sexta-feira, julho 10, 2026

Bonnie Tyler

Lembro-me de ter 11 anos e me ter tornado muito fã. Lovin you's a dirty job (but somebody's got to do it) foi a música que fez o click. Perdi-lhe o rasto nos anos 90, mas continuei a gostar de várias músicas que revisitava. 

Ontem foi apenas ridículo (como tem vindo a ser sempre que morre alguém nas redes sociais ou em outro meio de comunicação online) a quantidade de homenagens feita por pessoas que não meteram a tocar uma única música dela nos últimos 30/40 anos. Os tempos que vivemos são de uma imbecilidade sem limites. A modernidade líquida está sempre presente. 

terça-feira, julho 07, 2026

Não percebo esta devoção

Não percebo esta devoção dos portugueses ao Cristiano Ronaldo. É um excelente atleta que se representa a si mesmo e que tem mérito como isso mesmo, atleta. Orgulho tenho no Aristides de Sousa Mendes, isso sim é um bom português. Depois há tanto de bom para falar: António Damásio, Vhils, Monica Bettencourt-Dias, etc. Mas no fim de contas até sei o que passa, são os 3F: Fado, Futebol e Fátima. 

Pulga atrás da orelha

O senhor Vítor traz alguma na manga. É preciso estar atento, não vá o bicho morder pela calada.

segunda-feira, julho 06, 2026

Idade

Neste momento o meu "role model" é definitivamente a Madonna. Também estou a envelhecer e a sociedade puritana, amarga ou poucochinha, entende que uma pessoa tem de envelhecer  'graciosamente' e de acordo com regras estabelecidas pelos que perderam "o gás" ou que nunca o tiveram. No final, quem produz mais, quem desenvolve mais, quem atinge mais, não é quem critica: é o criticado. Há uma espécie de justiça poética em tudo isto.  E os comentários nunca são sobre o legado, mas sim sobre as roupas, os hábitos, as relações, os lugares frequentados serem próprios ou não para pessoas de uma 'certa idade'.

Como bem disse a Cher quando uma jornalista lhe perguntou se ela não tinha ido longe demais nas cirurgias estéticas, ela simplesmente disse "se eu quiser meter uma mama nas costas meto, ninguém tem nada a ver com isso". 

Um adulto deve fazer aquilo que bem entende no que concerne o modo como age sobre o seu corpo e sobre a gestão da sua vida. O que interessa se a roupa é justa, se o namorado é 20 anos mais novo, se vamos dançar até às 6h da manhã? Quem o faz é porque pode. Quem não pode ou quem não quer que fique na sua vida com a qual também ninguém tem nada a ver. Mas a sociedade que interessa, vive e deixa viver. O resto... é apenas o resto. 

Obsessed!


Danceteria - Madonna

sexta-feira, julho 03, 2026

Porque sou um calorento

Hoje à noite vou meter-me na água do mar. Lá estará fresco de certeza.

Julho

Julho entrou dorido, uma dor que não vem da minha vida, mas de terceiros. Dois amigos trilharam caminhos menos bons e fiquei muito triste por saber. A desilusão é complexa quando não se deixa de sentir amor. Porque temos de continuar a roçar na ferida. Espero sinceramente que eles se endireitem, que encontrem um caminho positivo e com significado. Do meu lado parece que agora sou responsável por algo de que não sou. A necessidade de estar constantemente a "policiar" se o equilíbrio está lá. tenho de combater isto, contudo. No mundo dos adultos somos responsáveis por nós e pelas consequências das nossas escolhas. Não devo agir sobre os outros, devo procurar apenas inspirar, mostrar caminhos possíveis. Tudo o resto não me cabe. Cada um sabe de si. Só espero que ninguém se magoe.

A poesia de Adília Lopes

Disseram-me que o mundo ia acabar amanhã,
mas eu levantei-me e reguei as plantas. 
A coragem veste-se de gestos pequenos, 
de uma teimosia mansa em acreditar 
que o bem tem a última palavra.

segunda-feira, junho 29, 2026

Poesia de Luís Quintais

Tudo o que é dito pode ser negado na manhã seguinte.
Mas o sulco que a ação deixa na terra, 
a ferida aberta ou o abrigo construído, 
esses têm uma permanência que a voz não alcança. 
A vida é o que se faz com o silêncio.

O último pezinho de dança

Ainda vim a tempo de dar o último pezinho de dança nos arraiais de Lisboa. Desta vez na Bica onde a música estava bem boa e onde a bifana foi a melhor dos últimos anos. Já a fartura, tive de lutar por uma quente. Mas foi uma noite bem passada. 

Coisas que marcam

Ainda bem que este final de semana em Madrid aconteceu. O fim é o princípio. Olhar para o real é o que importa. E o real tem sempre uma beleza inqualificável.

quarta-feira, junho 24, 2026

Mais uma viagem

Madrid aguarda-me. Este ano não foi pródigo em viagens. Tive de saltar a Albânia e para já dou um pulinho a Madrid para ajuda na tomada de algumas decisões. Mas ainda tenho 6 meses para utilizar, vamos ver o que me reserva o resto do ano. A "grande" viagem pode não acontecer, mas soluções aparecerão.

A poesia de Manuel António Pina

Caiu o mito, rachei a cara contra o muro.
Mas há um sabor a terra molhada que fica,
um sol que teima em nascer no escuro. 
Desiludido? Talvez. Mas vivo, 
e com uma pressa enorme de ser feliz 
antes que a noite regresse.

segunda-feira, junho 22, 2026

Aquelas pessoas.

Aquelas pessoas que fazem tudo o que lhes apetece, mesmo o moralmente reprovável e não têm o menor problema de consciência com isso. Acho fascinante, às vezes chego a ter inveja desse estado de ausência de condicionalismos morais e/ou remorsos. Não consigo ser assim, por muito que tente. Pais com demasiados valores, foi o que deu. 

22 de Junho

 O dia em que assumidamente, este ano, ganhei uma cor.. Já cá faltava. 

sexta-feira, junho 19, 2026

A poesia da José luís Peixoto

No fim, quando todos os nomes se apagarem
e as promessas forem apenas fumo no vento, 
olharás para as tuas mãos vazias. 
E será nessa nudez que encontrarás a força. 
Não contas com o mundo. 
O mundo é um hóspede pressuroso. 
Conta contigo, que és o dono da casa.

A mãe da minha amiga

A mãe da minha amiga deu-me - para além das palavras escritas da filha que eu pude tatuar no meu braço - pensamentos seus, perspectivas de vida que fizeram pensar. Não foi fácil integrar toda a sabedoria gerada por uma mulher que perdeu o que tinha de mais valioso (após a perda), mas o tempo foi trazendo cada peça ao lugar. Ela deu-me essa capacidade maravilhosa de aceitar a perda. De ser perdedor com alegria. Uns dias perdemos, outros ganhamos. A partir do momento que deixei de importar com a perda, com o insucesso, com o lastimável, mais do que a duração dessa emoção a passar pelo corpo, as vida tornou-se muito mais brilhante. Cada ação é compensadora quando se vive sem medo. Já aceitei as todas as desilusões passageiras que hão-de vir, porque é isso que são. Não perco a infinita esperança e a alegria associada. A minha querida Begoña transformou a minha percepção das coisas em uma tarde, mas precisei de meses para integrar tudo. Que sorte tenho de ir conhecendo as pessoas mais extraordinárias ao longo do caminho.

terça-feira, junho 16, 2026

A poesia de Igor Pires

O mundo vai tentar dizer-te que tudo é descartável.
As pessoas, os afetos, as promessas.
O teu trabalho mais bonito é contrariar a época:
segura firme a mão de quem te faz bem
e não soltes por nada.

Num tempo em que nada nos pertence

Aquilo que nos pertence realmente é a nossa vida. Por essa razão não devemos ter medo de ser tolos, falhos e muito menos deixar que a cobardia alheia nos guie e nos determine. Devemos continuar a experimentar e a desafiar convenções. Não me importarei de ser um homem de 70 anos numa discoteca - se ainda existir música no meu corpo e vigor para a exprimir. Não me importarei de cantar na rua no meio das pessoas que passam. Não me importarei de vestir o que me faz bem à alma. Não me importarei de fazer ginásio aos 80 se o corpo assim o permitir. E mais importante, continuarei a não me importar com aquilo que os outros pensam sobre a minha agência.  

A canção do ano?

A canção do ano? Acho que vai ser Danceteria da Madonna. Para mim foi a música que se destacou no filme (abaixo) e aquele refrão é contagioso para dizer o mínimo " Everybody get up and dance! Everyone here is a work of art!"



Confessions II - Madonna