Há quatro meses comecei a perguntar-me quanto tempo necessitaria para completar uma cura. Continuo a fazer-me a mesma pergunta. Quanto tempo é o meu tempo? A Martha Medeiros diz que o tempo não cura nada, apenas afasta o incurável do centro das atenções. O tempo soterra os "centros de atenção" com novas e novas camadas, até que os impulsos nervosos do incurável deixem de ser sentidos. Mesmo assim a pergunta mantém-se, quanto tempo é o nosso tempo para soterrar centros de atenção? Especialmente quando se eliminam todos os materiais potencialmente soterrantes (dopamina fácil) da nossa vida? São apenas pergunta existenciais, porque o cérebro é reflexivo.
Há, também, certezas - boas certezas - sobre fundações bem assentes, sobre amizades estáveis, sobre a importância da dança, sobre a importância dos livros, sobre a importância do exercício físico, sobre a importância de viajar, sobre o que realmente tem valor na vida e nas pessoas, sobre a importância de estar traquilo e satisfeito com o que se tem.
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