domingo, janeiro 31, 2021

Frases que nunca perdem o sentido

We may have all come on different ships, but we're in the same boat now.

by Martin Luther King Jr.


Ps. Uma maravilhosa metáfora para a existência. 

sábado, janeiro 30, 2021

sexta-feira, janeiro 29, 2021

Sensibilidade à flor da pele

Não sei se sei muito de amor, mas cresci numa família a transbordar de amor. Amor real. Daquele que não se verbaliza, mas que se pratica todos os dias. Não havia a palavra amor nos lábios, mas haviam abraços, beijos, a obrigatoriedade de almoçar e jantar juntos e de conversar à mesa, os apertões do pai e da mãe para os filhos serem lutadores (especialmente o fogo cerrado do pai ao mais novo, que sendo homossexual teria de ser forte e não um medricas). Discutíamos e gritávamos uns com os outros porque queríamos sempre o melhor de cada um. O meu pai dizia "eu não quero que os meus filhos pensem como eu, o que eu quero é que os meus filhos pensem". A minha mãe e os seus sermões graves quando fazíamos asneira, para depois tomar em mãos as nossas trapalhadas e resolver tudo. A bofetada que levávamos eu e o meu irmão quando desatávamos a discutir um com o outro em sítios impróprios. Uma vez íamos à porrada no banco de trás e o meu pai parou o carro e obrigou-nos a sair e ir a pé para casa. Chegámos uns 30 minutos depois dele. E a minha mãe que sempre nos ensinou que não havia ligação mais pura que a minha e do meu irmão, que eramos únicos, o sangue igual. Quantas vezes dissemos coisas que não queríamos uns aos outros, para depois ir pedir desculpas. O meu pai sempre com aquele ar de homem sério adorava que eu o pegasse ao colo. No últimos anos de vida dele estava muito leve e um dia andava eu com ele ao colo e como estava a escorregar-me, dei um impulso para cima e atirei-o contra a ombreira da porta. Grande cabeçada. Quase desmaiou. E quando eu tive a primeira negativa aos quase 17 anos e o meu pai me sentou ao colo dele e eu chorei uma meia hora e ele ficou com a camisa toda molhada. E quando a minha mãe pegou fogo ao exaustor com uma frigideira de óleo que aqueceu demais e por cima do exaustor estava a coleção de isqueiros do meu pai cheios de gás (e a cozinha pegou fogo). E nós todos a apagar o fogo com baldes de água. Cresci no melhor sítio que podia ter crescido. Com dois pais imperfeitos, que se adoravam um ao outro e adoravam os filhos (o que não excluía um "corretivo" de vez em quando). Nas noites de calor, na casa do Algarve, levávamos os colchões para o terraço e ficávamos ali ao fresco. E porque me veio este chorrilho de pensamentos meio desconexos à cabeça?

Hoje foi aprovada a lei da Eutanásia. Descobri isso num blogue que visitei. E fiz um comentário que me saiu tão de dentro, que me deixou este amor com que cresci à flor da pele. Eu sou a favor da eutanásia. Dá-me muito conforto saber que se eu ou alguém que amo muito, por motivo de doença incurável e altamente danosa, não quisermos cá ficar, temos uma opção de terminar a vida sem sofrimentos desnecessários, enquanto somos nós e não a consequência da doença. 

Aposto que é o confinamento que me anda a pôr desta maneira. Não havia necessidade.

Desenterrar os anos 70 - 6


If you want me to stay - Sly & The Family Stone

quarta-feira, janeiro 27, 2021

Desenterrar os anos 70 - 5


Dancing in the Moonlight - King Harvest

Não sei se é do confinamento

Mas a realidade é que tenho pensado muito em coisas do passado. E não é que tenha mais tempo, mas acho que estou mais reflexivo, mais 'meditabundo'.

Duplos sentidos

Há anos atrás (muitos mesmo). Estive apaixonado por uma rapariga que não foi muito correta comigo. Disse-lhe algumas coisas, ao que ela me respondeu «tu não me mereces!» e eu repliquei «não mereço mesmo!» 

Realmente eu não merecia aquela chata. Merecia coisas melhores.

terça-feira, janeiro 26, 2021

Os dois J

Os dois políticos que tenho como referência são Joe Biden e Jacinda Harden. O primeiro é presidente dos EUA e tem um perfil centro-direita, a segunda é primeira ministra da Nova Zelândia e tem um perfil centro-esquerda. 

Para quem não sabe, e de modo genérico, a direita democrática apoia o liberalismo económico e a livre concorrência, mas é cívica e inclusiva. O centro-esquerda, acaba por não variar muito, estando a tónica na tentativa de equilíbrio da justiça social dentro de um sistema capitalista. 

Não acredito em comunismo e socialismo porque o ser humano não é evoluído o suficiente para viver num ambiente de partilha igualitária. Em teoria adoro os ideias de esquerda, mas a prática política mostrou que serviu para impor totalitariamente um ponto de vista e por parte de pessoas não preparadas (acho que ninguém está preparado). 

Também não acredito na direita pura e na sua visão castradora da diversidade humana e os seus ideias ligados ao maior puritanismo cristão, ao "nós" distinto do "eles". Também ninguém está preparado para viver beatificamente, o resultado depois é a hipocrisia latente de uma imagem pública e uma realidade privada completamente diferente.

Prefiro viver na realidade que não é perfeita, mas que pode sofrer melhorias incrementais. Nada melhor do que ser realista e perceber o sistema que temos, aquilo para que as pessoas estão preparadas e tentar tornar o sistema o mais acessível e justo para todos. 

Gosto de sociedades inclusivas, que tentam respeitar na medida do possível a diversidade de cada um e gosto da noção de recompensa por mérito (mais associada à direita). Gosto da solidariedade, não aprecio a caridadezinha. 

A Jacinda tem já muito que mostrar. Tem feito coisas brilhantes como primeira-ministra. O Joe Biden tem quatro anos terríveis pela frente depois da destruição realizada pelo predecessor. Mas acredito muito nele.

Estas duas pessoas fazem-me continuar a ter esperança. Que muitos outros possam aprender pelo exemplo. 

Teorias da conspiração

Hoje li uma das mais fantásticas teorias da conspiração sobre o COVID em Portugal. Parece que é uma manobra para castigar as pessoas consideradas impuras pelo regime. Um pouco à semelhança nazi. 

Ganhasse Portugal bitcoins por todas a estupidez em os portugueses acreditam, dizem ou fazem e éramos um país com ricooooooo.

segunda-feira, janeiro 25, 2021

Azia

Hoje acordei com azia. Não sei se foi porque comi meio pacote de tostas com manteiga antes de ir para a cama ou pelo resultado das eleições (embora me tenha dado uma azia imensa o voto no extremismo, acho que foi mesmo da manteiga). Um momento alto da noite de ontem foi a análise do Rui Rio aos resultados. São aqueles momentos de "stand up comedy" inusitados, com base no nonsense puro. Se não foi comédia, acho que ele tem um severo défice cognitivo. 

domingo, janeiro 24, 2021

É chocante

É verdadeiramente chocante que o André Ventura receba o número de votos que as projeções lhe atribuem. Um mentiroso, manipulador, racista, misógino, totalitarista (a lista podia continuar). Como é uma coisa destas possível em 2021? 

Mas a realidade é que isto não é novo em Portugal. O Isaltino Morais e a Fátima Felgueiras foram eleitos mesmo sendo criminosos. Há algo de muito errado com o compasso moral do povo português. É tudo demasiado triste. Sinto uma imensa vergonha. 

Acabei de ler que o Francisco Louçã disse que "ninguém vai festejar à esquerda". Fico doente com esta mania de falar da esquerda e da direita como se tivessem um estatuto de pessoa. E não têm. Dentro de cada uma estão milhões de pessoas, centenas de políticos e muitos deles decentes. 

Mas não há nada de decente na extrema esquerda e na extrema direita. São nojentas. E de alguma forma a extrema direita conseguiu palco. Pensei que nenhuma o conseguiria num país brando como o nosso. Tinha fé cega nisso. Mas como disse antes, se permitimos que criminosos sejam eleitos (à direita e à esquerda) como impedir que um escroque ganhe o relevo que ganhou?

É tudo tão deprimente. O meu país é tão mais pior do que continuo a querer acreditar. Sinto imensa vergonha alheia e um sentimento de impotência maior ainda. Como se cultiva um povo? Há algo de muito infeliz Lusitânia. 


Violência em Setúbal contra a campanha do Chega

Tenho andado arredado por causa do trabalho e só hoje é que ouvi a história das pedras e da caixa de pastilhas na cabeça em Setúbal. Por muito horripilantes que ache o Chega e o seu líder. Sou totalmente contra a violência gratuita. Não consigo compactuar. 

Eles são o que são, mas como disse tão bem a Michelle Obama "when they go low, we go high". Não devemos descer ao mesmo nível ou ainda fazer pior que foi o que aconteceu.

Desenterrar os anos 90 - 7


Where have all the cowboys gone - Paula Cole

Um dado interessante das eleições de hoje

 Nunca vi tantos ciganos a votar como hoje. Fiquei contente. Somos todos portugueses.

sexta-feira, janeiro 22, 2021

Black (Colin Vearncombe)

Sempre pensei no cantor Black como uma espécie de "one hit wonder" que teve apenas um momento de glória com a canção Wonderful Life e cujo fogo se esgotou depois disso. Hoje, porque pensei nessa canção para colocar na minha série de Desenterrar os anos 80, descobri que ele foi um cantor brilhante. Longe do sucesso, mas sempre a compor melodias de enorme sensibilidade com aquela voz macia. Descobri também que morreu em 2016 depois de sofrer ferimentos graves num acidente de viação. 

Fui ver como ele era agora. Já não tinha aquele ar de anjo loiro (na realidade até perdeu o cabelo), mas a voz não mudou. Continuou com o mesmo débito macio e a mesma expressividade melancólica. Graças a um fã que agregou 42 canções feitas ao longo dos anos, pude apreciá-lo como ele merece. Foi uma belíssima surpresa. 

Fiquei contente por saber que nunca deixou de cantar e produzir a sua música com a sua voz de crooner.  Pelo menos consegui ter aquele momento de glória, aos 25 anos. Tantos bons cantores que nunca chegaram/chegam a ser conhecidos do grande público, tantos.  Fica a música. Para sempre.

Desenterrar os anos 80 - 6


Wonderful Life - Black

Desenterrar os anos 80 - 5

 

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Dance me til the end of love - Leonard Cohen

O sentimento tem sido mais ou menos este

21/01/2021

Fiz ontem mais uma Mesa Radiónica e só depois oi apurada a minha fórmula de essências vibratórias para ultrapassar as dificuldades do contexto em que estou inserido. Sinto-me esgotado ultimamente, completamente esgotado. Parece que toda a energia que tenho vai para o trabalho e depois não sobre mais nada. Então há que buscar formas alternativas de injetar energia no meu corpo físico e nos meus corpos subtis. Revitalizar é a ordem de comando para este mês. 

quinta-feira, janeiro 21, 2021

Que saudade de ver classe na Casa Branca

Quero acreditar que daqui a 4 anos a memória de Trump vai ser equivalente à memória de um pesadelo, daqueles que já passaram. Tenho grandes expectativas a respeito do Joe Biden, apesar do legado difícil que  herdou. É um homem de consensos e de valores. Tenho a certeza de que irá procurar pontes com os republicanos mais moderados para passar políticas importantes para os EUA e para o mundo. Liderar pelo exemplo. É isso mesmo que um líder deve ser capaz de fazer e ele é homem para liderar a América a ser esse exemplo. Tenho pena de que não seja 5 anos mais novo. Mas já é tão bom ouvir um Presidente falar de progresso, de esperança, de construção e de união.