Costumo dizer que estou sempre disponível e aberto a conhecer novas pessoas, acho sempre que um novo amigo poderá estar ao virar da esquina (potencialmente). Amizades nunca são demais, mas qual o tempo útil e de qualidade que temos para dedicar aos nossos amigos? Quando estive menos bem mentalmente fiquei com a sensação de que estava sozinho e isolado, mas isso é a doença a levar a melhor sobre mim (quando ela se instala rouba-me "a voz", fala por mim, não sou exatamente eu). A realidade é que tenho muitos amigos e não falo de conhecidos, falo mesmo de amigos, pessoas que são lugares seguros para ser vulnerável e dizer o que vai realmente na alma. Sempre ouvi dizer que quando quisermos ter uma noção clara da nossa vida devemos fazer anotações em papel sobre o tema em questão e depois analisar o que está escrito. No outro dia fiz isso, coloquei no papel as relações realmente importantes que mantenho e fiquei verdadeiramente surpreendido por não ter a noção de que era tanta gente.
Desde julho do ano passado que comecei a reformular o meu modo de pensar, a minha tipologia de valores. Não obstante, os últimos 5 meses foram essenciais para chegar a um nível de clareza que penso nunca ter tido e um nível de solidez analítica que só fará bem ao meu futuro (como tem feito no presente). A realidade é que não preciso de mais nada, embora aberto a acréscimos, tenho tudo aquilo de que necessito, não existem faltas, nem falhas. Estou completo e tenho um "edifício" cheio de amigos verdadeiros - o que não vou voltar a esquecer. Não preciso mais nada do que aquilo que tenho. Não ando à procura de ter aquilo que quero, porque quero aquilo que tenho e que é imenso. Quando existe foco, tudo muda. A lente com que vemos o mundo é a única coisa que importa.
3 comentários:
Não é interessante que, quando falamos com os nossos amigos, aquilo que pensamos estrutura-se muito melhor, de forma mais clara? Como se eles nos ajudassem a “parir” o que reflectimos para nós próprios mas chegando a conclusões mais capazes do que quando estamos sozinhos. Como se, ao contrário do respirar, por exemplo, que fazemos sozinhos, o pensar tivesse evoluído para ser feito em comunidade e não em isolamento. Já me aconteceu várias vezes surpreender-me com a clareza e evolução que demonstro quando expresso uma ideia a alguém versus quando penso sozinho nessa ideia. Não sei a razão de ser deste fenómeno, mas creio ser real e universal. Isto a propósito de cada vez mais a maioria das pessoas terem cada vez um número mais limitado de amigos, pelo menos aqui na North América, especialmente entre homens e o resultado vê-se depois downstream em todo o lado. O nosso cérebro está “wired” para aprender e interagir com outros cérebros, não a sós. Viva os amigos, por esta e muitas outras razões!
Isso.
Concordo contigo. Estamos "desenhados" para ser coletivos. E talvez isso explique o desnorte dos tempos atuais. Nada como ter essas bolhas de clarividência e segurança que são os amigos verdadeiros.
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