terça-feira, setembro 22, 2026

Uma família surreal - Hugo Van der Ding

Achei muito interessante contar a história da monarquia portuguesa com humor. Não é uma novidade em termos de estilo porque já todos conhecemos o tipo de humor do autor e, por tanto, não surpreende. No entanto, é completamente uma leitura muito agradável e em dados momentos faz rir bastante. 

15/20

Um cão no meio do caminho - Isabela Figueiredo

Este romance de Isabela Figueiredo, conta a história de um homem e de uma mulher (vizinhos) que sofrem, cada um da sua forma, de solidão. A solidão de cada um é diferente, e aconteceu em virtude de incidentes traumáticos que os abalroaram durante a vida. Mas nenhum assume o mal de que padece, até a sua interação acaba por alterar os seus quotidianos para sempre.

Não foi um livro fácil para mim, porque os saltos entre histórias e personagens não foi muito bem conseguido (na minha opinião, que vale o que vale). O final é bastante interessante e foi a única altura em que consegui "sentir" o livro.

13/20 

O rio que me corta por dentro - Raul Damasceno

O primeiro romance do auto Raul Damasceno tocou-me profundamente. Já percebi que gosto muito de livros que tenham como personagens arquétipos do sertão brasileiro, normalmente pessoas com pouca escolaridade, rudes, mas com emoções pura e genuínas seja no melhor ou no pior.

Este romance tem como herói um rapaz que vive com os avós numa povoação pequena, onde a vida é dura. A mãe trabalha na cidade (em Fortaleza) e vem uma vez por ano visitar, trazendo presentes e o amor que cura a saudade que Cícero acumula durante o ano. Um ano a mãe de Cícero não volta e os anos passam com Cícero e o seu amigo de  infância - Luzimar - a fazerem-se homens que têm de assumir a dureza da terra. Mas nesse processo também nasce o amor entre eles um dos tantos segredos que o rio guarda. 

Gostei muito dos personagens todos, a escrita é muito invocativa da energia de cada um. Foi uma muito agradável surpresa.

18/20

Encontrar-me - Viola Davis


A autobiografia da atriz Viola Davis é um documento belíssimo que ilustra a força extraordinária de quem não quer viver mais na pobreza extrema e quem tem de aprender a sobreviver e a integrar o abuso na sua narrativa de vida, sem que isso a destrua. É também um excelente ensaio sobre família e racismo nos EUA. Por ser uma autobiografia a escrita é bastante honesta e crua, o que valoriza imenso todo o texto. 

17/20


Véspera - Carla Madeira

Era o único romance da autora que me faltava ler e talvez o mais famoso - por isso quis deixar passar um certo tempo para me distanciar dos outros. Este livro fala de uma mulher no limite da sua  existência, traumatizada por um casamento destroçado, decide, num acesso de descontrolo mental, deixa o filho de 5 anos no passeio e arranca com o carro. Assim que o faz arrepende-se e volta atrás ao local onde o tinha deixado, mas ele desapareceu.  A partir daí a história explora o que faz alguém chegar ao limite e a resposta não estar na pessoa em si, mas num passado familiar de medos, sombras, vícios e comportamentos manipuladores e controladores. É muito intenso e muito explícito ao nível das emoções que atestam que a Carla Madeira é uma brilhante contadora de histórias.

16/20

Ainda bem que a minha mãe morreu - Jennette

Ainda Bem que a Minha Mãe Morreu" é um livro de memórias em que Jennette McCurdy (ex-atriz e cantora americana, conhecida principalmente pela série iCarly do canal Nickelodeon) narra sua infância e adolescência sob a influência de uma mãe abusiva e controladora, explorando trauma, superação e independência. O livro é um testemunho muito duro e perturbador de como a sua mãe na vida e na morte acabou por impactar a sua vida emocional e profissional, assim como a sua sanidade mental.

16/20

Aleluia - Bruno Vieira do Amaral

Não sabia que era um livro com base em entrevistas empíricas sobre as igrejas cristãs de teor evangélico, mas li com gosto. Aborda com muito tacto a questão da religião e da fé. O livro acaba por mostrar como a organização da fé em igrejas, mais tarde o mais cedo acaba por corromper os seus princípios básicos com comportamentos incompatíveis com o que a "palavra de Deus" advoga. No fundo, todas estas igrejas cristãs (maiores ou mais pequenas, mais ou sérias ou menos sérias) acabam por sofrer os problemas sobejamente conhecidos das grandes religiões monoteístas.  A fé é o mais importante e existem essas pessoas de fé e existem essas pessoas com valores que celebram a vida e o amor ao próximo. Creio que o livro reabilita a fé e mostra que qualquer igreja organizada é um desastre pronto a acontecer.  

15/20

A vida que ninguém vê - Eliane Brum


A Eliane Brum é a autora de um dos livro mais bem escritos que li até hoje "Uma Duas" (sobre a relação tóxica entre uma mãe e uma filha e que foi o seu primeiro romance. Antes disso, Eliane Brum escreveu vários livros de crónicas sobre pessoas reais, aquelas que ninguém vê mas que estão diariamente no nosso quotidiano. O livro é bem intencionado e as crónicas bem escritas, mas ler de seguida o que foi feito para ser uma coluna semanal de um jornal tem, em certos momentos, um efeito repetitivo que torna o livro menos agradável à leitura. Não obstante há crónicas muito bonitas.

14/20




Nadar no Escuro - Tomasz Jedrowski

Resolvi este livro porque foi uma das escolhas da Dua Lipa para o seu clube de leitura. Em traços rápidos o livro trata de um romance que nasce entre dois rapazes na polónia dos anos 80, ainda sob o braço forte do comunismo, da escassez e da corrupção. É uma espécie de "coming of age" que supostamente trataria da embriaguez do amor de forma lírica e sensual. Acontece porém que não me tocou. Não achei assim tão lírico nem sensual, há algum interessa na forma como está enquadrada a falta de liberdade e a censura das sociedades comunistas do pós-guerra. Não consegui "sentir no corpo" a narrativa, que se tornou quase académica para mim. 

12/20

Indonésia

Não era um destino de eleição, mas dada a altura do ano e o facto de muitos destinos tropicais estarem em época de chuvas ou furacões, a Indonésia foi colocadas no mapa. Que bom que assim foi. A história religiosa, a mistura única de religião animista, budista, hindu e muçulmana deu uma textura muito particular aos lugares espirituais.  Foi também onde tive a minha primeira experiência de snorkel e de Quad. Nadar com tartarugas no seu habitat natural foi uma sensação maravilhosa e fazer Quad no meio da selva, arrozais e cascatas foi uma forma muito particular de sentir o local. A natureza, os templos e a paz que se viveu por lá vão ficar para sempre na minha memória. Tenho de agradecer ao meu parceiro de viagem que organizou tudo com esmero. Yogyakarta, Bali, ilhas Gili, Nusa Penida e Lombok valeram cada momento destes 17 dias e cada centavo. 

sábado, setembro 05, 2026

No outro lado do mundo

A diferença é gritante. A vontade é muita. A natureza ajuda. 

Dia 2 de Setembro

Foi uma bonita noite na aldeia, deitado sob a luz das estrelas a aprender sobre as constelações. O calor humano é o melhor dos calores em noites estreladas.

segunda-feira, agosto 31, 2026

Liberdade

Vim passar a primeira semana de férias à aldeia.  A calma e a privacidade são de facto estupendos aqui, poder passar o dia na piscina sem colocar uma peça de roupa e com a vista dos campos de cultivo e o Tejo ao fundo é impagável. Ter comprado esta casa foi das melhores decisões que tomei, pena que não usufruí durante dois anos como deveria, a vida (tal como a natureza) encontram sempre o caminho mais simples para que tudo fique bem. Este ano tem sido o que sempre foi, tudo encontra o curso natural a seu tempo. 

sexta-feira, agosto 28, 2026

De embalar


L.E.S. Girl - MAdonna

Poker face

«Obssesion is the sincerest form of flattery.» 

- Author Unknown

Não me cotuca


Não me cotuca - Anitta ft. Alceu Valença

quinta-feira, agosto 27, 2026

Mais duas

Mais duas viagens marcadas. Oba! Um destino de sempre em Portugal e um novo destino em França.


Moulin Rouge wisdom

Love is like oxygen
Love is a many a splendored thing
Love lifts us up from where we belong
All you need is love.



Som gostoso


Viajando por el mundo - Karol G & Mano Chao

Uma mulher

Conheci ontem um mulher de 37 anos, dois filhos pequenos, segundo casamento, a única pessoa que trabalha para sustentar o lar enquanto o marido "recupera" de um acidente de trabalho em casa há uns 6 meses. O caos instalado na vida dela e ela a aguentar tudo e ainda chegar a casa e fazer as refeições, dar banho aos filhos, enquanto o marido joga playstation e vê televisão para se entreter. Senti uma profunda pena a observar um ser humano a afundar-se nas complexidades da solidão assistida. Espero que ela consiga superar. 

quarta-feira, agosto 26, 2026

Ela é tão querida

Há uma senhora que é sem dúvida a melhor pessoa na posição dela que já passou pela minha vida. É uma enorme alegria que possa ser assim. 

segunda-feira, agosto 24, 2026

Cazalla de la Sierra

Foi um fim de semana perfeito que valeu cada tostão. Foi o aniversário de um amigo espanhol e revi pessoas que não via há mais de 12 anos. A viagem fez-se bastante bem de carro e a volta foi também muito agradável com uma parada em Badajoz para mais tarde recordar. A energia foi muito boa, como faz bem estar com pessoas com corações limpos de amarguras.

sexta-feira, agosto 21, 2026

A grande viagem

Estou a duas semanas da "grande viagem". Vai ser giro fazê-la com um grande amigo e vamos à aventura. Vai ser um teste ao que deixo por cá e à ordem estabelecida nos últimos meses. Mas sempre se disse que o nosso caminho está cheio do que é para nós. Não desejo nada do que é de alguém, fico apenas muito feliz quando vejo que alguém tem o que defeni como objetivo para mim. Aliás, isso dá-me a confiança necessária para acreditar que é possível. Faço apenas o meu caminho, uns dias a perder e ou tros dias a ganhar e com a permanência do que é para ficar. Voltarei de lá diferente, certamente. Ou não. 

Banana Bread

Comecei a fazer a minha receita "para fora". 

Another one

 Sierra de Sevilla here we go. 

quinta-feira, agosto 20, 2026

Lei de Brandolini

«A Lei de Brandolini, também conhecida como o princípio de assimetria da estupidez, é um aforismo segundo o qual "a quantidade de energia necessária para refutar a idiotice é uma ordem de grandeza maior do que a necessária para produzi-la". Esse pensamento estabelece que é mais fácil criar ou espalhar desinformação do que desmascará-la, devido à quantidade de esforço e tempo necessários para desmentir informações falsas em comparação com a rapidez e facilidade com que elas podem ser criadas e disseminadas.»

O tempo é precioso.

quarta-feira, agosto 19, 2026

Trailblazer

Madonna recebe 11 nomeações para os VMAs, lidera a lista e é a artista mais velha alguma vez nomeada. É bom ver que as pessoas não quererem envelhecer "graciosamente" pode compensar. Muitas vezes as pessoas que escolhem exercer a sua liberdade contra os padrões societais vigentes e são apelidadas de "cringe", na realidade nada mais são do que o espelho da vergonha internalizada de quem as critica.  Mas os cães ladram e a caravana passa e as vidas medem-se pelo legado, não pelas críticas que recebem.

Terapia de Segunda com Kiko is Hot

Hoje ouvi um episódio deste podcast em que teve como convidado o Nuno Markl. O que mais me chamou a atenção foi uma referência do Markl a como uma atriz norte americana lidou com um hater. Em vez de responder à letra, tentou perceber o que estava mal na vida daquela pessoa que a fazia tão infeliz e amarga ao ponto de ir para a sua rede fazer comentários maldosos. É um ponto de vista. Não chamo a isto dar a outra face, é definitivamente ser superior e empático com a miséria pessoal de cada um. Confesso que não teria a empatia para isso, mas acho de louvar. 

terça-feira, agosto 18, 2026

Karma

Semeou espinhos no jardim do vizinho,
riu do sangue que brotou, teve júbilo pelo corte.
Mas no regresso a casa, no escuro do caminho,
descalço pisou, infeliz, a sua própria sorte.

Se Deus não fosse uma frequência

Ás vezes penso como seria se Deus não fosse uma frequência de amor e fosse realmente o Deus monoteísta castigador dos pecados e do mal, o mundo teria bastante mais espaço. Hoje estive a ouvir sobre o suicídio de uma pessoa (um professor universitário) e do assédio público que ela recebeu por parte da comunicação social e de pessoas que dizem coisas horríveis às outras. Agora são todos responsáveis pelo seu suicídio, e enquanto uns fazem um mea culpa, outros continuarão a ser as pessoas nefastas que sempre foram a despejar vitriolo (discursos azedos, ácidos, venenosos e cheios de maldade). Há muita gente amarga e infeliz. Pobres dos fracos de espírito que delas são vítimas. Nem toda a gente tem força para aguentar o veneno alheio. 

segunda-feira, agosto 17, 2026

Nem precisava de saber isto

Mas fiquei a saber que existe uma tal de Rute Sousa, mulher católica e conservadora que diz que o aborto é um homicídio e portanto todas as mulheres são obrigadas a ficar com os seus filhos, até as violadas (o que, neste caso, muitas vezes implica que uma miúda dê à luz o seu próprio irmão, ou sobrinho, ou primo, ou tio).

A minha mente vai apagar a imagem, a voz e - mais importante - as crenças desta senhora, mas não quero deixar de registar aqui no meu diário, para mais tarde revisitar e perceber, a quantidade de gente perigos que por aí existe, em nome da religião ou seja do que for. 

PS. É curioso que ela é uma acérrima defensora do regime israelita, mas matar crianças na Palestina não e homicídio. tenho de desenterrar os discursos dela quando precisar de fazer dieta para que a náusea não me deixe comer.

terça-feira, agosto 11, 2026

A odisseia

É um belíssimo filme. Gostei muito e acho que é o filme de que o mundo estava a precisar para poder fazer uma introspecção. O Ulisses de Nolan não é mais um grande herói aclamado, mas sim um homem atormentado pela bestialidade que presenciou no ataque a Tróia e de como isso nos afasta da virtude que o ser humano deveria procurar. No ato de ter construído o cavalo de Tróia ele violou tudo o que é mais sagrado nas relações humanas, enganou usando o sagrado, destruiu a confiança e profanou a própria Deusa que sempre o acompanhou: Atena. 

Na odisseia de Nolan verificamos como a Grécia antiga se assemelha ao mundo fragmentado de hoje, em guerra (física ou ideológica) e onde o direito internacional é desrespeitado, a hospitalidade inexistente, a diplomacia alvo de zombarias. Num mundo onde não existe honra, como agora em pleno século XXI, este homem procura procurar dentro de si o que é efetivamente válido. A sua viagem de volta a casa trata da purificação da consciência, onde os seus homens falham e por isso perecem, e da esperança de um novo começo iluminado e digno para com a existência. É um filme sobre dor e esperança.

18/20

Ceuta

O fenómeno inédito da entrada de 72000 pessoas num território onde vivem 83000 foi uma manobra de desinformação. Várias mensagens a circular online dando conta de que Espanha iria receber todos os imigrantes que passassem a fronteira e teria alimentação e trabalho para eles. O que se seguiu já sabemos e mal consigo imaginar o medo e o desconforto dos cidadãos de Ceuta a verem-se invadidos e pilhados. 

Consta que a Comissão Europeia já deu conta de novas mensagens a serem passadas para a entrada em massa, no dia 15 de Agosto, nas cidades espanholas no norte de África: Ceuta e Melilla. 

O que mais me intriga não é a reação de jovens homens e mulheres a viverem situações precárias perante a possibilidade de uma melhoria nas suas vidas. O que me deixa mesmo intrigado é a origem destas mensagens e o intuito das mesmas. Que a motivação é política, não tenho dúvida, mas quem? Trump? Putin? Anti-europeístas? 

O pior é o resultado final, a instrumentalização dos marroquinos e o sofrimento das populações invadidas. No mínimo pede-se, em primeiro lugar, que Espanha proteja os seus territórios limítrofes e, em segundo, que se apurem responsabilidades sobre uma prática que, se não me engano, irá tornar-se mais comum. 

A poesia de Matilde Campilho

Há um silêncio bonito quando te sentas ao meu lado,
como se a tarde soubesse exatamente onde deve pousar.
Não é preciso dizer nada, 
basta estarmos aqui e a casa inteira se acalma.

Mais uma para a minha coleção de "Quem diria"


Pra vocês gostar de mim - Anitta

Conhecidos

Há pessoas que não sendo amigas próximas lhes queremos bem. Temos empatia, achamos que são boas pessoas e, por isso, desejamos o melhor para elas. Hoje por acaso confrontei-me com umas coisas proferidas por uma dessas pessoas e não consigo deixar de ficar cheio de pena. Eu sei que já fui muito mau para mim em tempos, mas tenho uma grande dificuldade me aceitar que as pessoas escolham a via da amargura, da auto agressão psicológica reforçando as suas inseguranças e as suas crenças sobre o mundo que as rodeia, quando podiam ter uma vida bem mais bonita, bem mais tranquila e feliz. É um pouco o que escrevia no post anterior, o mundo está muito rápido há demasiados mal-entendidos e as pessoas já não sabem ser felizes quando podiam. Só tenho pena pela dor que infligem a  si mesmas quando poderiam não o fazer.

segunda-feira, agosto 10, 2026

Tempos difíceis

A vida está demasiado rápida e demasiado cheia de coisas. As pessoas andam assoberbadas, infelizes, amargas, porque parece que tudo acontece à nossa volta menos para nós quando na realidade quase tudo o que se vê online é "performance". E esses atores de vidas perfeitas são também aqueles que mais escondem as suas inseguranças, tristezas, insatisfações. Tudo é marketing e andamos muito enganados e cheios de FOMO. O segredo é mesmo desligar. Não ter medo de perder. Pessoalmente, a minha vida simplificou-se quando deixei de ter medo de perder. Uns dias perdemos e outros ganhamos. Isto dá-me paz. Sou contente, não me deixo amargurar, e acho que está tudo bem porque como dizem os antigos "não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe". Não deixo de ser alguém que acredita no devir e que tudo é momentâneo. É só largar se tiver de ser. É a minha dica para os demais, porque felizmente vivo bem.

quarta-feira, agosto 05, 2026

Trump

Ouvi uma expressão que descreve o Trump na perfeição e, podendo ser divertida, é das coisas mais perturbadoras que podem existir para caracterizar o Presidente do país mais poderoso do mundo. "O Trump age como uma criança bêbada". 

Crises

Hoje ouvi uma frase na rádio que ecoou bastante na minha cabeça "não existem crises humanitárias existe uma crise de humanidade". É um facto que as crises humanitárias acontecem em função das relações humanas em todas as regiões.

terça-feira, agosto 04, 2026

O humor do Extremamente Desagradável

Concordo que humor sobre a realidade é difícil de integrar. É mais fácil rirmos de uma caricatura exagerada de nós próprios (como faz o Herman) porque podemos dizer que é só um boneco. Mas quando não nos podemos afastar do ridículo do que dizemos é bem mais difícil, porque afinal fomos nós que preferimos as palavras que são - agora - motivo de humor. É bem mais difícil de fugir à imagem de nós mesmos. 

Este tipo de humor é apenas humor, não é humilhação ou bullying e acho bem grave, até, que se usem estes conceitos tão importantes como se estivéssemos a falar de batatas fritas. Hoje em dia tudo é bullying e tudo é humilhação. Não é. Neste caso falamos de um programa de humor que não é para ser interpretado de forma literal. A literalidade é uma questão muito importante. As pessoas hoje em dia (generalizando) são de tal maneira  básicas e acham-se tão importantes que acabam por ser demasiado literais. Não entendem a ironia, a subtileza, etc. 

Para as pessoas que ainda sabem falar bom português e percebem de gramática e/ou as pessoas que não se levam demasiado a sério, este programa é brilhante e a Joana Marques é uma estupenda humorista. Claro que também existe gente que terá estas características e não gosta do programa, mas não emite ideias boçais sobre o assunto.  

Acontece que o mundo vai muito mal quando toda a gente acha que a sua opinião é pertinente no debate público. Eu, por exemplo, tenho opiniões que são expressas num blogue que é público, mas que é um diário de bordo e não um centro de debate (onde eu não serei visto, por não considerar que tenha assim tanta importância o que acho). Tenho saudades dos meus tempos de miúdo em que não havia internet e a opinião era dada por pessoas com cultura, com saber real. Hoje em dia temos de levar com milhares de opiniões sem estudo, sem saber e fundamento. 

Por exemplo, a maior parte das pessoas que comentou o episódio Mafalda Matos, nem ouviu o programa ou nem teve a capacidade de interpretar o que foi dito. Estão a emitir uma opinião de algo que se fala no momento, algo que alguém falou e que é um tema quente e como tal vamos lá falar nisso também e multiplicar opiniões sobre autismo, sobre bullying, sobre seja lá o que for. Acima de tudo trata-se apenas de destilar maledicência. E todos temos de "mamar" com isto. Pena. Muita pena do estado da nossa civilização.