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sexta-feira, setembro 25, 2026

Balanço

Cerca de um ano após o término da minha ex-relação o balanço que faço é, na mesma, de um enorme agradecimento por ter sido levado ao limite. Sabendo que é um lugar comum, ser reduzido a pedaços significa poder construir tudo de novo, erigir um novo edifício e desta vez com muito cuidado e propósito. Encontrei a minha casa, a minha família, o sentido para uma existência com significado e paz. O que não importa, fica de fora, e a vida segue sem o receio de perder. A vida - em si - mostra que um dia perdemos e outro ganhamos. Por isso nunca nada é o fim, se quisermos o que está à frente, há sempre algo pelo qual vale a pena continuar. No caminho, manter o nosso contexto limpo, com pessoas de boa índole que nos fazem estar na mesma vibração.
  

quarta-feira, dezembro 31, 2025

2025

Gostaria de fazer um balanço deste ano e não me consigo. Não me lembro de um ano tão desafiador, um ano que tenha dado tanto e perdido tanto, citando a Garota Não «antes não mostrasse tanto, mas dormia o meu santo e eu sem ter proteção nem medi o coração. Dei-o todo logo ali e ao dar tudo só perdi». Fui terraplanado, mas consegui renascer dos escombros com uma consciência mais elevada de mim, dos outros e da vida. A não linearidade da vida é algo que não deixa de me espantar: os altos mais altos e os baixos mais baixos. 

quarta-feira, novembro 05, 2025

Tempos confusos

Talvez nunca esqueça este Outubro de 2025. 

Uma vez vi um filme chamado "A tempestade perfeita" protagonizado pelo George Clooney, uma dramatização de um acontecimento real que levou ao desaparecimento de uma embarcação de pesca. Três tempestades juntaram-se dando origem à tempestade perfeita. 

Nesse agosto de 2000, poucos dias depois de ver o filme, chegava à minha vida - também - a tempestade perfeita . Nunca senti um nível de dor e de impotência tão grande. Aqueles acontecimentos traumatizaram-me profundamente ao ponto de nunca mais conseguir cantar uma canção que estava sempre a cantar naquela altura, como se isso me fosse trazer um enorme azar. É estupido. Mas o cérebro não quer saber da racionalidade das coisas a maioria das vezes. Lembro-me que esse evento de 2000 levou uma grande parte da minha ingenuidade, da minha alegria; tornei-me obcecado pelo controlo de tudo o que interagia comigo. 

Foram precisos alguns anos, para que eu voltasse ao normal, desgastando amizades e a vida familiar com a minha obsessão e desconfiança permanentes. Em 2006, outro evento difícil de integrar, leva-me ao ponto mais baixo da minha saúde mental. No processo de reabilitação fiz acordos comigo, coisas que nunca poderia esquecer e das quais tinha de tratar em nome próprio. Comecei - por fim - a ser verdadeiramente feliz. Fiz boas escolhas e essa felicidade durou 8 anos. Foram tempos em que estive presente e centrado.

Algures em 2014 mudei radicalmente de hábitos. Eram os tempos de novidade que se viviam e embarquei nessa onda, por curiosidade. Porque não? Pensei. Se os outros conseguem eu também consigo. A curiosidade não matou o gato, mas desorganizou o gato, que se viu em extremos onde 6 meses antes não se imaginava. 

Quis voltar à minha tribo e aos meus códigos, mas algo correu mal. É quase como se as trilhas de cheiro se tivessem misturado e o caminho estava dúbio. Não encontrei a minha tribo. Apesar de achar que estava viver nela e dentro das minhas convicções. Mas estava agora num meio novo, outra geração, outro tipo de gente e a viver de acordo com eles, mas sem dominar o que estava a acontecer. Estava a construir a vida privada com uma pessoa, sem saber exatamente e que estava a fazer, acreditando que ainda era o que sempre tinha sido, a criar justificações para este "erro de casting" e os que se seguiram. É quase como se existisse a realidade e uma realidade fantasma a perpassa-la, onde eu me movia realmente.

Por força do destino, esta realidade nublada encontrou-se com a realidade real. Há pessoas que nos tocam de uma maneira em que tudo é espelho. Nesse espelho vi muitas coisas, umas mais rápido, umas mais lento e começou a partir-se essa camada de "ser" agarrada à alma antiga, o ser que final não era. A névoa dissipou-se, mas não sem dores, não sem custos irrecuperáveis. O amor tem destas coisas, o amor da nossa vida pode não ter vindo para ficar. Não deixa de ser o amor da nossa vida, deixa de ser o amor para nossa vida.

Há uns meses atrás citei aqui "A vida não começa aos 30 ou depois dos 40. Ela realmente começa quando você deixa de ser besta" e ainda "Imagina ler um livro em que nunca podes voltar à página de trás. Com que atenção lerias esse livro? Assim é a vida". E de repente aos 51, tive a certeza de que posso redefinir o momento em que passo a estar presente e consciente de novo. 

A consciência é um estado tramado porque não só o desejável fica claro como cristal, como o não desejável também se evidencia, na luz nada se esconde, todas as imperfeições (das maiores às mais pequenas) estão ali visíveis. Renascer de uma morte pode ser das ironias mais cruéis que existem, mas acontece e não se está treinado para isso, para as ironias da existência, para a crueldade das assincronias. Eu pelo menos não estou preparado.

Os últimos três meses e meio foram dos meses mais tristes, mais incríveis, mais desafiantes, mais belos, mais desgastantes, mais produtivos, mais melancólicos, mais esperançados que já tive emocionalmente. Tudo ficou - de repente - tão claro que me sinto confuso, o meu cérebro não se habitua. Tenho tentado treinar o cérebro e não consigo. 

Poderia ter o consolo de saber que a paz vem quando tiramos da nossa mente o que não conseguimos controlar, mas a mente é ardilosa. As opiniões das outras pessoas, as noticias, o passado, é fácil. Mas a realidade é que não estou em paz. Estou muito triste. E neste processo de luto, o presente recusa-se a ficar passado, ou melhor dito, o passado é ainda presente e não sei quanto deste passado será ainda futuro. 

Os passados são tramados. Adoecem o presente. Quando a mente não consegue distinguir o que é o quê. O passado envenena o presente, e o ego reage com todos os seus medos, pânicos, inseguranças e sistemas de preservação e ataque. Dois egos em luta e lá, bem no fundo, já esquecidas pelo outro e pelo próprio, a verdadeira essência de cada um em ausência de relação, em amor solitário, em sofrimento, quando nada tinha de ser assim. E não há volta porque o ego precisa de um enredo onde é vítima injustiçada e incompreendida. Este sofrimento do ego dá um sentimento de identidade. E já nenhum se lembra que o amor não é sofrido. Que isto é tudo uma outra coisa. Nenhum fica a ser o que realmente é, e que não voltará a ser com o outro, não aqui neste tempo presente. É deste relento, que morre a conexão. Não o sentimento.

Então são tempos muito confusos. A única coisa que se procura são lugares seguros, e a única coisa segura são os amigos, os amigos que sabem tudo de nós, que ouvem tudo de nós, que nos falam qualquer coisa sem medo, mas sempre com amor. De um lugar de amor que não está sofrido, que não faz a crítica ser ataque, que não faz a análise ser julgamento. Amor simplesmente. 

Mas estes tempos são confusos. No final de outubro deste ano de 2025 tive a minha nova "tempestade perfeita". A morte de uma relação (pela qual estou profundamente grato), a doença/sofrimento da mãe, a minha própria doença de novo a atacar. Não obstante, esta última relação tirou o véu que me cobria a realidade fazia tanto tempo. Estou aqui sem fantasia, sem justificações. O que é, é. O caos existe neste momento, mas o caos é apenas uma soma de coisas amalgamadas numa bola grande e assustadora. Se o cortarmos às fatias e se resolver uma coisa de cada vez, ele deixa de ser caos. 

Em tempos confusos há que praticar a arte da paciência (na qual não sou particularmente dotado) e acreditar que na desordem global, sempre se criarão polos de ordem local. As leis da relatividade também se aplicam aos indivíduos, a nossa visão deve estar ciente disso. E é tudo.  

segunda-feira, setembro 02, 2024

Hoje

Hoje a balança marcou abaixo dos 77kg. Não era algo que estivesse nos meus planos, mas desde que deixei de comer doces que me sinto melhor e gosto disso. Será para manter. Não tenho deixado de comer, mas é claro que mesmo com tudo muito bem racionalizado e integrado, o final de uma relação é sempre impactante, e percebo que o meu metabolismo está acelerado. Estou a lidar muito bem contudo, mas há um vazio que teima a corroer como um ácido leve no estômago. O balanço é, como já disse aqui, positivo. Nunca gostei tanto de ninguém e nunca tratei ninguém tão bem e tornei-me a minha melhor versão. Só isso é um ganho por si. Depois o resto é perceber que a outra pessoa não deu de si como se pensava, não se esforçou como se pensava (estando eu a viver uma ilusão) e há que saber quando voltar as costas e começar de novo. Isso também é um ganho. Tenho 50 anos e sou um homem crescido que sabe quem é, que sabe o seu valor e que sabe o que quer para si. Um dia chego lá, se não chegar sei pelo menos que passei esse tempo a tentar com trabalho e todo o meu coração. Vai ser sempre assim. 

quinta-feira, maio 02, 2024

8 dias

Estou a oito dias de fazer cinquenta anos. Acho que consigo perceber porque é que as pessoas entram em modo balanço. Dos dezoito aos cinquenta passou tão rápido. Trinta e dois anos que parecem 10. Parece que foi ontem, mas não foi. Já aconteceu muita coisa, já vivi muita coisa e tenho a noção concreta de que a a segunda metade da minha vida vai passar a correr também (e que não chegará cinquenta anos). Tenho menos tempo e não sei bem em que condições físicas, o que me poderia colocar a apostar as fichas todas nos próximos 10 anos. 

Não obstante. A única coisa que mudou foi a consciência de finitude. Continuo com este estado tranquilo que alcancei em 2023, a mesma vibração de aceitação e de celebração de cada dia. Em 2008 descobri que era muito feliz e assim continuei até 2015 quando uma relação não muito boa me levou a ser um homem deprimido, alienado, vulnerável, à procura de corações nobres, alguém que me resgatasse. Este estado de alma, fez-me cair numa relação ainda mais desastrosa. E a verdade é que ninguém resgata ninguém. Somos nós que temos de ter amor-próprio. E o meu estava num penico. 

A partir de Fevereiro de 2023 comecei a minha regeneração e a pouco e pouco com as experiências felizes e o reatar de algumas amizades (como a do meu amigo médico, que me ajudou bastante a criar momentos leves  e alegres) estava a voltar a pessoa de 2008. Os meses passavam e a vida era sempre mais bonita e mais presente. Interessava sempre o momento presente, o estar aqui e agora. 

Por isso, mesmo agora, que dou conta de como tudo é rápido no fluxo do tempo, não deixo de estar tranquilo. Não sinto que tenha de correr, não sinto que tenha de me multiplicar. A minha prioridade é continuar a ser saudável e simples (mesmo no meio do complexo). O Beto disse-me, quando estivemos juntos a primeira vez, que gostava de mim por eu ser feliz com pouco. A isso acrescento que desejo o que tenho e o que posso ter, não desejo o que os outros têm ou podem ter. A comparação destrói mesmo o nosso sentido de "self". É este espírito que espero continuar a transportar nesta nova década. 

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Balanço express do meu 2011

Estou a comer à secretária e aproveito uns minutos (dos 20 que me dispus a tirar) para fazer um balanço express de 2011. Não foi um ano fácil. Como funcionário público só vi cortes e mais cortes (e ainda levei nas orelhas da opinião pública porque somos todos uns grandes sacanas que não queremos fazer nenhum), tive algumas decepções com amigos, uma doença grave na família, MAS... (o 'mas' tinha de vir em letras grandes) foi um ano muito positivo. No final do ano apercebi-me que o que se tem passado tem-me obrigado a reformular a minha visão das coisas adaptando-me ao que é efectivamente real. Às vezes são precisos alguns abanões para mexer as pernas e procurar outro poiso. Fora isto, conheci a praia mais bonita onde alguma vez estive, voltei a ter trabalho a sério (às vezes demais), fiz esqui pela primeira vez, amei e fui amado, a minha sobrinha e afilhado estão a ficar dois miúdos estupendos, a minha mãe está com saúde, o meu irmão e eu somos amigos, conheço pessoas que me inspiram a ser melhor, etc. Que o ano que vem me veja, pelo menos, igual a este ano.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Balanço

3 lâmpadas mudadas. Um casquilho desfeito para substituir. Uma porta com vidro partido já desaparafusada para ir a arranjar e um iPod Shuffle comprado (diz que não conta como iPod).