segunda-feira, junho 21, 2021

Desenterrar os anos 90 - 14


Everyday is a winding road - Sheryl Crow

O mano fez anos

E de prenda recebeu um makeover da sala. A mãe meteu o dinheiro e eu tratei da decoração. Ontem, olhar para o trabalho finalizado, para as novas fotos da família nas molduras, foi uma sensação muito boa. A cereja no topo do bolo foi uma foto do gato dele (que morreu em dezembro) que eu tinha tirado e  esquecido num disco externo. Ele ficou muito emocionado com a foto e, acima de tudo, estava verdadeiramente feliz. É para isto que se vive, diria, bons momentos que ficam gravados na memória. 

quarta-feira, junho 16, 2021

Thandiwe Muriu

Adoro a fotografia da Thandiwe Muriu. Encontrar esta celebração da cor nos dias que correm não é comum, e se lhe juntarmos o conceito filosófico da camuflagem, embrulhado numa estilização neo-étnica, é definitivamente um festim para os meus olhos.




 

COVID 19 - porra da doença pá

Depois de um estudo a 2 milhões de americanos, que recuperaram da COVID19, chegou-se à conclusão  que cerca de 25% fica com sintomas persistentes e desenvolve novas doenças. Também já se sabia que a COVID (na forma da variante indiana) favorece e facilita o aparecimento da mucomircose (fungo que provoca a necrose dos tecidos). Já não há paciência para esta doença, mas quanto mais se souber melhor. 


segunda-feira, junho 14, 2021

Desenterrar os anos 80 - 13


Where did I go wrong - UB40

Diz a Maya que interessa

‘I’ve learned that people will forget what you said, people will forget what you did, but people will never forget how you made them feel.’

Maya Angelou

Ouvi uma coisa que me arrepiou

Por causa da quantidade de casos de bullying que vai acontecendo um pouco por todo lado (o que não é nada de novo, eu próprio sofri esses abusos na escola, mas no meu tempo não tinha um nome e os média não prestavam atenção a isso) um senhor e uma senhora - na fila da farmácia - chegaram à conclusão de que o Salazar devia voltar como resposta. Isto é arrepiante e mostra o nível de ignorância e falta de capacidade de raciocínio de grande parte do nosso povo. Os meus pais e avós viveram os anos da ditadura e não era nada bonito ou bom. É interessante ouvir estas frases de quem não viveu esse tempo ou dele tem memória. 

O autoritarismo não traz nada de bom, o que somos hoje tem muito a ver com os anos de ditadura e subjugação das mentes. A massa é em grande parte bruta e/ou oportunista, os nossos políticos são uma lástima e não há sociedade civil com capacidade para impor restrições. Estamos condenados a ser uma república das bananas ou subjugados. Ainda assim, prefiro estar numa república de bananas onde posso existir de forma livre. 

Não deixa de doer, apesar de tudo, ver tanta gente incompetente e/ou indecente nos lugares que podem mudar o caminho da nação. Há gente de valor, claro, mas a luta seria tão dura que preferem manter a distância da política e da governação. Carreiristas, oportunistas e cultivadores de egos são a maioria dos sentados no parlamento. À esquerda e à direita. Estamos, como diria o meu irmão para bom entendedor, fecundados

Um lugar silencioso 2

Gostei da parte dois do filme e tenho quase a certeza de que será um trilogia (precisamos de um final em grande que restaure a fé nos sentimentos humanos). Os efeitos especiais aqui não são o herói, mas sim a estrutura do argumento e os momentos de tensão e saltos na cadeira que provoca. Neste departamento, creio que o filme até oferece mais que o antecessor. Talvez por ser uma ideia mais acabada. 


15/20


sexta-feira, junho 11, 2021

A gata do ex

Soube hoje que a gata do meu Ex morreu. Tinha um tumor e teve de ser abatida. Foi graças aquela gata que eu desenvolvi tolerância aos gatos e sem ela o Limão não teria sido adotado (teria salvo o gato na mesma, mas eventualmente não me teria aventurado a ser o humano dele). Acho que o Ex a deveria ter tratado com mais atenção. Era apenas uma pertença dele, não um membro da "família". Espero que ela tenha sido feliz a maior parte do tempo. Convivemos apenas 4 anos e não a via desde 2014, mas nunca me esquecerei dela. Até sempre Chica Cool (foste o Russian Blue mais bonito que conheci).


quarta-feira, junho 09, 2021

Aviso à navegação

Vamos deixar para sofrer pelo que é realmente trágico, e não por aquilo que é apenas um incômodo, senão fica impraticável atravessar os dias.

by martha medeiros

terça-feira, junho 08, 2021

Encontrei no top das mais lidas

No top das postagens lidas hoje (aqui no blogue) estava uma de janeiro de 2007. Às vezes acontece e vou lá atrás visitar o "eu" da altura, nem sempre o mesmo de hoje. 

O post em questão era para o Ex que se portou muito mal comigo e originou a vontade de criar este blogue em dezembro de 2006 (tenho a agradecer-lhe isso). Verifico que mudei mesmo e não sei se gosto. 

Dizia na altura "estejas onde estiveres, com quem estiveres, quero que estejas bem. Quero que estejas/sejas feliz. Apesar dos pesares, é o pensamento mais frequente que tenho a teu respeito. Cresce e sê feliz". 

Li isto e a primeira coisa que pensei foi, se fosse hoje queria lá saber se ele estava bem ou não. Só quereria obliterá-lo do meu pensamento e da minha existência. Acho que estou bem mais intolerante com a idade. 

A realidade é real?

"Confusão, desinformação, comunicação. Até que ponto é real o que ingenuamente costumamos chamar realidade?" Paul Watzlavick

Talvez um dos pontos de vista mas interessantes a que fui exposto durante o curso de sociologia (o outro foi o interacionismo simbólico através da Representação do Eu na Vida Quotidiana de Erwin Goffman.)

A realidade é tão frágil e quebradiça.

Desenterrar os anos 70 - 13


I don't wanna talk about it - Rod Stewart

segunda-feira, junho 07, 2021

Como transformar o início de férias num pesadelo

Aproveitei o feriado da semana passada para tirar 5 dias de férias no Algarve. Pensei que era giro levarmos a cadela do namorado, uma vez que ele está menos tempo com ela do que gostaria. 

À chegada, abri a porta de casa e descobri que toda a poeirada das obras exteriores do prédio tinha entrado por baixo da porta. Pensei que seria bom verificar o terraço, mas a persiana da sala caiu mal puxei a fita. O terraço parecia um cenário pós apocalíptico  cheio de tinta e manchas. Pensei não há stress tratamos disto amanhã.

Acordamos fizemos o pequeno almoço e fomos passear a cadela. Deixamos a cadela em casa e fomos comprar a comida. Quando voltamos havia água a sair pelas escadas do prédio tipo cascata e vinha de onde? Da nossa casa. Tinha rebentado um cano. A cadela estava toda nervosa e encharcada, a inundação chegou à casa inteira e estava um cenário daqueles. O primeiro dia de férias foi passado assim, a tirar água de casa, a limpar e a tentar que as mobílias e as portas não se estragassem. 

No final do dia estávamos mais podres do que quando chegamos. E juntemos a isto um Labrador que exige mimo constante. Dormi até às 12.30 do dia a seguir.

quinta-feira, maio 27, 2021

Coisas que me irritam

No saber distinguir o uso das palavras aderência e adesão. Ainda hoje uma atriz agradeceu a "aderência das pessoas" ao projeto. 

quarta-feira, maio 26, 2021

Saudável de corpo e mente

 


O Lenny Kravitz faz hoje 57 anos. Acho que é um exemplo acabado da expressão mente sã em corpo são. E claro, se há alguém com esta forma física e forma de estar aos 57, então há esperança para todos. Viva os 50 e mal posso esperar por ver os 60. É uma inspiração. 

terça-feira, maio 25, 2021

Coisas chatas

Ontem o Macaquito bateu com o meu carro. É sempre uma chatice daquelas, pelo facto em si e pelo facto de ele se sentir responsável por estragar propriedade alheia. Só não acontece a quem não anda na estrada. Do meu lado a grande chatice mesmo é ter de tratar dos sinistros com as seguradoras (tira-me anos de vida).

Festival Eurovisão

Este ano gostei de alguns países: França, Suíça, Islândia, Lituânia, Itália. Achei que os Black Mamba estiveram estupendos (apesar da canção ser um bocado morna).

sexta-feira, maio 21, 2021

Desenterrar os anos 90 - 13


It ain't over 'til it's over - Lenny Kravitz 

Quando é que percebemos que deixámos de ser carreiristas?

Quando nos acenam com um emprego a receber 8000 euros limpos em Paris e a única coisa que nos vem à cabeça é o transtorno que pode causar à família. 

quinta-feira, maio 20, 2021

Desenterrar os anos 70 - 12


Big yellow taxi - Joni Mitchell

quarta-feira, maio 19, 2021

Belo artigo de Patrícia Reis sobre mão de obra ilegal

Abaixo deixo um excerto relativo à situação portuguesa, mas fala de uma outra coisa que é a banalização do mal e do efeito choque durar segundos. Pode ser lido na integra aqui.

Para mim mostra também que não há esquerda e direita, há bons governos e maus governos. No nosso caso somos um país mal governado desde sempre. 

«O que mais choca é saber que os diversos governos, direita e esquerda, visitaram, em várias ocasiões, as quintas onde estas situações se prolongam e... nada. Não aconteceu nada (...) Vivemos num país de voyeuristas, pois, e de cuscas. Não vivemos num país onde a dignidade da vida humana tem um limite abaixo do qual não vai. Isso não temos. Há sempre uma alma a recordar-me que, num país nórdico qualquer, isto nunca aconteceria. Nada de ilegalidade, de exploração laboral, de tráfico de pessoas. Quero lá saber, francamente, o que me importa é o que andamos nós a fazer. A ver passar a miséria dos outros? (...) Durante uns dias falamos de Odemira, falamos de condições paupérrimas de vida e depois partimos para outra direção. Como se não fosse importante manter a mão na ferida, como se não fosse crucial resolver.»

terça-feira, maio 18, 2021

Perder a fé

Tal como um cirurgião no ativo não pode sofrer de Parkinson, os lugares cimeiros da vida pública não devem, também, ser ocupados por pessoas de fraca decência ou moral duvidosa. Isto faz-me perder a fé. É assim que se perdem batalhas, porque quem perde a fé retira-se. 

Lembro-me muito das palavras da minha professora de inglês do 12º ano. Ela tinha perdido a fé (tinha 48 anos) e precisava de nós (miúdos de 18 anos) para acreditar, da nossa vontade de mudar as coisas. Éramos o futuro. Quase 30 anos depois, tenho menos 1 ano que ela, e se calhar vou mais longe no descrédito. 

Contudo, ao contrário dela, não me sinto infeliz por não acreditar nas organizações, por não me rever nos comportamentos de colegas no trabalho, por não me rever no população portuguesa em geral. Há mais vida. 

E não me sinto derrotado ou desistente, a minha perda de fé simplesmente me diz que existem outros sítios onde aplicar as minhas energias e o que de melhor puder dar. Não há drama nenhum nisto. 

segunda-feira, maio 17, 2021

sábado, maio 15, 2021

Bruno Nogueira sobre Maria João Abreu

«A tragédia da história da Maria João Abreu, contém nela própria uma beleza nem sempre fácil de ver nestes dias escuros.

Ao assistir às inúmeras e comovidas declarações em reação à sua morte, percebe-se que o trunfo maior que temos enquanto por cá andamos, é o de nos multiplicarmos em amor. Parece piroso, parece até um clichê, mas resume-se a isso: Multiplicarmo-nos em amor. A Maria João parece ter alimentado afetivamente os amigos certos, e preenchido o peito dos familiares com matéria prima resistente e duradoura.

É certo que uma carreira bem sucedida é sempre uma belíssima recompensa para quem trabalhou tanto como ela. Também é certo que o grande público guardará na memória os seus trabalhos de atriz nas mais variadas áreas ao longo destes muitos anos.

Mas não tenho memória de muitos artistas dizerem, em fim de vida, que deviam ter trabalhado mais e melhor. O arrependimento tem sempre que ver com o afeto, esse bicho estranho.

O que resistirá ao tempo, e a tudo o que apaga a memória, é o afeto. A família, os amigos, os que trabalharam com ela e se sentiram melhores por a terem conhecido.

Para que lado pende a balança entre legado artístico e legado afetivo? A Maria João parece ter conseguido os dois, e, acreditem, é feito raro. Enquanto escrevo isto, lembro-me do António Feio. E deu-me muitas saudades. Também ele fez dessa balança peso equilibrado.

Não conhecia pessoalmente a Maria João, e só de ver a herança emocional que ela deixou aos seus amigos e colegas, já sinto uma pena tremenda de não o ter sido também eu.

Não torna o dia claro, mas ajuda a que chova um bocadinho menos.»


Achei uma reflexão muito bonita.