terça-feira, agosto 11, 2026

Ceuta

O fenómeno inédito da entrada de 72000 pessoas num território onde vivem 83000 foi uma manobra de desinformação. Várias mensagens a circular online dando conta de que Espanha iria receber todos os imigrantes que passassem a fronteira e teria alimentação e trabalho para eles. O que se seguiu já sabemos e mal consigo imaginar o medo e o desconforto dos cidadãos de Ceuta a verem-se invadidos e pilhados. 

Consta que a Comissão Europeia já deu conta de novas mensagens a serem passadas para a entrada em massa, no dia 15 de Agosto, nas cidades espanholas no norte de África: Ceuta e Melilla. 

O que mais me intriga não é a reação de jovens homens e mulheres a viverem situações precárias perante a possibilidade de uma melhoria nas suas vidas. O que me deixa mesmo intrigado é a origem destas mensagens e o intuito das mesmas. Que a motivação é política, não tenho dúvida, mas quem? Trump? Putin? Anti-europeístas? 

O pior é o resultado final, a instrumentalização dos marroquinos e o sofrimento das populações invadidas. No mínimo pede-se, em primeiro lugar, que Espanha proteja os seus territórios limítrofes e, em segundo, que se apurem responsabilidades sobre uma prática que, se não me engano, irá tornar-se mais comum. 

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