terça-feira, maio 05, 2026

Testes

Acredito muito em energia e acredito em predestinação. Acredito que existe um caminho que temos de percorrer e que a nós é deixado o livre arbítrio de como o percorrer. Apenas podemos decidir como vamos fazer o caminho que temos de fazer. Não há outro. Podemos não cumprir esse caminho, esse potencial de ação, e teremos de voltar para o percorrer numa outra vida quem sabe.

Às vezes tenho a sensação de que estou a ser testado, mas os testes são enganadores ou o nosso ego é enganador e (como não sabe viver com a paz) prega partidas, essa falsa sensação de perigo para que seja sempre necessário.  Há muitos anos anos que não me sentia tão conectado e tão consciente da vida, da forma como me relaciono com as pessoas e as coisas, mas ao mesmo tempo questiono-me. Estou como Sócrates "só sei que nada sei". A maior expansão da consciência leva-nos a perceber como muitas linhas são ténues e que as certezas (muitas vezes) são vãs e que olhando melhor, ou olhando menos até perceberíamos tudo o que há para perceber. 

A dúvida permanece. Estarei a fazer bem, estarei a fazer mal? Estarei a agir como deveria, estarei fora de pé? O único conforto que posso encontrar é o desapego, não temer a perda, não me importar de ficar com nada, porque o nada somos sempre (pelo menos) nós. Tenho estado a ser arduamente testado nestas últimas semanas e fiz a minha paz com a perda ou com o desapego, porque há sempre algo por vir e a impermanência da vida tem também um lado positivo. Perder também é ser leve. Como escreveu Christian Bobin:

É preciso muito tempo para nos tornarmos jovens.
É preciso perder muita coisa
para ganhar a leveza de uma pétala de rosa
que cai sem fazer barulho.

4 comentários:

Francisco disse...

A Idade tem destas coisas, apenas dizer que por vezes quando dizíamos que era assim, afinal não era

silvestre disse...

Tudo é impermanente e só temos de garantir que, não importa a forma, esteja tudo bem.

Anónimo disse...

Silvestre, tb eu estou a passar o cabo das tormentas e a ser testado. Há meses. Além de milhentas coisas no trabalho, e logísticas fora dele, amigos com cancro, familiares a falecer, agora o meu tendão extensor no braço direito deu de si, mal posso pegar num garfo. Exagerei nas idas ao ginásio, nos pesos, lá está, a compensar quiçá as disfunções todas. Até que a corda partiu. E a pessoa pára e reflete. A corda parte para nos corrigir o curso. Quiçá fazemos o que fazemos sem nos perguntarmos suficientemente o porquê. O desapego ajuda, com intenção subjacente de continuar e nunca perdendo o rumo - a âncora dos nossos valores. Ser íntegro consigo mesmo. Abraço e que a impermanencia eventualmente traga coisas boas tb!!

silvestre disse...

Lamento pelo mau bocado. Mas o mais importante é manter o rumo e acreditar que a impermanência, efetivamente, traz sempre algo de positivo. Sempre! abraço.