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sexta-feira, novembro 29, 2024

A Substância

O filme sensação de 2024 não me deixou muito impressionado. Digamos que a expectation já estava bastante dilatada e foi difícil igualá-la naquilo que vi. 

Aspetos positivos: a atuação da Demi Moore (corajosa tanto nos diálogos como na comunicação corporal), a atuação do Dennis Quaid e da Margaret Qualley (com "bonecos" super bem conseguidos), a narrativa (que discorre sobre patriarcado, sexismo, celebridade, juventude/velhice), a cinematografia/cenografia. 

Aspetos negativos: As passagens de cena, muitas vezes forçadas gerando buracos no guião (na minha opinião) e um final gore perfeitamente desfasado e gratuito. 

Eu sei que o filme é ficção científica e pretende ser do género terror, não obstante, passamos uma grande parte do filme a perseguir um realismo que se esfuma no final. O final assume contornos tão surreais e inverosímeis que transforma uma metáfora sobre questões presentes na sociedade, num mera pantomina ridícula. Graças à porção final do filme, perdeu-se a graça toda, o sentido e o propósito.


11/20 




quarta-feira, outubro 23, 2024

Whitney Houston: I wanna dance with somebody

Estava muito curioso com esta dramatização da vida da Whitney depois de ter visto o documentário. O filme faz a revista de alguns dos moimentos mais icónicos, mas acho que acabou por falhar bastante por não ter passado pelo que foi o calvário pessoal com as drogas (em que, curiosamente, foi iniciada pelo irmão e não pelo marido como se pensa). A Whitney era uma rapariga de um bairro mau. Era uma "sister from the hood" e isso determinou muito da sua educação e do seu carácter. Claro que era linda e nós sempre a vimos quase como um anjo. Mas havia muita textura por trás da voz e imagem imaculadas.

Uma das melhores vocalistas de sempre e uma pessoa com tantos matizes merecia mais do que um filme raso onde a principal preocupação foi mimetizá-la (e isso foi bem conseguido). Mas acrescenta muito pouco, talvez até diminua a curiosidade sobre a personagem. Vi tudo até ao fim, porque gostava dela.

11/20
 

O que está dentro

O último grande sucesso da Netflix tinha tudo para dar certo enquanto grande filme, mas para mim não passa de um thriller psicológico para a geração Tik Tok. As ideias estão lá, os visuais, as personagens tipo; mas a densidade dramática, o argumento à prova de bala, as atuações, deixam a desejar. É um filme para o nosso zeitgeist. Já a qualidade... nem para o nosso nem para outro.

12/20

terça-feira, outubro 15, 2024

Joker: Folie à deux

Não posso dizer que o filme foi uma desilusão porque eu já sabia ao que ia, mas este Joker serviu apenas como um anticlimax do anterior. A presença da Lady Gaga não se constitui como um valor acrescentado, acho que bem pelo contrário. Não sei bem o que pretendia o realizador. É chato ver um filme que não se percebe bem o propósito, o que acrescenta à trama. Creio que diminuiu o personagem. Não consigo perceber bem. Estou confuso. O filme é quase um musical e quase um filme de tribunal e quase alguma coisa. Nunca é realmente nada de jeito.

11/20

terça-feira, agosto 20, 2024

Deadpool & Wolverine

O terceiro tomo da série não foi nada do que estava à espera, mas adorei. Atrevo-me a dizer que foi bem melhor do que o segundo filme. O humor inteligentíssimo de sempre, os trocadilhos, tudo lá - levado a extremos mais escatológicos e sexuais - mas tudo muito bem feito sempre, com "gosto".  

Se o humor ainda não esgotou ao terceiro episódio (que desta fez incluiu também alguns elementos dramáticos bem conseguidos) venha o quarto tomo da série para nos continuar a divertir para lá das fórmulas básicas do humor americano. 

17/20

quinta-feira, junho 27, 2024

Amar... de novo

Sinopse: Para acalmar a dor pela morte do seu noivo, Mira Ray envia SMS com pensamentos soltos para o antigo número de telefone dele, que julga estar desativado. Contudo, esse número foi entretanto atribuído a Rob Burns, um jornalista musical que, incapaz de gerir a situação, não lhe responde e se vai deixando envolver na sua história de amor. Mais tarde, durante uma entrevista a Céline Dion, uma das cantoras mais românticas de sempre, Rob partilha o que lhe está a acontecer, explicando o quanto todos os dias anseia pelas palavras dessa desconhecida. É assim que os dois criam um plano para, discretamente, descobrir a pessoa por detrás daquele enredo.

O filme com as interpretações de Priyanka Chopra Jonas e Sam Heughan, não é mau. É apenas igual a tantas outras comédias românticas e previsível. O que vale realmente a pena é ter a Céline Dion numa representação de si mesma durante todo o filme e a candura com que relata algumas coisas da sua vida e do seu grande amor pelo marido. E não se pode se melhor ator quando as deixas são todas verdades no nosso coração.

14/20

terça-feira, maio 21, 2024

Ainda temos o amanhã

Foi o filme com mais sucesso em Itália no ano de 2023. Consigo perceber, em contexto, o porquê todo os italianos reveem a história da sua família no filme. O filme chama a atenção para o problema enraizado do machismo nas sociedades ocidentais e da violência contra as mulheres seja ela física simplesmente simbólica. O filme homenageia o feminino e os rostos esquecidos de tantas famílias e o trabalho não reconhecido de tantas mulheres que são a estrutura basilar das sociedades. No final, mulheres tão diferentes estão juntas a realizar ao mesmo tempo o mesmo ato, o que revela que há algo de igual em todas elas. Todas têm direitos e todas contam.

O filme trata de coisas muito importantes, mas não creio que visualmente ou até narrativamente as opções tenham sido as melhores. Há partes muito boas e há partes que são momentos em si e que me fizeram sentir desvinculado do filme como um todo. A parte final conseguiu ser bastante claustrofóbica, e tiro o chapéu à realizadora por isso, mas o filme devia ter tido mais dois ou três minutos e a Délia devia entrar dentro de um comboio ou de um autocarro.

14/20

quinta-feira, maio 16, 2024

Profissão: Perigo

Não sendo uma maravilha da sétima arte, é um filme de ação inteligente com uma vertente cómica muito bem conseguida. O Ryan Gosling (além de ser um regalo para os olhos) nunca desilude. O filme tem "stunts" de primeira categoria, ao que não é alheio ao facto de o realizador ser um antigo duplo. O filme é uma ode ao trabalho de duplo, o que me parece muito nobre. A história é boa, faz sentido, e isso é o mais importante. O ritmo é bom e as piadas e as referências cinéfilas são muito bem conseguidas (foi mesmo o que mais gostei). 

Ps. O título original do filme "The fall guy" é um trocadilho giro que se perde no título português.

16/20

terça-feira, abril 02, 2024

Vidas Passadas

Fui ver este filme coreano um pouco por acaso (aqueles que começam à hora que a gente precisa). Gostei bastante. É um filme lento e filosófico sobre as noções de amor e de destino. Há um conceito coreano que diz que os casais ficam juntos quando há 8000 camadas de encarnações que os levam  aficar juntos para sempre. Nesta vida Nora e Hae Sung, são ideais um para o outro, mas parece que não é ainda o momento. Os dois caminha paralelamente, por vezes reentrando na vida de cada um. Na saída definitiva eles percebem que não é desta vida a sua vida em conjunto e "lamentam" a vida que poderiam ter tido, que em algum momento será a vida que hão-de ter. Serão eles mas não serão eles. Há uma melancolia velada que apenas no final rebenta numa torrente de emoção. O destino quase aconteceu aqui, mas não. 

16/20

quarta-feira, março 27, 2024

Pobres Criaturas

Um filme fascinante. Os filmes de Yorgos Lanthimos são tudo menos convencionais e eu acho que tem faltado este sentido de aventura ao cinema - de um modo geral. Antes de mais, percebo o porquê do Óscar de melhor atriz principle para Emma Stone. A premissa de desempenhar um recém nascido no corpo de uma mulher adulta sendo na realidade mãe e filha e nenhuma das duas é impressionante. E ela conseguiu quase na perfeição oferecer um retrato credível. Voyeurístico e empirista o argumento expõe a natureza humana e o conhecimento do mundo a partir da criação de uma Eva (que se inspira - quem sabe - no Frankenstein de Mary Shelley) verdadeiramente recém-nascida, mas mulher adulta ao mesmo tempo.  As opções estilísticas entre o romantismo, surrealismo e diria até um certo steam punk, complementam na perfeição o ponto de vista filosófico do filme. Gostei muito. 

18/20

quarta-feira, março 13, 2024

Duna: Parte 2

O filme Duna de1984 tem, desde sempre, sido uma das minhas referências em ficção científica. Isso porque a densidade da narrativa era muito contrastante com outras obras do género. Muito filosófico, sem descurar alguma ação. Claro que os meios técnicos da altura não permitiram elevar os efeitos especiais ao patamar da nova versão de Denis Villeneuve.

A qualidade literária da obra original de Frank Herbert encontra na arte poética visual de Denis Villeneuve o encaixe perfeito. É curioso como ele consegue levar a profundidade filosófica ao seu limite com sugestões imagéticas ou simplesmente com luz. Não tenho dúvida de que - visualmente - o que vi foi arte. 

Precisava contudo de algo mais forte para o final, o final deste filme deixou-me um pouco aquela sensação de anticlimax por ser o compasso intermédio de uma trilogia. Normalmente nunca gosto do segundo filme das trilogias porque me deixam frustrado na espera pelo final. Tenho a certeza de que a Parte 3 vai ser extraordinária. 

16/20

domingo, janeiro 14, 2024

Doce Pesar

Outro filme sensação do momento. Esperava muito deste drama comédia, mas na realidade, nem muito de drama, nem muito de comédia. Achei o filme literário e pomposo. Seria um livro muito bonito, mas em ação não sei se resultou da melhor forma. Em muitos momentos foi elitista e pretencioso. Mas ok. É um filme que tem muito valor por falar de arte e de trazer uma visão cosmopolita das vivências. Mas não sei se nos conseguimos relacionar com os personagens de forma direta. Não me pareceu algo que eu conseguisse tornar real ou projetar como real. Achei fraco.

12/20

Saltburn

Um dos filmes sensação do momento tem, em primeiro lugar, uma fotografia maravilhosa e bons atores. Tudo o resto é médio. O argumento é vago e o desenrolar do filme não é harmonioso, mas vamos sendo levados pelos atores que fazer o melhor com o que têm e bem e pelas cores e enquadramentos. Não percebo o "hype".

14/20