terça-feira, maio 12, 2026

Grandes emoções

A pessoa que indubitavelmente mais amei foi inequivocamente a pessoa que mais me maltratou emocional e psicologicamente. Concluí, após a separação, a inutilidade de desejar encontrar "o amor da minha vida". É muito mais salutar procurar um amor para o resto da vida. Poderá ser menos intenso, mas será constante. A constância é tudo. Não deveria haver desprezo pelo simples. Nem sempre precisamos de grandes emoções.

2 comentários:

Anónimo disse...

Concordo e acho que invariavelmente nas relações de longa duração é a constância que ganha em detrimento do fogo ardente dos primeiros anos. Ando a ler um livro interessante sobre Sócrates e as posições dele a respeito de política, amor e morte. Sobre o amor, ele dizia que o verdadeiro amante é aquele que quer que o amem não por quem é mas precisamente porque não está satisfeito com quem é- o amor é a forma de se construir, de se descobrir com a ajuda do outro (e vice-versa). Lá está, constante diálogo e inquisição- pergunta, reposta, refutação, e volta ao princípio até ganharmos algum conhecimento a dois e dos dois. A razão porque relações acabam é porque não fazemos perguntas suficientes e talvez criemos ilusões mútuas. Tb dizia que não nos devemos fixar na pessoa em si com quem estamos. Mas sim no processo de conhecimento de nós e dessa pessoa. Que uma vez mais deve ser levado a cabo a dois. Acho isto muito útil de se pensar. Já agora, o livro é da Agnes Callard, Open Socrates- The case for a Philosophical Life e recomendo. Parece óbvio, mas vai completamente contra tudo o que fazemos na atualidade. Está a ajudar-me muito a abrir a cabeça!

silvestre disse...

Muito interessante essa perspectiva. Vou averiguar a referência. Acho efetivamente que o amor é uma ação mais do que uma emoção, que se faz no processo de conhecimento mútuo, em espelho.