Quando resolvi ler o livro, fi-lo porque me apetecia ler um novo autor português. Não sabia sobre o que tratava e soubesse não o teria lido. Spoiler. Uma das coisas que mais me choca na vida é a violação, razão pela qual evito qualquer filme ou série ou livro que falem sobre isso. Quando percebi durante a leitura do que se tratava, resolvi ir em frente na mesma e enfrentar o desconforto.
É-me por isso muito difícil falar deste livro. Mas ao jeito de sinopse, A Cicatriz conta a história de um casal que embarcam numas férias de sonho no Rio de Janeiro. Tudo está a ser perfeito até ao momento em que se dá um acontecimento marcante, que os separa para sempre.
Posso dizer que chorei a ler toda a parte mais violenta do livro - pela personagem e por todas as pessoas que sofrem este ato por parte de alguém.
A primeira consideração que faço sobre a autora é que tem uma boa imaginação, que sabe construir blocos narrativos e que o livro tem uma estrutura narrativa muito boa. Mas acabo aqui com o positivo.Senti que este livro escrito pela Valérie Perrin seria - talvez - uma coisa muito bela, porque é preciso ter profundidade, sensibilidade, e compreender a dor, a desgraça e a miséria humana nas suas diferentes manifestações.
A escrita da autora (ou voz da autora) é uma escrita muito jovem, mas não sentido fresco do termo, é uma escrita para a geração Instagram, que adora "lamber" o superficial, para quem o efeito de choque, ou a repetição de descrições de marcas e roupas e lugares é suficiente. Há aqui um efeito plástico pronto a consumir, que me desagrada profundamente. Outro fator que me desagradou foi a escrita "beta". Não conseguia deixar de olhar para a personagem como uma beta e que o que está a ser contado por palavras poderia ser visto em stories do Instagram. Este livro não é fantástico, este é um livro para influencers, para malta nos seus 20s mostrar que lê coisas sobre assunto sérios como a violência contra as mulheres, e debitar três ou quatro frases interessantes enquanto mostram uma foto do livro num arranjo altamente estético e Instagramável. Não acho que faça justiça ao tema. Mas eu não sou crítico.
11/20

Sem comentários:
Enviar um comentário