terça-feira, agosto 11, 2026

A odisseia

É um belíssimo filme. Gostei muito e acho que é o filme de que o mundo estava a precisar para poder fazer uma introspecção. O Ulisses de Nolan não é mais um grande herói aclamado, mas sim um homem atormentado pela bestialidade que presenciou no ataque a Tróia e de como isso nos afasta da virtude que o ser humano deveria procurar. No ato de ter construído o cavalo de Tróia ele violou tudo o que é mais sagrado nas relações humanas, enganou usando o sagrado, destruiu a confiança e profanou a própria Deusa que sempre o acompanhou: Atena. 

Na odisseia de Nolan verificamos como a Grécia antiga se assemelha ao mundo fragmentado de hoje, em guerra (física ou ideológica) e onde o direito internacional é desrespeitado, a hospitalidade inexistente, a diplomacia alvo de zombarias. Num mundo onde não existe honra, como agora em pleno século XXI, este homem procura procurar dentro de si o que é efetivamente válido. A sua viagem de volta a casa trata da purificação da consciência, onde os seus homens falham e por isso perecem, e da esperança de um novo começo iluminado e digno para com a existência. É um filme sobre dor e esperança.

18/20

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