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sexta-feira, junho 19, 2026

A mãe da minha amiga

A mãe da minha amiga deu-me - para além das palavras escritas da filha que eu pude tatuar no meu braço - pensamentos seus, perspectivas de vida que fizeram pensar. Não foi fácil integrar toda a sabedoria gerada por uma mulher que perdeu o que tinha de mais valioso (após a perda), mas o tempo foi trazendo cada peça ao lugar. Ela deu-me essa capacidade maravilhosa de aceitar a perda. De ser perdedor com alegria. Uns dias perdemos, outros ganhamos. A partir do momento que deixei de importar com a perda, com o insucesso, com o lastimável, mais do que a duração dessa emoção a passar pelo corpo, as vida tornou-se muito mais brilhante. Cada ação é compensadora quando se vive sem medo. Já aceitei as todas as desilusões passageiras que hão-de vir, porque é isso que são. Não perco a infinita esperança e a alegria associada. A minha querida Begoña transformou a minha percepção das coisas em uma tarde, mas precisei de meses para integrar tudo. Que sorte tenho de ir conhecendo as pessoas mais extraordinárias ao longo do caminho.

terça-feira, junho 02, 2026

A arte de bem viver

A arte de bem viver passa por não mostrar quando se tem um bom jogo de cartas na mão. O pior é saber fazer "poker face", mas com treino a coisa vai. Para que eu não me esqueça da situação fica o código "que idade tem um Clóvis?", apesar do desconforto fiz a minha melhor cara lavada.  E a vida segue. 

segunda-feira, junho 01, 2026

Este fds

Este fim de semana foi perfeito. Não faltou nada. O palácio da Fronteira, a Gulbenkian, o trabalho, a criatividade, o amor e o carinho. O preâmbulo do futuro.

quarta-feira, maio 27, 2026

O tempo tem estado estranho, mas...

O tempo tem estado estranho. Não obstante, cheira-me a verão. Cheira-me a calor e a vida cheira-me a roupa levada secada ao ar livre. Estou sempre ocupado, um pouco cansado até, mas a comida tem imenso sabor, vejo flores em todo o lado. Não tenho motivos para outra coisa senão sorrir. 

quinta-feira, agosto 21, 2025

Respirar fundo e continuar.

Tomar notas, respirar fundo e continuar com o mesmo compromisso, vontade e dedicação. É isso.

terça-feira, agosto 19, 2025

Não fechar os olhos

Não fechar os olhos da mente é algo que (agora) tenho por necessário. Nada é garantido, absolutamente nada. O que é hoje pode não ser amanhã. E o que não for, mas que nós queríamos que fosse, que não aconteça porque estávamos de olhos fechados a pensar que era um dado adquirido. 

terça-feira, agosto 12, 2025

Lições

 "Cair em si talvez seja o melhor tombo da sua vida".

quarta-feira, abril 23, 2025

Coisas complexas

A gestão de expectativas nossas e do outro. Das coisas mais complexas que existe. A adaptabilidade deveria ser mais acariciada nos tempos que correm. 

terça-feira, julho 16, 2024

Mais uma sessão

A sessão de ontem de psicoterapia serviu para comparar resultados (respostas) de um questionário sobre esquemas cognitivos, com um ano de distância O dado mais curioso acaba por ser algo que é recorrente em mim e que terá a ver com a minha história (eventualmente). Sempre que estou em paz e com ansiedade nula ou reduzida, isolo-me socialmente. Apesar de ser sempre sociável, não procuro contacto social. Sinto-me bem e feliz sozinho, começo desinvestir na proximidade social. Então acabo por ter de fazer um esforço para não perder o contacto com as pessoas do meu ecossistema. Outro aspeto curioso é o autossacrifício. Quando estou muito bem, é quando acabo por fazer coisas que não me apetecem fazer em prol dos outros. Normalmente este traço está associado a quem necessita da aprovação alheia, não se importando  de anular ou suprimir as suas necessidades em prol dessa aprovação. 

Mas no fim de contas o que interessa é que houve uma evolução interessante e que é muito mais difícil ficar ativado com coisas e pessoas. É o que se tem pretendido deste processo de psicoterapia. Manter as emoções pacificadas e não entrar em esquemas cognitivos desajustados e negativos.

terça-feira, abril 23, 2024

Um sério perigo na Madeira

Já é a segunda bebedeira de poncha que eu apanho. Definitivamente não posso beber mais de 3 (e mesmo assim passada uma meia hora só estou demasiado alegre). A poncha à pescador é um perigo sem dúvida nenhuma. 

segunda-feira, março 25, 2024

Diferença de capitais

Ao haver 18 anos de diferença entre os membros de um casal, é muito provável que os capitais de cada um sejam diferentes (cultura, finanças, etc.). O meu caso não foge à regra, e ambos estávamos muito conscientes disso quando demos o passo de avançar. Mas ao contrário do que me aconteceu em relações passadas, o Beto disse-me que não queria que eu lhe pagasse nada ou mudasse o meu estilo de vida, o que tinha de acontecer era ele trabalhar mais para fazer um vencimento mais parecido com o meu. O resultado é que ele trabalha que se "desunha", para fazer o tal dinheiro extra (após o horário de trabalho normal) e não poupa nada, ao contrário do que costumava acontecer. 

Como em tudo até hoje, ele cumpre sempre aquilo que diz, por isso uma mão tem mesmo de lavar a outra, ou seja, sou mesmo muito consciente de que ele merece ser compensado de todas as formas possíveis por tudo o que investe nesta relação. E o facto de (com ele) ser sempre tudo transparente, torna muito fácil a retribuição. 

Acabamos por viver muito bem com as diferenças nos capitais, nos gostos e nos consumos materiais e culturais, porque nos valores não há diferenças, mas sim comunhão. A vida ensinou-me que é um processo evolutivo e que nada obrigatoriamente permanece igual, por o isso o de hoje pode não ser o de amanhã. Agora mesmo, respeito, empatia e lealdade são valores comuns e facilitam tudo.

quinta-feira, setembro 14, 2023

Memoriais: Porque somos fracos de memória

Os Memoriais existem para que a humanidade não esqueça acontecimentos/pessoas que foram extremamente importantes para a história dos países e mesmo do mundo. O seu papel é ainda mais intenso quando falamos de eventos trágicos como o holocausto. O fotógrafo judeu  Shahak Shapira decidiu chamar a atenção para o desrespeito dos turistas para com lugares como o Memorial ao Holocausto em Berlim, através de uma série de montagens das suas fotos e outras que estão na base da existência desse monumento. E o resultado é, a meu ver, poderoso. 





sexta-feira, julho 21, 2023

quinta-feira, julho 06, 2023

Ação / Reação

Hoje fizeram-me uma ação muito feia. Penso sempre que é uma pena o comportamento obscuro e/ou mesquinho. Mas aprendi nestes últimos meses a não personalizar nada. Um comportamento com falta de delicadeza, de educação, de clareza, de honestidade, de nobreza de carácter diz absolutamente nada sobre o alvo desse comportamento. Diz apenas muito sobre quem o mete em prática. 

Ao mesmo tempo que uma coisa má está a acontecer ou aconteceu, o mesmo se passou em sentido inverso. Algo bom aconteceu. Todos os dias morrem pessoas, mas todos os dias nascem pessoas. Isto é verdadeiro para o que se passa conosco, há coisas más a acontecer, mas há coisas boas.  No meu caso, depois dessa ação feia, vim aqui ao blogue e descobri um comentário bonito que me deixou feliz. 

A opção é pois nossa de transportar conosco o que queremos transportar. A ação feia ficou lá atrás, apenas a lembrança de que existiu mas vazia de efeito emocional. A emoção da ação bonita continua a ser transportada pelo cérebro e esse é o único loop de pensamento que me permito. 

O universo é perfeito no seu equilíbrio. É apenas a única coisa que me interessa.

segunda-feira, maio 08, 2023

segunda-feira, março 27, 2023

O reencontro de dois conhecidos.

Estas férias em Málaga fizeram exatamente o que se pede destes períodos; permitiram desconectar, conhecer, relaxar, divertir. Mas houve algo de muito importante que eu não estava à espera, o reconectar com uma essência perdida. 

Fiquei em casa do meu ex-namorado hoje um grande amigo. Não passávamos uma temporada juntos desde 2014 quando acabamos (de comum acordo e com boa energia) a nossa relação. As duas relações que viriam a seguir-se tiveram em mim um efeito complexo, assim que o meu Ex foi a última pessoa com quem tive grande intimidade antes de ser "quebrado" ou "dobrado" pela vida.

Pelo facto de não termos privado com proximidade desde 2014, eu continuo a ser (para ele) a pessoa que conheceu, apesar de contarmos o que se vai passando por telefone. Para mim também ele é - em energia - a mesma pessoa de 2014, apesar de o ter encontrado talvez mais "dobrado" que eu.

A confiança e o conhecimento que temos no outro e um do outro fez com que essa parte de nós, digamos "desaparecida", tenha voltado. Alguém que sabe o que somos no íntimo de repente está ali, alguém que acredita em nós piamente. Isso ajudou os dois, muito diria. 

É uma sorte ter quem veja para lá da patine que se forma sobre nós, que nos conhece estruturalmente. Mesmo quando as coisas são nubladas ou dúbias há quem não duvide por um momento de nada a nosso respeito. A confiança naquilo que sabemos do coração do outro fala mais alto que qualquer facto. 

Vim de Málaga mais inteiro. 
Gracias mi amor!

terça-feira, fevereiro 21, 2023

As vantagens da mão

Como diz - e muito bem - um amigo meu, é melhor usar a mão do que andar por aí a ter sexo. Eu tornei-me apologista porque assim de modo muito resumido:

- a mão não faz conversa fiada
- a mão não refila
- a mão não trai
- a mão não passa DSTs
- a mão está sempre disponível para nós

terça-feira, fevereiro 07, 2023

Lista

Fiz um acordo com a psicóloga para preparar os meus dias com 1 dia de avanço, já que não tenho nada a impor-me rotinas como costumava ter e a falta de propósito deixa-me deprimido. De repente já tenho uma lista e pêras, mas é para fazer. Cada vez que acabar uma coisa, dou uma palmadinha nas costas. 

quarta-feira, janeiro 04, 2023

Delay of gratification

Delay of gratification, the act of resisting an impulse to take an immediately available reward in the hope of obtaining a more-valued reward in the future. The ability to delay gratification is essential to self-regulation, or self-control.

segunda-feira, novembro 28, 2022

Isabel a Guerreira

Hoje foi o aniversário da Isabel - 57 anos. Como combinado lá fomos os colegas com balões e estava lá a família e amigos ainda com mais balões e um pudim de aniversário que ela adora. Conheci o irmão da Isabel que me disse que ontem ela quase tinha morrido. Que apagou e que depois de estar a oxigénio lá voltou, mas como se alguma coisa tivesse ficado para trás. Para ele é muito duro o que se está a passar e a ideia de saber que hoje era o último aniversário da irmã. Fiquei também a saber que a Isabel sabe que tem um cancro terminal.

Hoje ela estava um pouco mais apática, a conseguir falar menos. Talvez por isso as pessoas estivessem um pouco mais tristes e a tratá-la mais como "doente". Achei que faltava música, estava um ambiente um pouco taciturno, e disse "Isabel, falta aqui uma musiquinha, hoje é dia de festa!" Uma colega nossa disse-me que o que ela gostaria era de estar no B'Leza a dançar uma kizomba. Eu agarrei no telemóvel e meti "Bo tem Mel" a tocar.  A Isabel começou a mexer os lábios sem que se percebesse o que era. Com a mão que ainda funciona a tentar empurrar a mesa de apoio à frente dela. A cunhada perguntou se ela queria fazer xixi, se queria algo, e queria sim... queria dançar.

Disse-lhe "Isabel se queres dançar não tenhas medo que eu agarro-te, não te deixo cair". Meti-a de pé, agarrei-a com um braço pela cintura e com a minha mão, a outra mão dela que não funciona bem. E ela dançou um bocadinho movendo a anca e os ombros e trauteando a música fazendo boquinhas. Até o cansaço a ter vencido de novo.

Tenho a certeza de que enquanto viver não vou esquecer este dia. Estive sempre sorridente e bem-disposto, mas quando sai do quarto para me vir embora, fartei-me de chorar. A Isabel não desiste. Outra pessoa estaria a deixar-se morrer, a Isabel está a tirar o máximo de cada sopro de vida que ainda lhe resta. Que lição. Só penso literalmente: Foda-se Isabel, que guerreira! Tomara um dia conseguir ser como tu. Que privilégio poder aprender contigo.