A minha última relação foi muito intensa. Foi a pessoa de quem mais gostei e aprendi uma coisa altamente significativa: quero muito ser gostado como gostei dele. Deixei de procurar um grande amor, aliás, acho que perdi a capacidade de me dar em total vulnerabilidade e tenho isso a agradecer a esta última aprendizagem. Não perdi a capacidade de me dar e de cuidar de alguém e de ser muito bom para quem me respeite, mas perdi a capacidade de me diluir na ideia de felicidade do outro. Estou muito mais duro e, por isso, mais inacessível. Poderia ser uma pena, mas não é. Atingi um nível muito grande de satisfação com a vida e com aquilo que tenho sozinho. Só posso ser acrescentado, a partir daqui. E se não me acrescenta, não tem lugar na minha vida, porque o resto já tenho, a completude. Sei que, no futuro, já não sofrerei em mim ou por mim. Não me falta nada. Onde não há faltas não há fome, onde não há fome não há insaciedade incontrolável. Posso crescer muito ainda, ser muito mais com alguém que, contudo, nunca me fará sentir vazio na eventualidade de se tornar ausente. A minha casa é de pedra, sólida e íntegra. Pode ficar mais bonita com novos pisos e anexos, mas desfeitas as configurações adicionais, será sempre a casa íntegra. Todo o conforto de que preciso. O que preciso tenho. Tudo o que puder ter a mais é bem vindo, mas não é necessidade.
1 comentário:
Vai com calma, um dia de cada vez. Por vezes pensamos que temos as fortalezas todas e um simples sopro e a porta fica escancarada :) A vida tem destes mistérios.
O que tiver que ser teu, será
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