sexta-feira, setembro 25, 2026

Forte da Casa

 Foi onde encontrei a minha casa 💚.

Nos últimos 3 anos

 


Mercy: prova de culpa

Este filme surpreendeu-me. A história decorre na cidade de Los Angeles dominada pelo crime no ano de 2029. O sistema judicial passou (dois anos antes) a ser totalmente gerado e controlado por uma Inteligência Artificial avançada chamada Mercy. Esta IA dita sentenças com base em algoritmos e num acesso total a dados digitais. A história começa com o criador da Mercy a ser julgado pelo crime da sua mulher e tem apenas 90 minutos - com base no acesso total a dados digitais - para apresentar a sua defesa como inocente ou é morto. 

A narrativa funciona como um espelho hiperbólico das ansiedades atuais sobre a tecnologia, a  automatização e a perda do controlo humano. Em vez de focar apenas em robôs físicos ou explosões, o suspense centra-se num debate filosófico e jurídico contra um algoritmo invisível e acrescenta um dado: a possível humanização da máquina. A Rebecca Fergusson está mesmo muito bem como Mercy.

16/20

Avatar - Fogo e cinzas

O primeiro filme é belíssimo. Devia ter-se ficado por ali se não havia muito mais a dizer. Acho que os tomos seguintes se limitaram a retirar a magia da história e oferecer muitos efeitos especiais. O filme que encerra a saga é um pouco melhor que o segundo, mas mesmo assim é muito inferior ao primeiro.

13/20

Michael

Pode ter tipo a maior sucesso de sempre no génewro biopic musical, mas é mesmo mauzinho, ao nível do telefilme de baixo orçamento. A história já toda a gente conhece.

7/20

Backrooms - o labirinto

Adoraria ter gostado muito deste filme, mas não gostei pouco. A ideia poderia ter sido explorada (mesmo que de forma macabra) como o que foi feito em «Being John Malkovich». Achei atabalhoado.

10/20

Mother Mary

Pensava que este filme seria mais comercial do que na realidade é. MOther Mary gravita entre o thriller psicológico e o exorcismo de um amor que se rompeu (gerando um ódio tão forte que se tornou físico na forma de um fantasma). O filme é bastante denso e poético. Há partes que talvez manifestem uma enorme pretensão disso mesmo, razão pela qual a narritiva - em momentos - se torne dificil de seguir.

16/20

Hamnet

Não sei o que posso dizer a respeito deste filme para além de que é belíssimo, de uma sensibilidade maravilhosa, e que a interpretação da Jessie Buckley é absolutamente magistral.

19/20

Balanço

Cerca de um ano após o término da minha ex-relação o balanço que faço é, na mesma, de um enorme agradecimento por ter sido levado ao limite. Sabendo que é um lugar comum, ser reduzido a pedaços significa poder construir tudo de novo, erigir um novo edifício e desta vez com muito cuidado e propósito. Encontrei a minha casa, a minha família, o sentido para uma existência com significado e paz. O que não importa, fica de fora, e a vida segue sem o receio de perder. A vida - em si - mostra que um dia perdemos e outro ganhamos. Por isso nunca nada é o fim, se quisermos o que está à frente, há sempre algo pelo qual vale a pena continuar. No caminho, manter o nosso contexto limpo, com pessoas de boa índole que nos fazem estar na mesma vibração.
  

quarta-feira, setembro 23, 2026

Palestina Livre

Já tinha baixado os braços a este respeito, recusava-me a ver notícias sobre por não conseguir coexistir com o genocídio que por lá passa e virei as costas numa estratégia de evitação que me protegia de alguma forma perante a angústia que a minha impotência perante esta situação fomenta. 

Acontece porém, que depois de ouvir o Macklemore no concerto do Ed Sheeran senti-me bastante cobarde por ter deixado de ser uma voz no mar de vozes que quer ver assumida a responsabilidade criminosa de Israel. Não mais me calei e não me vou calar. 

As vozes que se calam deixam de ser um mar para se tornarem um lago. O Macklemore mostrou que o lago pode ser mar de novo e posteriormente oceano e, oxalá, um tsunami que varra o nazismo de Israel do mapa. Achei muito encorajador a quantidade de judeus que explica que o que se passa ali é nazismo puro, e que o sionismo não é ser judeu. O judaísmo é uma religião de paz, na realidade todas são. Depois temos cristãos de merda, muçulmanos de merda, judeus de merda e por aí fora. Mas o povo judeu, o povo cristão, hindu, muçulmano, nada tem a ver com as pessoas de merda que nele existem e que é uma desgraça quando chegam ao poder e usam a palavra de Deus em vão para a obtenção dos seus propósitos.

Mais pessoas têm de falar e de ilucidar sobre o que tem sido a história da Palestina desde há 130 anos, para que as restantes deixem de ser racistas, porque de todas as agressões que se passaram no mundo, apenas os Ucranianos receberam auxílio, porque são brancos. Mas importa sobretudo que Israel seja responsabilizado pela genocídio de um povo, do qual quer tomar o terrítório. Qualquer pessoa que esteja de acordo com isto, devia ter muita vergonha. O Holocausto foi isto mesmo.  Por isso, desejo do fundo do coração ver a Palestina livre um dia, e vou continuar a ser uma voz a ilucidar sobre o porquê.

Amor

Se estamos cheios dele, a vida está cheia dele. 

Eduardo Kobra

Descobri hoje este artista de grafitti que achei extraordinário. O trabalho dele que conjuga o grafitti tradiciona com o muralismo. Originário de São Paulo, tornou-se um referência mundial da arte urbana contemporânea ao pintar mais de 3 000 murais nos cinco continentes. Adoro a energia que resulta da combinação de retratos hiper-realistas com padrões geométricos vibrantes e coloridos, prismas e desenhos em xadrez. A voz da arte nunca poderá ser silenciada. 



terça-feira, setembro 22, 2026

Uma família surreal - Hugo Van der Ding

Achei muito interessante contar a história da monarquia portuguesa com humor. Não é uma novidade em termos de estilo porque já todos conhecemos o tipo de humor do autor e, por tanto, não surpreende. No entanto, é completamente uma leitura muito agradável e em dados momentos faz rir bastante. 

15/20

Um cão no meio do caminho - Isabela Figueiredo

Este romance de Isabela Figueiredo, conta a história de um homem e de uma mulher (vizinhos) que sofrem, cada um da sua forma, de solidão. A solidão de cada um é diferente, e aconteceu em virtude de incidentes traumáticos que os abalroaram durante a vida. Mas nenhum assume o mal de que padece, até a sua interação acaba por alterar os seus quotidianos para sempre.

Não foi um livro fácil para mim, porque os saltos entre histórias e personagens não foi muito bem conseguido (na minha opinião, que vale o que vale). O final é bastante interessante e foi a única altura em que consegui "sentir" o livro.

13/20 

O rio que me corta por dentro - Raul Damasceno

O primeiro romance do auto Raul Damasceno tocou-me profundamente. Já percebi que gosto muito de livros que tenham como personagens arquétipos do sertão brasileiro, normalmente pessoas com pouca escolaridade, rudes, mas com emoções pura e genuínas seja no melhor ou no pior.

Este romance tem como herói um rapaz que vive com os avós numa povoação pequena, onde a vida é dura. A mãe trabalha na cidade (em Fortaleza) e vem uma vez por ano visitar, trazendo presentes e o amor que cura a saudade que Cícero acumula durante o ano. Um ano a mãe de Cícero não volta e os anos passam com Cícero e o seu amigo de  infância - Luzimar - a fazerem-se homens que têm de assumir a dureza da terra. Mas nesse processo também nasce o amor entre eles um dos tantos segredos que o rio guarda. 

Gostei muito dos personagens todos, a escrita é muito invocativa da energia de cada um. Foi uma muito agradável surpresa.

18/20

Encontrar-me - Viola Davis


A autobiografia da atriz Viola Davis é um documento belíssimo que ilustra a força extraordinária de quem não quer viver mais na pobreza extrema e quem tem de aprender a sobreviver e a integrar o abuso na sua narrativa de vida, sem que isso a destrua. É também um excelente ensaio sobre família e racismo nos EUA. Por ser uma autobiografia a escrita é bastante honesta e crua, o que valoriza imenso todo o texto. 

17/20


Véspera - Carla Madeira

Era o único romance da autora que me faltava ler e talvez o mais famoso - por isso quis deixar passar um certo tempo para me distanciar dos outros. Este livro fala de uma mulher no limite da sua  existência, traumatizada por um casamento destroçado, decide, num acesso de descontrolo mental, deixa o filho de 5 anos no passeio e arranca com o carro. Assim que o faz arrepende-se e volta atrás ao local onde o tinha deixado, mas ele desapareceu.  A partir daí a história explora o que faz alguém chegar ao limite e a resposta não estar na pessoa em si, mas num passado familiar de medos, sombras, vícios e comportamentos manipuladores e controladores. É muito intenso e muito explícito ao nível das emoções que atestam que a Carla Madeira é uma brilhante contadora de histórias.

16/20

Ainda bem que a minha mãe morreu - Jennette

Ainda Bem que a Minha Mãe Morreu" é um livro de memórias em que Jennette McCurdy (ex-atriz e cantora americana, conhecida principalmente pela série iCarly do canal Nickelodeon) narra sua infância e adolescência sob a influência de uma mãe abusiva e controladora, explorando trauma, superação e independência. O livro é um testemunho muito duro e perturbador de como a sua mãe na vida e na morte acabou por impactar a sua vida emocional e profissional, assim como a sua sanidade mental.

16/20

Aleluia - Bruno Vieira do Amaral

Não sabia que era um livro com base em entrevistas empíricas sobre as igrejas cristãs de teor evangélico, mas li com gosto. Aborda com muito tacto a questão da religião e da fé. O livro acaba por mostrar como a organização da fé em igrejas, mais tarde o mais cedo acaba por corromper os seus princípios básicos com comportamentos incompatíveis com o que a "palavra de Deus" advoga. No fundo, todas estas igrejas cristãs (maiores ou mais pequenas, mais ou sérias ou menos sérias) acabam por sofrer os problemas sobejamente conhecidos das grandes religiões monoteístas.  A fé é o mais importante e existem essas pessoas de fé e existem essas pessoas com valores que celebram a vida e o amor ao próximo. Creio que o livro reabilita a fé e mostra que qualquer igreja organizada é um desastre pronto a acontecer.  

15/20

A vida que ninguém vê - Eliane Brum


A Eliane Brum é a autora de um dos livro mais bem escritos que li até hoje "Uma Duas" (sobre a relação tóxica entre uma mãe e uma filha e que foi o seu primeiro romance. Antes disso, Eliane Brum escreveu vários livros de crónicas sobre pessoas reais, aquelas que ninguém vê mas que estão diariamente no nosso quotidiano. O livro é bem intencionado e as crónicas bem escritas, mas ler de seguida o que foi feito para ser uma coluna semanal de um jornal tem, em certos momentos, um efeito repetitivo que torna o livro menos agradável à leitura. Não obstante há crónicas muito bonitas.

14/20




Nadar no Escuro - Tomasz Jedrowski

Resolvi este livro porque foi uma das escolhas da Dua Lipa para o seu clube de leitura. Em traços rápidos o livro trata de um romance que nasce entre dois rapazes na polónia dos anos 80, ainda sob o braço forte do comunismo, da escassez e da corrupção. É uma espécie de "coming of age" que supostamente trataria da embriaguez do amor de forma lírica e sensual. Acontece porém que não me tocou. Não achei assim tão lírico nem sensual, há algum interessa na forma como está enquadrada a falta de liberdade e a censura das sociedades comunistas do pós-guerra. Não consegui "sentir no corpo" a narrativa, que se tornou quase académica para mim. 

12/20

Indonésia

Não era um destino de eleição, mas dada a altura do ano e o facto de muitos destinos tropicais estarem em época de chuvas ou furacões, a Indonésia foi colocadas no mapa. Que bom que assim foi. A história religiosa, a mistura única de religião animista, budista, hindu e muçulmana deu uma textura muito particular aos lugares espirituais.  Foi também onde tive a minha primeira experiência de snorkel e de Quad. Nadar com tartarugas no seu habitat natural foi uma sensação maravilhosa e fazer Quad no meio da selva, arrozais e cascatas foi uma forma muito particular de sentir o local. A natureza, os templos e a paz que se viveu por lá vão ficar para sempre na minha memória. Tenho de agradecer ao meu parceiro de viagem que organizou tudo com esmero. Yogyakarta, Bali, ilhas Gili, Nusa Penida e Lombok valeram cada momento destes 17 dias e cada centavo. 

sábado, setembro 05, 2026

No outro lado do mundo

A diferença é gritante. A vontade é muita. A natureza ajuda. 

Dia 2 de Setembro

Foi uma bonita noite na aldeia, deitado sob a luz das estrelas a aprender sobre as constelações. O calor humano é o melhor dos calores em noites estreladas.

segunda-feira, agosto 31, 2026

Liberdade

Vim passar a primeira semana de férias à aldeia.  A calma e a privacidade são de facto estupendos aqui, poder passar o dia na piscina sem colocar uma peça de roupa e com a vista dos campos de cultivo e o Tejo ao fundo é impagável. Ter comprado esta casa foi das melhores decisões que tomei, pena que não usufruí durante dois anos como deveria, a vida (tal como a natureza) encontram sempre o caminho mais simples para que tudo fique bem. Este ano tem sido o que sempre foi, tudo encontra o curso natural a seu tempo. 

sexta-feira, agosto 28, 2026

De embalar


L.E.S. Girl - MAdonna

Poker face

«Obssesion is the sincerest form of flattery.» 

- Author Unknown

Não me cotuca


Não me cotuca - Anitta ft. Alceu Valença

quinta-feira, agosto 27, 2026

Mais duas

Mais duas viagens marcadas. Oba! Um destino de sempre em Portugal e um novo destino em França.


Moulin Rouge wisdom

Love is like oxygen
Love is a many a splendored thing
Love lifts us up from where we belong
All you need is love.



Som gostoso


Viajando por el mundo - Karol G & Mano Chao

Uma mulher

Conheci ontem um mulher de 37 anos, dois filhos pequenos, segundo casamento, a única pessoa que trabalha para sustentar o lar enquanto o marido "recupera" de um acidente de trabalho em casa há uns 6 meses. O caos instalado na vida dela e ela a aguentar tudo e ainda chegar a casa e fazer as refeições, dar banho aos filhos, enquanto o marido joga playstation e vê televisão para se entreter. Senti uma profunda pena a observar um ser humano a afundar-se nas complexidades da solidão assistida. Espero que ela consiga superar. 

quarta-feira, agosto 26, 2026

Ela é tão querida

Há uma senhora que é sem dúvida a melhor pessoa na posição dela que já passou pela minha vida. É uma enorme alegria que possa ser assim. 

segunda-feira, agosto 24, 2026

Cazalla de la Sierra

Foi um fim de semana perfeito que valeu cada tostão. Foi o aniversário de um amigo espanhol e revi pessoas que não via há mais de 12 anos. A viagem fez-se bastante bem de carro e a volta foi também muito agradável com uma parada em Badajoz para mais tarde recordar. A energia foi muito boa, como faz bem estar com pessoas com corações limpos de amarguras.

sexta-feira, agosto 21, 2026

A grande viagem

Estou a duas semanas da "grande viagem". Vai ser giro fazê-la com um grande amigo e vamos à aventura. Vai ser um teste ao que deixo por cá e à ordem estabelecida nos últimos meses. Mas sempre se disse que o nosso caminho está cheio do que é para nós. Não desejo nada do que é de alguém, fico apenas muito feliz quando vejo que alguém tem o que defeni como objetivo para mim. Aliás, isso dá-me a confiança necessária para acreditar que é possível. Faço apenas o meu caminho, uns dias a perder e ou tros dias a ganhar e com a permanência do que é para ficar. Voltarei de lá diferente, certamente. Ou não. 

Banana Bread

Comecei a fazer a minha receita "para fora". 

Another one

 Sierra de Sevilla here we go. 

quinta-feira, agosto 20, 2026

Lei de Brandolini

«A Lei de Brandolini, também conhecida como o princípio de assimetria da estupidez, é um aforismo segundo o qual "a quantidade de energia necessária para refutar a idiotice é uma ordem de grandeza maior do que a necessária para produzi-la". Esse pensamento estabelece que é mais fácil criar ou espalhar desinformação do que desmascará-la, devido à quantidade de esforço e tempo necessários para desmentir informações falsas em comparação com a rapidez e facilidade com que elas podem ser criadas e disseminadas.»

O tempo é precioso.

quarta-feira, agosto 19, 2026

Trailblazer

Madonna recebe 11 nomeações para os VMAs, lidera a lista e é a artista mais velha alguma vez nomeada. É bom ver que as pessoas não quererem envelhecer "graciosamente" pode compensar. Muitas vezes as pessoas que escolhem exercer a sua liberdade contra os padrões societais vigentes e são apelidadas de "cringe", na realidade nada mais são do que o espelho da vergonha internalizada de quem as critica.  Mas os cães ladram e a caravana passa e as vidas medem-se pelo legado, não pelas críticas que recebem.

Terapia de Segunda com Kiko is Hot

Hoje ouvi um episódio deste podcast em que teve como convidado o Nuno Markl. O que mais me chamou a atenção foi uma referência do Markl a como uma atriz norte americana lidou com um hater. Em vez de responder à letra, tentou perceber o que estava mal na vida daquela pessoa que a fazia tão infeliz e amarga ao ponto de ir para a sua rede fazer comentários maldosos. É um ponto de vista. Não chamo a isto dar a outra face, é definitivamente ser superior e empático com a miséria pessoal de cada um. Confesso que não teria a empatia para isso, mas acho de louvar. 

terça-feira, agosto 18, 2026

Karma

Semeou espinhos no jardim do vizinho,
riu do sangue que brotou, teve júbilo pelo corte.
Mas no regresso a casa, no escuro do caminho,
descalço pisou, infeliz, a sua própria sorte.

Se Deus não fosse uma frequência

Ás vezes penso como seria se Deus não fosse uma frequência de amor e fosse realmente o Deus monoteísta castigador dos pecados e do mal, o mundo teria bastante mais espaço. Hoje estive a ouvir sobre o suicídio de uma pessoa (um professor universitário) e do assédio público que ela recebeu por parte da comunicação social e de pessoas que dizem coisas horríveis às outras. Agora são todos responsáveis pelo seu suicídio, e enquanto uns fazem um mea culpa, outros continuarão a ser as pessoas nefastas que sempre foram a despejar vitriolo (discursos azedos, ácidos, venenosos e cheios de maldade). Há muita gente amarga e infeliz. Pobres dos fracos de espírito que delas são vítimas. Nem toda a gente tem força para aguentar o veneno alheio. 

segunda-feira, agosto 17, 2026

Nem precisava de saber isto

Mas fiquei a saber que existe uma tal de Rute Sousa, mulher católica e conservadora que diz que o aborto é um homicídio e portanto todas as mulheres são obrigadas a ficar com os seus filhos, até as violadas (o que, neste caso, muitas vezes implica que uma miúda dê à luz o seu próprio irmão, ou sobrinho, ou primo, ou tio).

A minha mente vai apagar a imagem, a voz e - mais importante - as crenças desta senhora, mas não quero deixar de registar aqui no meu diário, para mais tarde revisitar e perceber, a quantidade de gente perigos que por aí existe, em nome da religião ou seja do que for. 

PS. É curioso que ela é uma acérrima defensora do regime israelita, mas matar crianças na Palestina não e homicídio. tenho de desenterrar os discursos dela quando precisar de fazer dieta para que a náusea não me deixe comer.

terça-feira, agosto 11, 2026

A odisseia

É um belíssimo filme. Gostei muito e acho que é o filme de que o mundo estava a precisar para poder fazer uma introspecção. O Ulisses de Nolan não é mais um grande herói aclamado, mas sim um homem atormentado pela bestialidade que presenciou no ataque a Tróia e de como isso nos afasta da virtude que o ser humano deveria procurar. No ato de ter construído o cavalo de Tróia ele violou tudo o que é mais sagrado nas relações humanas, enganou usando o sagrado, destruiu a confiança e profanou a própria Deusa que sempre o acompanhou: Atena. 

Na odisseia de Nolan verificamos como a Grécia antiga se assemelha ao mundo fragmentado de hoje, em guerra (física ou ideológica) e onde o direito internacional é desrespeitado, a hospitalidade inexistente, a diplomacia alvo de zombarias. Num mundo onde não existe honra, como agora em pleno século XXI, este homem procura procurar dentro de si o que é efetivamente válido. A sua viagem de volta a casa trata da purificação da consciência, onde os seus homens falham e por isso perecem, e da esperança de um novo começo iluminado e digno para com a existência. É um filme sobre dor e esperança.

18/20

Ceuta

O fenómeno inédito da entrada de 72000 pessoas num território onde vivem 83000 foi uma manobra de desinformação. Várias mensagens a circular online dando conta de que Espanha iria receber todos os imigrantes que passassem a fronteira e teria alimentação e trabalho para eles. O que se seguiu já sabemos e mal consigo imaginar o medo e o desconforto dos cidadãos de Ceuta a verem-se invadidos e pilhados. 

Consta que a Comissão Europeia já deu conta de novas mensagens a serem passadas para a entrada em massa, no dia 15 de Agosto, nas cidades espanholas no norte de África: Ceuta e Melilla. 

O que mais me intriga não é a reação de jovens homens e mulheres a viverem situações precárias perante a possibilidade de uma melhoria nas suas vidas. O que me deixa mesmo intrigado é a origem destas mensagens e o intuito das mesmas. Que a motivação é política, não tenho dúvida, mas quem? Trump? Putin? Anti-europeístas? 

O pior é o resultado final, a instrumentalização dos marroquinos e o sofrimento das populações invadidas. No mínimo pede-se, em primeiro lugar, que Espanha proteja os seus territórios limítrofes e, em segundo, que se apurem responsabilidades sobre uma prática que, se não me engano, irá tornar-se mais comum. 

A poesia de Matilde Campilho

Há um silêncio bonito quando te sentas ao meu lado,
como se a tarde soubesse exatamente onde deve pousar.
Não é preciso dizer nada, 
basta estarmos aqui e a casa inteira se acalma.

Mais uma para a minha coleção de "Quem diria"


Pra vocês gostar de mim - Anitta

Conhecidos

Há pessoas que não sendo amigas próximas lhes queremos bem. Temos empatia, achamos que são boas pessoas e, por isso, desejamos o melhor para elas. Hoje por acaso confrontei-me com umas coisas proferidas por uma dessas pessoas e não consigo deixar de ficar cheio de pena. Eu sei que já fui muito mau para mim em tempos, mas tenho uma grande dificuldade me aceitar que as pessoas escolham a via da amargura, da auto agressão psicológica reforçando as suas inseguranças e as suas crenças sobre o mundo que as rodeia, quando podiam ter uma vida bem mais bonita, bem mais tranquila e feliz. É um pouco o que escrevia no post anterior, o mundo está muito rápido há demasiados mal-entendidos e as pessoas já não sabem ser felizes quando podiam. Só tenho pena pela dor que infligem a  si mesmas quando poderiam não o fazer.

segunda-feira, agosto 10, 2026

Tempos difíceis

A vida está demasiado rápida e demasiado cheia de coisas. As pessoas andam assoberbadas, infelizes, amargas, porque parece que tudo acontece à nossa volta menos para nós quando na realidade quase tudo o que se vê online é "performance". E esses atores de vidas perfeitas são também aqueles que mais escondem as suas inseguranças, tristezas, insatisfações. Tudo é marketing e andamos muito enganados e cheios de FOMO. O segredo é mesmo desligar. Não ter medo de perder. Pessoalmente, a minha vida simplificou-se quando deixei de ter medo de perder. Uns dias perdemos e outros ganhamos. Isto dá-me paz. Sou contente, não me deixo amargurar, e acho que está tudo bem porque como dizem os antigos "não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe". Não deixo de ser alguém que acredita no devir e que tudo é momentâneo. É só largar se tiver de ser. É a minha dica para os demais, porque felizmente vivo bem.

quarta-feira, agosto 05, 2026

Trump

Ouvi uma expressão que descreve o Trump na perfeição e, podendo ser divertida, é das coisas mais perturbadoras que podem existir para caracterizar o Presidente do país mais poderoso do mundo. "O Trump age como uma criança bêbada". 

Crises

Hoje ouvi uma frase na rádio que ecoou bastante na minha cabeça "não existem crises humanitárias existe uma crise de humanidade". É um facto que as crises humanitárias acontecem em função das relações humanas em todas as regiões.

terça-feira, agosto 04, 2026

O humor do Extremamente Desagradável

Concordo que humor sobre a realidade é difícil de integrar. É mais fácil rirmos de uma caricatura exagerada de nós próprios (como faz o Herman) porque podemos dizer que é só um boneco. Mas quando não nos podemos afastar do ridículo do que dizemos é bem mais difícil, porque afinal fomos nós que preferimos as palavras que são - agora - motivo de humor. É bem mais difícil de fugir à imagem de nós mesmos. 

Este tipo de humor é apenas humor, não é humilhação ou bullying e acho bem grave, até, que se usem estes conceitos tão importantes como se estivéssemos a falar de batatas fritas. Hoje em dia tudo é bullying e tudo é humilhação. Não é. Neste caso falamos de um programa de humor que não é para ser interpretado de forma literal. A literalidade é uma questão muito importante. As pessoas hoje em dia (generalizando) são de tal maneira  básicas e acham-se tão importantes que acabam por ser demasiado literais. Não entendem a ironia, a subtileza, etc. 

Para as pessoas que ainda sabem falar bom português e percebem de gramática e/ou as pessoas que não se levam demasiado a sério, este programa é brilhante e a Joana Marques é uma estupenda humorista. Claro que também existe gente que terá estas características e não gosta do programa, mas não emite ideias boçais sobre o assunto.  

Acontece que o mundo vai muito mal quando toda a gente acha que a sua opinião é pertinente no debate público. Eu, por exemplo, tenho opiniões que são expressas num blogue que é público, mas que é um diário de bordo e não um centro de debate (onde eu não serei visto, por não considerar que tenha assim tanta importância o que acho). Tenho saudades dos meus tempos de miúdo em que não havia internet e a opinião era dada por pessoas com cultura, com saber real. Hoje em dia temos de levar com milhares de opiniões sem estudo, sem saber e fundamento. 

Por exemplo, a maior parte das pessoas que comentou o episódio Mafalda Matos, nem ouviu o programa ou nem teve a capacidade de interpretar o que foi dito. Estão a emitir uma opinião de algo que se fala no momento, algo que alguém falou e que é um tema quente e como tal vamos lá falar nisso também e multiplicar opiniões sobre autismo, sobre bullying, sobre seja lá o que for. Acima de tudo trata-se apenas de destilar maledicência. E todos temos de "mamar" com isto. Pena. Muita pena do estado da nossa civilização.

segunda-feira, agosto 03, 2026

Desafios

A minha mãe tem 84 anos e uma saúde de ferro. Não toma um comprimido para absolutamente nada. Não obstante nem tudo são rosas, duas situações geraram complicações graves que têm sido difíceis de gerir. Quando uma pessoa tem todas as suas capacidades intactas e não pode ter a autonomia a que está habituada a parte psicológica começa a sofrer. Tem sido demasiado tempo de dor e frustração e vejo-a quebrar.  A minha mãe foi sempre espinha dorsal da família. O meu pai era o motor, destemido, sempre em movimento, ela a estrutura que mantinha o nave impecavelmente sólida. Assim, nos habituamos a ver a minha mãe: sólida para lá do humanamente possível. De repente, ela parece só humana e até frágil. Tem sido um desafio mantê-la com um bom espírito. Mas tentamos, eu e o meu irmão, e na maioria dos casos até conseguimos. Ela perdeu a paciência de Jó que tinha e não a censuro. Eu já teria perdido a minha logo no início. Ainda tenho muito a aprender com a minha mãe que apesar de tudo não para de nos surpreender. Este país não é para novos.

quarta-feira, julho 29, 2026

Memórias Póstumas

Não gostei do último álbum do Jão. Mas este Memórias Póstumas é bem bonito. Suponho que por ser um álbum sobre palavras e sobre como lidar com o luto. Talvez o tema se preste a grandes canções e seja por isso.

terça-feira, julho 28, 2026

A poesia de Bruna Vieira

Juntei os meus cacos 
com o cuidado de quem sabe
que o vaso nunca mais será o mesmo. 
Mas em compensação, 
agora cabe muito mais luz dentro de mim. 

Joana Marques e o episódio do autismo

Como sempre brilhante, com grande sentido de oportunidade. E, realmente, utilizar o autismo de Nível 1 como tragédia pessoal ou "moda influencer" é bem chato. A Mafalda Matos deve ser uma excelente pessoa, aliás parece-me mesmo, mas beneficiaria de um psicólogo e/ou psiquiatra de qualidade para ajudá-la. Não creio que o autismo (Nível 1) seja realmente o seu problema. 

Wokismo

Assim, grosso modo, o wokismo é um movimento social e político focado na consciencialização sobre injustiças raciais, discriminação e desigualdades identitárias. O termo divide-se entre a defesa dos direitos das minorias.

O wokismo é, a meu ver muito importante, e embora o seu estabelecimento como movimento político seja recente (2010), as suas raízes são muito mais antigas remontando aos movimentos raciais americanos do anos 40 do século XX. 

No nosso século abriga um conjunto muito mais amplo de pautas progressistas e identitárias, mas a "geração woke" que coincide - mais ou menos - com a geração Z, tem levado o pensamento woke ao extremo e ao exagero, acabando por descredibilizar algo que é tão fundamental ao funcionamento saudável das sociedades. Atrevo-me mesmo a dizer que os movimento de direita radical recentes têm encontrado o seu "combustível" no ideário woke extremista, contribuindo em tempos de maior escassez (desde a intelectual à económica) a uma alienação política grave dos cidadãos.

Mas é só uma opinião que vale o que vale.

segunda-feira, julho 27, 2026

Este fim de semana

Passei o fim de semana na aldeia e foi muito bom. Muito bonito. Aquele é o meu lugar feliz e nada como estar lá em paz sozinho ou acompanhado. O rio Tejo faz companhia e o pôr-do-sol é tão bonito sobre o rio. 

quarta-feira, julho 22, 2026

Consulta de Tarot

Tive mais uma consulta de Tarot feita com uma estudiosa com quem desenvolvi uma boa conexão energética. Mais uma vez gostei muito da abordagem dela e foi bom olhar para o que vão ser os próximos três meses. Expectativas controladas. 

terça-feira, julho 21, 2026

A poesia de Alice Neto Sousa

Não há dívida no afeto, 
mas há uma pressa bonita 
em devolver-te o calor que me pões nas mãos 
sempre que o inverno decide ficar.

sexta-feira, julho 17, 2026

Só conheci hoje, mas adoro



Kaleidoscope - Chappel Roan

Terminado

Terminei ontem os últimos trabalhos do PhD. O primeiro ano já foi. Em Setembro é que começa a coisa a sério, com o início da tese. Depois são 3/4 anos de dureza, mas o final será de grande satisfação. 

Temos de respirar fundo

A vida desafia-nos. Quando pensamos que não existe mais nada de tóxico no nosso contexto, acabamos por perceber que sim. E provavelmente este processo de remoção nunca irá acabar. Peço todos os dias a sabedoria para perceber o que é bom ou mau para mim, de ter o discernimento correto para tomar boas decisões, para fazer boas escolhas. 

Não estava à espera de que viessem estes ares do norte, pensava que  já me tinha curado de ver o melhor das pessoas e tratá-las como se isso fosse o real e não o potencial (eu costumava fazer isso com namorados, mas aparentemente mudei para os amigos). As pessoas não são aquilo que podem ser, são apenas aquilo que escolhem ser. Essas escolhas são da sua inteira responsabilidade. Se nos esquecermos disso, só acabamos por nos dar mal.

terça-feira, julho 14, 2026

A poesia de Thomas Vinau

Não sei grande coisa
sobre o tamanho das galáxias 
ou a mecânica das flores. 
Mas sei o peso de uma mão na minha
quando o vento sopra forte demais.

segunda-feira, julho 13, 2026

Ando perigoso

Eu sei que não tenho nada a ver com o assunto, mas quando vejo algumas pessoas a infernizar a vida dos mais pacíficos tenho vontade de lhes infernizar a vida. Acho isto um perigo. Aqui no trabalho uma certa diretora - de forma muito pequena - embirrou com algumas pessoas. Achei aquilo tão triste, que fui procurar criar uma situação para ela me interpelar dessa forma. É aqui que eu acho que devia o mundo simplesmente deixar acontecer. Na vida selvagem, uma gazela não vai tentar criar uma situação para criar uma armadilha para um leão que comeu outra gazela. Não temo de me imiscuir. Isto é um perigo para mim mesmo, andar a comprar lutas alheias, sem que ninguém me peça nada ainda por cima. Então acho mesmo que tenho de relaxar, deixar o sol entrar e chill.

Primeiras impressões

As primeiras impressões foram muito boas - como eu achei que iriam ser. A descontração, simpatia e honestidade na ação são coisas muito bonitas de se viver. Por isso, foi tudo muito natural e saboroso de se presenciar. 

sexta-feira, julho 10, 2026

Bonnie Tyler

Lembro-me de ter 11 anos e me ter tornado muito fã. Lovin you's a dirty job (but somebody's got to do it) foi a música que fez o click. Perdi-lhe o rasto nos anos 90, mas continuei a gostar de várias músicas que revisitava. 

Ontem foi apenas ridículo (como tem vindo a ser sempre que morre alguém nas redes sociais ou em outro meio de comunicação online) a quantidade de homenagens feita por pessoas que não meteram a tocar uma única música dela nos últimos 30/40 anos. Os tempos que vivemos são de uma imbecilidade sem limites. A modernidade líquida está sempre presente. 

terça-feira, julho 07, 2026

Não percebo esta devoção

Não percebo esta devoção dos portugueses ao Cristiano Ronaldo. É um excelente atleta que se representa a si mesmo e que tem mérito como isso mesmo, atleta. Orgulho tenho no Aristides de Sousa Mendes, isso sim é um bom português. Depois há tanto de bom para falar: António Damásio, Vhils, Monica Bettencourt-Dias, etc. Mas no fim de contas até sei o que passa, são os 3F: Fado, Futebol e Fátima. 

Pulga atrás da orelha

O senhor Vítor traz alguma na manga. É preciso estar atento, não vá o bicho morder pela calada.

segunda-feira, julho 06, 2026

Idade

Neste momento o meu "role model" é definitivamente a Madonna. Também estou a envelhecer e a sociedade puritana, amarga ou poucochinha, entende que uma pessoa tem de envelhecer  'graciosamente' e de acordo com regras estabelecidas pelos que perderam "o gás" ou que nunca o tiveram. No final, quem produz mais, quem desenvolve mais, quem atinge mais, não é quem critica: é o criticado. Há uma espécie de justiça poética em tudo isto.  E os comentários nunca são sobre o legado, mas sim sobre as roupas, os hábitos, as relações, os lugares frequentados serem próprios ou não para pessoas de uma 'certa idade'.

Como bem disse a Cher quando uma jornalista lhe perguntou se ela não tinha ido longe demais nas cirurgias estéticas, ela simplesmente disse "se eu quiser meter uma mama nas costas meto, ninguém tem nada a ver com isso". 

Um adulto deve fazer aquilo que bem entende no que concerne o modo como age sobre o seu corpo e sobre a gestão da sua vida. O que interessa se a roupa é justa, se o namorado é 20 anos mais novo, se vamos dançar até às 6h da manhã? Quem o faz é porque pode. Quem não pode ou quem não quer que fique na sua vida com a qual também ninguém tem nada a ver. Mas a sociedade que interessa, vive e deixa viver. O resto... é apenas o resto. 

Obsessed!


Danceteria - Madonna

sexta-feira, julho 03, 2026

Porque sou um calorento

Hoje à noite vou meter-me na água do mar. Lá estará fresco de certeza.

Julho

Julho entrou dorido, uma dor que não vem da minha vida, mas de terceiros. Dois amigos trilharam caminhos menos bons e fiquei muito triste por saber. A desilusão é complexa quando não se deixa de sentir amor. Porque temos de continuar a roçar na ferida. Espero sinceramente que eles se endireitem, que encontrem um caminho positivo e com significado. Do meu lado parece que agora sou responsável por algo de que não sou. A necessidade de estar constantemente a "policiar" se o equilíbrio está lá. tenho de combater isto, contudo. No mundo dos adultos somos responsáveis por nós e pelas consequências das nossas escolhas. Não devo agir sobre os outros, devo procurar apenas inspirar, mostrar caminhos possíveis. Tudo o resto não me cabe. Cada um sabe de si. Só espero que ninguém se magoe.

A poesia de Adília Lopes

Disseram-me que o mundo ia acabar amanhã,
mas eu levantei-me e reguei as plantas. 
A coragem veste-se de gestos pequenos, 
de uma teimosia mansa em acreditar 
que o bem tem a última palavra.

segunda-feira, junho 29, 2026

Poesia de Luís Quintais

Tudo o que é dito pode ser negado na manhã seguinte.
Mas o sulco que a ação deixa na terra, 
a ferida aberta ou o abrigo construído, 
esses têm uma permanência que a voz não alcança. 
A vida é o que se faz com o silêncio.

O último pezinho de dança

Ainda vim a tempo de dar o último pezinho de dança nos arraiais de Lisboa. Desta vez na Bica onde a música estava bem boa e onde a bifana foi a melhor dos últimos anos. Já a fartura, tive de lutar por uma quente. Mas foi uma noite bem passada. 

Coisas que marcam

Ainda bem que este final de semana em Madrid aconteceu. O fim é o princípio. Olhar para o real é o que importa. E o real tem sempre uma beleza inqualificável.

quarta-feira, junho 24, 2026

Mais uma viagem

Madrid aguarda-me. Este ano não foi pródigo em viagens. Tive de saltar a Albânia e para já dou um pulinho a Madrid para ajuda na tomada de algumas decisões. Mas ainda tenho 6 meses para utilizar, vamos ver o que me reserva o resto do ano. A "grande" viagem pode não acontecer, mas soluções aparecerão.

A poesia de Manuel António Pina

Caiu o mito, rachei a cara contra o muro.
Mas há um sabor a terra molhada que fica,
um sol que teima em nascer no escuro. 
Desiludido? Talvez. Mas vivo, 
e com uma pressa enorme de ser feliz 
antes que a noite regresse.

segunda-feira, junho 22, 2026

Aquelas pessoas.

Aquelas pessoas que fazem tudo o que lhes apetece, mesmo o moralmente reprovável e não têm o menor problema de consciência com isso. Acho fascinante, às vezes chego a ter inveja desse estado de ausência de condicionalismos morais e/ou remorsos. Não consigo ser assim, por muito que tente. Pais com demasiados valores, foi o que deu. 

22 de Junho

 O dia em que assumidamente, este ano, ganhei uma cor.. Já cá faltava. 

sexta-feira, junho 19, 2026

A poesia da José luís Peixoto

No fim, quando todos os nomes se apagarem
e as promessas forem apenas fumo no vento, 
olharás para as tuas mãos vazias. 
E será nessa nudez que encontrarás a força. 
Não contas com o mundo. 
O mundo é um hóspede pressuroso. 
Conta contigo, que és o dono da casa.

A mãe da minha amiga

A mãe da minha amiga deu-me - para além das palavras escritas da filha que eu pude tatuar no meu braço - pensamentos seus, perspectivas de vida que fizeram pensar. Não foi fácil integrar toda a sabedoria gerada por uma mulher que perdeu o que tinha de mais valioso (após a perda), mas o tempo foi trazendo cada peça ao lugar. Ela deu-me essa capacidade maravilhosa de aceitar a perda. De ser perdedor com alegria. Uns dias perdemos, outros ganhamos. A partir do momento que deixei de importar com a perda, com o insucesso, com o lastimável, mais do que a duração dessa emoção a passar pelo corpo, as vida tornou-se muito mais brilhante. Cada ação é compensadora quando se vive sem medo. Já aceitei as todas as desilusões passageiras que hão-de vir, porque é isso que são. Não perco a infinita esperança e a alegria associada. A minha querida Begoña transformou a minha percepção das coisas em uma tarde, mas precisei de meses para integrar tudo. Que sorte tenho de ir conhecendo as pessoas mais extraordinárias ao longo do caminho.

terça-feira, junho 16, 2026

A poesia de Igor Pires

O mundo vai tentar dizer-te que tudo é descartável.
As pessoas, os afetos, as promessas.
O teu trabalho mais bonito é contrariar a época:
segura firme a mão de quem te faz bem
e não soltes por nada.

Num tempo em que nada nos pertence

Aquilo que nos pertence realmente é a nossa vida. Por essa razão não devemos ter medo de ser tolos, falhos e muito menos deixar que a cobardia alheia nos guie e nos determine. Devemos continuar a experimentar e a desafiar convenções. Não me importarei de ser um homem de 70 anos numa discoteca - se ainda existir música no meu corpo e vigor para a exprimir. Não me importarei de cantar na rua no meio das pessoas que passam. Não me importarei de vestir o que me faz bem à alma. Não me importarei de fazer ginásio aos 80 se o corpo assim o permitir. E mais importante, continuarei a não me importar com aquilo que os outros pensam sobre a minha agência.  

A canção do ano?

A canção do ano? Acho que vai ser Danceteria da Madonna. Para mim foi a música que se destacou no filme (abaixo) e aquele refrão é contagioso para dizer o mínimo " Everybody get up and dance! Everyone here is a work of art!"



Confessions II - Madonna

segunda-feira, junho 15, 2026

Os santos populares de 2026

Foram os melhores de sempre. Tanto Vila Berta com o Topi ou Alfama com o grupo grande, foram 5 estrelas. 

Descobri um grande amor

O amor não vem como queremos, na forma que imaginamos, mas o importante é que venha. Há pouco mais de três meses atrás conheci um rapaz, com quem tive uma química incrível. Sem nenhuma sombra de dúvida que puxamos o melhor um do outro. Logicamente, pensamos o mais básico quando dois rapazes gay solteiros se encontram e se dão estupendamente "este rapaz tem tudo para ser um amor para a vida". E não estávamos errados. Apenas, fomos vendo que esse amor era essencialmente fraterno e não de casal. Hoje, com toda a certeza, sinto que tenho mais um irmão. A Björk tem razão quando diz que "all is full of love" e os Beatles também quando dizem que "all you need is love". O amor é uma vibração muito bonita de se surfar sobre. Sou sempre grato aos presentes da vida e à vida em si. 

sexta-feira, junho 12, 2026

Casamenteiro

No passado já fui um grande casamenteiro e os 3 casais que juntei, estão de pedra e cal. Amanhã vou ver se ainda tenho o dedo bom para isso. Sou excelente a escolher para os outros, já para mim o dedo andou bem podre, mas penso nisso com um sorriso aberto - há que ter sentido de humor. 

Projeto Hail Mary

Se poderia parecer só mais um filme de ficção científica com herói tradicional numa aventura excitante no Espaço para salvar o nosso, não é. Não obstante o rigor científico, a textura emocional do filme é estupenda. O filma acompanha um astronauta que acorda à deriva no espaço, sem memórias sobre a sua identidade e a sua perigosa situação. O filme avança e vamos percebendo que ele está ali para deter uma ameaça microscópica que está a consumir a energia do Sol. A narrativa é não linear entre presente e passado, tonando tudo mais interessante, mas a "joia da coroa" é a amizade que ele faz com um alienígena não humanoide e com uma cultura não humanoide. Toda essa interação é maravilhosa. E o filme é um tributo à coragem e ao que realmente nos faz humanos. Gostei muito.

17/20

O diabo veste Prada 2

Acabei por não escrever nada sobre o filme que já vi há bastante tempo, mas porque achei muito decepcionante. Não é que seja mau, longe disso, ou que as atuações não tenham nível. Achei o argumento incompatível com o primeiro filme - a Miranda do primeiro tomo nunca seria a Miranda deste. Ali umas quantas confusões de argumento que me fizeram desinteressar pelo que estava a ver. O final parece bom,  por oposição ao restante do filme, nas é apenas meh...

13/20

Ribatejo

Fui fazer umas mini férias na minha aldeia. A aldeia ribatejana adotada há 5 anos é um lugar especial para mim, onde recarrego baterias e me sinto em paz com o mundo.  Este ano depois das tempestades tive de trabalhar um pouquinho para meter o jardim a jeito e o terreno com bom ar. Mas quem corre por gosto não cansa e o trabalho acaba por ser alegre.

sexta-feira, junho 05, 2026

Gosto tanto


Hate that I made you love me - Ariana Grande

Preciso de dormir

A vida tem sido boa, mas creio que precisava de 28h em cada dia para poder poder fazer tudo o que estou a  fazer e ainda descansar como deve de ser.  O corpo está a começar a queixar-se e eu tenho de o ouvir. tem sido 1 mês muito intenso. Há trabalho que têm de ser feitos para dar frutos, investimentos que pedem corpo, espírito e tempo, mas é preciso ter a noção do desgaste e do equilíbrio necessário para continuar saudável. 

terça-feira, junho 02, 2026

A arte de bem viver

A arte de bem viver passa por não mostrar quando se tem um bom jogo de cartas na mão. O pior é saber fazer "poker face", mas com treino a coisa vai. Para que eu não me esqueça da situação fica o código "que idade tem um Clóvis?", apesar do desconforto fiz a minha melhor cara lavada.  E a vida segue. 

segunda-feira, junho 01, 2026

A poesia de Ryane Leão

antes de tudo
aprende a pertencer a ti mesmo
o mundo vai tentar convencer-te
de que és um rascunho
mas tu és a obra inteira
escrita com o sangue 
daqueles que vieram antes. 

First Light


First Light - Lana del Rey

Este fds

Este fim de semana foi perfeito. Não faltou nada. O palácio da Fronteira, a Gulbenkian, o trabalho, a criatividade, o amor e o carinho. O preâmbulo do futuro.

O banco bom e o banco mau.

A minha melhor amiga disse-me "isso é o mesmo que a situação do banco bom e do banco mau". O banco mau está guardado onde não pode contaminar, o banco bom tem sido um gosto descobrir. Nunca imaginei que me desse tanto prazer ver uma pessoa florescer desta forma e crescer em força e sabedoria. Sou quase como um pai maravilhado, mas até o mais pequeno investimento ele devolve com a gratidão de um sobrevivente. Só sei que depois de o conhecer pensei que o mundo merecia ser tocado pela beleza que este rapaz é capaz de produzir, e que uma pessoa como ele tinha de estar no topo. O topo anda demasiado ocupado de gente má e/ou frustrada e/ou medíocre. É preciso gente boa, de sentimentos grandes e grandiosos, para estar nesses lugares onde tomamos referência e aprendemos por exemplo. Meu querido B. que orgulho tenho em ti. 

sexta-feira, maio 29, 2026

O country que me passa no goto...


I believe in ghosts - Kacey Musgraves

Finalmente o AC

Comprei um ar condicionado portátil para aguentar o calor. O Ex tinha um e foi um verão bastante fresquinho o que passamos juntos. No ano passado não senti a necessidade, mas este ano vai ter de ser e arranjei uma bela promoção. Adoro uma boa pechincha.

Sono

Desde o dia 11 de Maio que ando a dormir pouco, não obstante é por uma excelente razão. Estou é a entrar naquela fase em que já me dá vontade de rir o cansaço, quando o corpo já está tão entorpecido que parece que fumamos um charro. Por falar nisso, já nem me lembro da última vez que fiz tal coisa, uns bons 10 anos certamente.  

quarta-feira, maio 27, 2026

O tempo tem estado estranho, mas...

O tempo tem estado estranho. Não obstante, cheira-me a verão. Cheira-me a calor e a vida cheira-me a roupa levada secada ao ar livre. Estou sempre ocupado, um pouco cansado até, mas a comida tem imenso sabor, vejo flores em todo o lado. Não tenho motivos para outra coisa senão sorrir. 

terça-feira, maio 26, 2026

A poesia de Rupi Kaur

o mundo diz-me que há
milhares de opções lá fora
a um deslize de distância
mas eu olho para a tua imperfeição
para a forma como ressonas desalinhado
e escolho-te de novo
porque a tecnologia não sabe calcular
o peso do teu abraço nas minhas noites más.

A poesia de Andrea Gibson

Quero conhecer as tuas piores partes
e ainda assim achar que és 
o mais próximo do sagrado 
que este mundo já viu. 
Não ponhas só a ponta dos pés. 
Mergulha.

Já dizia a Madonna

The best things in life are always free.

segunda-feira, maio 25, 2026

Tudo certo

Conheço alguém que diz muito esta frase "e está tudo certo". É ótimo quando sentimos que realmente está tudo certo e onde devia de estar.

terça-feira, maio 19, 2026

Apaixonado por este vídeo


Dance no more - Harry Styles

Voltei a escrever

Apesar de ter um livro de histórias LGBT pendurado há uns anos -pois falta-me as ilustrações que nunca arranjo tempo (ou disposição) para fazer - voltei a escrever ficção e desta vez com um propósito profissional. Estou muito entusiasmado e vamos ver as cenas dos próximos capítulos. 

segunda-feira, maio 18, 2026

A poesia de Benjamin Prado

Passamos a vida a contar os minutos,
as notas, os dias de férias.
E esquecemos que o único que importa
é aquilo que não se pode contar:
o peso de uma lágrima,
a intensidade do frio,
o eco de um adeus.

Dessintonia

Quando aparece o homem com que sempre sonhamos e não nos conseguimos enamorar dele, o que quer dizer isto?  A pessoa ideal - provavelmente - não passa de uma ideia e há uma dessintonia entre aquilo que sonhamos como ideal e aquilo que realmente necessitamos. O que sei é que não vale a pena forçar o que não tem condições para existir fora do pensamento. A pessoa necessária é, porventura, aquela que é perfeita na sua imperfeição, que obriga a sair da nossa zona de conforto, que obriga a cedências e a compromissos. O ideal e o necessário poderão ser ambos grandes amores; mas de natureza diferente. Um será platónico e o outro físico e terreno? O amor romântico, acontece fora dos ideais românticos? O que acontece na realidade e o que na realidade acontece? 

Fim de semana na Madeira

Este fim de semana foi muito bem passado, fui a um casamento na Madeira e vim de lá cheio.  O P a C casaram depois de 6 anos de namoro e é uma alegria ver um amor daqueles. Falo muito de como os bons exemplos nos ajudam a ter uma melhor perspectiva da vida e, neste caso, o amor deles ajuda-me a ter uma enorme fé nesse estado. 

Fui ao casamento com um casal de amigos (na casa dos quais fiquei) e foi a melhor companhia que poderia ter. A S e o E são das pessoas mais bonitas que já conheci na vida e estar com eles é como ser filtrado de todo o mal que há no mundo. Não podia ter tido um fim de semana melhor. 

terça-feira, maio 12, 2026

Carla Morrison


Disfruto - Carla Mrrison

A poesia de Herberto Hélder

A casa é um corpo que nos habita.
Tem corredores que dão para o mar 
e janelas que abrem para dentro do coração. 
Cuidado com as portas: elas escondem 
o que nós não queremos saber de nós.

Grandes emoções

A pessoa que indubitavelmente mais amei foi inequivocamente a pessoa que mais me maltratou emocional e psicologicamente. Concluí, após a separação, a inutilidade de desejar encontrar "o amor da minha vida". É muito mais salutar procurar um amor para o resto da vida. Poderá ser menos intenso, mas será constante. A constância é tudo. Não deveria haver desprezo pelo simples. Nem sempre precisamos de grandes emoções.

domingo, maio 10, 2026

52

Que bonito dia. Nada poderia ter sido tão perfeito.

sexta-feira, maio 08, 2026

Trocado das ideias

Tenho este estranho hábito de após 6 meses do meu aniversário dizer logo que tenho a idade a seguir (porque 0,5 se arredonda para 1 em termos matemáticos). Assim, que desde novembro que digo ter 52 e esta semana já pensava que ia fazer 53, mas não. É a segunda vez que me baralho. Quando fiz 44 também já pensava que ia fazer 45. 

Hoje vi, numa notícia, um ator brasileiro por quem tive um crush ali no final dos meus 19. Ele está com 61 anos e está estupendo. Fazer anos é bom e envelhecer é bom e cuidar de nós é melhor ainda.

O segredo

O segredo vai ser a alma do negócio, o que não se conhece não pode ser deitado abaixo. 

terça-feira, maio 05, 2026

Testes

Acredito muito em energia e acredito em predestinação. Acredito que existe um caminho que temos de percorrer e que a nós é deixado o livre arbítrio de como o percorrer. Apenas podemos decidir como vamos fazer o caminho que temos de fazer. Não há outro. Podemos não cumprir esse caminho, esse potencial de ação, e teremos de voltar para o percorrer numa outra vida quem sabe.

Às vezes tenho a sensação de que estou a ser testado, mas os testes são enganadores ou o nosso ego é enganador e (como não sabe viver com a paz) prega partidas, essa falsa sensação de perigo para que seja sempre necessário.  Há muitos anos anos que não me sentia tão conectado e tão consciente da vida, da forma como me relaciono com as pessoas e as coisas, mas ao mesmo tempo questiono-me. Estou como Sócrates "só sei que nada sei". A maior expansão da consciência leva-nos a perceber como muitas linhas são ténues e que as certezas (muitas vezes) são vãs e que olhando melhor, ou olhando menos até perceberíamos tudo o que há para perceber. 

A dúvida permanece. Estarei a fazer bem, estarei a fazer mal? Estarei a agir como deveria, estarei fora de pé? O único conforto que posso encontrar é o desapego, não temer a perda, não me importar de ficar com nada, porque o nada somos sempre (pelo menos) nós. Tenho estado a ser arduamente testado nestas últimas semanas e fiz a minha paz com a perda ou com o desapego, porque há sempre algo por vir e a impermanência da vida tem também um lado positivo. Perder também é ser leve. Como escreveu Christian Bobin:

É preciso muito tempo para nos tornarmos jovens.
É preciso perder muita coisa
para ganhar a leveza de uma pétala de rosa
que cai sem fazer barulho.

Erro/acerto

O erro é tão necessário como o acerto. Uma sucessão de acertos é fundamental para nos dar força, mas no ato de redirecionar a vida, são os erros que nos fazem avaliar como e porquê nos desviamos da rota boa. 

Perto

 Eu quero ficar perto de tudo o que acho certo, até ao dia em que eu mudar de opinião.

Clareou


Clareou - Malu

A vida é pra quem sabe viver
Procure aprender a arte
Pra quando apanhar não se abater
Ganhar e perder faz parte
Levante a cabeça amigo a vida não é tão ruim
Um dia a gente perde mas nem sempre o jogo é assim
Pra tudo tem um jeito, e se não teve jeito
Ainda não chegou ao fim

Mantenha a fé na crença se a ciência não curar
Pois se não tem remédio então remediado está
Já é um vencedor quem sabe a dor de uma derrota enfrentar
E a quem Deus prometeu nunca faltou
Na hora certa o bom Deus dará

Deus é maior, maior é Deus
E quem tá com ele nunca está só
O que seria do mundo sem ele
Deus é maior, maior é Deus
E quem tá com ele nunca está só
O que seria do mundo sem ele

Chega de chorar
Você já sofreu demais agora chega
Chega de achar que tudo se acabou
Pode a dor uma noite durar
Mas um novo dia sempre vai raiar
E quando menos esperar clareou

Clareou, ooh, ooh, ooh (clareou, clareou)
Clareou, ooh, ooh, ooh


segunda-feira, maio 04, 2026

Poesia de Christian Bobin

O que se sabe de alguém, 
sabe-se apenas por amor. 
O resto são notas de rodapé, 
folhas secas que estalam sob os passos 
e que o vento varre ao fim do dia.

Interrogação

Querer que alguém seja a melhor versão de si, num tempo que não é o seu, não é ser tóxico? Mesmo quando se fala em mudar alguém para algo que a pessoa gostaria muito de ser (e quer ser). Assim de repente, acho que não é muito saudável apesar das boas intenções. E defino tóxico como tudo o que proporcionar um desiquilíbrio emocional da pessoa.  

Bridgerton Party

A minha prima fez 29 anos e, como sempre, fomos convidados para uma festa temática. Desta vez foi um baile "Bridgerton themed" que resultou lindamente. Achei que era engraçado fazer algo adaptado e usei um espartilho por cima da camisa e gostei do efeito. Mais uma recordação para o baú de memórias. 

quarta-feira, abril 29, 2026

A poesia de Juan Vicente Piqueras

Que a vida era isto,
este silêncio breve entre dois ruídos,
este cansaço doce de ter sido,
de ter estado, de ter amado tanto.
Este saber que o fogo não se apaga,
que se transforma em cinza para ser
a memória da chama.

terça-feira, abril 28, 2026

A poesia de Ana Martins Marques

O que dizes não é o que eu escuto. 
Entre a tua boca e o meu ouvido 
há um país inteiro 
com os seus costumes 
a sua língua própria 
e as suas fronteiras terrivelmente vigiadas. 

Ouvi hoje depois de muito tempo


In this shirt - The Irrepressibles

Investimentos

«Não invistas em alguém com base no quanto gostas dessa pessoa; investe naquele que investe em ti. Investe em alguém com base no quanto essa pessoa investe em ti. Se fizéssemos isso, poupar-nos-íamos a 80% de todas as desilusões que alguma vez iremos experienciar nas nossas vidas.» 

Matthew Hussey

segunda-feira, abril 27, 2026

Limão

Finalmente está tudo bem com ele. Parou de perder peso e está de novo tranquilo. Nada que um pouco de atenção redobrada e amor não resolva. Mais perfeito que isto, só se o amor impedisse que ele mudasse de pelo (a casa está o terror).

50/50

Estar dividido entre duas coisas que se querem muito quando a escolha é mutuamente exclusiva pode ser causa de muita ansiedade, mas fazer uma escolha difícil não tem de ser uma coisa má. Na realidade, estar preparado para não ter nenhuma das coisas é a melhor proteção contra o nervosismo da escolha. Se o ponto de partida é bom, não ir a lado nenhum não é mau. E o ponto de partida é bom.

sexta-feira, abril 24, 2026

Catarina Furtado sobre o caso "Cristina Ferreira e violação múltipla"

Achei o comentário da Catarina Furtado em relação ao caso "Cristina Ferreira" relevante e ponderado, colocando "em conta" o que deve ser tido em conta. É uma reflexão limpa sobre o que significa a responsabilidade de ser uma figura pública e ter poder de influência e um papel social. Não é de todo um ataque o que lhe dá uma força extraordinária. No post que fiz antes sobre este assunto não expus o texto e achei que seria bom ser lido por quem tiver interesse.

Vivemos num mundo onde podemos discordar, mas não podemos atacar gratuitamente as pessoas, podemos expressar a nossa opinião (ao próprio até) mas com educação e civismo. Eu acho - de facto - a Cristina Ferreira uma pessoa machista (acontece culturalmente a muitos em Portugal), mas não irei para as redes dela ofendê-la com insultos. Porque não se trata dela, mas sim do pensamento que ela veicula. 

Há sim o problema da Cristina achar que é, efetivamente, sobre ela, não conseguindo sair do registo narcísico do ataque pessoal e não pedindo desculpas porque não quer assumir a responsabilidade social associada ao seu mediatismo. As pessoas públicas que erram publicamente, que magoam ou lesam ou prejudicam (mesmo inadvertidamente) pedem desculpas. As pessoas que não o fazem apenas por prepotência de assumir que não erram (e estão numa posição de poder influenciar milhares) estão a propagar um modo de pensar, e neste caso a contribuir para um modus operandi social que lesa as mulheres. 

O texto integral:

Partilho hoje a minha opinião, dias depois da polémica, por sentir que não devia reagir a quente a algo que me provoca reações muito acesas. Faço-o, criticando fortemente todo o tipo de insultos gratuitos que se soltam em momentos destes, possibilitados pelo alcance das redes sociais e por uma necessidade estranha e cobarde de quem se quer 'vingar' do mundo dizendo apenas mal e que em nada contribui para a reflexão. Faço-o, sem nenhuma ponta de ódio, mas por vários motivos.

A frase que motivou a indignação coletiva e milhares de queixas na ERC, foi dita por uma colega que tem a mesma profissão que eu, Cristina Ferreira. Embora com estilos, posturas e escolhas profissionais distintas, partilhamos a responsabilidade de ter um microfone aberto para milhões de pessoas. E eu sei o que é ter muita exposição (para o bom e para o mau), mas também sei o que para mim representa essa responsabilidade, que implica uma gestão entre o conteúdo do que estamos a apresentar e uma dose inequívoca de bagagem pessoal que cada comunicador traz: o seu pensar.

Errar em direto acontece, já errei muitas vezes. Pedir desculpa e tentar fazer melhor é sempre uma opção, para a pessoa, para a estação. Mas o que considero importante sublinhar é que o que foi dito (e outras frases do mesmo género em situações diferentes ao longo dos anos) veio de um lugar onde não existe de facto a noção do impacto absolutamente nocivo que pode ter a formulação de uma pergunta. Não é intencional, é estrutural. Há uma postura machista que é abraçada por muitas mulheres, que se dizem não feministas, e é de facto grave quando esse discurso é normalizado, porque isso contribui e muito para a banalização do crime, da violência, da desigualdade de género, e em última instância, da misoginia que grassa na chamada manosfera (machosfera).

Comentar assuntos seríssimos de cidadania e direitos humanos exige preparação, leitura de informação fidedigna e verificação de estudos. Há mais de 25 anos que me debruço sobre estas matérias que nos dizem respeito a todos e a todas nós, que implicam um exercício diário do questionamento, quer como Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações para a População quer como fundadora da associação Corações Com Coroa. Foram já centenas as histórias reais que ouvi e documentei de raparigas e mulheres cujos direitos são permanentemente silenciados, negligenciados, esquecidos, pisados, violados. A violência com base no género não começa a falhar às mulheres no dia da agressão. Começa a falhar-lhes muito antes.

Vou muitas vezes falar a escolas e vejo que as meninas continuam mais desprotegidas. Sinto na forma como os rapazes normalizam os seus comportamentos que evidenciam retrocessos gigantes e dos quais não têm sequer consciência. Todos temos responsabilidades nisso e os comunicadores e os meios de comunicação social têm a sua quota-parte. Frases públicas ambíguas sobre violência não são só frases infelizes. A linguagem abre espaço, branqueia, legitima, normaliza, e os rapazes deixam de ouvir e de conhecer os limites e desta forma paralisam o crescimento que permite uma sociedade mais igualitária. Os estudos são claros e mostram como a nova geração está recheada de rapazes mais misóginos com ideias arcaicas sobre o papel das mulheres"

As culturas digitais reacionárias e patriarcais estão a construir novas gerações que promovem ideias distorcidas sobre intimidade, consentimento, prazer mútuo, igualdade e liberdade. É por isso ainda mais perigoso que, quando se assiste a um episódio desta natureza, grave, ainda exista quem discuta a forma, o contexto, a interpretação, em vez de se defender com clareza que toda uma sociedade está a sair prejudicada. Na chamada 'vida real' o que testemunho é que as meninas andam cada vez com mais medo e não se 'põem a jeito' quando estão apenas a viver os seus direitos, dizendo SIM ou NÃO quando lhes apetece, esperando respeito. O que está aqui em causa é um exercício de justiça social e o que aconteceu foi um tremendo beliscão à civilização, porque teve um grande alcance. A relativização da violência deve ser sempre confrontada.

Defender a vítima significa garantir que o crime não deve ser nunca normalizado através de uma retórica descuidada ou de falsas equivalências. É preciso ter consciência, empatia e curiosidade, quando se fala sobre a vida dos outros, não deixar que o discurso dos reality shows (que já contribuem também e tanto, infelizmente, para a normalização de comportamentos tóxicos e de manipulação), contamine tudo, alimentando convicções destorcidas do que significa consentimento e empoderamento feminino. A influência negativa de um caso vai muito além do erro de uma pessoa só, por mais influente e mediática que seja: tem o nome das centenas de raparigas e mulheres que sofrem todos os dias. Sei que muitas mulheres pensam assim e essa aparente contradição também me preocupa muito. São sinais culturais, mas a solidariedade deve estar, sem hesitação, do lado de quem viveu abusos inqualificáveis.

Também por isso, a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento é absolutamente essencial (bem ensinada), para combater o que estamos a viver, pelo menos, a pensar com esperança nos próximos anos. Tenho um filho e uma filha, já maiores de idade. Ponho as minhas mãos no fogo de como o meu filho nunca será um agressor porque eu, o pai e o resto da família sempre o educámos como feminista, com tudo o que isso implica de valores. Mas em relação à minha filha, tenho muito medo de que alguma vez, e não por 'descuido' dela, possa vir a ser uma vítima. Tremo só de pensar nisso e também por ela decidi escrever este longo texto",

A violação é desde 2025 um crime público, o que significa que não depende de queixa da vítima. É punida com uma pena de prisão de um a seis anos, que pode ser agravada para três a dez anos. É pouco e continuamos a ver penas suspensas e outras decisões que parecem ignorar o trauma eterno que provoca nas vítimas, a quem prefiro chamar sobreviventes. Quando o são. 

(P.S: Gostava muito que esta minha reflexão, que vem de um sentido de coerência também em relação à minha missão de vida, não fosse erradamente, de forma simplista, irresponsável e inconsequente, interpretada como um ataque pessoal a uma colega de profissão porque, honestamente, não é mesmo. Quero apenas contribuir construtivamente para uma mudança de mentalidades, também no meu meio profissional).