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segunda-feira, fevereiro 09, 2026

Presidenciais

Talvez seja a primeira eleição presidencial em que existiram dois vencedores. O objetivo de André Ventura nunca foi ser Presidente da República e venceu com excelência o desafio de não ser esquecido e de se manter relevante (e à sua mensagem) num período intermédio entre legislativas. O Chega é um partido com uma consciência total sobre o poder do marketing, seja este feito com informação verdadeira ou falsa. O importante é não deixar de estar "à vista" e de forma contundente. Por isso, que grande jogada de André Ventura. O poder que ele quer é o legislativo. 

Já António Seguro teve a sua vitória em número e foi-lhe feita alguma justiça de pois de ter sido "varrido" da liderança do PS por António Costa. Ainda bem que António Costa o fez, porque (estritamente a meu ver) Seguro não tem fibra de primeiro-ministro. Não tem um pulso que sabe esmagar quando é preciso. Não tem individualismo que chegue. Não obstante, ser um homem que procura consensos e justiça, isso dá-lhe as características ótimas para ser Presidente da República, um cargo que é mais mediador do que agente. Portugal ganhou também com António Seguro como Presidente. Suponho que a sua presidência será parecida à de Jorge Sampaio, que foi um presidente discreto, mas justo e inteiro. Portanto, todos contentes. Portugal também ganha. 

segunda-feira, janeiro 31, 2022

Eleições legislativas 2022

Foi tudo extraordinariamente previsível. Só não estava à espera de que o PS alcançasse a maioria absoluta - pensei que ai ficar ali pertinho. 

Quantos aos votos no Chega, estão dentro da percentagem de pessoas que misturam racismo, misoginia, homofobia, xenofobia, religiosidade extremista, etc., que existem numa população.

Quanto ao resto não há muito a dizer (por muito que se gostasse). O PAN deixou de ser voto de protesto, o Livre mantém o nicho (talvez agora cresça livre de uma Joacine), a CDU e o BE perderam o voto radical para o Chega e voto moderado para o PS, a IL ganhou o voto de direita pura que o PSD perdeu ao disparar em todas as direções, o CDS acorda da ilusão e o Chega tem um programa com 9 páginas (para não dizer que não tem) e com papas e bolos se enganam os tolos.


domingo, janeiro 24, 2021

Um dado interessante das eleições de hoje

 Nunca vi tantos ciganos a votar como hoje. Fiquei contente. Somos todos portugueses.

terça-feira, setembro 01, 2009

Queria ter dúvidas.

Em menos de um mês serão as eleições legislativas. A pré-campanha começou agora, mas a minha decisão já está tomada há algum tempo. Gostava de ser obrigado a pensar a quem gostaria pela primeira vez na vida. Para mim é frustrante saber com tanta anticipação. Não voto movido por uma convicção extraordinária, voto naquilo que considero ser um mal pior. A mediocridade da classe política é gritante e quase que nem posso expressar isto porque já é tão do conhecimento de toda a gente que se torna um cliché dizê-lo. A leitura dos programas eleitorais é, também, de pouca ajuda dado o teor sempre muito "amplo" dos mesmos. Os partidos são também bastantes mercantilistas e querem adeptos não podendo, por isso, oferecer a especificidade desejável para uma compreensão efectiva do plano de governo. Por outro lado, acho que os próprios partidos não têm uma ideia muito concreta do que vão fazer e querem margem de manobra para poder retroceder, se assim for necessário, e passar entre as gotas da chuva. Mais uma vez lá acabo eu por votar numa ideia e não num projecto concreto, simplesmente para garantir que o meu direito/dever de cidadão foi cumprido e que contribui para a minimização de um mal maior. Não deixo com isso de ter a sensação de que estou a participar numa fantochada. Queria tanto não saber em quem vou votar, era tão bom que a qualidade dos programas eleitorais me deixasse na dúvida. Queria tanto esta dúvida.