Recebi um telefonema. A Irantzu morreu. Um tumor que a levou em 3 semanas. Desde ter sentido fatiga acentuada, a não existir mais neste mundo. Estou completamente arrepiado.
Conheci a Irantzu em 2006 numa das fases mais difíceis da minha vida, em que tinha sido traído pelo namorado que muito bem tratei. Fui com uma amiga à República Dominicana e conheci-a no Hotel. Eu não conseguia dormir, não conseguia desligar do que tinha acontecido. Tinha olheiras cavadas e uma tristeza escrita na cara. Houve ali uma conexão entre nós. Ela disse-me que apesar da minha tristeza eu era felicidade, ela ouvia o meu coração e eu tinha alegria dentro do peito.
Continuamos com o nosso contacto e depois convidou-me para o casamento dela em 2008. Foi uma boda linda cheia de pessoas que eram igualmente maravilhosas, todas atraídas pelo espírito extraordinário da Irantzu. Pessoas do mundo inteiro, porque ela fazia amigos no mundo inteiro.
Hoje, depois de ter sido traído por mais um namorado que muito bem tratei, recebo a notícia da morte dela. É um ciclo que se fecha de um modo tão "redondo". Eu aqui a ter de me lembrar que sou alegria e felicidade por dentro, e o nome dela vem num telefonema.
Ela era mesmo das pessoas mais inspiradoras que conheci, bondade, alegria e empatia em estado puro. Otimismo. A Irantzu tão bela, quase cósmica na sua composição, morre em 3 semanas com um tumor terrível. Viveu uma vida excelente, ao menos isso. O marido era louco por ela e todo os que a conheciam, éramos todos especiais por ela nos amar e querer-nos na sua vida.
Esta basca foi o maior ser de luz que já conheci. Veio lembrar-me que tenho mesmo de viver cada emoção, pessoas, lugares, como se nada se tivesse passado, porque a minha integridade e dignidade estão intactas.
A maravilhosa Irantzu partiu deste mundo. Agora, com toda a certeza, quando falar para o outro lado, já não vai ser apenas com o meu pai.
Acho que a Irantzu me salvou de novo.