quarta-feira, julho 29, 2026

Memórias Póstumas

Não gostei do último álbum do Jão. Mas este Memórias Póstumas é bem bonito. Suponho que por ser um álbum sobre palavras e sobre como lidar com o luto. Talvez o tema se preste a grandes canções e seja por isso.

terça-feira, julho 28, 2026

A poesia de Bruna Vieira

Juntei os meus cacos 
com o cuidado de quem sabe
que o vaso nunca mais será o mesmo. 
Mas em compensação, 
agora cabe muito mais luz dentro de mim. 

Joana Marques e o episódio do autismo

Como sempre brilhante, com grande sentido de oportunidade. E, realmente, utilizar o autismo de Nível 1 como tragédia pessoal ou "moda influencer" é bem chato. A Mafalda Matos deve ser uma excelente pessoa, aliás parece-me mesmo, mas beneficiaria de um psicólogo e/ou psiquiatra de qualidade para ajudá-la. Não creio que o autismo (Nível 1) seja realmente o seu problema. 

Wokismo

Assim, grosso modo, o wokismo é um movimento social e político focado na consciencialização sobre injustiças raciais, discriminação e desigualdades identitárias. O termo divide-se entre a defesa dos direitos das minorias.

O wokismo é, a meu ver muito importante, e embora o seu estabelecimento como movimento político seja recente (2010), as suas raízes são muito mais antigas remontando aos movimentos raciais americanos do anos 40 do século XX. 

No nosso século abriga um conjunto muito mais amplo de pautas progressistas e identitárias, mas a "geração woke" que coincide - mais ou menos - com a geração Z, tem levado o pensamento woke ao extremo e ao exagero, acabando por descredibilizar algo que é tão fundamental ao funcionamento saudável das sociedades. Atrevo-me mesmo a dizer que os movimento de direita radical recentes têm encontrado o seu "combustível" no ideário woke extremista, contribuindo em tempos de maior escassez (desde a intelectual à económica) a uma alienação política grave dos cidadãos.

Mas é só uma opinião que vale o que vale.

segunda-feira, julho 27, 2026

Este fim de semana

Passei o fim de semana na aldeia e foi muito bom. Muito bonito. Aquele é o meu lugar feliz e nada como estar lá em paz sozinho ou acompanhado. O rio Tejo faz companhia e o pôr-do-sol é tão bonito sobre o rio. 

quarta-feira, julho 22, 2026

Consulta de Tarot

Tive mais uma consulta de Tarot feita com uma estudiosa com quem desenvolvi uma boa conexão energética. Mais uma vez gostei muito da abordagem dela e foi bom olhar para o que vão ser os próximos três meses. Expectativas controladas. 

terça-feira, julho 21, 2026

A poesia de Alice Neto Sousa

Não há dívida no afeto, 
mas há uma pressa bonita 
em devolver-te o calor que me pões nas mãos 
sempre que o inverno decide ficar.

sexta-feira, julho 17, 2026

Só conheci hoje, mas adoro



Kaleidoscope - Chappel Roan

Terminado

Terminei ontem os últimos trabalhos do PhD. O primeiro ano já foi. Em Setembro é que começa a coisa a sério, com o início da tese. Depois são 3/4 anos de dureza, mas o final será de grande satisfação. 

Temos de respirar fundo

A vida desafia-nos. Quando pensamos que não existe mais nada de tóxico no nosso contexto, acabamos por perceber que sim. E provavelmente este processo de remoção nunca irá acabar. Peço todos os dias a sabedoria para perceber o que é bom ou mau para mim, de ter o discernimento correto para tomar boas decisões, para fazer boas escolhas. 

Não estava à espera de que viessem estes ares do norte, pensava que  já me tinha curado de ver o melhor das pessoas e tratá-las como se isso fosse o real e não o potencial (eu costumava fazer isso com namorados, mas aparentemente mudei para os amigos). As pessoas não são aquilo que podem ser, são apenas aquilo que escolhem ser. Essas escolhas são da sua inteira responsabilidade. Se nos esquecermos disso, só acabamos por nos dar mal.

terça-feira, julho 14, 2026

A poesia de Thomas Vinau

Não sei grande coisa
sobre o tamanho das galáxias 
ou a mecânica das flores. 
Mas sei o peso de uma mão na minha
quando o vento sopra forte demais.

segunda-feira, julho 13, 2026

Ando perigoso

Eu sei que não tenho nada a ver com o assunto, mas quando vejo algumas pessoas a infernizar a vida dos mais pacíficos tenho vontade de lhes infernizar a vida. Acho isto um perigo. Aqui no trabalho uma certa diretora - de forma muito pequena - embirrou com algumas pessoas. Achei aquilo tão triste, que fui procurar criar uma situação para ela me interpelar dessa forma. É aqui que eu acho que devia o mundo simplesmente deixar acontecer. Na vida selvagem, uma gazela não vai tentar criar uma situação para criar uma armadilha para um leão que comeu outra gazela. Não temo de me imiscuir. Isto é um perigo para mim mesmo, andar a comprar lutas alheias, sem que ninguém me peça nada ainda por cima. Então acho mesmo que tenho de relaxar, deixar o sol entrar e chill.

Primeiras impressões

As primeiras impressões foram muito boas - como eu achei que iriam ser. A descontração, simpatia e honestidade na ação são coisas muito bonitas de se viver. Por isso, foi tudo muito natural e saboroso de se presenciar. 

sexta-feira, julho 10, 2026

Bonnie Tyler

Lembro-me de ter 11 anos e me ter tornado muito fã. Lovin you's a dirty job (but somebody's got to do it) foi a música que fez o click. Perdi-lhe o rasto nos anos 90, mas continuei a gostar de várias músicas que revisitava. 

Ontem foi apenas ridículo (como tem vindo a ser sempre que morre alguém nas redes sociais ou em outro meio de comunicação online) a quantidade de homenagens feita por pessoas que não meteram a tocar uma única música dela nos últimos 30/40 anos. Os tempos que vivemos são de uma imbecilidade sem limites. A modernidade líquida está sempre presente. 

terça-feira, julho 07, 2026

Não percebo esta devoção

Não percebo esta devoção dos portugueses ao Cristiano Ronaldo. É um excelente atleta que se representa a si mesmo e que tem mérito como isso mesmo, atleta. Orgulho tenho no Aristides de Sousa Mendes, isso sim é um bom português. Depois há tanto de bom para falar: António Damásio, Vhils, Monica Bettencourt-Dias, etc. Mas no fim de contas até sei o que passa, são os 3F: Fado, Futebol e Fátima. 

Pulga atrás da orelha

O senhor Vítor traz alguma na manga. É preciso estar atento, não vá o bicho morder pela calada.

segunda-feira, julho 06, 2026

Idade

Neste momento o meu "role model" é definitivamente a Madonna. Também estou a envelhecer e a sociedade puritana, amarga ou poucochinha, entende que uma pessoa tem de envelhecer  'graciosamente' e de acordo com regras estabelecidas pelos que perderam "o gás" ou que nunca o tiveram. No final, quem produz mais, quem desenvolve mais, quem atinge mais, não é quem critica: é o criticado. Há uma espécie de justiça poética em tudo isto.  E os comentários nunca são sobre o legado, mas sim sobre as roupas, os hábitos, as relações, os lugares frequentados serem próprios ou não para pessoas de uma 'certa idade'.

Como bem disse a Cher quando uma jornalista lhe perguntou se ela não tinha ido longe demais nas cirurgias estéticas, ela simplesmente disse "se eu quiser meter uma mama nas costas meto, ninguém tem nada a ver com isso". 

Um adulto deve fazer aquilo que bem entende no que concerne o modo como age sobre o seu corpo e sobre a gestão da sua vida. O que interessa se a roupa é justa, se o namorado é 20 anos mais novo, se vamos dançar até às 6h da manhã? Quem o faz é porque pode. Quem não pode ou quem não quer que fique na sua vida com a qual também ninguém tem nada a ver. Mas a sociedade que interessa, vive e deixa viver. O resto... é apenas o resto. 

Obsessed!


Danceteria - Madonna

sexta-feira, julho 03, 2026

Porque sou um calorento

Hoje à noite vou meter-me na água do mar. Lá estará fresco de certeza.

Julho

Julho entrou dorido, uma dor que não vem da minha vida, mas de terceiros. Dois amigos trilharam caminhos menos bons e fiquei muito triste por saber. A desilusão é complexa quando não se deixa de sentir amor. Porque temos de continuar a roçar na ferida. Espero sinceramente que eles se endireitem, que encontrem um caminho positivo e com significado. Do meu lado parece que agora sou responsável por algo de que não sou. A necessidade de estar constantemente a "policiar" se o equilíbrio está lá. tenho de combater isto, contudo. No mundo dos adultos somos responsáveis por nós e pelas consequências das nossas escolhas. Não devo agir sobre os outros, devo procurar apenas inspirar, mostrar caminhos possíveis. Tudo o resto não me cabe. Cada um sabe de si. Só espero que ninguém se magoe.

A poesia de Adília Lopes

Disseram-me que o mundo ia acabar amanhã,
mas eu levantei-me e reguei as plantas. 
A coragem veste-se de gestos pequenos, 
de uma teimosia mansa em acreditar 
que o bem tem a última palavra.

segunda-feira, junho 29, 2026

Poesia de Luís Quintais

Tudo o que é dito pode ser negado na manhã seguinte.
Mas o sulco que a ação deixa na terra, 
a ferida aberta ou o abrigo construído, 
esses têm uma permanência que a voz não alcança. 
A vida é o que se faz com o silêncio.

O último pezinho de dança

Ainda vim a tempo de dar o último pezinho de dança nos arraiais de Lisboa. Desta vez na Bica onde a música estava bem boa e onde a bifana foi a melhor dos últimos anos. Já a fartura, tive de lutar por uma quente. Mas foi uma noite bem passada. 

Coisas que marcam

Ainda bem que este final de semana em Madrid aconteceu. O fim é o princípio. Olhar para o real é o que importa. E o real tem sempre uma beleza inqualificável.

quarta-feira, junho 24, 2026

Mais uma viagem

Madrid aguarda-me. Este ano não foi pródigo em viagens. Tive de saltar a Albânia e para já dou um pulinho a Madrid para ajuda na tomada de algumas decisões. Mas ainda tenho 6 meses para utilizar, vamos ver o que me reserva o resto do ano. A "grande" viagem pode não acontecer, mas soluções aparecerão.

A poesia de Manuel António Pina

Caiu o mito, rachei a cara contra o muro.
Mas há um sabor a terra molhada que fica,
um sol que teima em nascer no escuro. 
Desiludido? Talvez. Mas vivo, 
e com uma pressa enorme de ser feliz 
antes que a noite regresse.

segunda-feira, junho 22, 2026

Aquelas pessoas.

Aquelas pessoas que fazem tudo o que lhes apetece, mesmo o moralmente reprovável e não têm o menor problema de consciência com isso. Acho fascinante, às vezes chego a ter inveja desse estado de ausência de condicionalismos morais e/ou remorsos. Não consigo ser assim, por muito que tente. Pais com demasiados valores, foi o que deu. 

22 de Junho

 O dia em que assumidamente, este ano, ganhei uma cor.. Já cá faltava. 

sexta-feira, junho 19, 2026

A poesia da José luís Peixoto

No fim, quando todos os nomes se apagarem
e as promessas forem apenas fumo no vento, 
olharás para as tuas mãos vazias. 
E será nessa nudez que encontrarás a força. 
Não contas com o mundo. 
O mundo é um hóspede pressuroso. 
Conta contigo, que és o dono da casa.

A mãe da minha amiga

A mãe da minha amiga deu-me - para além das palavras escritas da filha que eu pude tatuar no meu braço - pensamentos seus, perspectivas de vida que fizeram pensar. Não foi fácil integrar toda a sabedoria gerada por uma mulher que perdeu o que tinha de mais valioso (após a perda), mas o tempo foi trazendo cada peça ao lugar. Ela deu-me essa capacidade maravilhosa de aceitar a perda. De ser perdedor com alegria. Uns dias perdemos, outros ganhamos. A partir do momento que deixei de importar com a perda, com o insucesso, com o lastimável, mais do que a duração dessa emoção a passar pelo corpo, as vida tornou-se muito mais brilhante. Cada ação é compensadora quando se vive sem medo. Já aceitei as todas as desilusões passageiras que hão-de vir, porque é isso que são. Não perco a infinita esperança e a alegria associada. A minha querida Begoña transformou a minha percepção das coisas em uma tarde, mas precisei de meses para integrar tudo. Que sorte tenho de ir conhecendo as pessoas mais extraordinárias ao longo do caminho.

terça-feira, junho 16, 2026

A poesia de Igor Pires

O mundo vai tentar dizer-te que tudo é descartável.
As pessoas, os afetos, as promessas.
O teu trabalho mais bonito é contrariar a época:
segura firme a mão de quem te faz bem
e não soltes por nada.

Num tempo em que nada nos pertence

Aquilo que nos pertence realmente é a nossa vida. Por essa razão não devemos ter medo de ser tolos, falhos e muito menos deixar que a cobardia alheia nos guie e nos determine. Devemos continuar a experimentar e a desafiar convenções. Não me importarei de ser um homem de 70 anos numa discoteca - se ainda existir música no meu corpo e vigor para a exprimir. Não me importarei de cantar na rua no meio das pessoas que passam. Não me importarei de vestir o que me faz bem à alma. Não me importarei de fazer ginásio aos 80 se o corpo assim o permitir. E mais importante, continuarei a não me importar com aquilo que os outros pensam sobre a minha agência.  

A canção do ano?

A canção do ano? Acho que vai ser Danceteria da Madonna. Para mim foi a música que se destacou no filme (abaixo) e aquele refrão é contagioso para dizer o mínimo " Everybody get up and dance! Everyone here is a work of art!"



Confessions II - Madonna

segunda-feira, junho 15, 2026

Os santos populares de 2026

Foram os melhores de sempre. Tanto Vila Berta com o Topi ou Alfama com o grupo grande, foram 5 estrelas. 

Descobri um grande amor

O amor não vem como queremos, na forma que imaginamos, mas o importante é que venha. Há pouco mais de três meses atrás conheci um rapaz, com quem tive uma química incrível. Sem nenhuma sombra de dúvida que puxamos o melhor um do outro. Logicamente, pensamos o mais básico quando dois rapazes gay solteiros se encontram e se dão estupendamente "este rapaz tem tudo para ser um amor para a vida". E não estávamos errados. Apenas, fomos vendo que esse amor era essencialmente fraterno e não de casal. Hoje, com toda a certeza, sinto que tenho mais um irmão. A Björk tem razão quando diz que "all is full of love" e os Beatles também quando dizem que "all you need is love". O amor é uma vibração muito bonita de se surfar sobre. Sou sempre grato aos presentes da vida e à vida em si. 

sexta-feira, junho 12, 2026

Casamenteiro

No passado já fui um grande casamenteiro e os 3 casais que juntei, estão de pedra e cal. Amanhã vou ver se ainda tenho o dedo bom para isso. Sou excelente a escolher para os outros, já para mim o dedo andou bem podre, mas penso nisso com um sorriso aberto - há que ter sentido de humor. 

Projeto Hail Mary

Se poderia parecer só mais um filme de ficção científica com herói tradicional numa aventura excitante no Espaço para salvar o nosso, não é. Não obstante o rigor científico, a textura emocional do filme é estupenda. O filma acompanha um astronauta que acorda à deriva no espaço, sem memórias sobre a sua identidade e a sua perigosa situação. O filme avança e vamos percebendo que ele está ali para deter uma ameaça microscópica que está a consumir a energia do Sol. A narrativa é não linear entre presente e passado, tonando tudo mais interessante, mas a "joia da coroa" é a amizade que ele faz com um alienígena não humanoide e com uma cultura não humanoide. Toda essa interação é maravilhosa. E o filme é um tributo à coragem e ao que realmente nos faz humanos. Gostei muito.

17/20

O diabo veste Prada 2

Acabei por não escrever nada sobre o filme que já vi há bastante tempo, mas porque achei muito decepcionante. Não é que seja mau, longe disso, ou que as atuações não tenham nível. Achei o argumento incompatível com o primeiro filme - a Miranda do primeiro tomo nunca seria a Miranda deste. Ali umas quantas confusões de argumento que me fizeram desinteressar pelo que estava a ver. O final parece bom,  por oposição ao restante do filme, nas é apenas meh...

13/20

Ribatejo

Fui fazer umas mini férias na minha aldeia. A aldeia ribatejana adotada há 5 anos é um lugar especial para mim, onde recarrego baterias e me sinto em paz com o mundo.  Este ano depois das tempestades tive de trabalhar um pouquinho para meter o jardim a jeito e o terreno com bom ar. Mas quem corre por gosto não cansa e o trabalho acaba por ser alegre.

sexta-feira, junho 05, 2026

Gosto tanto


Hate that I made you love me - Ariana Grande

Preciso de dormir

A vida tem sido boa, mas creio que precisava de 28h em cada dia para poder poder fazer tudo o que estou a  fazer e ainda descansar como deve de ser.  O corpo está a começar a queixar-se e eu tenho de o ouvir. tem sido 1 mês muito intenso. Há trabalho que têm de ser feitos para dar frutos, investimentos que pedem corpo, espírito e tempo, mas é preciso ter a noção do desgaste e do equilíbrio necessário para continuar saudável. 

terça-feira, junho 02, 2026

A arte de bem viver

A arte de bem viver passa por não mostrar quando se tem um bom jogo de cartas na mão. O pior é saber fazer "poker face", mas com treino a coisa vai. Para que eu não me esqueça da situação fica o código "que idade tem um Clóvis?", apesar do desconforto fiz a minha melhor cara lavada.  E a vida segue. 

segunda-feira, junho 01, 2026

A poesia de Ryane Leão

antes de tudo
aprende a pertencer a ti mesmo
o mundo vai tentar convencer-te
de que és um rascunho
mas tu és a obra inteira
escrita com o sangue 
daqueles que vieram antes. 

First Light


First Light - Lana del Rey

Este fds

Este fim de semana foi perfeito. Não faltou nada. O palácio da Fronteira, a Gulbenkian, o trabalho, a criatividade, o amor e o carinho. O preâmbulo do futuro.

O banco bom e o banco mau.

A minha melhor amiga disse-me "isso é o mesmo que a situação do banco bom e do banco mau". O banco mau está guardado onde não pode contaminar, o banco bom tem sido um gosto descobrir. Nunca imaginei que me desse tanto prazer ver uma pessoa florescer desta forma e crescer em força e sabedoria. Sou quase como um pai maravilhado, mas até o mais pequeno investimento ele devolve com a gratidão de um sobrevivente. Só sei que depois de o conhecer pensei que o mundo merecia ser tocado pela beleza que este rapaz é capaz de produzir, e que uma pessoa como ele tinha de estar no topo. O topo anda demasiado ocupado de gente má e/ou frustrada e/ou medíocre. É preciso gente boa, de sentimentos grandes e grandiosos, para estar nesses lugares onde tomamos referência e aprendemos por exemplo. Meu querido B. que orgulho tenho em ti. 

sexta-feira, maio 29, 2026

O country que me passa no goto...


I believe in ghosts - Kacey Musgraves

Finalmente o AC

Comprei um ar condicionado portátil para aguentar o calor. O Ex tinha um e foi um verão bastante fresquinho o que passamos juntos. No ano passado não senti a necessidade, mas este ano vai ter de ser e arranjei uma bela promoção. Adoro uma boa pechincha.

Sono

Desde o dia 11 de Maio que ando a dormir pouco, não obstante é por uma excelente razão. Estou é a entrar naquela fase em que já me dá vontade de rir o cansaço, quando o corpo já está tão entorpecido que parece que fumamos um charro. Por falar nisso, já nem me lembro da última vez que fiz tal coisa, uns bons 10 anos certamente.  

quarta-feira, maio 27, 2026

O tempo tem estado estranho, mas...

O tempo tem estado estranho. Não obstante, cheira-me a verão. Cheira-me a calor e a vida cheira-me a roupa levada secada ao ar livre. Estou sempre ocupado, um pouco cansado até, mas a comida tem imenso sabor, vejo flores em todo o lado. Não tenho motivos para outra coisa senão sorrir. 

terça-feira, maio 26, 2026

A poesia de Rupi Kaur

o mundo diz-me que há
milhares de opções lá fora
a um deslize de distância
mas eu olho para a tua imperfeição
para a forma como ressonas desalinhado
e escolho-te de novo
porque a tecnologia não sabe calcular
o peso do teu abraço nas minhas noites más.

A poesia de Andrea Gibson

Quero conhecer as tuas piores partes
e ainda assim achar que és 
o mais próximo do sagrado 
que este mundo já viu. 
Não ponhas só a ponta dos pés. 
Mergulha.

Já dizia a Madonna

The best things in life are always free.

segunda-feira, maio 25, 2026

Tudo certo

Conheço alguém que diz muito esta frase "e está tudo certo". É ótimo quando sentimos que realmente está tudo certo e onde devia de estar.

terça-feira, maio 19, 2026

Apaixonado por este vídeo


Dance no more - Harry Styles

Voltei a escrever

Apesar de ter um livro de histórias LGBT pendurado há uns anos -pois falta-me as ilustrações que nunca arranjo tempo (ou disposição) para fazer - voltei a escrever ficção e desta vez com um propósito profissional. Estou muito entusiasmado e vamos ver as cenas dos próximos capítulos. 

segunda-feira, maio 18, 2026

A poesia de Benjamin Prado

Passamos a vida a contar os minutos,
as notas, os dias de férias.
E esquecemos que o único que importa
é aquilo que não se pode contar:
o peso de uma lágrima,
a intensidade do frio,
o eco de um adeus.

Dessintonia

Quando aparece o homem com que sempre sonhamos e não nos conseguimos enamorar dele, o que quer dizer isto?  A pessoa ideal - provavelmente - não passa de uma ideia e há uma dessintonia entre aquilo que sonhamos como ideal e aquilo que realmente necessitamos. O que sei é que não vale a pena forçar o que não tem condições para existir fora do pensamento. A pessoa necessária é, porventura, aquela que é perfeita na sua imperfeição, que obriga a sair da nossa zona de conforto, que obriga a cedências e a compromissos. O ideal e o necessário poderão ser ambos grandes amores; mas de natureza diferente. Um será platónico e o outro físico e terreno? O amor romântico, acontece fora dos ideais românticos? O que acontece na realidade e o que na realidade acontece? 

Fim de semana na Madeira

Este fim de semana foi muito bem passado, fui a um casamento na Madeira e vim de lá cheio.  O P a C casaram depois de 6 anos de namoro e é uma alegria ver um amor daqueles. Falo muito de como os bons exemplos nos ajudam a ter uma melhor perspectiva da vida e, neste caso, o amor deles ajuda-me a ter uma enorme fé nesse estado. 

Fui ao casamento com um casal de amigos (na casa dos quais fiquei) e foi a melhor companhia que poderia ter. A S e o E são das pessoas mais bonitas que já conheci na vida e estar com eles é como ser filtrado de todo o mal que há no mundo. Não podia ter tido um fim de semana melhor. 

terça-feira, maio 12, 2026

Carla Morrison


Disfruto - Carla Mrrison

A poesia de Herberto Hélder

A casa é um corpo que nos habita.
Tem corredores que dão para o mar 
e janelas que abrem para dentro do coração. 
Cuidado com as portas: elas escondem 
o que nós não queremos saber de nós.

Grandes emoções

A pessoa que indubitavelmente mais amei foi inequivocamente a pessoa que mais me maltratou emocional e psicologicamente. Concluí, após a separação, a inutilidade de desejar encontrar "o amor da minha vida". É muito mais salutar procurar um amor para o resto da vida. Poderá ser menos intenso, mas será constante. A constância é tudo. Não deveria haver desprezo pelo simples. Nem sempre precisamos de grandes emoções.

domingo, maio 10, 2026

52

Que bonito dia. Nada poderia ter sido tão perfeito.

sexta-feira, maio 08, 2026

Trocado das ideias

Tenho este estranho hábito de após 6 meses do meu aniversário dizer logo que tenho a idade a seguir (porque 0,5 se arredonda para 1 em termos matemáticos). Assim, que desde novembro que digo ter 52 e esta semana já pensava que ia fazer 53, mas não. É a segunda vez que me baralho. Quando fiz 44 também já pensava que ia fazer 45. 

Hoje vi, numa notícia, um ator brasileiro por quem tive um crush ali no final dos meus 19. Ele está com 61 anos e está estupendo. Fazer anos é bom e envelhecer é bom e cuidar de nós é melhor ainda.

O segredo

O segredo vai ser a alma do negócio, o que não se conhece não pode ser deitado abaixo. 

terça-feira, maio 05, 2026

Testes

Acredito muito em energia e acredito em predestinação. Acredito que existe um caminho que temos de percorrer e que a nós é deixado o livre arbítrio de como o percorrer. Apenas podemos decidir como vamos fazer o caminho que temos de fazer. Não há outro. Podemos não cumprir esse caminho, esse potencial de ação, e teremos de voltar para o percorrer numa outra vida quem sabe.

Às vezes tenho a sensação de que estou a ser testado, mas os testes são enganadores ou o nosso ego é enganador e (como não sabe viver com a paz) prega partidas, essa falsa sensação de perigo para que seja sempre necessário.  Há muitos anos anos que não me sentia tão conectado e tão consciente da vida, da forma como me relaciono com as pessoas e as coisas, mas ao mesmo tempo questiono-me. Estou como Sócrates "só sei que nada sei". A maior expansão da consciência leva-nos a perceber como muitas linhas são ténues e que as certezas (muitas vezes) são vãs e que olhando melhor, ou olhando menos até perceberíamos tudo o que há para perceber. 

A dúvida permanece. Estarei a fazer bem, estarei a fazer mal? Estarei a agir como deveria, estarei fora de pé? O único conforto que posso encontrar é o desapego, não temer a perda, não me importar de ficar com nada, porque o nada somos sempre (pelo menos) nós. Tenho estado a ser arduamente testado nestas últimas semanas e fiz a minha paz com a perda ou com o desapego, porque há sempre algo por vir e a impermanência da vida tem também um lado positivo. Perder também é ser leve. Como escreveu Christian Bobin:

É preciso muito tempo para nos tornarmos jovens.
É preciso perder muita coisa
para ganhar a leveza de uma pétala de rosa
que cai sem fazer barulho.

Erro/acerto

O erro é tão necessário como o acerto. Uma sucessão de acertos é fundamental para nos dar força, mas no ato de redirecionar a vida, são os erros que nos fazem avaliar como e porquê nos desviamos da rota boa. 

Perto

 Eu quero ficar perto de tudo o que acho certo, até ao dia em que eu mudar de opinião.

Clareou


Clareou - Malu

A vida é pra quem sabe viver
Procure aprender a arte
Pra quando apanhar não se abater
Ganhar e perder faz parte
Levante a cabeça amigo a vida não é tão ruim
Um dia a gente perde mas nem sempre o jogo é assim
Pra tudo tem um jeito, e se não teve jeito
Ainda não chegou ao fim

Mantenha a fé na crença se a ciência não curar
Pois se não tem remédio então remediado está
Já é um vencedor quem sabe a dor de uma derrota enfrentar
E a quem Deus prometeu nunca faltou
Na hora certa o bom Deus dará

Deus é maior, maior é Deus
E quem tá com ele nunca está só
O que seria do mundo sem ele
Deus é maior, maior é Deus
E quem tá com ele nunca está só
O que seria do mundo sem ele

Chega de chorar
Você já sofreu demais agora chega
Chega de achar que tudo se acabou
Pode a dor uma noite durar
Mas um novo dia sempre vai raiar
E quando menos esperar clareou

Clareou, ooh, ooh, ooh (clareou, clareou)
Clareou, ooh, ooh, ooh


segunda-feira, maio 04, 2026

Poesia de Christian Bobin

O que se sabe de alguém, 
sabe-se apenas por amor. 
O resto são notas de rodapé, 
folhas secas que estalam sob os passos 
e que o vento varre ao fim do dia.

Interrogação

Querer que alguém seja a melhor versão de si, num tempo que não é o seu, não é ser tóxico? Mesmo quando se fala em mudar alguém para algo que a pessoa gostaria muito de ser (e quer ser). Assim de repente, acho que não é muito saudável apesar das boas intenções. E defino tóxico como tudo o que proporcionar um desiquilíbrio emocional da pessoa.  

Bridgerton Party

A minha prima fez 29 anos e, como sempre, fomos convidados para uma festa temática. Desta vez foi um baile "Bridgerton themed" que resultou lindamente. Achei que era engraçado fazer algo adaptado e usei um espartilho por cima da camisa e gostei do efeito. Mais uma recordação para o baú de memórias. 

quarta-feira, abril 29, 2026

A poesia de Juan Vicente Piqueras

Que a vida era isto,
este silêncio breve entre dois ruídos,
este cansaço doce de ter sido,
de ter estado, de ter amado tanto.
Este saber que o fogo não se apaga,
que se transforma em cinza para ser
a memória da chama.

terça-feira, abril 28, 2026

A poesia de Ana Martins Marques

O que dizes não é o que eu escuto. 
Entre a tua boca e o meu ouvido 
há um país inteiro 
com os seus costumes 
a sua língua própria 
e as suas fronteiras terrivelmente vigiadas. 

Ouvi hoje depois de muito tempo


In this shirt - The Irrepressibles

Investimentos

«Não invistas em alguém com base no quanto gostas dessa pessoa; investe naquele que investe em ti. Investe em alguém com base no quanto essa pessoa investe em ti. Se fizéssemos isso, poupar-nos-íamos a 80% de todas as desilusões que alguma vez iremos experienciar nas nossas vidas.» 

Matthew Hussey

segunda-feira, abril 27, 2026

Limão

Finalmente está tudo bem com ele. Parou de perder peso e está de novo tranquilo. Nada que um pouco de atenção redobrada e amor não resolva. Mais perfeito que isto, só se o amor impedisse que ele mudasse de pelo (a casa está o terror).

50/50

Estar dividido entre duas coisas que se querem muito quando a escolha é mutuamente exclusiva pode ser causa de muita ansiedade, mas fazer uma escolha difícil não tem de ser uma coisa má. Na realidade, estar preparado para não ter nenhuma das coisas é a melhor proteção contra o nervosismo da escolha. Se o ponto de partida é bom, não ir a lado nenhum não é mau. E o ponto de partida é bom.

sexta-feira, abril 24, 2026

Catarina Furtado sobre o caso "Cristina Ferreira e violação múltipla"

Achei o comentário da Catarina Furtado em relação ao caso "Cristina Ferreira" relevante e ponderado, colocando "em conta" o que deve ser tido em conta. É uma reflexão limpa sobre o que significa a responsabilidade de ser uma figura pública e ter poder de influência e um papel social. Não é de todo um ataque o que lhe dá uma força extraordinária. No post que fiz antes sobre este assunto não expus o texto e achei que seria bom ser lido por quem tiver interesse.

Vivemos num mundo onde podemos discordar, mas não podemos atacar gratuitamente as pessoas, podemos expressar a nossa opinião (ao próprio até) mas com educação e civismo. Eu acho - de facto - a Cristina Ferreira uma pessoa machista (acontece culturalmente a muitos em Portugal), mas não irei para as redes dela ofendê-la com insultos. Porque não se trata dela, mas sim do pensamento que ela veicula. 

Há sim o problema da Cristina achar que é, efetivamente, sobre ela, não conseguindo sair do registo narcísico do ataque pessoal e não pedindo desculpas porque não quer assumir a responsabilidade social associada ao seu mediatismo. As pessoas públicas que erram publicamente, que magoam ou lesam ou prejudicam (mesmo inadvertidamente) pedem desculpas. As pessoas que não o fazem apenas por prepotência de assumir que não erram (e estão numa posição de poder influenciar milhares) estão a propagar um modo de pensar, e neste caso a contribuir para um modus operandi social que lesa as mulheres. 

O texto integral:

Partilho hoje a minha opinião, dias depois da polémica, por sentir que não devia reagir a quente a algo que me provoca reações muito acesas. Faço-o, criticando fortemente todo o tipo de insultos gratuitos que se soltam em momentos destes, possibilitados pelo alcance das redes sociais e por uma necessidade estranha e cobarde de quem se quer 'vingar' do mundo dizendo apenas mal e que em nada contribui para a reflexão. Faço-o, sem nenhuma ponta de ódio, mas por vários motivos.

A frase que motivou a indignação coletiva e milhares de queixas na ERC, foi dita por uma colega que tem a mesma profissão que eu, Cristina Ferreira. Embora com estilos, posturas e escolhas profissionais distintas, partilhamos a responsabilidade de ter um microfone aberto para milhões de pessoas. E eu sei o que é ter muita exposição (para o bom e para o mau), mas também sei o que para mim representa essa responsabilidade, que implica uma gestão entre o conteúdo do que estamos a apresentar e uma dose inequívoca de bagagem pessoal que cada comunicador traz: o seu pensar.

Errar em direto acontece, já errei muitas vezes. Pedir desculpa e tentar fazer melhor é sempre uma opção, para a pessoa, para a estação. Mas o que considero importante sublinhar é que o que foi dito (e outras frases do mesmo género em situações diferentes ao longo dos anos) veio de um lugar onde não existe de facto a noção do impacto absolutamente nocivo que pode ter a formulação de uma pergunta. Não é intencional, é estrutural. Há uma postura machista que é abraçada por muitas mulheres, que se dizem não feministas, e é de facto grave quando esse discurso é normalizado, porque isso contribui e muito para a banalização do crime, da violência, da desigualdade de género, e em última instância, da misoginia que grassa na chamada manosfera (machosfera).

Comentar assuntos seríssimos de cidadania e direitos humanos exige preparação, leitura de informação fidedigna e verificação de estudos. Há mais de 25 anos que me debruço sobre estas matérias que nos dizem respeito a todos e a todas nós, que implicam um exercício diário do questionamento, quer como Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações para a População quer como fundadora da associação Corações Com Coroa. Foram já centenas as histórias reais que ouvi e documentei de raparigas e mulheres cujos direitos são permanentemente silenciados, negligenciados, esquecidos, pisados, violados. A violência com base no género não começa a falhar às mulheres no dia da agressão. Começa a falhar-lhes muito antes.

Vou muitas vezes falar a escolas e vejo que as meninas continuam mais desprotegidas. Sinto na forma como os rapazes normalizam os seus comportamentos que evidenciam retrocessos gigantes e dos quais não têm sequer consciência. Todos temos responsabilidades nisso e os comunicadores e os meios de comunicação social têm a sua quota-parte. Frases públicas ambíguas sobre violência não são só frases infelizes. A linguagem abre espaço, branqueia, legitima, normaliza, e os rapazes deixam de ouvir e de conhecer os limites e desta forma paralisam o crescimento que permite uma sociedade mais igualitária. Os estudos são claros e mostram como a nova geração está recheada de rapazes mais misóginos com ideias arcaicas sobre o papel das mulheres"

As culturas digitais reacionárias e patriarcais estão a construir novas gerações que promovem ideias distorcidas sobre intimidade, consentimento, prazer mútuo, igualdade e liberdade. É por isso ainda mais perigoso que, quando se assiste a um episódio desta natureza, grave, ainda exista quem discuta a forma, o contexto, a interpretação, em vez de se defender com clareza que toda uma sociedade está a sair prejudicada. Na chamada 'vida real' o que testemunho é que as meninas andam cada vez com mais medo e não se 'põem a jeito' quando estão apenas a viver os seus direitos, dizendo SIM ou NÃO quando lhes apetece, esperando respeito. O que está aqui em causa é um exercício de justiça social e o que aconteceu foi um tremendo beliscão à civilização, porque teve um grande alcance. A relativização da violência deve ser sempre confrontada.

Defender a vítima significa garantir que o crime não deve ser nunca normalizado através de uma retórica descuidada ou de falsas equivalências. É preciso ter consciência, empatia e curiosidade, quando se fala sobre a vida dos outros, não deixar que o discurso dos reality shows (que já contribuem também e tanto, infelizmente, para a normalização de comportamentos tóxicos e de manipulação), contamine tudo, alimentando convicções destorcidas do que significa consentimento e empoderamento feminino. A influência negativa de um caso vai muito além do erro de uma pessoa só, por mais influente e mediática que seja: tem o nome das centenas de raparigas e mulheres que sofrem todos os dias. Sei que muitas mulheres pensam assim e essa aparente contradição também me preocupa muito. São sinais culturais, mas a solidariedade deve estar, sem hesitação, do lado de quem viveu abusos inqualificáveis.

Também por isso, a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento é absolutamente essencial (bem ensinada), para combater o que estamos a viver, pelo menos, a pensar com esperança nos próximos anos. Tenho um filho e uma filha, já maiores de idade. Ponho as minhas mãos no fogo de como o meu filho nunca será um agressor porque eu, o pai e o resto da família sempre o educámos como feminista, com tudo o que isso implica de valores. Mas em relação à minha filha, tenho muito medo de que alguma vez, e não por 'descuido' dela, possa vir a ser uma vítima. Tremo só de pensar nisso e também por ela decidi escrever este longo texto",

A violação é desde 2025 um crime público, o que significa que não depende de queixa da vítima. É punida com uma pena de prisão de um a seis anos, que pode ser agravada para três a dez anos. É pouco e continuamos a ver penas suspensas e outras decisões que parecem ignorar o trauma eterno que provoca nas vítimas, a quem prefiro chamar sobreviventes. Quando o são. 

(P.S: Gostava muito que esta minha reflexão, que vem de um sentido de coerência também em relação à minha missão de vida, não fosse erradamente, de forma simplista, irresponsável e inconsequente, interpretada como um ataque pessoal a uma colega de profissão porque, honestamente, não é mesmo. Quero apenas contribuir construtivamente para uma mudança de mentalidades, também no meu meio profissional).





Coisas que eu sei

Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia.
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia.
Agora eu sei.

*Dudu Falcão*

Pra gente Acordar


Pra gente acordar - Gilsons

quarta-feira, abril 22, 2026

Já dizia a Susan Hyatt

Expose ageist bullshit.
Be ungovernable. Age offensively.

Cristina Ferreira em entrevista

Que entrevista mais desapontante. Ser uma mulher machista é assim. A Catarina Furtado fez uma reflexão bastante sensata sobre a irresponsabilidade da abordagem da Cristina Ferreira à questão da violação múltipla, apresentada no programa Dois às 10. 

A sensatez e a dignidade de pessoa pública pediam um pedido de desculpa. A arrogância do pequeno poder é o que se viu.

segunda-feira, abril 20, 2026

Opinião de Miguel Copetto no Jornal Expresso - muito interessante.

 



A ler aqui

Pessoas cansativas

Quase toda a gente sabe o que são, aquelas pessoas que parecem um zumbido, só damos por elas porque são incomodativas, tipo um mosquito que entra no quarto ou aqueles chihuahuas da vizinha que ladram irritantemente sempre que entramos ou saímos de casa - que não têm existência para lá de serem cansativos e incómodos. 

Tenho o azar de me ter saído um mosquito na rifa. Um blogger que há uns bons anos vi presencialmente 20 min - e a quem apenas disse boa noite - tem uma estranha obsessão por mim. Odeia-me, aparentemente, mas vem ler tudo o escrevo e comentar quase tudo o que escrevo (e claro está, sempre com comentários desagradáveis e cheios de fel que não publico). Transcende-me completamente este comportamento - que me parece oposto ao de uma pessoa que tem uma vida ativa, feliz e ocupada. 

Esta pessoa não me conhece de lado nenhum, mas acha que sim - possuindo apenas a informação que possuem as restantes pessoas que leem o Silvestre. Duvido que alguém que me lê ache que me conhece realmente (tirando aqueles que convivem comigo na "vida real"). Quem me lê pode apenas identificar-se mais ou menos com o escrevo e transmito, mas é isso. Quem não se identifica deixa de me ler, a menos que tenha um "crush" adolescente, porque o contrário do paixão não é o ódio, mas a indiferença. Se não se trata de um "crush", o assédio constante a outra pessoa é apenas da ordem da perturbação e/ou da maldade.

Há muito tempo que não publico nenhum comentário desse blogger (até cheguei a fazer um post sobre ele a dizer-lhe, claramente, que este blogue não tolerava aquele tipo de linguagem e de comportamento), mas ele não desarma, continua a mandar os seus comentários incessantemente e é somente chato enfadonho e cansativo. Consta-me (por terceiros, uma vez que não o leio há muito muito tempo) que inventa, também, mentiras e destila veneno, o que o torna ainda mais cansativo e enfadonho aos meus olhos.

Hoje ele vai ficar feliz porque lhe estou a dar palco, mas resolvi escrever sobre isto porque ele comentou o meu último post duas vezes, como que a comentar os comentários que publiquei no dito post. Achei isto tão, mas tão estranho que resolvi escrever o meu estado de alma sobre o assunto; é este o nível do que se passa naquela cabeça. 

Isto é um blogue, já quase ninguém lê blogues. Eu continuo a usar esta ferramenta, porque é uma maneira fácil de guardar reflexões, pensamentos aleatórios e notas sobre coisas que vi e/ou gostei. São notas da minha vida pessoal, primariamente para o meu uso pessoal e recordatório. Se algumas das coisas postadas acrescentam algo a alguém - ótimo; se não acrescentam é só insano seguir uma pessoa para assediá-la. Ele devia deixar de ler o meu blogue, como eu deixei de ler o dele quando passei a achar que ele não era o tipo pessoa que tenha valores que admiro. As pessoas deviam saber mais sobre retirar-se com dignidade em vez de insistirem em ser enjoativas. O assédio não vai parar.

quarta-feira, abril 15, 2026

O que ficou.

A minha última relação foi muito intensa. Foi a pessoa de quem mais gostei e aprendi uma coisa altamente significativa: quero muito ser gostado como gostei dele. Deixei de procurar um grande amor, aliás, acho que perdi a capacidade de me dar em total vulnerabilidade e tenho isso a agradecer a esta última aprendizagem. Não perdi a capacidade de me dar e de cuidar de alguém e de ser muito bom para quem me respeite, mas perdi a capacidade de me diluir na ideia de felicidade do outro. Estou muito mais duro e, por isso, mais inacessível. Poderia ser uma pena, mas não é. Atingi um nível muito grande de satisfação com a vida e com aquilo que tenho sozinho. Só posso ser acrescentado, a partir daqui. E se não me acrescenta, não tem lugar na minha vida, porque o resto já tenho, a completude. Sei que, no futuro, já não sofrerei em mim ou por mim. Não me falta nada. Onde não há faltas não há fome, onde não há fome não há insaciedade incontrolável. Posso crescer muito ainda, ser muito mais com alguém que, contudo, nunca me fará sentir vazio na eventualidade de se tornar ausente. A minha casa é de pedra, sólida e íntegra. Pode ficar mais bonita com novos pisos e anexos, mas desfeitas as configurações adicionais, será sempre a casa íntegra. Todo o conforto de que preciso. O que preciso tenho. Tudo o que puder ter a mais é bem vindo, mas não é necessidade. 

A poesia de Hai Zi

Eu sou um poço escavado pelos meus antepassados
para a sua descendência.
Todo o sofrimento
provém das minhas águas escuras e secretas.

terça-feira, abril 14, 2026

Cabeça feita

A teimosia é o pior dos meus defeitos. Mas, às vezes, não fosse a minha teimosia e eu capitularia perante pensamentos intrusivos. Mas (ainda) escolho o que deixo que me incomode mais profundamente. 

segunda-feira, abril 13, 2026

No teu pescoço



No teu pescoço - Bruna Magalhães & Rubel

Excesso

Apanhei este fim de semana uma das maiores bebedeiras da minha vida. Tenho um amigo que é um perigo, quando estamos juntos eu acabo sempre algo alcoolizado. Mas desta vez, porque não estou habituado a beber, porque sangria parece mais um refresco que outra coisa e porque o jantar durou imenso, acabei completamente KO. Passei o sábado com uma enorme dor de cabeça que era algo que nunca me tinha acontecido antes - ressaca.

sexta-feira, abril 10, 2026

O momento mais temido do ano

O Limão começou a mudar o pelo. Agora vou andar a comer pelo 6 meses e só sossego em outubro. 

A poesia de Myriam Soufy

«Uma valsa a dois tempos é muito mais inquietante».​​
Levou-me tempo a sacudir os anos,​​
a reinventar-me um passado​​, 
um passado em que tivessem sabido amar-me​​. 
Levou-me tempo a deixar de chorar, 
a ver as estrelas florescerem quando me fazes dançar. 
Não olhes mais para as minhas mãos estragadas. 
Deixa ao tempo a liberdade de nos cantar.

quarta-feira, abril 08, 2026

(im)perfeita mente

"Eu não sou responsável pelo bem-estar dos outros, a tristeza faz parte da vida, eu não posso salvar os outros (...) eu acredito que - se for uma relação saudável - não é a imposição de limites que vai estragar uma relação (...) há pessoas que entram em pânico de serem abandonadas, rejeitadas, de perderem aquela relação. Mas então essa relação não é segura. Será que nos faz bem? Se a relação não aceita os nossos limites é um bocado por aí (...) colocar limites é das coisas mais desafiantes que existem, e não nos podemos, também, colocar em situações em que colocar aquele limite nos traz mais angústia que leveza. Não é suposto. Temos de sair desse lugar."

Hoje, ao ouvir o podcast (im)perfeita mente reconheci e revivi a luta sobre imposição de limites pela qual passei durante muito tempo e a dificuldade que tive em estabelecê-los e em transformar-me num espaço com fronteiras definidas e legislação própria que tem de ser respeitada. A imposição de limites é uma questão basilar na saúde mental de cada um. 

terça-feira, abril 07, 2026

Lisboa



Lisboa - ANAVITÓRIA & Lenine

segunda-feira, abril 06, 2026

Ainda sobre a Páscoa

Alguém me mandou - do Minho - um pacote de amêndoas de licor. Achei um gesto bonito e inesperado que muito agradeci. 

Project Runway

Um concurso que adoro, Project Runway, voltou; agora no Disney Channel e com a Heidi Klum a apresentar de novo. O processo criativo é realmente algo de extraordinário. A vencedora da Season 21 não me convenceu, mas se quem percebe de moda a elegeu como vencedora, é porque está correto. 

Páscoa

Sobrevivi ao almoço de domingo de Páscoa feito pela mãe que, sendo um almoço festivo, tem sempre 4 entradas e 4 sobremesas e é um perigo para pessoas que sofrem de gula, como eu. Foi feliz e não tive apetite para jantar porque ainda estava cheio. 

quarta-feira, abril 01, 2026

Alice Merton


No roots - Alice Merton

Amizades

Costumo dizer que estou sempre disponível e aberto a conhecer novas pessoas, acho sempre que um novo amigo poderá estar ao virar da esquina (potencialmente). Amizades nunca são demais, mas qual o tempo útil e de qualidade que temos para dedicar aos nossos amigos? Quando estive menos bem mentalmente fiquei com a sensação de que estava sozinho e isolado, mas isso é a doença a levar a melhor sobre mim (quando ela se instala rouba-me "a voz", fala por mim, não sou exatamente eu). A realidade é que tenho muitos amigos e não falo de conhecidos, falo mesmo de amigos, pessoas que são lugares seguros para ser vulnerável e dizer o que vai realmente na alma. Sempre ouvi dizer que quando quisermos ter uma noção clara da nossa vida devemos fazer anotações em papel sobre o tema em questão e depois analisar o que está escrito. No outro dia fiz isso, coloquei no papel as relações realmente importantes que mantenho e fiquei verdadeiramente surpreendido por não ter a noção de que era tanta gente. 

Desde julho do ano passado que comecei a reformular o meu modo de pensar, a minha tipologia de valores. Não obstante, os últimos 5 meses foram essenciais para chegar a um nível de clareza que penso nunca ter tido e um nível de solidez analítica que só fará bem ao meu futuro (como tem feito no presente). A realidade é que não preciso de mais nada, embora aberto a acréscimos, tenho tudo aquilo de que necessito, não existem faltas, nem falhas. Estou completo e tenho um "edifício" cheio de amigos verdadeiros - o que não vou voltar a esquecer. Não preciso mais nada do que aquilo que tenho. Não ando à procura de ter aquilo que quero, porque quero aquilo que tenho e que é imenso. Quando existe foco, tudo muda. A lente com que vemos o mundo é a única coisa que importa.

terça-feira, março 31, 2026

Poesia de Charlotte Van den Broeck

Os edifícios inclinam-se
como se pedissem desculpa
por não suportarem
o peso das histórias que lhes confiámos.