Neste momento o meu "role model" é definitivamente a Madonna. Também estou a envelhecer e a sociedade puritana, amarga ou poucochinha, entende que uma pessoa tem de envelhecer 'graciosamente' e de acordo com regras estabelecidas pelos que perderam "o gás" ou que nunca o tiveram. No final, quem produz mais, quem desenvolve mais, quem atinge mais, não é quem critica: é o criticado. Há uma espécie de justiça poética em tudo isto. E os comentários nunca são sobre o legado, mas sim sobre as roupas, os hábitos, as relações, os lugares frequentados serem próprios ou não para pessoas de uma 'certa idade'.
Como bem disse a Cher quando uma jornalista lhe perguntou se ela não tinha ido longe demais nas cirurgias estéticas, ela simplesmente disse "se eu quiser meter uma mama nas costas meto, ninguém tem nada a ver com isso".
Um adulto deve fazer aquilo que bem entende no que concerne o modo como age sobre o seu corpo e sobre a gestão da sua vida. O que interessa se a roupa é justa, se o namorado é 20 anos mais novo, se vamos dançar até às 6h da manhã? Quem o faz é porque pode. Quem não pode ou quem não quer que fique na sua vida com a qual também ninguém tem nada a ver. Mas a sociedade que interessa, vive e deixa viver. O resto... é apenas o resto.
2 comentários:
O anterior primeiro ministro do Canadá, Justin Trudeau, 54 anos, depois de sair do governo há pouco mais de um ano, abraçou a vida como acha que a deve viver - e apesar de muita gente o criticar por se ter divorciado e (talvez) querer manter-se na ribalta - agora através de uma cantora super star americana - e de muitos o acharem ridículo etc etc, ele pouco se importa e vive como quer. Ele próprio admitiu que o seu papel enquanto político o suprimiu muitas vezes de viver como queria. Virou a página e reencontrou-se. O que é ótimo! Eu acho que há aqui várias nuances que merecem atenção. A batalha que ainda falta vencer é quase um paradoxo: se o objectivo é ser-se fiel a si mesmo, então os comentários devem ter a importância que têm:zero. Se ainda estamos a prestar atenção a comentários, não somos verdadeiramente livres - ou estaremos a representar sê-lo, precisamente porque bebemos (vivemos) desses comentários? A aceitação alheia é ainda extremamente importante na vida das pessoas, afinal somos seres sociais que dependemos dos demais. Mas o problema é que estas opiniões são sempre altamente divisivas e arbitrárias. A minha questão é: é possível ser-se quem é, como se quer ser, sem estar preso ao que dizem, mau ou bom? Ou quando tentamos ser quem somos, contra corrente, contra culturas estabelecidas, contra expectativas sociais, estamos a sê-lo e a fazê-lo porque, implicitamente, queremos ganhar a aceitação alheia (já que não estamos satisfeitos com o status quo)?
Eu percebo o teu ponto de vista. Mas creio que podemos olhar para o mau e o bom apenas enquanto uma reflexão crítica. Eu muitas vezes falo das coisas porque acho que a mentalidade deve mudar, não obstante, se a mentalidade do outros não mudar, eu também não vou mudar, vou continuar a ser exatamente da mesma maneira porque é aquilo em que eu acredito e aquilo com que me sinto bem. Não estou satisfeito com o status quo, mas não me impede o movimento. Não deixo de beijar na rua um namorado, ou de vestir saia, ou de dançar até às 6h. Na realidade os comentários têm valor zero (para mim) mas sinto que tenho de falar destas coisas, porque há pessoas que não têm a mesma força, para serem o que melhor lhes aprouver. Nunca se sabe, quando se consegue plantar uma semente de coragem em alguém.
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