terça-feira, janeiro 26, 2021

Os dois J

Os dois políticos que tenho como referência são Joe Biden e Jacinda Harden. O primeiro é presidente dos EUA e tem um perfil centro-direita, a segunda é primeira ministra da Nova Zelândia e tem um perfil centro-esquerda. 

Para quem não sabe, e de modo genérico, a direita democrática apoia o liberalismo económico e a livre concorrência, mas é cívica e inclusiva. O centro-esquerda, acaba por não variar muito, estando a tónica na tentativa de equilíbrio da justiça social dentro de um sistema capitalista. 

Não acredito em comunismo e socialismo porque o ser humano não é evoluído o suficiente para viver num ambiente de partilha igualitária. Em teoria adoro os ideias de esquerda, mas a prática política mostrou que serviu para impor totalitariamente um ponto de vista e por parte de pessoas não preparadas (acho que ninguém está preparado). 

Também não acredito na direita pura e na sua visão castradora da diversidade humana e os seus ideias ligados ao maior puritanismo cristão, ao "nós" distinto do "eles". Também ninguém está preparado para viver beatificamente, o resultado depois é a hipocrisia latente de uma imagem pública e uma realidade privada completamente diferente.

Prefiro viver na realidade que não é perfeita, mas que pode sofrer melhorias incrementais. Nada melhor do que ser realista e perceber o sistema que temos, aquilo para que as pessoas estão preparadas e tentar tornar o sistema o mais acessível e justo para todos. 

Gosto de sociedades inclusivas, que tentam respeitar na medida do possível a diversidade de cada um e gosto da noção de recompensa por mérito (mais associada à direita). Gosto da solidariedade, não aprecio a caridadezinha. 

A Jacinda tem já muito que mostrar. Tem feito coisas brilhantes como primeira-ministra. O Joe Biden tem quatro anos terríveis pela frente depois da destruição realizada pelo predecessor. Mas acredito muito nele.

Estas duas pessoas fazem-me continuar a ter esperança. Que muitos outros possam aprender pelo exemplo. 

Teorias da conspiração

Hoje li uma das mais fantásticas teorias da conspiração sobre o COVID em Portugal. Parece que é uma manobra para castigar as pessoas consideradas impuras pelo regime. Um pouco à semelhança nazi. 

Ganhasse Portugal bitcoins por todas a estupidez em os portugueses acreditam, dizem ou fazem e éramos um país com ricooooooo.

segunda-feira, janeiro 25, 2021

Azia

Hoje acordei com azia. Não sei se foi porque comi meio pacote de tostas com manteiga antes de ir para a cama ou pelo resultado das eleições (embora me tenha dado uma azia imensa o voto no extremismo, acho que foi mesmo da manteiga). Um momento alto da noite de ontem foi a análise do Rui Rio aos resultados. São aqueles momentos de "stand up comedy" inusitados, com base no nonsense puro. Se não foi comédia, acho que ele tem um severo défice cognitivo. 

domingo, janeiro 24, 2021

É chocante

É verdadeiramente chocante que o André Ventura receba o número de votos que as projeções lhe atribuem. Um mentiroso, manipulador, racista, misógino, totalitarista (a lista podia continuar). Como é uma coisa destas possível em 2021? 

Mas a realidade é que isto não é novo em Portugal. O Isaltino Morais e a Fátima Felgueiras foram eleitos mesmo sendo criminosos. Há algo de muito errado com o compasso moral do povo português. É tudo demasiado triste. Sinto uma imensa vergonha. 

Acabei de ler que o Francisco Louçã disse que "ninguém vai festejar à esquerda". Fico doente com esta mania de falar da esquerda e da direita como se tivessem um estatuto de pessoa. E não têm. Dentro de cada uma estão milhões de pessoas, centenas de políticos e muitos deles decentes. 

Mas não há nada de decente na extrema esquerda e na extrema direita. São nojentas. E de alguma forma a extrema direita conseguiu palco. Pensei que nenhuma o conseguiria num país brando como o nosso. Tinha fé cega nisso. Mas como disse antes, se permitimos que criminosos sejam eleitos (à direita e à esquerda) como impedir que um escroque ganhe o relevo que ganhou?

É tudo tão deprimente. O meu país é tão mais pior do que continuo a querer acreditar. Sinto imensa vergonha alheia e um sentimento de impotência maior ainda. Como se cultiva um povo? Há algo de muito infeliz Lusitânia. 


Violência em Setúbal contra a campanha do Chega

Tenho andado arredado por causa do trabalho e só hoje é que ouvi a história das pedras e da caixa de pastilhas na cabeça em Setúbal. Por muito horripilantes que ache o Chega e o seu líder. Sou totalmente contra a violência gratuita. Não consigo compactuar. 

Eles são o que são, mas como disse tão bem a Michelle Obama "when they go low, we go high". Não devemos descer ao mesmo nível ou ainda fazer pior que foi o que aconteceu.

Desenterrar os anos 90 - 7


Where have all the cowboys gone - Paula Cole

Um dado interessante das eleições de hoje

 Nunca vi tantos ciganos a votar como hoje. Fiquei contente. Somos todos portugueses.

sexta-feira, janeiro 22, 2021

Black (Colin Vearncombe)

Sempre pensei no cantor Black como uma espécie de "one hit wonder" que teve apenas um momento de glória com a canção Wonderful Life e cujo fogo se esgotou depois disso. Hoje, porque pensei nessa canção para colocar na minha série de Desenterrar os anos 80, descobri que ele foi um cantor brilhante. Longe do sucesso, mas sempre a compor melodias de enorme sensibilidade com aquela voz macia. Descobri também que morreu em 2016 depois de sofrer ferimentos graves num acidente de viação. 

Fui ver como ele era agora. Já não tinha aquele ar de anjo loiro (na realidade até perdeu o cabelo), mas a voz não mudou. Continuou com o mesmo débito macio e a mesma expressividade melancólica. Graças a um fã que agregou 42 canções feitas ao longo dos anos, pude apreciá-lo como ele merece. Foi uma belíssima surpresa. 

Fiquei contente por saber que nunca deixou de cantar e produzir a sua música com a sua voz de crooner.  Pelo menos consegui ter aquele momento de glória, aos 25 anos. Tantos bons cantores que nunca chegaram/chegam a ser conhecidos do grande público, tantos.  Fica a música. Para sempre.

Desenterrar os anos 80 - 6


Wonderful Life - Black

Desenterrar os anos 80 - 5

 

v

Dance me til the end of love - Leonard Cohen

O sentimento tem sido mais ou menos este

21/01/2021

Fiz ontem mais uma Mesa Radiónica e só depois oi apurada a minha fórmula de essências vibratórias para ultrapassar as dificuldades do contexto em que estou inserido. Sinto-me esgotado ultimamente, completamente esgotado. Parece que toda a energia que tenho vai para o trabalho e depois não sobre mais nada. Então há que buscar formas alternativas de injetar energia no meu corpo físico e nos meus corpos subtis. Revitalizar é a ordem de comando para este mês. 

quinta-feira, janeiro 21, 2021

Que saudade de ver classe na Casa Branca

Quero acreditar que daqui a 4 anos a memória de Trump vai ser equivalente à memória de um pesadelo, daqueles que já passaram. Tenho grandes expectativas a respeito do Joe Biden, apesar do legado difícil que  herdou. É um homem de consensos e de valores. Tenho a certeza de que irá procurar pontes com os republicanos mais moderados para passar políticas importantes para os EUA e para o mundo. Liderar pelo exemplo. É isso mesmo que um líder deve ser capaz de fazer e ele é homem para liderar a América a ser esse exemplo. Tenho pena de que não seja 5 anos mais novo. Mas já é tão bom ouvir um Presidente falar de progresso, de esperança, de construção e de união. 

terça-feira, janeiro 19, 2021

Michelle Obama

 


Fez ontem 57 anos e não é apenas uma mulher linda. É um exemplo de humanismo e simplesmente um exemplo daquilo a que uma mulher ou um ser humano deveria aspirar em termos de conduta e princípios. Tenho a maior admiração por ela, pelo trabalho que continua a fazer através da Obama Foundation. Tenho pena que não tenha ambições políticas e que nunca venha a ser Presidente dos EUA. Mas, não precisa na realidade. O legado fica.

segunda-feira, janeiro 18, 2021

Viagem no tempo

Fui ao início do blogue. E relembrei-me que em 2006 escrevia poemas. E relembrei para quem os escrevia. É por isto que o Silvestre não vai deixar de existir. 

Amor adolescente

 


Drivers Licence - Olivia Rodrigo

Acho que não é muito difícil ter um adolescente a cantar sobre amor adolescente e obter um produto "azeiteiro". Por isso gostei muito de ouvir este primeiro single da Olivia Rodrigo que, aos 17 anos, tem uma forma muito bonita de escrever e descrever a dor do amor adolescente. Espero que tenha muito sucesso, e que cresça no sentido de nos dar mais momentos de sensibilidade palpável. 

Covid, Covid, Covid...

Não retiro a responsabilidade da atual situação às pessoas. Diz-se sempre que a culpa é do sistema, mas o sistema é a soma das partes e a qualidade das partes é cada vez menor. Mas não há como contrabalançar. O o ciclo informativo está viciado. 

Os média banalizam a COVID, todos os dias a toda a hora, um sensacionalismo gritante. Dez mil casos por dia são apresentados com o mesmo espanto que 400 nos tempos idos de abril. Sempre o mesmo tom. Sempre uma coisa terrível. E as pessoas querem desculpas, querem motivos para não acreditar, para poder escapar aos incómodos do confinamento. Querem argumentos fáceis para refutar o inevitável. 

E os média tal como estão a agir fornecem todos os alibis e mais alguns a quem arranjara desculpas e escapatórias. A luta de audiências e de cotas de mercado são uma treta. Ninguém ganha no meio disto tudo. Ninguém.

A sociedade do vazio

Não imaginava que iria ver Portugal numa situação de novo confinamento. Já sabia que apesar de hospitaleiros e humildes, etc, etc, somos um povo ignorante e até, em certa, medida estúpido. Não pensava que fossemos um povo egoísta e pouco solidário. A solidariedade era uma das características que nos definia também e das mais bonitas que envergávamos. 

Estão a morrer cerca de 1000 pessoas por semana derivado à Covid, mas como me disse uma amiga «o meu marido teve e cá em casa ninguém teve, então isto[covid] é tudo uma grande mentira». Não obstante, para os familiares dos mortos (e não só idosos) "isto" é mais crua das realidades. 

O egocentrismo e a falta de empatia é o sinal dos nossos tempos. É a frequência da sociedade atual. São muito os atentados à dignidade humana. Cada vez mais homens e mulheres, cada vez menos humanos. 

Ainda me lembro de acharem que a Internet viria trazer a prosperidade, a mitigação das desigualdades, as oportunidades para todos. Quase  30 anos de Internet e de TIC produziram umas das gerações mais individualistas de sempre, mais niilista. É a sociedade do vazio. Sinto uma certa vergonha do meu tempo. 

quarta-feira, janeiro 13, 2021

Ferramenta online para saber em quem vamos votar nas Presidenciais 2021

Recebi de um amigo o link emquevotar.pt , uma ferramenta online  construída com o intuito de ajudar os cidadãos portugueses a votar mediante uma escolha mais informada, depois de resposta a um questionário com 15 perguntas chave.

Com alguma graça, depois do que disse ontem sobre o Tino, o ranking dos melhores e piores foi:

1º Vitorino Silva

2ª Tiago Mayan

6º André Ventura

7º João Ferreira

Parece que este ano voto Tino de Rans. Não achei estranho ter mais a ver ideologicamente com o Chega do que com o PC (apesar do João Ferreira ser um homem decente e o outro não). O meu perfil anda ali entre uma Direita Social e uma Esquerda Moderada. 

O mundo é tantas vezes um lugar estranho

O maior perigo do momento é a desinformação. A receção/perceção fragmentada de mensagens e a hiperbolização dos fluxos de comunicação nas redes sociais, dão cada vez mais lugar a notícias falsas, terias da conspiração. 

Os paladinos do medo, da raiva, da amargura, ganharam uma voz que é ampliada também por pessoas bem intencionadas (mas desinformadas ou com pouco sentido crítico) e, deste modo, conseguem que os sentimentos negativos de insegurança, suspeição, segregação e divisão obtenham uma força nunca antes vista.  

Por outro lado, a história mostrou que quando a humanidade trabalha em conjunto é capaz de grandes feitos. Entristece-me que num momento difícil da história das civilizações, um dos maiores esforços conjuntos jamais realizados pela ciência mundial esteja a ser desvirtuado por esta campanha de desinformação. Falo do advento das vacinas mRNA (provavelmente a tecnologia mais segura desde sempre no fabrico de vacinas). 

As vacinas contra a COVID (na sua maioria, penso) seguem esta tecnologia e a rapidez com que foram fabricadas é um exemplo, sem precedentes, de partilha de dados e de know-how a nível global. Quem não quer tomar a vacina, está no seu direito. Mas espalhar desinformação sobre a mesma deveria ser crime. Por causa dessa desinformação existirão mortes que seriam evitáveis. 

A palavra é um veículo poderoso, e nas redes sociais a desinformação está a ser tão eficaz como uma forca ou uma pistola. Deveríamos estar felizes e ao invés andamos a arranjar mais um problema para uma solução.

Não é por nada

Mas acho que tenho um hater. É um fenómeno altamente proporcionado pelas redes sociais e, como diria a minha mãe, só não acontece a quem não está. All you need is love!

Desenterrar os anos 90 - 6


I love to hate you - Erasure

terça-feira, janeiro 12, 2021

Serei eu o único

 A achar o Tino de Rans (ou Vitorino Silva) um fofinho?

Teste: Quantas pessoas dos teus contactos do Facebook são fãs do CHEGA

Um amigo meu sugeriu ir à página do Chega e do André Ventura para vermos quantas pessoas que nos seguem, também seguem aquelas páginas. Foi com muito alívio que vi que tinha apenas 3 pessoas em comum. Fiquei bastante admirado com uma delas. As outras duas sei que são só gostam dele porque ele é contra o Governo e eles estão sempre contra o Governo (seja ele qual for), podiam era ser um bocadinho mais proativos e lerem o programa do Chega para se arrepiarem até à medula. 

Houve pessoas que descobriram ter mais de 30 pessoas em comum e alguns família. Medo.

Desenterrar os anos 90 - 5


No rain - Bind Melon

quarta-feira, janeiro 06, 2021

Primeira vitória profissional

Submeti um projeto que foi aceite pela Comissão Europeia e consigo assim 555.000 euros para o meu ministério poder aplicar juntos da população. Já sinto que materializei algo neste trabalho. Até agora tinha sensação de que não existia visibilidade para o trabalho que realizava. Ufff...

Sobre o amor


 

terça-feira, janeiro 05, 2021

Gótico (Tico para a família)

O Tico era o gato do meu irmão. 

Em 2002 um gatito com cerca de 4 meses saiu de um canavial e ficou encostado à bota do meu irmão - a passar naquela rua por acaso e a detestar gatos.  Ao ver que o gatito estava em mau estado foi ficando, mas à espera que alguém passasse para ele poder ir embora dali, ocupando-se esse alguém do bicho. 

Acontece porém que ninguém passou e o meu irmão telefonou-me a dizer que não sabia o que fazer porque o gato estava com um ar doente e ele não queria ficar com a morte do gato na consciência, e já estava ali há 25 minutos sem passar ninguém. Como o meu irmão era recém casado com uma "cat lover" e o gato era preto (e o meu irmão gótico), eu aconselhei-o de forma a que ele resolveu levar o gato ao veterinário e fazer uma surpresa à esposa. Na altura, eu também não gostava de gatos e mal sabia eu que um dia também iria estar nesta situação. 

Ao chegar ao veterinário, descobriu-se que o gatito teria efetivamente 4 meses, estava muito subnutrido, tinha uma infeção enorme na boca, tinha a cauda partida em dois lados e apesar do meu irmão ter decidido chamar-lhe Gótico, o gato não era todo preto (estava era incrivelmente sujo). Depois da extração de centenas de pulgas e de vários banhos descobriu-se que ele até tinha a barriga e uma das patas brancas. 

Era um gato muito autónomo. Não era particularmente afetuoso, mas tinha uma relação muito especial com o meu irmão que o ensinou a dar beijinhos no nariz através do comando "Tico dá amor". O meu irmão também lhe chamava Gorda e ele lá vinha (às vezes havia confusão porque o meu irmão também chamava Gorda à minha cunhada e vinham os dois). 

Nunca deixou de ser um gato de rua. Tinha sempre a janela da cozinha aberta e saía e voltava quando lhe apetecia, às vezes trazendo lagartixas, pardais ou ratos mortos de presente. Outras vezes ausentava-se por uns dois/três dias e lá voltava à sua casa como se nada se passasse.

Quando a minha sobrinha nasceu há quase 12 anos atrás ele não se atrevia em tocar em nada que fosse do bebé. Olhava-a com um certo espanto e acho que não gostava do cheiro a bebés. A minha sobrinha cresceu e com uns quatro anos passou a dar-lhe uns abraços que o esmagavam, mas que ele respeitava sem lhe fincar o dente (como fazia a outros que o chateavam) apesar de primeiro tentar fugir a esses abraços.

Os anos passaram e o Tico tornou-se velho, tinha cataratas, estava meio desdentado e a partir dos 15 anos começou a ser muito lamechas, adorava festinhas e pedia-as, ia à rua, mas ficava com os olhos com infeções ou às vezes levava porrada de gatos mais novos. A partir dos 18 anos o meu irmão achou melhor deixá-lo em casa, já não via bem, falhava a janela às vezes, e era melhor mantê-lo em "prisão domiciliária". 

Desde Outubro que ele começou a querer sair para rua constantemente, passava as noites a miar com um miado altíssimo que não deixava dormir o meu irmão. E sempre esse querer fugir, quando não estava dormir no sofá. No dia 15 de dezembro foi um homem a casa do meu irmão para cortar as árvores no quintal. Enquanto o meu irmão trabalhava no escritório, o dito senhor não teve cuidado e o Tico aproveitou para sair de vez.

Eu só soube na passagem de ano quando não vi o Tico no cobertor azul  do sofá, nem veio com a cabeça pedir festas, nem o meu irmão disse "cuidado para o gato não fugir". O Tico foi sabe-se lá para onde. O meu irmão andou à procura, os vizinhos, mas nada. Ele trazia uma medalha na coleira com o telefone do meu irmão, mas ninguém telefonou. Suponho que o Tico já não faz os 19 anos connosco, nem os faz de todo. 

O Tico nunca esteve fora 20 dias. Algo em nós diz que ele morreu e eu nem consigo expressar a pena que sinto. Dá-me para chorar quando penso nele. Porque era muito velhote, porque deve ter morrido com fome e ao frio, sabe-se lá onde. Não sabemos se foi porque se desorientou ou porque era mesmo a vontade dele. 

Há quem diga que os animais partem para longe de quem os acolhe quando sentem que vão morrer. Se foi assim, eu queria que ele tivesse morrido na nossa presença, com festinhas na cabeça, com conforto. Ele fintou a morte no dia em que conheceu o meu irmão e quase 19 anos depois deve tê-la encontrado em qualquer lado. Não me conformo com a ideia de não termos podido ajudar, de não saber o que se passou, de não ter a certeza de que morreu sem sofrimento. 

Nunca fomos grandes amigos até ele se ter tornado um velhote carente. Mas o que é certo é que me deixou muitas saudades e uma enorme mágoa por ele não ter estado com a família nos seus últimos momentos. 

São erros de teclado meu senhor

 Por causa dos erros de teclado acabei de desejar «Bom anao!» a um contacto profissional.

quarta-feira, dezembro 30, 2020

Fala-se tanto mal de 2020...

...Mas vamos lá ver bem as coisas. A COVID-19 não se chama COVID-20. O vírus foi um presente de 2019. Além do mais o ano de 2020 não fez mal a ninguém, nós é que fizemos a nós próprios com uma enorme falta de discernimento. Mas o ser humano tem sempre de culpar alguma coisa, não é verdade? A humanidade em geral não é estúpida que nem uma porta, é apenas inocente. 

Diz que vale a pena...

 Seguir a carreira destes novos cantores em 2021. 

terça-feira, dezembro 29, 2020

Desenterrar os anos 90 - 4


Drawned world/Substitute for love - Madonna 

Passagem de ano

Seguindo o tema do Natal, a passagem de ano será em família pela primeira vez em mais de 15 anos. A família é a minha raiz e é a raiz que nos alimenta. Com um ano tão complicado, o melhor mesmo é ir à terra buscar os melhores nutrientes para o que se avizinha.  

Psicoterapia da baixa autoestima

1. Autoaceitação: uma postura positiva com relação a si mesmo como pessoa. Inclui elementos como estar satisfeito e de acordo consigo mesmo, respeito a si próprio, ser "um consigo mesmo" e se sentir em casa no próprio corpo; 

2. Autoconfiança: uma postura positiva com relação às próprias capacidades e desempenho. Inclui as convicções de saber e conseguir fazer alguma coisa, de fazê-lo bem, de conseguir alcançar alguma coisa, de suportar as dificuldades e de poder prescindir de algo;
 
3. Competência social: é a experiência de ser capaz de fazer contatos. Inclui saber lidar com outras pessoas, sentir-se capaz de lidar com situações difíceis, ter reações flexíveis, conseguir sentir a ressonância social dos próprios atos, saber regular a distância-proximidade com outras pessoas;
 
4. Rede social: estar ligado a uma rede de relacionamentos positivos. Inclui uma relação satisfatória com o parceiro e com a família, ter amigos, poder contar com eles e estar à disposição deles, ser importante para outras pessoas.
 
É logico que o exercício consciente sobre as emoções, sentimentos, sensações, necessidades corporais e psíquicas, o cuidar de e o respeito por si mesmo, não são processos rasos. É um diálogo de discussão e ajustamento do próprio consigo mesmo. Nesse diálogo, o questionamento do positivo e do negativo, a duvida e a resposta à dúvida, são elementos salutares. 

Finalmente senti o Natal

Acabei por sentir o Natal. Fico muito incomodado quando tal não acontece. Esta festividade é uma das coisas que me liga ao meu pai. Ele adorava o Natal - talvez como a maioria das crianças que nunca tiveram um Natal por serem extremamente pobres. Não havia decorações, não havia presentes e se ainda sobrasse dinheiro a minha avós fazia sonhos de abóbora à moda do Piodão (os melhores de sempre segundo o mau pai, o que obrigou a minha mãe a uma busca de anos por uma receita parecida). 

O momento mais bonito do Natal era quando ele acordava de manhã e ia à sala de jantar para ver a árvore decorada e as luzes a piscar. Depois era aquele desejo enorme de ter a mesa da sala de jantar (enorme por sinal) toda coberta de doces a seguir ao jantar. Sem espaços vazios. Às vezes chorava quando olhava para a mesa cheia e sei que se sentia feliz porque nos estava a dar aquilo que nunca tinha tido.

O meu pai partiu há 22 anos. Continuamos a querer ter uma árvore linda e cheia de luzes, mas dispensamos a mesa cheia de doces. O que ainda é comum é o amor que a nossa pequena família sente uns pelos outros. Quando cheguei a casa da minha mãe e vi todo o carinho e cuidado que ela estava a meter na preparação da refeição da consoada o espírito acendeu. Senti aquele quentinho que só a família pode oferecer. A árvore da minha mãe estava magnífica e tenho a certeza que o meu pai andava ali a pairar sobre nós, feliz, porque a família que criou continua forte.

quarta-feira, dezembro 23, 2020

A sorte dos brasileiros

 Têm o Natal, o Ano Novo e o Carnaval todos a acontecer no verão. 

Se fossemos um país escandinavo

O Ministro da Administração Interna e o Ministro do Ambiente e da ação climática iam dar uma volta ao bilhar grande. Mas somos um país latino de tradição católica, onde as palmadinhas nas costas imperam e onde a qualidade política deixa muito a desejar. Não temos por onde pegar.

* Chega - Aposta no populismo e política do medo e obsessão doida pela Esquerda maléfica

* PSD - Aposta em ganhar o poder governativo a qualquer custo

* BE - Aposta em ser mais papista que o papa e obsessão doida pela Direita maléfica

* PCP - Aposta no passado, discursos anacrónicos 

* CDS - Aposta em não se sabe bem o quê (mas no caminho tentar roubar eleitorado ao Chega)

* IL - Não sei o suficiente para falar (mas se calhar isso é indicativo de alguma coisa)


No geral, fala-se demasiado de Esquerda e Direita e esquecem-se os valores fundamentais da decência, da verdade e do humanismo. Já ficava contente se a decência prevalecesse. 

terça-feira, dezembro 22, 2020

Coisas estranhas

Um certo perfil do IG, de uma certa revista que publica senhores em fato de banho, fez um repost de uma publicação minha em sunga (que detesto por sinal) nos seus stories. Em dois dias recebi 90 pedidos para ser seguido (porque meti o perfil privado como costuma estar na maioria do tempo). Deve haver muita gente a gostar de más fotografias. Nunca me tinha acontecido.

Mulher-Maravilha 1984

Fui ontem ao cinema, 3 meses depois da última vez. O filme justificava, na medida em que gostei do primeiro e na medida em que em 1984 eu tinha 10 anos e estaria em contacto direto com as minhas referências juvenis. A Gal Godot está linda como sempre e vestiram-lhe as roupas mais glamorosas dos anos 80 (por oposição aos restantes).  Apesar de o filme ter estado abaixo das expectativas quanto às cenas de ação (há pouca ação bélica), diria que o investimento em questões de índole filosófica se adequam monumentalmente à época de pandemia que vivemos. Há uma forte lição sobre sacrifícios e não deixa de haver esperança que um Natal volte a ser um Natal como sempre o conhecemos.

15/20

segunda-feira, dezembro 21, 2020

Nota ao self

Tens de salvar o Natal pá. Não estás minimamente inspirado, nem te importas que uma das iluminações da árvore de Natal se tenha fundido e que a parte de baixo da mesma esteja agora às escuras. Tens de sentir a coisa. Encontra lá o espírito natalício, vá...anda.

Ser português tem vantagens residuais

Fui comprar uma máscara de pano na Rua Augusta e a máscara que custava 9 euros, para mim que sou português foi só 7 euros. A importância residual de ser portguês.

Gatos com a cor certa

Para a próxima vez que tiver um gato vai ser preto. O pelo nota-se menos na roupa. Hoje parece que fui atacado por sementes de dentes-de-leão.