Lembro-me que o meu pai dava a sua palavra e apertava a mão. Já estava. Era o suficiente para selar um contrato. Assumia que do outro lado o comportamento era idêntico. Os homens (e mulheres) de palavra estão a desaparecer. Quase toda a gente aproveita para se escapar entre o dito e o não dito "não foi bem assim", "era assim mas com condições". Vivemos num tempo em que tudo deve ser escrito e assinado. E já nem falo sóde estranhos, às vezes até com amigos e familiares somos obrigados a recorrer a este esquema porque a palavra perde a sua sacralidade. Não exactamente a palavra, mas a honra. Hoje em dia não se sabe muito bem o que é. Nos homens (e mulheres) de antigamente a consciência de ser honrado (honesto) era tão importante como o amor-próprio. O maior valor do homem era a sua dignidade. As pessoas não queriam abdicar da sua dignidade. Hoje as pessoas (na sua grande maioria) não se preocupam com a sua dignidade, se calhar já nem sabem bem o que é ser digno e também não lhes interessa redescobrir o conceito.