sábado, março 14, 2026

Aquilo em que preferia não pensar - Jente Posthuma

Li este livro ontem durante a viagem de avião. Lê-se muito rápido - pela dimensão e também porque é bom e não apetece deixar de ler. É um livro sobre amor e luto e sobre o vazio existencial que esse luto nos deixa. O livro acompanha o luto de um gémeo depois do suicídio do outro e a reflexão de como continuar a existir depois de uma perda devastadora, que nos deixa numa solidão inqualificável, mesmo não se estando sozinho. A escrita é muito bonita, é emotiva, mas pontilhada de um humor subtil que  por vezes nos faz sentir a dor ao mesmo tempo que sorrimos. 

A narradora é a gémea sobrevivente, o elemento desajeitado do par. O irmão belo e bem sucedido termina a sua vida por opção própria. A narradora procura reconstruir a vida do irmão e a sua, desde a sua infância, procurando respostas e brindando-nos com toda a sua vulnerabilidade. O livro é muito acessível, porque a personagem é simples. Muito reflexiva, mas simples. Os capítulos são pequenos, parecem quase pensamentos que a narradora vai tendo. Gostei muito.

17/20

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