terça-feira, janeiro 20, 2026

A Cicatriz - Maria Francisca Gama

Quando resolvi ler o livro, fi-lo porque me apetecia ler um novo autor português. Não sabia sobre o que tratava e soubesse não o teria lido. Spoiler. Uma das coisas que mais me choca na vida é a violação, razão pela qual evito qualquer filme ou série ou livro que falem sobre isso. Quando percebi durante a leitura do que se tratava, resolvi ir em frente na mesma e enfrentar o desconforto.

É-me por isso muito difícil falar deste livro. Mas ao jeito de sinopse, A Cicatriz conta a história de um casal que embarcam numas férias de sonho no Rio de Janeiro. Tudo está a ser perfeito até ao momento em que se dá um acontecimento marcante, que os separa para sempre.

Posso dizer que chorei a ler toda a parte mais violenta do livro - pela personagem e por todas as pessoas que sofrem este ato por parte de alguém. 

A primeira consideração que faço sobre a autora é que tem uma boa imaginação, que sabe construir blocos narrativos e que o livro tem uma estrutura narrativa muito boa. Mas acabo aqui com o positivo.Senti que este livro escrito pela Valérie Perrin seria - talvez - uma coisa muito bela, porque é preciso ter profundidade, sensibilidade, e compreender a dor, a desgraça e a miséria humana nas suas diferentes manifestações. 

A escrita da autora (ou voz da autora) é uma escrita muito jovem, mas não sentido fresco do termo, é uma escrita para a geração Instagram, que adora "lamber" o superficial, para quem o efeito de choque, ou a repetição de descrições de marcas e roupas e lugares é suficiente. Há aqui um efeito plástico pronto a consumir, que me desagrada profundamente. Outro fator que me desagradou foi a escrita "beta". Não conseguia deixar de olhar para a personagem como uma beta e que o que está a ser contado por palavras poderia ser visto em stories do Instagram. Este livro não é fantástico, este é um livro para influencers, para malta nos seus 20s mostrar que lê coisas sobre assunto sérios como a violência contra as mulheres, e debitar três ou quatro frases interessantes enquanto mostram uma foto do livro num arranjo altamente estético e Instagramável. Não acho que faça justiça ao tema. Mas eu não  sou crítico.

11/20

Açucar Queimado - Avni Doshi

O meu primeiro livro de 2026 é também o romance de estreia de Avni Doshi que foi finalista do Booker Prize. A minha expectativa sobre a narrativa de uma relação tóxica entre uma  filha habituada ao abandono pela mãe precocemente demente e de quem tem de cuidar agora, era logicamente elevada. 

O certo é que nunca consegui captar a tensão entre mãe e filha como a que existe no magistral Uma Duas de Eliane Brum. A história é contada também no passado, mas nunca senti efetivamente a veia rebelde da mãe (que abandonou todas as expectativas relativas a uma mulher na sociedade indiana, abandonando paralelamente o cuidado da filha), nem nunca consegui sentir efetivamente o trauma mental que supostamente se constitui na filha e que determina o seu modo de vida em mulher adulta. 

Pode dar-se que pelo motivo de os factos serem referentes a uma cultura que não domino, podem ter a ver com a minha falta de engajamento na trama. Não obstante, Lar em Chamas de Kamila Shamsie, cativou-me muitíssimo. 

Os personagens também não me cativaram. Às vezes acontece que estamos a ler e gostamos muito dos personagem, da forma como estão construídos, mas no caso isso não se deu.

13/20

Rizzers



Kiss me like there is no tomorrow - Rizzers

Desinteresse

Não tenho dúvidas de que o celibato foi uma das minhas melhores decisões dos últimos anos, mas eu tenho uma tendência para cair em polos opostos e parece que corro o risco de que o desinteresse se instale. Há - de alguma forma - uma relação com o facto de não querer nada que não seja minimamente significativo, por um lado, e por outro lado com o facto de não estar a procurar relações. 

Nestes meses a minha vida tornou-se um ciclo de trabalho, estudo, ginásio, dança e casa. Os amigos têm sido uma parte importante, mas neste último mês nem os amigos procurei muito, se não fossem as viagens à Madeira e a Roma (das quais eu quase desisti) ia continuar na minha vida pouco social. Mas ainda bem que as fiz e foi maravilhoso cada uma das duas.

É claro que tenho de fazer algo para alterar este estado, pelo menos o de viver em "solitude". A psicoterapeuta quer que eu não deixe de estar em movimento, que mesmo não procurando conhecer/interagir com rapazes, que continue a procurar os amigos e que os inclua nas minhas atividades. 

É um facto também que gostava de alargar os horizontes, conhecer pessoas novas, mas estou a fazer muito pouco por isso. Podia no ginásio retribuir sorrisos ou olhares e simplesmente não me apetece. Até a minha mãe já se "meteu ao barulho", no sentido de me alertar para que eu não me feche demasiado. Eu digo umas parvoíces para as pessoas ficarem felizes e afastar a preocupação que possam ter, mas depois não dou energia ao que disse. 

É claro que tenho de fazer algo, mas ainda não percebi como. Vou pelo menos tentar não deixar cair o convívio com os amigos e não me transformar numa "cat lady". A realidade é que passo o meu tempo livre em casa com o gato no peito a fazer-lhe festas, e é bem bom.

segunda-feira, janeiro 19, 2026

Inusitado

Estava eu com o G a sair de uma igreja (onde fomos ver um quadro de Caravaggio) quando aparece um amigo dele, que vinha com um amigo que estava a ficar em casa dele. Qual não  é o meu espanto quando vejo que o amigo visitante é um dos atores porno da Tim Tales. Acabei por conhecer o Mário Galeno que é funcionário público como eu. Ficamos ali uns 20 minutos a conversar sobre o fascismo na Europa e fomos cada grupo à sua vida. Foi,  de facto, inusitado. 

Roma

 Se o fim de semana na Madeira foi ótimo. Estes 4 dias em Roma foram estupendos. Os meus amigos de cá tornaram o período inesquecível. A B lembrou-me a quantidade de anos que passaram desde a última vez. Não  fazia ideia. 

Desde os restaurantes cuidadosamente escolhidos pelo G (que também foi um guia turístico de primeira água) ao abraço  quentinho da B, saio daqui cheio de boa energia para voltar em força ao PhD e às avaliações. 

Não me vou esquecer da meditação na igreja e o posterior encontro no Castelo Sant'Angelo. Foi uma coisa muito especial. Aqueles sinais que queremos muito que sejam verdade.

A arte religiosa, o barroco e os passeios ao longo do Tibre são memórias que ficam fortes e os cannoli de laranja na Dolci di Nonna Vincenza também vão ficar para a vida.  

Ps. Sem querer ser repetitivo, o abraço da B (e aquele sorriso que nos afaga), a gentileza do G e a sua cultura em história vão fazer-me falta. 

Vou voltar. Fica a promessa. 

sexta-feira, janeiro 16, 2026

15 dias

Faltam 15 dias para a libertação.  Para mais um recomeço. Espero que este reset seja o ponto zero de uma bela e longa história. 

quinta-feira, janeiro 15, 2026

Anaconda

Acho que era suposto ser um comédia de terror. O meu problema com as comédias americanas é quando elas são demasiado americanas (e esta é). Não tenho necessariamente nada de bom ou de muito mau para dizer. É assim um filme que se vê, quando se tem tempo morto e estamos sozinhos (que foi o caso). A história é tonto, os desempenhos mais ou menos, os cenários são bonitos. Dá para passar o tempo. 

10/20

Sem palavra

Nunca soube o que foi naquele dia
mas sabia que era coisa muito funda e velha 
que de vez em quando vinha como pra dizer 
que muita dor é sem palavra.

*Mónica Toledo Silva*

quarta-feira, janeiro 14, 2026

Espanta-me

Ainda fico espantado com a maldade das pessoas. Com o mal que alguém pode desejar a quem não seguiu/não é o que entende por certo, com o mal que se pode falar nas costas/nos bastidores. Mas nos últimos tempos, sendo eu o visado, para além da perplexidade (que creio nunca conseguir deixar de sentir) tenho apenas pena pelo amargor na boca de quem aciona a maldade e sinto-me só distante desse tipo de sentimento. 

A minha sobrinha - quando tinha oito anos - disse-me uma vez "pessoas bonitas são aquelas que têm amor no coração". Acho que está tudo dito. Por isso e seguindo o padrão da minha sobrinha, num mar de fealdade vou procurar a beleza e procurar ser bonito também. 

segunda-feira, janeiro 12, 2026

Este fim de semana

Fui muito, mas mesmo muito, feliz aqui na Madeira. Que grato por estas pessoas.

sábado, janeiro 10, 2026

92

Hoje, se fosse vivo, o meu pai faria 92 anos. 

sexta-feira, janeiro 09, 2026

O que me deixa mais feliz em viajar

Hoje em dia, o que me deixa mais feliz quando viajo é saber que vou poder ler livros de ficção. A leitura tornou-se um luxo de férias e fins de semana off.

Este fim semana e o próximo  serão off porque como diz Ana Moura:

Eu quero tirar os pés do chão
Quero voar daqui p'ra fora e ir embora de avião
E só voltar um dia.
Vou pôr a mala no porão!

terça-feira, janeiro 06, 2026

That's a wrap



Time stood still - Madonna

City of Stars


City of Stars - Ryan Gosling/Emma Stone

Ansiedade

Ontem tive uma crise de ansiedade enorme, sinal de que há mais para sair e expurgar. 

Sortes

Tenho um colega de doutoramento que se tornou um amigo. Cada dia que passa cresço em admiração por ele. À partida não temos muito que ver, ele é um "beto" clássico, com três filhas, cão e casarão. Mas isto são os sinais exteriores; em essência, é um homem generoso, empático, aberto ao mundo, magnânimo.

Em Outubro estava eu no meu pior e (sem me conhecer de lado nenhum) apoiou-me, deu-me um ombro, conselhos. Em contrapartida, nas aulas tento sempre fazer com que ele brilhe, porque não gosta de falar em público eu ajudo-o nos bloqueios: interrompo e começo a falar eu ao mesmo tempo que faço sinais para ele ir ver os apontamentos ou incluo-o nos meus argumentos dizendo que estivemos a falar sobre o assunto durante a noite passada e que foi ele que me deu a ideia para desenvolver.

Tive muita sorte em ter este colega, que sei que me nunca me vai deixar cair se tiver ao alcance dele. Assim como eu nunca o deixarei cair a ele, porque se há coisa que eu tenho é lealdade para com quem me trata bem de forma abnegada. A abnegação emociona-me e pessoas como ele fazem-me sentir humilde. Foi uma sorte que tive tê-lo conhecido.

segunda-feira, janeiro 05, 2026

Mala flor


Whoeverness - Mala Flor



Cigarettes in the night - Mala Flor

domingo, janeiro 04, 2026

Simplesmente soberba, a canção.



Quem te bateu à porta - Agustini del Toro

sexta-feira, janeiro 02, 2026

Sinais

Tenho estado muito pesado estes últimos dias.
Pedi por orientação, por sinais, e eles vieram.
Mila esker Irantzu.

Harrison Storm



Warm a cold heart - Harrison Storm

Já dizia a Sade

I want to cook you a soup that warms your soul, but nothing would change, nothing would change at all.

Já dizia o George Michael

You look for your dreams in heaven, but what the hell are you supposed to do when they come true?

quinta-feira, janeiro 01, 2026

Novo aroma

E pensei, porque não experimentar algo novo? E comprei.
Um cítrico baunilhado próprio para o Inverno. 


Coisas que enchem.

Recebi uma bonita mensagem de novo ano que terminou com "Un fuerte abrazo desde tu casa de Euskadi". È o que acontece quando as pessoas abrem a alma para ser o que são.

Primeiras vezes

Pela primeira vez na vida passei o ano completamente vestido de preto. Não podia ser de outra maneira, não me imaginava de outra forma.

Passagem de ano

Passei com a minha família: Mãe, irmão, futura cunhada, sobrinha. Foi estupendo. Depois da meia noite eu ia sair sozinho para dançar, num sítio onde nunca fui, mas onde iam passa música de que gosto. No final pensei que faltava o meu outro amor e voltei para casa, e aqui estou ainda no sofá com o Limão sobre o meu peito, onde ele agora adora estar. A vida é boa, a vida presta.