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sexta-feira, abril 24, 2026

Coisas que eu sei

Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia.
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia.
Agora eu sei.

*Dudu Falcão*

quinta-feira, janeiro 15, 2026

Sem palavra

Nunca soube o que foi naquele dia
mas sabia que era coisa muito funda e velha 
que de vez em quando vinha como pra dizer 
que muita dor é sem palavra.

*Mónica Toledo Silva*

quarta-feira, julho 09, 2025

Para mais tarde recordar

Um ténue fio de luz desengana-me o corpo.
Revive a esperança do cessar das horas ímpares. 
O que será a madrugada? 
A lembrança dos teus sinónimos...
e de que vida comparece no calor da primeira claridade. 
Neste enlaçamento, sem garantia de defesa, 
a escuridão acede a dissolver-se e transmutar-se. 
São extraordinários os atos que se urdem num ténue fio de luz.

segunda-feira, abril 08, 2024

Poesias

Li um post que falava de que quando amamos até somos capazes de escrever poesia. Isso fez-me lembrar de quando me apaixonei tão perdidamente por alguém que até lhe escrevi poemas - três poemas. A minha maior paixão e a minha maior desilusão. Há uma música da Garota Não cuja (parte da) letra me leva sempre para esse acontecimento:

Antes fosse mais calada menos louca e perturbada
Antes não mostrasse tanto, mas dormia o meu santo
E eu sem ter proteção nem medi o coração
Dei-o todo logo ali e ao dar tudo só perdi

Mas como o planeta Terra que enfrentou, pelo menos, 5 grandes extinções em massa, não fiquei estéril; fui "povoado" por outra forma de sentimento, com outras regras e com outra razão. Nunca mais houve poesia, mas há paz, cuidado, alegria e respeito. 

terça-feira, maio 31, 2022

Verso Silvestre

Não quero morrer de amor - digo - quero viver de amor,

Mas para lá da espessura da madrugada não existem sobreviventes.

sábado, abril 24, 2021

A Ausência de Carlos

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência. 

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres, 

porque a ausência, essa ausência assimilada, 

ninguém a rouba mais de mim.

by Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, dezembro 28, 2015

Agitar as marés...

O Campeonato de Poesia onde estou a participar tem como vencedoras anunciadas (na minha opinião desde o início) duas senhoras cuja poesia é muito para "senhoras". Tenho tido sérias dificuldades em continuar inspirado e na sétima jornada resolvi escrever um anti-poema. O desafio era escrever um poema que sobre o que diria um filho a um pai no primeiro dia em que o via.

Pensei se todos somos filhos de Deus porque não escrever sobre alguém que conhece a casa de Deus de perto, mas que nunca o viu, apenas ouviu falar do seu pai e contar a história até ao dia em que o vê. O resultado foi este:

Voltei à tua casa porque sou teu filho.
Disseram-no as freiras que vergastavam a tua generosidade
Nas minhas costas que pensava inculpáveis.
Não compreendi que cada vergão plantado pelas tuas esposas conventuais
Era um expurgatório contra a herança ímpia da minha mãe.
O pecado das putas vivia debaixo da minha pele imaculada.
Fugi da tua casa e do teu amor de pai ausente.
A tua benção tinha o mapa de todos os becos onde me escondi,
Porque a minha pele precisava ser rasgada e o meu corpo castigado pela tua graça divina.
O fruto do vício tem de ser purgado até às entranhas.
Voltei à tua casa porque sou teu filho.
Fui mastigado pela tua torrente de cal viva e dissolvido até ao osso.
Todos os dias queimo por dentro, todos os dias cerro os punhos.
Tenho em mim as chagas de Job. Estás contente?
Não há num fio de vida matéria suficiente para sustentar desejos obscuros.
Voltei à tua casa e as tuas esposas dizem-me que estás aqui.
Estou a ver-te e tu sorris. Não dizes nada apenas sorris.
És um cabrão. Eu sou filho de uma puta e de um cabrão.
Odeio-te! Odeio-te Senhor... Deus... Pai, seja lá o que fores.
Faz-te sorrir a vida que deste? Podias ter usado preservativo.

terça-feira, dezembro 15, 2015

Campeonato de poesia (Jornadas 3,4 e 5)

Está a custar bastante continuar a disciplinar-me para escrever. O meu problema é que as poesias que ganham são do género que eu não acho mesmo graça nenhuma, isso tem-me feito ser preguiçoso e escrever apenas para picar o ponto. Regurgitando material antigo e dando-lhe outra cara adaptada ao tema que me propõem.  Na jornada 2 é que me empenhei a sério. 

Já percebi quem é a senhora que vai ganhar e acho a poesia dela para o mesmo público que acha graça às «50 Sombras de Grey», os outros poemas que conseguiram ficar nos primeiros da jornada também cumprem o requisito. 

Mas pronto. Não desisto e esta quinta-feira lá chegam os resultados da 5ª jornada, mas verdade seja dita já estou a desejar que acabe.



sexta-feira, novembro 27, 2015

Campeonato de poesia (jornada 2)

Digamos que a jornada dois foi um balde de água fria porque gostei mesmo muito do poema que escrevi. Subi na classificação (agora sou 10º ex aequo com mais três pessoas), mas em termos de pontuação só tive mais dois pontos do que na jornada anterior com um poema "preguiçoso".  

À segunda jornada já percebi que tipo de poesia é que vai ganhar pelos 3 textos mais votados e simplesmente não me identifico com o estilo (além do mais não gosto de poemas longos). Poderia replicá-lo, mas a minha opção não vai nesse sentido. Na realidade, quero usar esta oportunidade de descoberta e de ficar com material que me dê prazer.

segunda-feira, novembro 23, 2015

Campeonato de poesia (jornada 1)

O primeiro desafio do campeonato de poesia foi continuar, em não mais de 20 versos, o primeiro verso de um poema de Daniel Faria. Tive um problema de base que foi perceber que ele era teólogo e achar que a sua poesia era para Deus. Custou-me imenso a escrever algo a partir da sua ideia e cosi umas partes de uns poemas que já tinha escrito a coisas que me lembrei na altura. O resultado não foi mau, mas também não foi brilhante. Em 47 pessoas estou para já em décimo quinto (com mais 5 pessoas). 

Ontem entreguei o poema correspondente ao segundo desafio e foi um exercício que me agradou sobremaneira. Estou muito satisfeito com o resultado. Demorei umas horas a escrever 12 versos sempre com o Priberam aberto à procura de sinónimos e antónimos de palavras. Mesmo que não seja bem recebido acho que está muito bonito. Digamos que escrevi uma ideia como conceito e depois procurei dizer esse conceito com as palavras que o tornassem mais interessante. No processo porque queria uma palavra bonita para «adubo» descobri a palavra «carvoíço», porque queria algo que soasse melhor que «abrasão» descobri a palavra «crestadura». 

Já saiu o terceiro desafio e vou ter de escrever um poema que termina com um verso que fala do absurdo. Acho que vou seguir o mesmo método. Pensar de forma racional a articulação de uma ideia e depois ir à procura de palavras que me ajudem a construir metáforas que lhe dêem um aspecto interessante. 

Estou a gostar de escrever e vou ver o meu vocabulário crescer, estou entusiasmado.

quarta-feira, novembro 19, 2014

Ideias bonitas


Tell me, if I ever caught you
and kissed the arch of your foot,
wouldn't you limp a little after that
for fear of crushing my kiss?…

Nichita Stanescu

 

quarta-feira, maio 22, 2013

Cheira bem, cheira a Pessoa.

Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram
Ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim... 

Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa)

 
 

terça-feira, março 19, 2013

Sopra-me.

Estou por ti,
apenas por ti.
Vago como o lume.
Em dispneia.
Quente e nu,
a descoberto.
E tu?
Fino como o gelo.
Escarchado.
Sopra-me,
e vê-me ir.

by Silvestre


sexta-feira, março 15, 2013

Bem escrito.

Sei que me estou a afogar, mas ao menos
consigo manter de fora a cabeça.
De modo que, por favor,
não venhas tu fazer ondas.

by Amália Bautista

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

iguais.

«Somos todos iguais na fragilidade com que percebemos que temos um corpo e ilusões».
by José Luís Peixoto

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Poesia de Saramago, não o conhecia poeta.

Mas que mais posso dizer
Desta profunda alegria
De ver a alma aparecer
No riso da tua boca?
Ainda se fosse a tua,
Entendia,
Mas a minha que faz lá?
Parece um caso da lua
(Tais coisas não são de cá)
Andar-me a alma contigo...

by José Saramago
Nota: Está editado

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Minhas as suas palavras...

Nunca busquei viver a minha vida
A minha vida viveu-se sem que eu quisesse ou não quisesse.
Só quis ver como se não tivesse alma
Só quis ver como se fosse eterno.


by Alberto Caeiro

sábado, janeiro 19, 2013

Largar tudo em vão... a boa música portuguesa.


Largar tudo em vão - Tiago Bettencourt & Mantha

quinta-feira, janeiro 10, 2013

Cada um.

Cada um sabe a dor
E a delícia
De ser o que é...

(Caetano Veloso)

quinta-feira, novembro 08, 2012

A eterna Sophia

Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.
Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

Sophia de Mello Breyner Andresen