ANTM era um programa que eu adorava ver. Parecia que era sobre como construir uma modelo, com todo o aparato dos bastidores, parecia que era sobre empoderamento de todo o tipo de mulheres, mais tarde de homens também, e que era um programa limpo com mérito em formato de soft reality show.
O documentário - da Netflix - sobre o programa vem mostrar que era na realidade um programa mercenário disfarçado de escola de modelos. Tudo bem que era outra época e há 25 anos atrás não existia a consciência que existe hoje sobre identidade e respeito. Também nos mostra uma Tyra Banks a sacodir a água do capote com um destreza que mostra o quão sanguinária pode ser enquanto produtora - tudo em nome das audiências e do dinheiro que essas audiências produz (para além de um estatuto estelar de celebridade). Claro que existiram ganhos para muitas das raparigas que por lá passaram, mas não foi de certeza por causa do programa. Foi essencialmente pela fibra que já detinham e por compreenderem o jogo - a produção cheirava os fracos à distância.
No mundo do espetáculo vale - quase - tudo e vai sempre existir impunidade, "cara de pau", perdão e numa sociedade da abundância informativa, em menos de duas semanas existe outra coisa para pensar sobre, outro escândalo, outro qualquer coisa e ninguém mais se vai lembrar disto. Por as notícias também são espetáculo, também rendem celebridade e "momento". Também é certo que este documentário pretende ser "espetáculo" e está tudo dito - pescadinha de rabo na boca.

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