segunda-feira, dezembro 21, 2020

Ser português tem vantagens residuais

Fui comprar uma máscara de pano na Rua Augusta e a máscara que custava 9 euros, para mim que sou português foi só 7 euros. A importância residual de ser portguês.

Gatos com a cor certa

Para a próxima vez que tiver um gato vai ser preto. O pelo nota-se menos na roupa. Hoje parece que fui atacado por sementes de dentes-de-leão.

terça-feira, dezembro 15, 2020

Doce pássaro da juventude

"Don’t be afraid to be a fool. Remember, you cannot be both young and wise. Young people who pretend to be wise to the ways of the world are mostly just cynics. Cynicism masquerades as wisdom, but it is the farthest thing from it. Because cynics don’t learn anything. Because cynicism is a self-imposed blindness, a rejection of the world because we are afraid it will hurt us or disappoint us. Cynics always say no. But saying yes begins things. Saying yes is how things grow. Saying yes leads to knowledge. “Yes” is for young people. So for as long as you have the strength to, say yes."


by Stephen Colbert

Biden é Presidente dos EUA. Oficialmente

Se existem eleições que foram seguras e escrutinadas foram estas. Gostaria de pensar que a loucura de Trump vai parar aqui, mas sei que não. Trump vive do showbizz e vai continuar com este triste espetáculo que abalou a democracia americana e a confiança nas instituições. Ele só precisa de seguidores para fazer dinheiro. Gostava de nunca mais ouvir falar dele, mas será impossível. Ele terá sempre alguma cretinice na manga para dar nas vistas e haverão sempre imbecis dispostos a dar-lhe palco e pior ainda acreditar nas cretinices que debita. Medo. 

Estava aqui a lembrar-me de tiros no pé

 E veio-me à cabeça aquele grande tiro no pé do LIVRE. A Joacine ainda existe?

segunda-feira, dezembro 14, 2020

Desenterrar os anos 80 - 4

 


Love is battlefield - Pat Benatar

Desenterrar os anos 80 - 3

 


What have I done to deserve this - Pet Shop Boys ft. Dusty Springfield

Mau jornalismo e não só

Há muita discussão sobre o mau jornalismo e, em certo sentido, maus jornalistas (maus editores) deveriam ser banidos por não prestarem um bom serviço à população (antes pelo contrário), usando todas as táticas possíveis e imaginárias do sensacionalismo para gerar interesse e habituar as pessoas ao voyeurismo e à fome de sangue (emocional em vez de racional). 

Não obstante, há algo que me incomoda muito. Nas publicações online, sejam elas sensacionalistas ou não, a qualidade do português é cada vez pior. É terrível ler notícias cheias de erros. Os erros de teclado vá, é feio e pressupõe-se que deveria existir um trabalho de revisão, mas  mesmo imperdoável são os erros de sintaxe e de semântica. É de ir literalmente às lágrimas. 

sexta-feira, dezembro 11, 2020

Evermore - Taylor Swift

Não é definitivamente uma cópia do Folklore. O universo de referência é o mesmo, mas a sonoridade é muito mais terrena. É bom, mas não é mágico. Não faz à alma o que faz o álbum anterior. São talvez álbuns irmãos, mas bem longe de serem gémeos. Duas personalidades distintas. Quando precisar de conforto é com o Folklore que vou ter. O Evermore representa a saída da hibernação, sair da casa, o frio da rua, a neve a derreter e a possibilidade de irreverências. Por muito que goste de coisas espevitadas, um abraço quentinho sabe sempre melhor. Daqui a uns tempos, não me vou lembrar muito deste álbum. Já o Folklore agarra-se à alma, como todas as coisas delicadas, cuidadosamente construídas.

Abaixo o primeiro single de Evermore



Willow - Taylor Swift

quinta-feira, dezembro 10, 2020

Tenho dificuldade em compreender a Justiça

Um puto de 18 anos mata a cadela à pancada e apanha apenas 13 meses de pena suspensa atendendo à idade. Para o efeito não interessa nada que ele não revele sentimentos de empatia, que seja um indivíduo cruel (com antecedentes criminais) e que até se tenha provando que agiu com intenção. Chama-se a isto desperdiçar os recursos do erário público (apenas) para se fingir que a lei da crueldade contra animais é cumprida. Ele tem 21 anos agora e teve zero consequências para além da chatice de ter de comparecer em tribunal. Bravo Sra. Juíza!

PS. Lembra-me o caso da mulher morta à machadada pelo marido porque não queria ter sexo com ele. O Juiz retirou 4 anos da pena porque a falecida não cumpria os "deveres de leito". É como quem diz que até estava a pedi-las. Bravo também!


22 anos...

Daqui a 2 dias faz 22 anos sobre a data da morte do meu pai. Mais dois anos e passou tanto tempo como a idade que eu tinha quando ele partiu. Serei o guardião de muitas memórias, uma vez que a minha mãe (perto dos 80) já vai perdendo alguma clareza sobre algumas. Será qua minha sobrinha vai ter interesse em saber as histórias todas do avô? Sou cada vez mais confrontado com o facto de que o meu desaparecimento (um dia) ser o último dia do meu pai neste planeta. As pessoas mantêm-se vivas enquanto vivem em nós, até que deixamos de viver também. 

Ainda sobre o racismo estrutural (e já não sobre o Jorge Jesus)

Há um programa de nome «What Would you Do?» que é o original do «E se fosse consigo?» apresentado pela Conceição Lino. Foram várias as situações que criaram sobre racismo (de negros contra brancos e de brancos contra negros) e sempre que vejo essas peças sinto-me inspirado por algumas das pessoas que se manifestaram. Este tipo de discurso positivo é, a meu ver, o que as associações contra o racismo e as entidades públicas responsáveis pela igualdade e cidadania deveriam abraçar. Somos pessoas!

Em cada um dos clips há algumas frases que me pareceu importante isolar. Espero que quem passa por este blogue se possa sentir tão inspirado como eu.


6:12 - (You didn't have to speak up)... Of course I did. You can't let stuff like that go on. Fear can stop you from doing a lot of things, but should never stop you from doing the right thing. What's in your head doesn't matter if you don't act on it.


1:43 - I'm letting you know, black girl to another black girl, you sound stupid. So much criticism we went through as a people and you're gonna go and do it to the next person? What gives you that right?  I don't care what she is, she could be purple, I'm defending a woman, period point blank.
5.16 - Hate doesn't do anything but to get more hate, it can hold us back. Black people need to find constructive ways to move forward. And just being angry and upset at white people doesn't do that.
6:26 - You don't have to step on them. They have been stepping on us for too long- Let's try to rise together, because we can't do it without them.
7:40 - That's what works for us H.U.G.S (Helping Us Grow Spiritually)



7:26 - I dont have any hatred or prejudice in my heart. As my father was coming up, he was, but it was time to break that cycle.
8:12 - Unconditional love will have the final say in reality.

Jorge Jesus e o racismo estrutal

Não há dúvida de que considero o Jorge Jesus um homem de boas intenções, mas iguais a tantos outros homens portugueses cheio de boas intenções e com uma capacidade limitada de ver para além de coisas quotidianas (ao contrário do Mourinho que ao contrário do que se possa pensar, para além de inteligente é um homem empático).

Não vou dizer impropérios contra o Jorge Jesus, mas o que ele disse mostra que é necessário um forte trabalho para educar e transformar o racismo estrutural que existe  nas sociedades ocidentais - em particular aquelas onde existiu escravatura. 

Não se deve cair em exageros, nem em manipulações de parte a parte, ou seja, do lado da maioria étnica hegemónica das minorias étnicas, e infelizmente isso acontece na maioria das vezes. Os discursos altamente politizados são também manipuladores para "dar a razão" ao grupo de referência. 

Porque o racismo é grave (assim como a discriminação de género, religiosa, sexual ou por deficiência) não deveria ser assim. E quem percebe o problema devia educar para o mesmo, o que é algo que não se pode exigir ao bom homem (mas limitado e bronco) que é o Jorge Jesus. 

É preciso explicar aos brancos (como eu) que só ser branco já é um privilégio na nossa sociedade e a quem diz "eu não me importo que me chamem branco" tem de perceber que não é a mesma coisa que chamar "preto". Há muitos significados presos à palavra. 

Também não gosto do discurso do Mamadou Ba. Não é por ele ser negro, esclareço já, é porque não gosto da forma como ele se expressa e de como muitas vezes as suas palavras acicatam mais sentimentos de raiva, de parte a parte, do que soluções ou pontes. Há assuntos para onde a ironia e os escárnio não deveriam ser chamados (essa é uma técnica do abominável André Ventura, que - infelizmente - começa a pegar também nas populações que ele despreza e descrimina). 

Eu acredito em pontes e em paz. Condeno o racismo e as politiquices à volta do racismo. Acho que faltam ações (não só no nosso país, mas em todos onde existe racismo) que mostrem formas construtivas de andar para a frente, de que despidos de significados somos apenas pessoas. 

A maioria branca, a maioria heterossexual, a maioria sem deficiência, a maioria religiosa não se vai mexer muito, porque está confortável, porque nunca sofreu preconceito e muitas vezes nem dá por ele porque ele não faz parte dos seus contexto e não a afeta (como acontece ao Jorge Jesus).

O caminho não se constrói sozinho. Oprimido e opressor têm de trabalhar em conjunto. Não vai haver justiça imediata porque sim, eliminar séculos de história porque sim. Mas quem vê o problema tem de ser mais inteligente e mostrar que as pontes existem, que do lado hegemónico há muita gente que pode ser educada e do lado minoritário o raiva não leva a nada de bom (apenas ajudará quem pretende manter o atual estados de coisas).

sexta-feira, dezembro 04, 2020

Porque tenho eu um gato inteligente?

O meu gato nunca foi de estragar nada, tirando toalhas usadas penduradas que as puxa para o chão e depois fica a ronronar enroscado nelas. Como é lógico acabam por ficar com fios repuxados pelas unhas. Ocorre que um destes dias, sentei-me no sofá com o casaco térmico e deixei que ele se aninhasse em mim por baixo do casaco. Ele memorizou o casaco e desde esse dia não o posso ter pendurado em lado nenhum, por ele vai lá para o atirar ao chão e dormir no meio dele. Já não bastava ter de colocar uma tranca no guarda-fatos porque ele aprendeu a abrir as portas.  

terça-feira, dezembro 01, 2020

Desenterrar os anos 70 - 4


I feel love - Donna Summer

Desenterrar os anos 70 - 3

 


Dreams - Fleetwood Mac

Lá consegui umas férias com saúde

As últimas ferias deste ano (que ocorreram na semana passada) foram passadas no Alto Alentejo. Fizemos a nossa base em Alpalhão e andamos a conhecer as terras ali em volta durante até meio da tarde. O fim de tarde era passado na piscina aquecida e no jacuzzi com tanto cloro que fazia arder os olhos (mas ali Covid não entra mesmo ehehe). Achei o Alto Alentejo muito bonito, a geografia, as cores, as vilas e aldeias. Só conduzir naquelas estradas entre campos verdes e rochas já me fez ganhar a semana. A paz carrega baterias. Para ajudar, desta vez não fiquei doente. 

Estou com uma daquelas preguiças...

 Para montar a árvore de natal.

Maradona e o branqueamento de um astro do futebol

Maradona não será nem a primeira nem a última personalidade pública com feitos notáveis na sua área profissional, que de tão elevada dimensão servem para branquear as vidas pessoais e as condutas enquanto pessoas. Uma futebolista espanhola, pré-jogo, recusou-se a fazer um minuto de silêncio pelo jogador, afirmando:

"Eu recuso-me a guardar um minuto de silêncio por um violador, pedófilo e abusador, por isso só tinha que me sentar no chão e virar as costas", referiu jogadora que atua no futebol espanhol (...) Há poucos dias, no dia da eliminação da Violência de Género não se realizaram gestos como estes e se um minuto de silêncio não é feito pelas vítimas, não estou disposta a fazê-lo por um agressor (...) Eu recuso-me a guardar um minuto de silêncio por um violador, pedófilo e abusador, por isso só tinha que me sentar no chão e virar as costas. Para ser jogador há que ser primeiro pessoa e ter certos valores, mais do que habilidades, como as que ele (Maradona) tinha, que sabemos que eram grandes qualidades e dons futebolísticos espetaculares"

Gostei que uma miúda de 24 anos não alinhasse em hipocrisias e estivesse informada sobre a vida "menos exemplar" do futebolista. O próprio filho cubano não reconhecido, provavelmente nunca o será porque a mãe dele teve-o ainda menor. O mesmo branqueamento acontecerá a outros grandes desta vida, a menos que mais pessoas como esta miúda coloquem o dedo na ferida. 

Nunca deixarão de ser grandes profissionalmente, tecnicamente, mas não misturemos coisas e não demos como grandes exemplos de vida pessoas que não o são. Que se lhes reconheça apenas o que lhes compete.   

O meu feriado preferido é o de hoje

Para mim o 1º de Dezembro é o verdadeiro dia de Portugal. Se não fosse a restauração da independência não havia Portugal para celebrar. Para mim este não é um feriado monárquico. É o verdadeiro feriado nacional.