A mãe da minha amiga deu-me - para além das palavras escritas da filha que eu pude tatuar no meu braço - pensamentos seus, perspectivas de vida que fizeram pensar. Não foi fácil integrar toda a sabedoria gerada por uma mulher que perdeu o que tinha de mais valioso (após a perda), mas o tempo foi trazendo cada peça ao lugar. Ela deu-me essa capacidade maravilhosa de aceitar a perda. De ser perdedor com alegria. Uns dias perdemos, outros ganhamos. A partir do momento que deixei de importar com a perda, com o insucesso, com o lastimável, mais do que a duração dessa emoção a passar pelo corpo, as vida tornou-se muito mais brilhante. Cada ação é compensadora quando se vive sem medo. Já aceitei as todas as desilusões passageiras que hão-de vir, porque é isso que são. Não perco a infinita esperança e a alegria associada. A minha querida Begoña transformou a minha percepção das coisas em uma tarde, mas precisei de meses para integrar tudo. Que sorte tenho de ir conhecendo as pessoas mais extraordinárias ao longo do caminho.
sexta-feira, junho 19, 2026
terça-feira, junho 02, 2026
A arte de bem viver
segunda-feira, junho 01, 2026
Este fds
Este fim de semana foi perfeito. Não faltou nada. O palácio da Fronteira, a Gulbenkian, o trabalho, a criatividade, o amor e o carinho. O preâmbulo do futuro.
quarta-feira, maio 27, 2026
O tempo tem estado estranho, mas...
quinta-feira, agosto 21, 2025
Respirar fundo e continuar.
Tomar notas, respirar fundo e continuar com o mesmo compromisso, vontade e dedicação. É isso.
terça-feira, agosto 19, 2025
Não fechar os olhos
terça-feira, agosto 12, 2025
quarta-feira, abril 23, 2025
Coisas complexas
terça-feira, julho 16, 2024
Mais uma sessão
terça-feira, abril 23, 2024
Um sério perigo na Madeira
segunda-feira, março 25, 2024
Diferença de capitais
quinta-feira, setembro 14, 2023
Memoriais: Porque somos fracos de memória
sexta-feira, julho 21, 2023
quinta-feira, julho 06, 2023
Ação / Reação
Hoje fizeram-me uma ação muito feia. Penso sempre que é uma pena o comportamento obscuro e/ou mesquinho. Mas aprendi nestes últimos meses a não personalizar nada. Um comportamento com falta de delicadeza, de educação, de clareza, de honestidade, de nobreza de carácter diz absolutamente nada sobre o alvo desse comportamento. Diz apenas muito sobre quem o mete em prática.
Ao mesmo tempo que uma coisa má está a acontecer ou aconteceu, o mesmo se passou em sentido inverso. Algo bom aconteceu. Todos os dias morrem pessoas, mas todos os dias nascem pessoas. Isto é verdadeiro para o que se passa conosco, há coisas más a acontecer, mas há coisas boas. No meu caso, depois dessa ação feia, vim aqui ao blogue e descobri um comentário bonito que me deixou feliz.
A opção é pois nossa de transportar conosco o que queremos transportar. A ação feia ficou lá atrás, apenas a lembrança de que existiu mas vazia de efeito emocional. A emoção da ação bonita continua a ser transportada pelo cérebro e esse é o único loop de pensamento que me permito.
O universo é perfeito no seu equilíbrio. É apenas a única coisa que me interessa.
segunda-feira, maio 08, 2023
segunda-feira, março 27, 2023
O reencontro de dois conhecidos.
terça-feira, fevereiro 21, 2023
As vantagens da mão
terça-feira, fevereiro 07, 2023
Lista
quarta-feira, janeiro 04, 2023
Delay of gratification
segunda-feira, novembro 28, 2022
Isabel a Guerreira
Hoje foi o aniversário da Isabel - 57 anos. Como combinado lá fomos os colegas com balões e estava lá a família e amigos ainda com mais balões e um pudim de aniversário que ela adora. Conheci o irmão da Isabel que me disse que ontem ela quase tinha morrido. Que apagou e que depois de estar a oxigénio lá voltou, mas como se alguma coisa tivesse ficado para trás. Para ele é muito duro o que se está a passar e a ideia de saber que hoje era o último aniversário da irmã. Fiquei também a saber que a Isabel sabe que tem um cancro terminal.
Hoje ela estava um pouco mais apática, a conseguir falar menos. Talvez por isso as pessoas estivessem um pouco mais tristes e a tratá-la mais como "doente". Achei que faltava música, estava um ambiente um pouco taciturno, e disse "Isabel, falta aqui uma musiquinha, hoje é dia de festa!" Uma colega nossa disse-me que o que ela gostaria era de estar no B'Leza a dançar uma kizomba. Eu agarrei no telemóvel e meti "Bo tem Mel" a tocar. A Isabel começou a mexer os lábios sem que se percebesse o que era. Com a mão que ainda funciona a tentar empurrar a mesa de apoio à frente dela. A cunhada perguntou se ela queria fazer xixi, se queria algo, e queria sim... queria dançar.
Disse-lhe "Isabel se queres dançar não tenhas medo que eu agarro-te, não te deixo cair". Meti-a de pé, agarrei-a com um braço pela cintura e com a minha mão, a outra mão dela que não funciona bem. E ela dançou um bocadinho movendo a anca e os ombros e trauteando a música fazendo boquinhas. Até o cansaço a ter vencido de novo.
Tenho a certeza de que enquanto viver não vou esquecer este dia. Estive sempre sorridente e bem-disposto, mas quando sai do quarto para me vir embora, fartei-me de chorar. A Isabel não desiste. Outra pessoa estaria a deixar-se morrer, a Isabel está a tirar o máximo de cada sopro de vida que ainda lhe resta. Que lição. Só penso literalmente: Foda-se Isabel, que guerreira! Tomara um dia conseguir ser como tu. Que privilégio poder aprender contigo.




