vida. Algo que me esqueço frequentemente, depois da tempestade o dano interno tem de chegar à superfície. Só nessa altura podemos refazer. As pessoas como estruturas complexas são iguais, só quando o dano estiver todo à superfície é que podemos "refazer-nos". Não obstante, a vida segue e não deixamos de participar nela, mas conscientes de que a casa ainda não secou - de que os danos ainda não estão todos à superfície -  e de que o processo de reconstrução é lento e temos de ter respeito e carinho por ele. É um trabalho de paciência. 

domingo, fevereiro 15, 2026

São Valentim 2026

Foi um jantar bem engraçado em casa de um amigo que meteu na cabeça que íamos fazer massa de raiz e cozinhar um tagliatelle puttanesca. Ele tem razão quando diz que cozinhar em conjunto une as pessoas. Foi tudo muito divertido e o tagliatelle ficou mesmo bom. Conheci uma moça mexicana com nome de pássaro e um "moço" fotógrafo com 70 anos que me impactaram positivamente. Como antigamente, levei uma das minhas sobremesas bem açucaradas à moda portuguesa. Que boa noite passamos ali, para mais tarde recordar - mais regada a vinho do que estou acostumado, mas não estava a conduzir. Deito-me com uma sensação de boa energia.  

Eu tinha um grande amigo

Eu tinha um grande amigo de quem gostava bastante. Não se pode dizer que somos muito parecidos de feito, ele é mais conservador, mais irritável, mais dado à preguiça, mas é de uma honestidade intocável e de uma grande lealdade aos seus amigos. Sendo isso o que sempre mais apreciei nele. Ele não mente e é leal. Quando ele acabou uma relação em que ficou bastante mal foi quando nos aproximamos mais, porque eu vi-o muito perdido, sem chão e procurei que tivesse sempre companhia, telefonava-lhe todos os dias nos primeiros meses. Doeu-me muito ver alguém tão dorido por um fim triste e sem explicação. 

Quando acabei a minha relação há meses atrás, foi o processo mais complexo pelo qual passei em termos de lutos (o mais doloroso, o mais triste, o mais inexplicável), ele não esteve por perto. Em todo este tempo, falamos quatro vezes e estivemos juntos apenas uma vez - por minha iniciativa e com mais pessoas. A minha decepção tem sido bem grande porque sou leal aos meus amigos. Deixei de gostar dele? Não. Mas deixei de ter um grande amigo, porque a amizade para mim escreve-se de modo diferente. 

sábado, fevereiro 14, 2026

Para semana

Hoje caiu-me um convite no colo e sou capaz de ir ao Incognito na próxima sexta feira. Há  muito tempo que não vou lá, deverá ser fixe.

Ontem

Ontem caiu-me um convite no colo e fui ao Purex pela primeira vez. Gostei muito. Sou capaz de voltar em breve.

Já dizia a Adele

Should I give up, or should I just keep chasing pavements? Even if it leads nowhere.

quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Só ontem me dei conta

Que para além de Touro, Leão, Escorpião e Aquário também são signos fixos. Isso explica muita coisa. 

Dia dos namorados

No ano passado celebrei este dia no dia 13 de Fevereiro para evitar as enchentes do dia 14 nos restaurantes, ofereci um presente, recebi outro, estava feliz. As circunstâncias mudaram. Este ano vou para casa de um amigo e seremos 6 pessoas juntas a fazer massa fresca "from scratch", se correr mal encomendamos pizza. Não haverá presentes. Há vinho e haverá alegria. Estarei feliz também. 

Alex Ru$$o


Perfect on my mind - Alex Ru$$o

Serenidade

Consegui ao fim de algumas semanas retomar a serenidade. Há provas físicas concretas. A minha casa teve uma inundação muito grave, vinda do telhado do prédio. Tive dias bem complexos e tenho a casa com estragos. No último sábado enchia um balde de água a cada 4 minutos e mantive a tranquilidade. Isto é bom, aceitar o negativo sem que isso desiquilibre. A neurodivergência pode ser muito complexa e quando o stress emocional aperta, rouba-nos de nós próprios. Tenho para mim que ter um cérebro que funciona de forma diferente rouba as pessoas que assim o têm daquilo que as torna "elas". Quando somos a "divergência" não estamos a ser o que somos realmente. A real personalidade desaparece - perante o estado de stress emocional - e até pode ficar seriamente doente. 

Gosto da ideia de se ser vulnerável, podemos ser com amigos, com família e com parceiros de vida, e significa que intencionalmente baixamos qualquer tipo de guarda perante aqueles que são um lugar seguro para nós. A fragilidade já é algo que me desgosta profundamente, porque não é opcional. Acontece e está ali, sempre a subtrair qualquer coisa que não deveria ser subtraído. 

As tempestades servem para muita coisa. É curioso que estas tempestades físicas, este "rio atmosférico" sobre a península ibérica, vieram culminar um período de outras tempestades, estas metafóricas.  Trouxeram a ideia de que depois da destruição vem a reconstrução e que o é destruído, é regra geral o velho ou o que não tinha estrutura sólida para continuar a existir. Depois das tempestades constrói-se sempre mais forte o que há para construir. E a água limpa, quando é feroz arrasta, mas de qualquer forma deixa exposta a realidade das coisas; e quando a realidade das coisas está à vista. É tudo mais fácil de gerir, é mais fácil recomeçar. Não há nada como saber o que fazer e saber o que fazer dá muita serenidade. 

quarta-feira, fevereiro 11, 2026

What a simple thought

You couldn't understand it
Why you felt alone
You were in it for real
She was in her phone
And you were just a pose.

And don't we try to love love
We give it all we got (we give it all we got)
You finally left the table
And what a simple thought
You're starving til you're not.

Opalite - Taylor Swift

terça-feira, fevereiro 10, 2026

Heidi Happy


And I know - Heidi Happy & Scott Matthew



Evidemment - Heidi Happy & Meimuna



Can´t you hear my heart tapping? - Heidi Happy & Pablo Nouvelle

segunda-feira, fevereiro 09, 2026

Inverno

Este inverno tem sido bullying climático. Não se aguenta já.

Doces

Fiz uma coisa doce sem açúcar, um cheesecake de queijo cottage e mirtilos, só com um pedacinho de stevia e resultou lindamente. A repetir.

Presidenciais

Talvez seja a primeira eleição presidencial em que existiram dois vencedores. O objetivo de André Ventura nunca foi ser Presidente da República e venceu com excelência o desafio de não ser esquecido e de se manter relevante (e à sua mensagem) num período intermédio entre legislativas. O Chega é um partido com uma consciência total sobre o poder do marketing, seja este feito com informação verdadeira ou falsa. O importante é não deixar de estar "à vista" e de forma contundente. Por isso, que grande jogada de André Ventura. O poder que ele quer é o legislativo. 

Já António Seguro teve a sua vitória em número e foi-lhe feita alguma justiça de pois de ter sido "varrido" da liderança do PS por António Costa. Ainda bem que António Costa o fez, porque (estritamente a meu ver) Seguro não tem fibra de primeiro-ministro. Não tem um pulso que sabe esmagar quando é preciso. Não tem individualismo que chegue. Não obstante, ser um homem que procura consensos e justiça, isso dá-lhe as características ótimas para ser Presidente da República, um cargo que é mais mediador do que agente. Portugal ganhou também com António Seguro como Presidente. Suponho que a sua presidência será parecida à de Jorge Sampaio, que foi um presidente discreto, mas justo e inteiro. Portanto, todos contentes. Portugal também ganha. 

sexta-feira, fevereiro 06, 2026

Pequenas nostalgias

Hoje fui dar uma espreita ao blogue do Hydrargirum, o que eu me ria com as coisas que ele escrevia, o humor inteligente. De repente dei por mim a pensar o que terá acontecido outros bloggers, como o Sérgio Sad Eyes, o João Máximo, a Margarida, o Arrakis. Percebo que quando a blogosfera perdeu o gás, quem levava isto mais a sério como um espaço de partilha e ampliação de conhecimento e amizades (ao contrário de mim que uso o blog como uma espécie de notebook pessoal), poderá ter perdido também a motivação ou simplesmente perdeu o tempo. 

Hoje em dia sigo apenas dois blogues ativos - do Francisco e do (Ex)Namorado - mas quando tenho tempo vou lá atrás sentir um bocadinho da energia dos outros e da energia que se viveu na blogosfera até há uns 10 anos atrás. 

quinta-feira, fevereiro 05, 2026

Metáforas

Diz que a casa é uma metáfora das nossas vidas. A minha casa está a meter água que se farta. Se calhar na vida também. Tenho estado a cuidar da casa o melhor que posso para não existirem grandes danos. Se calhar na vida também. 

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Coisas boas

A minha mãe é ela mesma outra vez. Continuará dorida por muitos anos, mas, com pequenos ajustes, recuperou a vida de sempre, as rotinas de sempre. É uma guerreira. Na primeira metade do século passado, as pessoas faziam-se mesmo de materiais mais fortes.

Quando não se consegue fazer sentido

O tempo continua a passar desde o final da última relação e estou a viver o período mais longo em que deixei de olhar para o lado a pensar se aquela poderia ser "a pessoa". Não tenho interesse. O sonho morreu? Acho que não. Mas talvez o ter vivido o sonho a dada altura e tê-lo visto desaparecer completamente impotente (apesar de ter feito o possível e impossível para que tal não acontecesse) fez-me sentir que não quero passar por isso de novo. A vontade de não passar por sonhos desfeitos tornou-se maior que a vontade de realizar sonhos. E isso tem mudado a minha postura perante a vida. Não consigo fazer sentido de certos factos passados e a minha incompreensão torna-me fechado e defensivo. Até hoje sempre tinha conseguido compreender o que se tinha passado, mas aqui foi tudo tão surreal e contrassenso que me mina qualquer tipo de vontade de estar em jogo. Encolhi. 

domingo, fevereiro 01, 2026

Avatar: O Caminho Da Água

O primeiro Avatar é um dos meus filmes favoritos. Gostei mesmo muito. Hesitei muito sobre ver as continuações porque poderia perder alguma da ilusão que o filme me tinha deixado. Não sei se foi porque estamos numa época diferente e passou muito tempo, não sei se porque o segundo capítulo sofre do problema de todos os segundos capítulos das trilogias que radica em ser o enchimento entre as partes narrativas que realmente interessam. Achei o argumento fraco em concretização. Percebo a ideia, mas não me fez muito sentido algumas das opções, nem mesmo a própria narrativa. Assim, que achei engraçado pela tecnologia envolvida, e pouco mais.

12/20

Viagens

Para já Sevilha e Paris estão garantidas, Amesterdão ainda está no prelo. 

Assim que tiver tempo

Assim que tiver tempo e liberto das avaliações do PhD. Vou voltar às costuras. Há muito tempo que não faço nada, mas tenho muita roupa para "rever" e uns quantos lençóis para ajustar e mais uns para fazer. Está uma Olívia Costureira no forno.

sábado, janeiro 31, 2026

Pop Mega Party 90s/00s

Disse às minhas primas que me sentia vazia e que precisava de conhecer pessoas novas.  Como sabem que eu gosto muito de dançar, combinamos ir a uma festa de música dos 90s/00s e de repente lá estava eu num grupo de 14 pessoas (seis da minha idade e sete nos 28/30). A música esteve ótima e diverti-me estrondosamente. O facto de não ser um local gay e de a frequência ser fundamentalmente jovens deixou-me mais liberto para poder dançar como me apetecesse. 

Fui de botas Doc Martens, camisa xadrez com mangas arrancadas e jeans elásticos, bem aos estilo 90s e a partir dali, foi sentir o espírito e deixar a música sair pelo corpo. Aconteceu algo que não acontecia desde 2008 (quando no Trumps apareciam umas miúdas cheias de estilo que gostavam de dançar e a querer dançar com gays porque se sentiam seguras a ser mais sexy sem chatices), umas miúdas dos seus 20 anos vieram perguntar-me se podiam dançar comigo, claro que podiam. Quando saímos para dançar é para isso mesmo. 

Uma das amigas da minha prima mais nova, tinha um groove fenomenal e diverti-me mesmo muito a dançar com ela. Professora, 30 anos, 2 filhas pequenas e uma vez no mês ela e o marido (em separado) fazem uma saída com os seus amigos e o outro fica com as crianças. Uma miúda já cheia de responsabilidades, inteligente, com um trabalho exigente e não deixa de ser vibrante e cheia de alegria.

Saí de lá com o corpo em frangalhos (porque dancei como não o fazia há uns 10 anos), mas de coração muito cheio. E com convites para jantar e com convite para uma despedida de solteira em Ibiza ou Itália (ainda a decidir). 

Quando cheguei a casa o Limão estava enrolado na manta quentinho e nem se mexeu. Fui para a cama com uma boa energia tremenda e a pensar que na próxima Pop Mega Party lá estarei e melhor ainda se o grupo for assim de bom.

sexta-feira, janeiro 30, 2026

O que eu mais gosto na vida

O que eu mais gosto na vida são as relações humanas. A ligação que podemos fazer/ter com outro indivíduo. Faz-me sentir cheio. A forma como tocamos alguém ou alguém nos toca em essência é algo de muito especial para pessoas que acham que memórias partilhadas são o mais bonito que há. 

As memórias partilhadas, com o nosso parceiro, com família, com amigos, podem ser até com um estranho (como quando - na Tailândia em 2017 - duas senhoras de 69 e 65 anos me convidaram para me sentar na mesa delas a beber uma bebida e conversar e nunca mais me esqueci do que uma falou sobre o amor da vida dela com quem esteve apenas 5 anos).

É isso que me dá "gás" o contacto humano, as ligações que consigo estabelecer, a troca de energia que se dá. Nos últimos tempos tenho feito tudo ao contrário. Tudo do avesso. Não sou uma ilha e tenho tentado viver como uma ilha barricada contra os piratas. Às vezes sou tão totó, mas uma das minhas características é desenraízar-me com facilidade. Por isso, é retomar, as vezes que forem necessárias.


Models Strangers' Daniela said

Big Lesson: Dare.

Life is about: Giving love, be surrounded by the right people, share good energy and good vibes, try to be humble, avoid biases, open to everything that life brings to you. 

quarta-feira, janeiro 28, 2026

Poesia coreana

Hoje vou plantar uma flor 
num canto da sombra onde te conheci;
quando a flor crescer e desabrochar,
toda a angústia que surgiu do nosso encontro
transformar-se-á em pétalas
e voará para longe.

- Mah Jonggi -

O tempo é finito

É uma noção básica da qual não temos sempre presentes as implicações. 

segunda-feira, janeiro 26, 2026

Para (eu) mais tarde recordar

As marmitas dos almoços desta semana com couves de Bruxelas e frango em redução de moscatel ficaram um espetáculo. 

Ando a precisar disto



Locked In - David Guetta, Morten (feat. Trippie Redd)

(Dançar cura tudo e um par de botas...)

Ela

Por trás do meu discurso mais pessimista existia algo escondido. O que ela diz esteve sempre certo até hoje. É fazer o que ela diz e pronto, mas já me cansa um bocadinho estas flutuações (demasiadas em tão pouco tempo).

domingo, janeiro 25, 2026

Younger

Não conhecia a série, mas a Netflix sugeriu e eu na minha encarnação de "cat lady" lá fiz o meu binge. No ar entre 2015 e 202, esta "dram/com" fala sobre o idadismo de uma forma leve e ainda passa por toda a agenda do politicamente correto, sem ser chata a esse respeito. 

Liza um mãe de 40 anos resolve voltar ao mercado de trabalho depois de 18 anos e enfrenta todo o tipo de preconceitos, que resolve vencer fazendo-se passar por alguém com 26 anos. Esta mentira aparentemente inocente dá origem a muitas situações cómicas, mas também verdadeiros dramas complexos. 

As primeiras 4 séries são muito boas e depois começa a cair um pouco a qualidade do enredo, com uma última série a acabar ali tipo "Game of Thrones", deviam ter investido um pouco mais para acabar com um BANG e não com um PFFF.

Não obstante foi muito agradável de ver, e volto a dizer que foi a melhor integração de politicamente correto que já vi, a diversidade de orientações sexuais, idades, credos, status, raças, etc. é enorme e sempre a fazer sentido.