Acredito muito em energia e acredito em predestinação. Acredito que existe um caminho que temos de percorrer e que a nós é deixado o livre arbítrio de como o percorrer. Apenas podemos decidir como vamos fazer o caminho que temos de fazer. Não há outro. Podemos não cumprir esse caminho, esse potencial de ação, e teremos de voltar para o percorrer numa outra vida quem sabe.
Às vezes tenho a sensação de que estou a ser testado, mas os testes são enganadores ou o nosso ego é enganador e (como não sabe viver com a paz) prega partidas, essa falsa sensação de perigo para que seja sempre necessário. Há muitos anos anos que não me sentia tão conectado e tão consciente da vida, da forma como me relaciono com as pessoas e as coisas, mas ao mesmo tempo questiono-me. Estou como Sócrates "só sei que nada sei". A maior expansão da consciência leva-nos a perceber como muitas linhas são ténues e que as certezas (muitas vezes) são vãs e que olhando melhor, ou olhando menos até perceberíamos tudo o que há para perceber.
A dúvida permanece. Estarei a fazer bem, estarei a fazer mal? Estarei a agir como deveria, estarei fora de pé? O único conforto que posso encontrar é o desapego, não temer a perda, não me importar de ficar com nada, porque o nada somos sempre (pelo menos) nós. Tenho estado a ser arduamente testado nestas últimas semanas e fiz a minha paz com a perda ou com o desapego, porque há sempre algo por vir e a impermanência da vida tem também um lado positivo. Perder também é ser leve. Como escreveu Christian Bobin:
É preciso perder muita coisa
para ganhar a leveza de uma pétala de rosa
que cai sem fazer barulho.
2 comentários:
A Idade tem destas coisas, apenas dizer que por vezes quando dizíamos que era assim, afinal não era
Tudo é impermanente e só temos de garantir que, não importa a forma, esteja tudo bem.
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