quinta-feira, janeiro 22, 2026

Expetativas

Sempre fui um sonhador, um otimista, sempre acreditei ou esperei por algo. Na minha mente a seguir a qualquer coisa viria outra coisa melhor ainda, mesmo que não fosse logo a seguinte. Porque nada resultou neste meu modo de ver a vida, há cerca de 3 meses, tive esta ideia de viver sem expetativas externas e de esperar apenas de mim, ou seja, o que posso controlar. 

Parece que esta ideia de reduzir as expetativas ao mínimo, também reduziu a minha vida ao mínimo. Trabalho, estudo, vou ao ginásio e estou em casa sozinho ou saio sozinho. O fim de semana que passei em Roma (como que fora do mundo real) deu-me uma comparação com o que, atualmente, é o meu quotidiano; apercebi-me contundentemente de que viver sem expetativa me mata em essência. 

Não consigo perceber se como me comporto agora é fruto das circunstâncias, ou se existe um novo eu. Não sei o que está aqui e enquanto não perceber, o melhor mesmo é ficar inerte, com a exceção de resistir à tentação de estar sempre sozinho. Pensei que já tinha caído tudo o que tinha de cair à minha volta, mas creio que o processo ainda não está completo. Estou agora a afastar-me até das coisas que me são queridas para ganhar perspetiva. Saramago dizia que "temos de sair da ilha para vermos a ilha". Por aí ando; mas é um lugar solitário. O que fora de mim foi verdade nestes últimos anos?  Sei que foi tudo verdade o que senti pelas pessoas, mas até que ponto simplesmente imaginei/fantasiei o inverso?  

Viver sem expetativa poupa-me às charadas e aos passos em falso, mas poupa-me à vida também, ao que me dava sentido. Ainda não consigo fazer sentido de nada. 

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