quinta-feira, outubro 17, 2019

Índice Médio de Felicidade

Li este livro em dois dias. Já tinha Lido «Deixem Falar as Pedras» do mesmo autor e não tinha ficado exactamente arrebatado. Mas confesso que, desta vez, o David Machado me arrebatou completamente. Acho que nunca tinha lido uma história com uma espiral de desespero tão potente, que ao mesmo tempo fosse uma fábula da importãncia da esperança. É quase como provar um argumento pelo seu inverso. Achei bastante engenhoso a forma de contar a história através de um diálogo sem lugar, mas firme, que no final revela o seu centro geográfico. Gostei mesmo muito deste livro. Bravo.

Parasitas

Foi um dos filmes que mais gostei este ano. É uma crítíca ao status quo da Coreia do Sul, mas que penso ser relevante em qualquer sociedade de estilo ocidental. O filme é emocionalemnte duro, se bem que nos é apresentado satíricamente como uma comédia que se vai tornando, progressivamente, mais negra à medida que entramos no campo das motivações de cada um dos personagens. O que parece ser um divertido acto de parasitação na busca de uma vida melhor e do sonho de ser socialmente e economicamente estável (por parte de uma família em que pais e filhos se encontram desempregados), acaba por assumir contornos crus que vêm do âmago da realidade "real" de cada um dos personagens.

17/20

Guerra das correntes

É sempre bom ver o Benedict Cumberbatch a actuar e por essa razão fui ver o filme que mostra os primeiros dias da corrente eléctrica pelas mãos de Thomas Edison e George Westinghouse. São sempre interessantes filmes sobre épocas históricas tão significativas para o mundo actual e que já ninguém se lembra. Acho que serve para nos colocar de novo os pés na terra. Do ponto de vista dramático o filme poderia ter ido um pouco mais longe. Senti os personagens pouco trabalhados do ponto de vista da intensidade, e alguns aspectos poderiam ter sido mais explorados. Não obstante, o filme entretem.

14/20

      

sexta-feira, outubro 11, 2019

Estou numa fase de um certo desencanto

No rescaldo das eleições, de coisas que, cada vez mais vejo, online, de comportamentos dentro de organizações como a minha (mas vou a ver e as restantes funcionam de forma bastante idêntica) estou numa fase de desencanto. É tudo muito fragmentado e fora disto as pessoas têm cada vez menos foco e cada vez menos palavra perante o potencial de uma coisa nova. A estabilidade é cada vez menor, porque o compromisso obriga a perder (potencialmente) algo que ainda pode aparecer. Não sei muito bem como se vai dar a volta a isto. Parece que vamos de vento em popa no caminho do retrocesso civilizacional  e a nova Era poderá ser apenas o resultado de batermos no fundo. O meu medo são as consequências do processo. Será recuperável? 

quinta-feira, outubro 10, 2019

quarta-feira, outubro 09, 2019

Quando estamos constipados

A nossa tolerância é infinitamente menor. A minha pelo menos é.

Tenho saudades

Do tempo em que os disparates morriam na boca de quem os dizia e não se propagavam, de forma viral, através da Internet. 

terça-feira, outubro 08, 2019

Não vos acontece?

Às vezes não me apetece nada entrar em discussões com pessoas que não querem escutar outro ponto de vista que não o seu. Há pessoas que considero mesmo limitadas (o que por vezes nem é culpa sua) e outras que considero profundamente estúpidas. Eu respeito quem votou no CHEGA, cada um tem direito à sua opinião, mas não tentem arranjar desculpas mal informadas ou intelectualmente desonestas. Prefiro que me digam, estou zangado com tudo, não acredito em nada e quero que um gajo como o André Ventura pegue fogo ao Parlamento e obrigue a discussões muito mais participadas. Nem a direita nem a esquerda são más. Há é pessoas de merda que fazem com que partidos ou governos sejam uma merda equivalente.  O comunismo falhou porque as pessoas são, em geral, uma merda. As ditaduras de esquerda ou de direita acontecem por isso mesmo. Pessoas de merda. Só atos de raiva contra o sistema, podem levar à população a votar em pessoas de merda e programas de merda, que não respeitam minimamente os direitos humanos fundamentais. Até acho as medidas do CHEGA para o ambiente muito interessantes, mas o que faz às pessoas que não forem católicas, brancas e heterossexuais é muito mau.

Gostava de ter alguma paciência para mostrar às pessoas limitadas que estão erradas quando invocam certos argumentos, mas nunca sei se é um limitado se é um estúpido. Então, espero apenas que não reajam de forma beruta a críticas (como tenho visto) e a ofender toda a gente quando são apanhados contra a parade com argumentos indefensáveis. Se votaram assumam que são fascistas, não andem aqui a ter o melhor dos dois mundos. Isso não acontece na vida real. 

sexta-feira, outubro 04, 2019

Joker

É complicado falar sobre este filme porque o achei muito perturbador. É violento e emocionalmente violento, mas um muito bom filme erigido em torno da construção de um personagem que acaba por ser o próprio filme. Tudo o resto é periférico, não obstante essencial, como causa ou consequência da evolução dessa mesma personagem que culmina no Joker. O filme é desconfortavel de ver, mas é injusta a controvérsia que está a abater-se sobre ele. A arte de uma época é um retrato da sociedade e não o contrário. Reconheci muitos dos problemas das sociedades ocidentais contemporâneas neste filme e talvez, por isso, venha daí o brutal desconforto de saber que podemos produzir "Jokers" em massa.  

Joaquin Phoenix está magistral, a banda sonora é magistral, a fotografia é magistral, a cenografia é magistral. Tudo é o processo de construção do Joker. O Todd Phillips acertou em tudo. Lamento apenas se não for dado reconhecimento suficiente ao filme por, injustamente, ser acusado de fomentar a violência que lhe deu origem. Acho que foi o melhor filme que vi este ano. Muito desconfortável de ver, mas muito bom.

18/20 

quinta-feira, outubro 03, 2019

Para não me esquecer

Que no dia de hoje acertei mesmo na roupa. Sempre que passo em frente a um espelho sinto-me vergonhosamente giro. As famosas calças aos quadrados. 

Ad Astra

Um filme de ficção científica com um Brad Pitt em modo reflexivo e um personagem em busca de si próprio. A solidão é o lugar mais vazio que se pode habitar, mesmo quando estamos rodeados de um núcleo de gente que não o consegue preencher. O personagem faz esse caminho no vazio do espaço, à procura da fonte da sua incapacidade de sentir. 

Há uma certa poesia no filme, alguns momentos (poucos) de acção e muita reflexividade o que parece ser uma constante em filmes sobre o espaço e a progressão no infinito ao nosso redor. No final há uma mensagem interessante. O filme consegue ser isso, interessante. 

15/20

quarta-feira, outubro 02, 2019

segunda-feira, setembro 30, 2019

Globos de Ouro da SIC

Nunca achei muita graça aos Globos de Ouro e prémios em versão poucochinha, mas os de ontem merecem-me um comentário.  A Cristina Ferreira disse que «quis receber o prémio porque é justo» e a Portugalidade ofendeu-se. Se há coisa que eu gosto são pessoas que sabem o seu valor e sem falsas modéstias. Ela tem um valor brutal (tanto que até dá para o Cláudio Ramos andar a reboque) e merece a distinção que recebeu e cada cêntimo do seu enorme ordenado (e até dá bem mais que isso a ganhar à SIC). 

Dito isto e achando que Cristina Ferreira foi mesmo a personalidade deste ano (ela mudou o panorama da televisão portuguesa em 6 meses). Não gostei muito da apresentação dela. O que eu mais prezo na Cristina é a espontaneidade e isso não se coaduna com a leitura de telepontos e encenação. Logo, foi uma apresentação com um brilho contido. Outra pessoa mais solene, seria mais adequada a este papel. 

Dizia o António Variações

«Muda de vida, não podes viver contrafeito». É uma verdade, mas a realidade não é tão linear, mesmo estando constantemente a criar oportunidades. Às vezes era tão bom que a vida mudasse apenas com uma canção. 

Downton Abbey

Para os fãs da série, este filme vem trazer alguma luz a diferentes personagens que tinham ficado "menos bem" servidos no final da série. A visita dos reis de Inglaterra a Downton Abbey serve de pano de fundo a mais uma dose de intriga e de elegância (bafejados de bom humor) bem ao estilo do que estavamos habituados, sendo que a personagem da Maggie Smith sobe ainda mais um nível na sua irreverência. É adorável.

16/20 

Ousadas e Golpistas

O filme é melhor do que teoricamente pensei que fosse. É um excelente veículo para a Jennifer Lopez  mostrar "star power" e que os 50 são os novos 30.  É uma narrativa interessante, baseada numa história verídica, que vale a pena ver enquanto narrativa de sobrevivência que dá para o torto. Acho que precisava apenas de mais atenção à ligação entre as duas personagens principais. Não é mau, o que é muito bom.

15/20

sexta-feira, setembro 27, 2019

Dor e Glória

Pedro Almodovar é para mim um realizador fetiche. Tenho de ver tudo tudo o que ele produz e faço-o sempre com o maior prazer porque o universo dele é fascinante, contudo, não considero que nos últimos 10 anos ele tenha estado no seu melhor com a expecção do excelente «A pele que habito» (que é aliás uns dos meus filmes favoritos da sua filmografia).

Este Dor e Glória, tem uma certa poesia, uma certa nostalgia e uma certa dose de auto-reflexão, em que o realizador se pensa a si mesmo. Não posso dizer que tenha sentido que alguma das personagens do filme fosse marcante com a excepção da mãe do personagem principal. Há um reviravolta no final que faz com que um filme, até ali, mediano, ganhe outra cor. O tal filme dentro do filme. Mas mesmo assim pedia mais. Não obstante, há momentos muito bonitos e a Penélope Cruz é sempre maravilhosa em espanhol.

14/20 

segunda-feira, setembro 23, 2019

Bingo!


Anna - Assassina Profissional

Não achei o «Lucy» nada de especial, mas gosto do universo do Luc Besson, o que me leva a ver os seus filmes invariavelmente.  Este Anna é bastante interessante porque remete para os velhos filmes de espionagem tentando, contudo, ter um certo ar Pop. Talvez já estejam um pouco vistas, as narrativas que  assentam em analepses para dar estrutura e resolver o argumento, mas no caso gostei e não se tornou aborrecido. Há sempre um elemento de surpresa, quando vem uma analepse. Não sei se temos na Sasha Luss uma actriz em ascenção, mas no global temos um filme competente que distrai e que ainda toca ao de leve na complexidade humana. Ah, tem a Helen Mirren que é sempre um prazer ver.

15/20

terça-feira, setembro 17, 2019

Recomeços

As relações não são lineares e com duas pessoas que são bastante diferentes no seu modo de ser e de estar sentem-se ainda mais as curvas, contracurvas e, às vezes até, os 'loopings'. Não obstante, as relações são uma escolha e, por isso mesmo, há que as fazer funcionar, para isso necessitando de respirar, encerrar a narrativa de um capítulo, reorganizar e começar um novo. Quando reorganizarmos, optimizamos. É quase como fazer uma desfragmentação do Disco Rígido do nosso PC. A comunicação fica fluida, os processos rápidos e, de repente, tudo volta a parecer promissor. E ficamos felizes com a escolha de estar dentro e de fazer funcionar. 

Finalmente

Comprei um fato de banho que não é liso. Vamos ver como me saio com palmeiras por todo o lado.

Ma

Supostamente é um filme de terror. Tem a Octavia Spencer, tem o Luke Evans, tem a Allison Janney e tem a Juliette Lewis. Assim de repente tudo deveria correr bem, mas não percebo como estes actores acabarm num filme que acaba por ser uma espécie de comédia, porque o argumento faz pouco sentido e muitas das cenas são inacreditáveis. Se eu soubesse que era um filme a gozar com algo como o Sharknado que é suposto ser mau, talvez desse uma nota melhor.

10/20


segunda-feira, setembro 16, 2019

Assembleia nas Nações Unidas

Faço parte da comitiva Portuguesa de uma Assembleia Geral de uma instituição das Nações Unidas. Foi a minha primeira vez e, realmente, o que tenho a dizer é que o povo vive estúpido na sua ignorância (opcional) de não saber sobre o que se passa no mundo. Portugal é um país pequeno que pouco interessa, mas todos esses pequenos países que não interessam, juntos, são o mercado de todos os grandes e poderosos países. Juntos podíamos fazer algo. Eu estou estupefacto entre a troca e galhardetes entre o Irão e os Estados Unidos, e os apoios de "compadrio" entre países que para manter poder em determinadas situações se aliam ao pior, sem pestanejar. O mundo é feito de pessoas e somos mais nas sociedades civis que nos Governos. Apenas isto.
  

Blinded by the Light - O Poder da Música

Onde o filme Yesterday (inspirado na música dos Beatles) falhou redondamente, este filme triunfou brilhantemente numa homenagem à música de Bruce Springsteen enquanto pano de fundo para o "coming of age" de um rapaz paquistanês a crescer nos difíceis anos 80 em Inglaterra. Um filme cheio de significado, com um belo aproveitamento da música para estruturar a narrativa e a emoção do espectador. Não esperava sair tão contente do filme, que é inspirado na biografia de Sarfaz Manzoor. Aconselho


16/20

Rei Leão

Não consegui deixar de ir ver o Rei Leão, pois a ideia pareceu-me interessante e os cenários magníficos.  No fim de contas pode dizer-se que o filme cumpre. Claro que a magia do filme animado não pode ser reproduzida porque a obra já é sobejamente conhecida e quase que estamos à procura do Simba animado. Tive na realidade um grande problema - que encaro como um erro de casting, ou talvez não - a Beyoncé a fazer de Nala, não era a Nala, era a Beyoncé. Não havia personagem. Era a Beyoncé a falar por uma leoa. Acho que o trabalho de ator é fazer-nos ver apenas o personagem e ela não o conseguiu. em nenhum momento. Não obstante, é um filme agradável de se ver e, lógico, descontanto algumas incongruências que perdoamos nos filmes de animação, mas que num filme que pretende ser real, não se podem descurar. 

14/20


Variações

O filme é uma digan homenagem ao António Variações, esse visionário rapaz que teve o azar de nascer antes do tempo num (ainda mais) provinciano Portugal. Lembro-me muito bem de ser miúdo e de o ver aparecer nos programas do Júlio Isidro. Dou um bravo a tudo, mas não incluir o Júlio Isidro pareceu-me um erro incrível. O Sérgio Praia esteve estupendo e para além do seu desempenho, a época do início dos 80 está brilhantemente retratada.

16/20 (porque nã
o perdoo a falta do Júlio)

Assalto ao Poder

A primeira parte desta sequela, passada em Londres, conseguiu ser um bocadinho mais convincente. Não achei que o filme fosse grande coisa apesar da tecnologia que aplicou às cenas de acção. Diria que vi um Gerard Butler a envelhecer mal e até um Morgan Freeman que não gostei. Quando até o Morgan Freeman parece mal, está tudo dito.

11/20

quinta-feira, agosto 22, 2019

Pobre Brasil

Acho o Brasil um grande país. O potencial é imenso e tinha tudo para ser uma potencia mundial, não fosse o povo brasileiro que sofre do mesmo que quase todos os povos de países que foram colonizados por Europeus. Após o abandono do colonizador, o povo é deixado à mercê de si mesmo sem uma estrutura forte de cultura ou capacidade de gestão. Para piorar, em países tão ricos em recursos como o Brasil, a luta pelos benefícios provenientes desses recursos é enorme e sempre acesa. As grandes potências económicas tentando recolher o máximo do Brasil, sem grande oposição, historicamente têm apoia«ado para lugares de governação pessoas burras ou corruptas.

Não ajuda em nada que desde a inependência do colonizador, o povo tenha sido mantido "embrutecido" de forma a que quem está no poder possa melhor controlar os destinos da nação. Em tempos de democracia temos um povo pouco preparado para grandes decisões, mais emocional que racional. 

O Brasil está corrupto até ao osso, à esquerda e à direita, mas nas últimas eleições (à custa de muita desinformação e devido às trapalhadas feitas pelo PT de Lula) foi eleito Jair Bolsonaro, um homem da pior espécie moral, mas também um homem demagógico e pouco preparado para a governação. O que se tem passado desde que tomou posse é grotesco e a associação/admiração a/por um outro Presiente lunático e demagógico (Donald Trump) vai deixar marcas no Brasil e no mundo.

A Amazónia está a ser atacada como nunca e o brasileiro burro não percebe que está a destruir também o equilibrio do mundo ao destruir o maior pulmão terrestre. Bolsonaro continua com a sua demagogia e desinformação e o Brasil a afundar com um sorriso no rosto. 

No início ainda dei algum benefício de dúvida, mas o que parecia apenas um sonho mau, é infelizmente bem real. O meu sentimento para com os votantes de Bolsonaro evoluiu da condescendência para um profundo nojo. Não consigo  tolerar a presença de um. Acho-os criminosos por associação. Também falo com emoção, eu sei. Tento não ser emocional, mas mesmo colando-me à racionalidade, o desprezo por essas pessoas não desaparece. Não sei se um dia alguém vai salvar o Brasil da destruição que o seu próprio povo perpetua. Juro que, neste momento, quando penso no que se passa no Brasil, nos EUA, na Hungria, na Itália, o meu peito aperta-se e tenho vontade de chorar pelo tamanho retrocesso civilizacional. Contudo nos EUA há uma classe de gente que não vai deixar o país implodir, mas o Brasil, o quinto maior país do mundo, essa grande jóia de biodiversidade, está entregue aos bichos. Bichos da pior espécie. 

Síndrome de Estocolmo

O filme é no mínimo caricato talvez porque os factos reais que o inspiram são também do mais caricato possível. É um bom filme, mas a certa altura quase parece um filme do Tarantino pela loucura e depois lembramo-nos... «ah, isto aconteceu mesmo». A estética dos anos 70 e o grão/luz em que o filme é executado estão do mais credível. Quem quiser saber como se originou o Síndrome de Estocolmo, só tem de ir ver o filme.

15/20

sexta-feira, julho 26, 2019

As coisas que se aprendem

Tenho uma colega que quando morrer quer ser 'cromada'. Eu sabia que enterram e que cremam os mortos, mas não sabia que também cromavam. Se isto pega moda...