Nunca busquei viver a minha vida
A minha vida viveu-se sem que eu quisesse ou não quisesse.
Só quis ver como se não tivesse alma
Só quis ver como se fosse eterno.
by Alberto Caeiro
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quinta-feira, janeiro 31, 2013
domingo, maio 04, 2008
Poemas que se colam ao momento que vivemos
A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém o quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Este pequeno excerto de um poema de Alberto Caeiro (ou Fernando Pessoa, se preferirem) é perfeito para descrever o que, neste momento, é a minha perspectiva de vida. O que eu mais quero é apreender a realidade das coisas, no seu aspecto mais simples e essencial. Sempre que o consigo, é espantoso. Sinto uma alegria comovente pela cada vez maior construção de sentido e sinto gratidão pela oportunidade de expandir a minha consciência.
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém o quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Este pequeno excerto de um poema de Alberto Caeiro (ou Fernando Pessoa, se preferirem) é perfeito para descrever o que, neste momento, é a minha perspectiva de vida. O que eu mais quero é apreender a realidade das coisas, no seu aspecto mais simples e essencial. Sempre que o consigo, é espantoso. Sinto uma alegria comovente pela cada vez maior construção de sentido e sinto gratidão pela oportunidade de expandir a minha consciência.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
O Universo
O único mistério do Universo é o mais e não o menos.
Percebemos demasiado as coisas - eis o erro e a dúvida.
O que existe transcende para baixo o que julgamos que existe.
A realidade é apenas real e não pensada.
O Universo não é uma ideia minha,
A minha ideia do Universo é que é uma ideia minha.
A noite não anoitece pelos meus olhos,
A minha ideia de noite é que anoitece pelos meus olhos.
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos
A noite anoitece concretamente
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.
Nos dias certos, nos dias exteriores da minha vida,
Nos meus dias de perfeita lucidez natural,
Sinto sem sentir que sinto,
Vejo sem saber que vejo,
E nunca o Universo é tão real como então,
Nunca o Universo está (não perto ou longe de mim,
Mas) tão sublimemente não-meu.
«Alberto Caeiro»
Percebemos demasiado as coisas - eis o erro e a dúvida.
O que existe transcende para baixo o que julgamos que existe.
A realidade é apenas real e não pensada.
O Universo não é uma ideia minha,
A minha ideia do Universo é que é uma ideia minha.
A noite não anoitece pelos meus olhos,
A minha ideia de noite é que anoitece pelos meus olhos.
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos
A noite anoitece concretamente
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.
Nos dias certos, nos dias exteriores da minha vida,
Nos meus dias de perfeita lucidez natural,
Sinto sem sentir que sinto,
Vejo sem saber que vejo,
E nunca o Universo é tão real como então,
Nunca o Universo está (não perto ou longe de mim,
Mas) tão sublimemente não-meu.
«Alberto Caeiro»
segunda-feira, novembro 26, 2007
Inocência é não pensar
O mundo não se fez para pensarmos nele
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama,
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a inocência
E toda a inocência é não pensar...
«Alberto Caeiro»
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama,
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a inocência
E toda a inocência é não pensar...
«Alberto Caeiro»
segunda-feira, novembro 05, 2007
As pedras são só pedras
Li hoje quase duas páginas do livro de um poeta místico,
e ri como quem tem chorado muito.
Os poetas místicos são filósofos doentes,
e os filósofos são homens doidos.
Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
e dizem que as pedras têm alma
e que os rios têm êxtases ao luar.
Mas as flores, se sentissem, não eram flores, eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
os rios seriam homens doentes.
É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras.
Alberto Caeiro
e ri como quem tem chorado muito.
Os poetas místicos são filósofos doentes,
e os filósofos são homens doidos.
Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
e dizem que as pedras têm alma
e que os rios têm êxtases ao luar.
Mas as flores, se sentissem, não eram flores, eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
os rios seriam homens doentes.
É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras.
Alberto Caeiro
sábado, novembro 03, 2007
Se é assim, é porque assim é...
Se eu pudesse trincar a terra toda
e sentir-lhe um paladar,
e se a terra fosse uma coisa para trincar,
seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade,
naturalmente, como quem não estranha
que haja montanhas e planícies
e que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
na felicidade ou na infelicidade,
sentir como quem olha,
pensar como quem anda,
e quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
e que o poente é belo e é bela a noite que fica...
E que se assim é, é porque é assim.
Alberto Caeiro
e sentir-lhe um paladar,
e se a terra fosse uma coisa para trincar,
seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade,
naturalmente, como quem não estranha
que haja montanhas e planícies
e que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
na felicidade ou na infelicidade,
sentir como quem olha,
pensar como quem anda,
e quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
e que o poente é belo e é bela a noite que fica...
E que se assim é, é porque é assim.
Alberto Caeiro
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