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segunda-feira, maio 18, 2026

Dessintonia

Quando aparece o homem com que sempre sonhamos e não nos conseguimos enamorar dele, o que quer dizer isto?  A pessoa ideal - provavelmente - não passa de uma ideia e há uma dessintonia entre aquilo que sonhamos como ideal e aquilo que realmente necessitamos. O que sei é que não vale a pena forçar o que não tem condições para existir fora do pensamento. A pessoa necessária é, porventura, aquela que é perfeita na sua imperfeição, que obriga a sair da nossa zona de conforto, que obriga a cedências e a compromissos. O ideal e o necessário poderão ser ambos grandes amores; mas de natureza diferente. Um será platónico e o outro físico e terreno? O amor romântico, acontece fora dos ideais românticos? O que acontece na realidade e o que na realidade acontece? 

terça-feira, maio 12, 2026

Grandes emoções

A pessoa que indubitavelmente mais amei foi inequivocamente a pessoa que mais me maltratou emocional e psicologicamente. Concluí, após a separação, a inutilidade de desejar encontrar "o amor da minha vida". É muito mais salutar procurar um amor para o resto da vida. Poderá ser menos intenso, mas será constante. A constância é tudo. Não deveria haver desprezo pelo simples. Nem sempre precisamos de grandes emoções.

sábado, novembro 01, 2025

Onde há amor...

Cuidar da minha mãe é terapêutico. 
Onde há amor ninguém se lembra de desamor.

segunda-feira, outubro 20, 2025

A Madonna escreveu para a mãe // eu dedico ao meu pai



Inside of me - Madonna


I can't stop thinking of you
The things we used to do
The secrets we once shared
I'll always find them there
In my memories

But this heartache isn't going anywhere
In the public eye I act like I don't care
When there's no one watching me
I'm crying

I will always have you, inside of me
Even though you're gone
Love still carries on
Love, inside of me

I keep a picture of you
Next to my bed at night
And when I wake up scared
I know I'll find you there
Watching over me

When my world seems to crumble all around
And foolish people try to bring me down
I just think of your smiling face
And I'm flying

I will always have you, inside of me
Even though you're gone
Love still carries on
Love, inside of me

You'll always be inside of my heart
Inside of me

When my world seems to crumble all around
And foolish people try to bring me down
I just think of your smiling face
And I'm flying

I will always have you, inside of me
Even though you're gone
Love still carries on
Love still carries on
I will always feel you
You'll always be inside of my heart
I'll always have you inside of me
I will always have you (dad)

Como uma criança

Há pessoas que quando não foram amadas em criança e têm esse vazio desocupado, mas tapado pelo acontecer da vida, quando amam muito, esperam (como uma criança essa que persiste) a reposição desse amor que tanto mereciam, de alguém que finalmente as vê e às suas necessidades. Mas o que o outro vê é um adulto (homem ou mulher) e que não vai amar a criança, mas sim o adulto que tem diante de si, com as particularidades do amor adulto, que nem sempre é maduro, mas é adulto. Esse amor vem para ser igual entre os dois e por sorte, pode preencher parte do vazio existencial da criança que nunca foi amada. Mas é outra época, outra pessoa, outro amor, e não obstante esse adulto receptor (como uma criança), fica frustrado quando esse amor não vem exatamente como ele quer e precisa, porque as crianças gostam de ser adivinhadas nas suas necessidades. Se não são adivinhadas, porque não têm a capacidade de explicar o que realmente sentem fazem "birras" exigindo esse amor que para elas é tão claro e que os outros não vêem. Isso complica muito a orientação da pessoa que quer oferecer amor porque umas vezes está a amar o adulto (homem ou mulher) e outras vezes a criança. É confuso, e nunca sabe bem o que está a fazer. Podendo errar milhentas. A coerência é impossível nestas condições porque o objeto do sei amor é rotativo em si. 

terça-feira, agosto 05, 2025

Sobre Bell Hooks e o amor

“O amor não é o cuidado". É apenas uma dimensão que não consegue cobrir os aspetos do afeto, da responsabilidade, do reconhecimento e da justiça. Quando só há reconhecimento do cuidado, a negligência ou o abuso (presentes em pequenas coisas aparentemente vãs) são validados como normais. Assim, desde a infância que criamos uma visão iludida do que é o amor, aprendemos o amor como substantivo por oposição ao amor ação/construção. Cuidar e amar não é a mesma coisa.

Amar é construir algo e deixar-se vulnerabilizar, perdendo ilusão, narcisismo e espaço de idealização. O amor cria-se num vínculo trabalhado num espaço de diferença/conflito em que se aprende a não violar o outro. 

O amor faz-nos interessar pelo outro sem saber exatamente o motivo; este processo abre espaço à criação de motivos e à descoberta de novos motivos sempre que o ódio vem mostrar que somos somos menos complementares com o outro do que imaginávamos e que, cada um dos intervenientes é formado por si e por muitos outros. Mas se é amor, a seguir ao ódio vem um nova criação de significado amoroso para com o outro, porque descobrimos a alteridade no seu sentido mais filosófico, ou seja, na capacidade de transcender o próprio ponto de vista para compreender e respeitar a visão do outro na integração dos conflitos. Isto porque o contrário do amor não é o ódio, mas sim a indiferença.

terça-feira, julho 29, 2025

Amor

Ontem fiz amor. Puro, profundo, íntimo, com a alma no corpo, com carinho na ponta dos dedos, com querer no abraço. Não quero esquecer este dia. Quase 10 meses depois não tenho a menor dúvida de quem é o amor da minha vida. 

quarta-feira, julho 23, 2025

Quero-te

Quero-te mesmo. Como sei que te quero? Porque estou a dar-te permissão para que me destruas se quiseres. Só a quem muito amamos damos esse poder.

segunda-feira, maio 12, 2025

Uma das coisas mais bonitas que me dedicaram

“Os outros eu conheci por ocioso acaso. A ti vim encontrar porque era preciso”.
- João Guimarães Rosa

Lembrando-me que apesar da diferença cultural é o respeito, o carinho, o amor e as boas escolhas que fazem o caminhar da vida ser bom.

terça-feira, novembro 26, 2024

Telegrama de chocolate

 Hoje enviei um telegrama de chocolate. Ele merece. 

quinta-feira, outubro 31, 2024

Constrói-se

Sim, já existe amor.

segunda-feira, setembro 09, 2024

Cheio de amor

Este fim de semana estive na Madeira, vinha armado com toda a minha mágoa para buscar algumas coisas minhas e para colocar um ponto final na minha história com o Beto. O que se passou foi todo o oposto e ainda bem. O Beto procurou um psicólogo e em um mês eu vi uma diferença enorme nele. E foi capaz de colocar por palavras o que antes nunca tinha sido capaz de fazer.

O Beto ama-me muito e sempre amou, mas não tem as ferramentas para estar numa relação. Tem primeiro de resolver problemas muito importantes e estruturais na sua vida, problemas estes que inviabilizam a sua permanência numa relação com estabilidade emocional e sem ativar traumas do passado.

Assim, saio deste fim de semana muito aliviado. Foi muito ao contrário do que esperava. Acabou a mágoa, só a pessoa que nos inflige a dor é que a pode retirar e ele fez isso com todo o esmero e carinho. Não continuamos a nossa vida a dois, mas sabemos que estamos os dois cheios de amor, de respeito e de consideração por cada um.  

Vamos seguir o nosso caminhos sozinhos, porque somos as pessoas certas numa altura errada, mas a bolha de amor está aqui, não rebentou e é bom acabar sem tristezas e ressentimentos. A mágoa foi toda limpa. Estou sereno e ficamos bem um com o outro, a desejar o melhor na vida de cada um. Ele continuará o seu caminho com a terapeuta. Prometemos que não vamos deixar de viver, à espera de que ele resolva as suas questões, vamos procurar a nossa felicidade com a bênção de cada um.  Se isto que aconteceu entre nós tiver mesmo de efetivar, um dia mais tarde - certamente - iremos cruzar-nos de novo.

Foi uma história muito bonita e foi tudo verdade. O Beto nunca mais será o mesmo, como ele mesmo me disse, salvei-lhe a vida, salvei-o do destino que ele teria se nunca me tivesse conhecido. 

terça-feira, março 19, 2024

Há 7 anos na Tailândia

Quando estive na Tailândia, fui beber um cocktail e duas senhoras sexagenárias meteram conversa comigo e eu já não as larguei. Eram cunhadas. A mais nova era viúva do irmão da mais velha. Conversa vai, conversa vem, elas estavam a fazer uma viagem de 4 meses pela Ásia. 

A mais velha era diretora de um colégio, tinha sido jogadora de hockey e uma ativista dos direitos dos gays nos anos 70 e 80. Resolveu tirar 6 meses de sabática para a apoiar a cunhada (bancária) que tinha ficado combalida pela morte do marido. 

O que eu mais fixei da conversa foi que a mais nova encontrou o amor da sua vida aos 58 anos. Para o perder 5 anos depois vítima de um cancro. Mas segundo ela, não estava zangada, ainda se sentia triste pela saudade, mas sentia-se grata ter tido a oportunidade de passar 5 anos ao lado daquela pessoa extraordinária. E a mais velha concordou. Disse que o irmão era mesmo alguém especial e que eles tinham tido algo muito bonito os dois.

Gosto desta visão celebratória do amor. Não se lamenta o que se perdeu, celebra-se o que se viveu. A saudade é da pessoa. O amor nunca se perde. Na pior das hipóteses transforma-se. 

segunda-feira, março 04, 2024

Nem sempre

Nem sempre a nossa maior paixão é quem nos trata melhor ou o melhor para nós. A grande paixão pode não encontrar mais tarde correspondência nas ações e nos valores, convertendo-se em dor apenas, aumentada pelo facto de não nos conseguirmos desligar do que aquela pessoa nos fez sentir. Mas a paixão é nossa, não é do outro. A agenda do outro não tem de corresponder à nossa. E sabendo o que amamos, temos apenas de sair, porque o outro nunca vai perceber a dimensão do que arde em nós, porque os seus códigos não são os nossos. Tranca-se essa paixão e espera-se que a falta de oxigénio apague a chama eventualmente. 

Outras vezes o amor nasce de uma amizade com respeito mútuo e confiança, que de forma tranquila e passo a passo vai sendo cada vez mais especial. Não vem com a excitação e a inquietude da paixão ardente. Vem suave, confortável, discreto. Um dia percebemos que está ali e que o caminho é nutrir o sentimento, porque temos confiança e respeito pelo outro, já sabemos quem o outro é, sabemos o que esperar. É um amor pequenino que vai ganhado peso e dimensão e que é uma criação dos dois. É um amor com responsabilidade partilhada, maduro, perene. Nunca se irá interromper, mesmo admitindo que um dia possa mudar de forma. 

Já vivi as duas coisas.

Descobri hoje esta canção



Easy  - James TW


Enquanto estou a trabalhar, às vezes, vou ao Spotify buscar alguma playlist de baladas soft e meto a tocar como pano de fundo. Gostei muito da sonoridade desta canção quando ela passou e gravei-a nas preferidas. do Spotify. Só há pouco é que fui ver a letra e encaixa que nem uma luva... 


"Look what you done - you just crashed in, you changed my whole life.
Found a way to my heart, now it's like you've been here the whole time.
'Cause you girl make it oh so easy
Oh, so easy to love you
'Cause girl you make it oh so easy
Oh, so easy to love you..."

quarta-feira, janeiro 25, 2023

Pessoas

Há pessoas que nunca irão sair do nosso coração porque o nosso coração se fez delas também. Não importa o que possa parecer, importa o que é. E o que é, é algo que apenas nós sabemos, apenas nosso. O resto é imaginação de quem tenta saber.

segunda-feira, novembro 07, 2022

As relações de amor são uma coisa estranha

As relações de amor são uma coisa estranha - pelo menos para mim. Ando nisto há 28 anos e continuo sem perceber nada da dinâmica, da orgânica e da lógica. Diz que sentir é suficiente, mas é mais de o "diz que".

quarta-feira, junho 01, 2022

Metade de uma vida

Atingi a idade em que metade da minha vida foi passada sem o meu pai. Porquê escrever hoje sobre ele? Porque é o dia da criança e enquanto fui criança ele não foi bom para mim; fez-me até sofrer bastante. Aos 14 anos ganhei o respeito dele por mim enquanto homem - e tudo mudou. Começou a construir-se uma relação para lá da raiva e da dor e comecei a ver quem era o homem que tinha por pai. Percebi muita coisa que não passa pela cabeça de uma criança e percebi que, afinal, ele era um homem extraordinário. Quando me tornei homem tive ainda mais essa a certeza, mas nessa altura ele morreu e acabei por não lhe dizer muito do que gostaria de ter dito. 

Ninguém é perfeito. Ele não era polido, dizia palavrões, falava alto, não sabia expressar sentimentos (correndo o risco de dar a entender que era era bastante sensível, preferia guardar para ele as suas próprias inquietações, desilusões e medos) e enfiava o guardanapo no colarinho. Mas este homem teve  um dia um sonho, criar um família que tivesse tudo o que ele nunca teve - incluindo um pai que providenciasse para os filhos. 

Amava-nos muito, mas nessa luta cega de ter dinheiro para nos dar-nos uma casa, um curso, um carro e ainda deixar todos bem de vida após a sua morte, esqueceu-se de estar presente e de mostrar que nos amava muito. Quando estava, estava rabugento, cansado, sem paciência. Nas férias era uma pessoa diferente, mas era-lhe mais fácil estar próximo do filho o que os rapazes fazem e que por isso exigia menos esforço. Isto até aos meus 11 anos. Depois reformou-se e tornou-se bem mais calmo.

Os 10 anos que tive com o meu pai depois de termos feito as pazes como pai e filho foram bons. Havia respeito. Eu passei a exigir-lhe muito mais, porque também percebi que ele gostava de me ver lutador. Por isso quando ele morreu, só tinha uma questão: será que ele sabia o quanto eu gostava dele? Por sermos os dois teimosos e por ele não conseguir verbalizar o amor dele eu também achei que teria de fazer igual, apesar de ser capaz de o fazer. Não obstante, uns dias depois perguntei à minha mãe (a pessoa com quem ele era efetivamente capaz de falar sobre tudo) e ela disse que  sim, que ele sabia.

Costumo dizer que não tenho heróis com a excepção do meu pai. É que na realidade ele teve uma vida heroica, de superação, foi primeiro um sobrevivente e depois um conquistador. Embora não dissesse que gostava de mim, ou me desse alguma atenção quando eu era pequeno, cuidou impecavelmente da nossa família e espalhou atos de generosidade por todo o lado. Era um homem bom. 

Há uns dias um amigo disse-me que eu branqueei o meu pai, que não tenho a minha relação com ele resolvida, porque ninguém fala assim tão bem de um pai. Não sei como poderei explicar ao meu amigo, que eu não o branqueei, eu fui (re)descobrindo o meu pai e depois compreendendo o que (re)descobri.

O meu amigo também disse que coloco o meu pai acima da minha mãe. Novamente um erro. A minha mãe não teve a vida heroica do meu pai em grandiosidade de feitos, mas talvez tenha feito a coisa mais grandiosa: a abnegação. A minha mãe tem uma qualidade muito bonita - saber amar. Ama totalmente, incondicionalmente e com dedicação. Amou assim o marido, o pai, os filhos e agora a neta. As pessoas que ama têm muita sorte por ter esse amor que não exige nada e que nutre como poucas coisas.

O meu pai dizia "posso ter feito muita coisa na vida, mas não teria conseguido nada sem a minha mulher que foi o melhor copiloto que eu poderia ter desejado".  A minha mãe foi a "força motriz" do herói, aparentemente em segundo plano, mas o pilar de todas as coisas. 

Não sei como explicar ao tal amigo que apesar da minha mãe nunca me ter magoado e sempre me ter protegido, o meu pai continua a ser a pessoa em que eu gostaria de me tornar. Eu percebi o meu pai e as dores passadas ficaram no passado. Se não o tivesse percebido não o usaria como compasso moral para a vida. Não obstante, deixo sempre uma nota de rodapé, quero ser capaz de amar e ser amado como a minha mãe ama. 

Nem toda a gente que nos ouve (ou que nos lê) compreende exatamente o que queremos dizer. Cada leitura é uma história de acordo com a cabeça de cada um e com as suas experiências de vida. Às vezes penso se por ser tão aberto não acabo, eu, por dar material passível de gerar mal entendidos. Se calhar presto um mau serviço aos meus pais, quando falo nas dificuldades que existiram num certo período da minha vida. 

Talvez deva falar menos (é uma das coisas que tenho pensado ultimamente), talvez as minhas palavras sejam uma espécie de Gremlin - podem gerar a confusão junto de quem não compreenda a sua natureza. Não obstante, uma coisa é certa - seja eu mal compreendido ou não - sou filho de um bom homem e de uma boa mulher que fizeram o melhor que sabiam e podiam para nos fazer florescer. À luz do que sei tive muita sorte.

quarta-feira, abril 06, 2022

Limão

Ontem o Limão fez 8 anos. Os últimos 7/8 meses não têm sido fáceis para ele por causa dos problemas de saúde, mas ainda conseguimos estar os dois no sofá, aninhados um no outro como se nada fosse. Não consigo explicar o amor por este gato. Esta semana o Limão deixou-me fazer algo que nunca deixa, dar-lhe beijos na bochecha. Normalmente o Limão fica com aquele ar de "kanojo!" e quer saltar-me do colo. Mas da última vez não, apenas ficou ali. Eu pensei, vai fugir agora, e dei-lhe mais beijos e ele apenas se deixou ficar. Espero ter este gato ao meu lado (com saúde) pelo menos mais 8 anos. 

quinta-feira, fevereiro 17, 2022

Amor - próprio

 


Cá está um amor importante que toda a gente devia sentir sem vaidades e de modo convicto. A falta de amor-próprio e baixa-auto-estima resultam na crença do não merecimento. As pessoas acreditam que não merecem ser plenamente felizes e abraçam a depressão ou a frustração. Quem se ama compreende que é imperfeito e pode errar, e está disposto a melhorar-se sem interferências do orgulho. The only way is up!