quinta-feira, fevereiro 05, 2026

Metáforas

Diz que a casa é uma metáfora das nossas vidas. A minha casa está a meter água que se farta. Se calhar na vida também. Tenho estado a cuidar da casa o melhor que posso para não existirem grandes danos. Se calhar na vida também. 

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Coisas boas

A minha mãe é ela mesma outra vez. Continuará dorida por muitos anos, mas, com pequenos ajustes, recuperou a vida de sempre, as rotinas de sempre. É uma guerreira. Na primeira metade do século passado, as pessoas faziam-se mesmo de materiais mais fortes.

Quando não se consegue fazer sentido

O tempo continua a passar desde o final da última relação e estou a viver o período mais longo em que deixei de olhar para o lado a pensar se aquela poderia ser "a pessoa". Não tenho interesse. O sonho morreu? Acho que não. Mas talvez o ter vivido o sonho a dada altura e tê-lo visto desaparecer completamente impotente (apesar de ter feito o possível e impossível para que tal não acontecesse) fez-me sentir que não quero passar por isso de novo. A vontade de não passar por sonhos desfeitos tornou-se maior que a vontade de realizar sonhos. E isso tem mudado a minha postura perante a vida. Não consigo fazer sentido de certos factos passados e a minha incompreensão torna-me fechado e defensivo. Até hoje sempre tinha conseguido compreender o que se tinha passado, mas aqui foi tudo tão surreal e contrassenso que me mina qualquer tipo de vontade de estar em jogo. Encolhi. 

domingo, fevereiro 01, 2026

Avatar: O Caminho Da Água

O primeiro Avatar é um dos meus filmes favoritos. Gostei mesmo muito. Hesitei muito sobre ver as continuações porque poderia perder alguma da ilusão que o filme me tinha deixado. Não sei se foi porque estamos numa época diferente e passou muito tempo, não sei se porque o segundo capítulo sofre do problema de todos os segundos capítulos das trilogias que radica em ser o enchimento entre as partes narrativas que realmente interessam. Achei o argumento fraco em concretização. Percebo a ideia, mas não me fez muito sentido algumas das opções, nem mesmo a própria narrativa. Assim, que achei engraçado pela tecnologia envolvida, e pouco mais.

12/20

Viagens

Para já Sevilha e Paris estão garantidas, Amesterdão ainda está no prelo. 

Assim que tiver tempo

Assim que tiver tempo e liberto das avaliações do PhD. Vou voltar às costuras. Há muito tempo que não faço nada, mas tenho muita roupa para "rever" e uns quantos lençóis para ajustar e mais uns para fazer. Está uma Olívia Costureira no forno.

sábado, janeiro 31, 2026

Pop Mega Party 90s/00s

Disse às minhas primas que me sentia vazia e que precisava de conhecer pessoas novas.  Como sabem que eu gosto muito de dançar, combinamos ir a uma festa de música dos 90s/00s e de repente lá estava eu num grupo de 14 pessoas (seis da minha idade e sete nos 28/30). A música esteve ótima e diverti-me estrondosamente. O facto de não ser um local gay e de a frequência ser fundamentalmente jovens deixou-me mais liberto para poder dançar como me apetecesse. 

Fui de botas Doc Martens, camisa xadrez com mangas arrancadas e jeans elásticos, bem aos estilo 90s e a partir dali, foi sentir o espírito e deixar a música sair pelo corpo. Aconteceu algo que não acontecia desde 2008 (quando no Trumps apareciam umas miúdas cheias de estilo que gostavam de dançar e a querer dançar com gays porque se sentiam seguras a ser mais sexy sem chatices), umas miúdas dos seus 20 anos vieram perguntar-me se podiam dançar comigo, claro que podiam. Quando saímos para dançar é para isso mesmo. 

Uma das amigas da minha prima mais nova, tinha um groove fenomenal e diverti-me mesmo muito a dançar com ela. Professora, 30 anos, 2 filhas pequenas e uma vez no mês ela e o marido (em separado) fazem uma saída com os seus amigos e o outro fica com as crianças. Uma miúda já cheia de responsabilidades, inteligente, com um trabalho exigente e não deixa de ser vibrante e cheia de alegria.

Saí de lá com o corpo em frangalhos (porque dancei como não o fazia há uns 10 anos), mas de coração muito cheio. E com convites para jantar e com convite para uma despedida de solteira em Ibiza ou Itália (ainda a decidir). 

Quando cheguei a casa o Limão estava enrolado na manta quentinho e nem se mexeu. Fui para a cama com uma boa energia tremenda e a pensar que na próxima Pop Mega Party lá estarei e melhor ainda se o grupo for assim de bom.

sexta-feira, janeiro 30, 2026

O que eu mais gosto na vida

O que eu mais gosto na vida são as relações humanas. A ligação que podemos fazer/ter com outro indivíduo. Faz-me sentir cheio. A forma como tocamos alguém ou alguém nos toca em essência é algo de muito especial para pessoas que acham que memórias partilhadas são o mais bonito que há. 

As memórias partilhadas, com o nosso parceiro, com família, com amigos, podem ser até com um estranho (como quando - na Tailândia em 2017 - duas senhoras de 69 e 65 anos me convidaram para me sentar na mesa delas a beber uma bebida e conversar e nunca mais me esqueci do que uma falou sobre o amor da vida dela com quem esteve apenas 5 anos).

É isso que me dá "gás" o contacto humano, as ligações que consigo estabelecer, a troca de energia que se dá. Nos últimos tempos tenho feito tudo ao contrário. Tudo do avesso. Não sou uma ilha e tenho tentado viver como uma ilha barricada contra os piratas. Às vezes sou tão totó, mas uma das minhas características é desenraízar-me com facilidade. Por isso, é retomar, as vezes que forem necessárias.


Models Strangers' Daniela said

Big Lesson: Dare.

Life is about: Giving love, be surrounded by the right people, share good energy and good vibes, try to be humble, avoid biases, open to everything that life brings to you. 

quarta-feira, janeiro 28, 2026

Poesia coreana

Hoje vou plantar uma flor 
num canto da sombra onde te conheci;
quando a flor crescer e desabrochar,
toda a angústia que surgiu do nosso encontro
transformar-se-á em pétalas
e voará para longe.

- Mah Jonggi -

O tempo é finito

É uma noção básica da qual não temos sempre presentes as implicações. 

segunda-feira, janeiro 26, 2026

Para (eu) mais tarde recordar

As marmitas dos almoços desta semana com couves de Bruxelas e frango em redução de moscatel ficaram um espetáculo. 

Ando a precisar disto



Locked In - David Guetta, Morten (feat. Trippie Redd)

(Dançar cura tudo e um par de botas...)

Ela

Por trás do meu discurso mais pessimista existia algo escondido. O que ela diz esteve sempre certo até hoje. É fazer o que ela diz e pronto, mas já me cansa um bocadinho estas flutuações (demasiadas em tão pouco tempo).

domingo, janeiro 25, 2026

Younger

Não conhecia a série, mas a Netflix sugeriu e eu na minha encarnação de "cat lady" lá fiz o meu binge. No ar entre 2015 e 202, esta "dram/com" fala sobre o idadismo de uma forma leve e ainda passa por toda a agenda do politicamente correto, sem ser chata a esse respeito. 

Liza um mãe de 40 anos resolve voltar ao mercado de trabalho depois de 18 anos e enfrenta todo o tipo de preconceitos, que resolve vencer fazendo-se passar por alguém com 26 anos. Esta mentira aparentemente inocente dá origem a muitas situações cómicas, mas também verdadeiros dramas complexos. 

As primeiras 4 séries são muito boas e depois começa a cair um pouco a qualidade do enredo, com uma última série a acabar ali tipo "Game of Thrones", deviam ter investido um pouco mais para acabar com um BANG e não com um PFFF.

Não obstante foi muito agradável de ver, e volto a dizer que foi a melhor integração de politicamente correto que já vi, a diversidade de orientações sexuais, idades, credos, status, raças, etc. é enorme e sempre a fazer sentido.

quinta-feira, janeiro 22, 2026

Expetativas

Sempre fui um sonhador, um otimista, sempre acreditei ou esperei por algo. Na minha mente a seguir a qualquer coisa viria outra coisa melhor ainda, mesmo que não fosse logo a seguinte. Porque nada resultou neste meu modo de ver a vida, há cerca de 3 meses, tive esta ideia de viver sem expetativas externas e de esperar apenas de mim, ou seja, o que posso controlar. 

Parece que esta ideia de reduzir as expetativas ao mínimo, também reduziu a minha vida ao mínimo. Trabalho, estudo, vou ao ginásio e estou em casa sozinho ou saio sozinho. O fim de semana que passei em Roma (como que fora do mundo real) deu-me uma comparação com o que, atualmente, é o meu quotidiano; apercebi-me contundentemente de que viver sem expetativa me mata em essência. 

Não consigo perceber se como me comporto agora é fruto das circunstâncias, ou se existe um novo eu. Não sei o que está aqui e enquanto não perceber, o melhor mesmo é ficar inerte, com a exceção de resistir à tentação de estar sempre sozinho. Pensei que já tinha caído tudo o que tinha de cair à minha volta, mas creio que o processo ainda não está completo. Estou agora a afastar-me até das coisas que me são queridas para ganhar perspetiva. Saramago dizia que "temos de sair da ilha para vermos a ilha". Por aí ando; mas é um lugar solitário. O que fora de mim foi verdade nestes últimos anos?  Sei que foi tudo verdade o que senti pelas pessoas, mas até que ponto simplesmente imaginei/fantasiei o inverso?  

Viver sem expetativa poupa-me às charadas e aos passos em falso, mas poupa-me à vida também, ao que me dava sentido. Ainda não consigo fazer sentido de nada. 

quarta-feira, janeiro 21, 2026

Vamos lá experimentar a Honor.

Viva a troca de pontos e os saldos. 

terça-feira, janeiro 20, 2026

A Cicatriz - Maria Francisca Gama

Quando resolvi ler o livro, fi-lo porque me apetecia ler um novo autor português. Não sabia sobre o que tratava e soubesse não o teria lido. Spoiler. Uma das coisas que mais me choca na vida é a violação, razão pela qual evito qualquer filme ou série ou livro que falem sobre isso. Quando percebi durante a leitura do que se tratava, resolvi ir em frente na mesma e enfrentar o desconforto.

É-me por isso muito difícil falar deste livro. Mas ao jeito de sinopse, A Cicatriz conta a história de um casal que embarcam numas férias de sonho no Rio de Janeiro. Tudo está a ser perfeito até ao momento em que se dá um acontecimento marcante, que os separa para sempre.

Posso dizer que chorei a ler toda a parte mais violenta do livro - pela personagem e por todas as pessoas que sofrem este ato por parte de alguém. 

A primeira consideração que faço sobre a autora é que tem uma boa imaginação, que sabe construir blocos narrativos e que o livro tem uma estrutura narrativa muito boa. Mas acabo aqui com o positivo.Senti que este livro escrito pela Valérie Perrin seria - talvez - uma coisa muito bela, porque é preciso ter profundidade, sensibilidade, e compreender a dor, a desgraça e a miséria humana nas suas diferentes manifestações. 

A escrita da autora (ou voz da autora) é uma escrita muito jovem, mas não sentido fresco do termo, é uma escrita para a geração Instagram, que adora "lamber" o superficial, para quem o efeito de choque, ou a repetição de descrições de marcas e roupas e lugares é suficiente. Há aqui um efeito plástico pronto a consumir, que me desagrada profundamente. Outro fator que me desagradou foi a escrita "beta". Não conseguia deixar de olhar para a personagem como uma beta e que o que está a ser contado por palavras poderia ser visto em stories do Instagram. Este livro não é fantástico, este é um livro para influencers, para malta nos seus 20s mostrar que lê coisas sobre assunto sérios como a violência contra as mulheres, e debitar três ou quatro frases interessantes enquanto mostram uma foto do livro num arranjo altamente estético e Instagramável. Não acho que faça justiça ao tema. Mas eu não  sou crítico.

11/20

Açucar Queimado - Avni Doshi

O meu primeiro livro de 2026 é também o romance de estreia de Avni Doshi que foi finalista do Booker Prize. A minha expectativa sobre a narrativa de uma relação tóxica entre uma  filha habituada ao abandono pela mãe precocemente demente e de quem tem de cuidar agora, era logicamente elevada. 

O certo é que nunca consegui captar a tensão entre mãe e filha como a que existe no magistral Uma Duas de Eliane Brum. A história é contada também no passado, mas nunca senti efetivamente a veia rebelde da mãe (que abandonou todas as expectativas relativas a uma mulher na sociedade indiana, abandonando paralelamente o cuidado da filha), nem nunca consegui sentir efetivamente o trauma mental que supostamente se constitui na filha e que determina o seu modo de vida em mulher adulta. 

Pode dar-se que pelo motivo de os factos serem referentes a uma cultura que não domino, podem ter a ver com a minha falta de engajamento na trama. Não obstante, Lar em Chamas de Kamila Shamsie, cativou-me muitíssimo. 

Os personagens também não me cativaram. Às vezes acontece que estamos a ler e gostamos muito dos personagem, da forma como estão construídos, mas no caso isso não se deu.

13/20

Rizzers



Kiss me like there is no tomorrow - Rizzers

Desinteresse

Não tenho dúvidas de que o celibato foi uma das minhas melhores decisões dos últimos anos, mas eu tenho uma tendência para cair em polos opostos e parece que corro o risco de que o desinteresse se instale. Há - de alguma forma - uma relação com o facto de não querer nada que não seja minimamente significativo, por um lado, e por outro lado com o facto de não estar a procurar relações. 

Nestes meses a minha vida tornou-se um ciclo de trabalho, estudo, ginásio, dança e casa. Os amigos têm sido uma parte importante, mas neste último mês nem os amigos procurei muito, se não fossem as viagens à Madeira e a Roma (das quais eu quase desisti) ia continuar na minha vida pouco social. Mas ainda bem que as fiz e foi maravilhoso cada uma das duas.

É claro que tenho de fazer algo para alterar este estado, pelo menos o de viver em "solitude". A psicoterapeuta quer que eu não deixe de estar em movimento, que mesmo não procurando conhecer/interagir com rapazes, que continue a procurar os amigos e que os inclua nas minhas atividades. 

É um facto também que gostava de alargar os horizontes, conhecer pessoas novas, mas estou a fazer muito pouco por isso. Podia no ginásio retribuir sorrisos ou olhares e simplesmente não me apetece. Até a minha mãe já se "meteu ao barulho", no sentido de me alertar para que eu não me feche demasiado. Eu digo umas parvoíces para as pessoas ficarem felizes e afastar a preocupação que possam ter, mas depois não dou energia ao que disse. 

É claro que tenho de fazer algo, mas ainda não percebi como. Vou pelo menos tentar não deixar cair o convívio com os amigos e não me transformar numa "cat lady". A realidade é que passo o meu tempo livre em casa com o gato no peito a fazer-lhe festas, e é bem bom.

segunda-feira, janeiro 19, 2026

Inusitado

Estava eu com o G a sair de uma igreja (onde fomos ver um quadro de Caravaggio) quando aparece um amigo dele, que vinha com um amigo que estava a ficar em casa dele. Qual não  é o meu espanto quando vejo que o amigo visitante é um dos atores porno da Tim Tales. Acabei por conhecer o Mário Galeno que é funcionário público como eu. Ficamos ali uns 20 minutos a conversar sobre o fascismo na Europa e fomos cada grupo à sua vida. Foi,  de facto, inusitado. 

Roma

 Se o fim de semana na Madeira foi ótimo. Estes 4 dias em Roma foram estupendos. Os meus amigos de cá tornaram o período inesquecível. A B lembrou-me a quantidade de anos que passaram desde a última vez. Não  fazia ideia. 

Desde os restaurantes cuidadosamente escolhidos pelo G (que também foi um guia turístico de primeira água) ao abraço  quentinho da B, saio daqui cheio de boa energia para voltar em força ao PhD e às avaliações. 

Não me vou esquecer da meditação na igreja e o posterior encontro no Castelo Sant'Angelo. Foi uma coisa muito especial. Aqueles sinais que queremos muito que sejam verdade.

A arte religiosa, o barroco e os passeios ao longo do Tibre são memórias que ficam fortes e os cannoli de laranja na Dolci di Nonna Vincenza também vão ficar para a vida.  

Ps. Sem querer ser repetitivo, o abraço da B (e aquele sorriso que nos afaga), a gentileza do G e a sua cultura em história vão fazer-me falta. 

Vou voltar. Fica a promessa. 

sexta-feira, janeiro 16, 2026

15 dias

Faltam 15 dias para a libertação.  Para mais um recomeço. Espero que este reset seja o ponto zero de uma bela e longa história. 

quinta-feira, janeiro 15, 2026

Anaconda

Acho que era suposto ser um comédia de terror. O meu problema com as comédias americanas é quando elas são demasiado americanas (e esta é). Não tenho necessariamente nada de bom ou de muito mau para dizer. É assim um filme que se vê, quando se tem tempo morto e estamos sozinhos (que foi o caso). A história é tonto, os desempenhos mais ou menos, os cenários são bonitos. Dá para passar o tempo. 

10/20

Sem palavra

Nunca soube o que foi naquele dia
mas sabia que era coisa muito funda e velha 
que de vez em quando vinha como pra dizer 
que muita dor é sem palavra.

*Mónica Toledo Silva*

quarta-feira, janeiro 14, 2026

Espanta-me

Ainda fico espantado com a maldade das pessoas. Com o mal que alguém pode desejar a quem não seguiu/não é o que entende por certo, com o mal que se pode falar nas costas/nos bastidores. Mas nos últimos tempos, sendo eu o visado, para além da perplexidade (que creio nunca conseguir deixar de sentir) tenho apenas pena pelo amargor na boca de quem aciona a maldade e sinto-me só distante desse tipo de sentimento. 

A minha sobrinha - quando tinha oito anos - disse-me uma vez "pessoas bonitas são aquelas que têm amor no coração". Acho que está tudo dito. Por isso e seguindo o padrão da minha sobrinha, num mar de fealdade vou procurar a beleza e procurar ser bonito também. 

segunda-feira, janeiro 12, 2026

Este fim de semana

Fui muito, mas mesmo muito, feliz aqui na Madeira. Que grato por estas pessoas.