sexta-feira, setembro 25, 2026

Forte da Casa

 Foi onde encontrei a minha casa 💚.

Nos últimos 3 anos

 


Mercy: prova de culpa

Este filme surpreendeu-me. A história decorre na cidade de Los Angeles dominada pelo crime no ano de 2029. O sistema judicial passou (dois anos antes) a ser totalmente gerado e controlado por uma Inteligência Artificial avançada chamada Mercy. Esta IA dita sentenças com base em algoritmos e num acesso total a dados digitais. A história começa com o criador da Mercy a ser julgado pelo crime da sua mulher e tem apenas 90 minutos - com base no acesso total a dados digitais - para apresentar a sua defesa como inocente ou é morto. 

A narrativa funciona como um espelho hiperbólico das ansiedades atuais sobre a tecnologia, a  automatização e a perda do controlo humano. Em vez de focar apenas em robôs físicos ou explosões, o suspense centra-se num debate filosófico e jurídico contra um algoritmo invisível e acrescenta um dado: a possível humanização da máquina. A Rebecca Fergusson está mesmo muito bem como Mercy.

16/20

Avatar - Fogo e cinzas

O primeiro filme é belíssimo. Devia ter-se ficado por ali se não havia muito mais a dizer. Acho que os tomos seguintes se limitaram a retirar a magia da história e oferecer muitos efeitos especiais. O filme que encerra a saga é um pouco melhor que o segundo, mas mesmo assim é muito inferior ao primeiro.

13/20

Michael

Pode ter tipo a maior sucesso de sempre no génewro biopic musical, mas é mesmo mauzinho, ao nível do telefilme de baixo orçamento. A história já toda a gente conhece.

7/20

Backrooms - o labirinto

Adoraria ter gostado muito deste filme, mas não gostei pouco. A ideia poderia ter sido explorada (mesmo que de forma macabra) como o que foi feito em «Being John Malkovich». Achei atabalhoado.

10/20

Mother Mary

Pensava que este filme seria mais comercial do que na realidade é. MOther Mary gravita entre o thriller psicológico e o exorcismo de um amor que se rompeu (gerando um ódio tão forte que se tornou físico na forma de um fantasma). O filme é bastante denso e poético. Há partes que talvez manifestem uma enorme pretensão disso mesmo, razão pela qual a narritiva - em momentos - se torne dificil de seguir.

16/20

Hamnet

Não sei o que posso dizer a respeito deste filme para além de que é belíssimo, de uma sensibilidade maravilhosa, e que a interpretação da Jessie Buckley é absolutamente magistral.

19/20

Balanço

Cerca de um ano após o término da minha ex-relação o balanço que faço é, na mesma, de um enorme agradecimento por ter sido levado ao limite. Sabendo que é um lugar comum, ser reduzido a pedaços significa poder construir tudo de novo, erigir um novo edifício e desta vez com muito cuidado e propósito. Encontrei a minha casa, a minha família, o sentido para uma existência com significado e paz. O que não importa, fica de fora, e a vida segue sem o receio de perder. A vida - em si - mostra que um dia perdemos e outro ganhamos. Por isso nunca nada é o fim, se quisermos o que está à frente, há sempre algo pelo qual vale a pena continuar. No caminho, manter o nosso contexto limpo, com pessoas de boa índole que nos fazem estar na mesma vibração.
  

quarta-feira, setembro 23, 2026

Palestina Livre

Já tinha baixado os braços a este respeito, recusava-me a ver notícias sobre por não conseguir coexistir com o genocídio que por lá passa e virei as costas numa estratégia de evitação que me protegia de alguma forma perante a angústia que a minha impotência perante esta situação fomenta. 

Acontece porém, que depois de ouvir o Macklemore no concerto do Ed Sheeran senti-me bastante cobarde por ter deixado de ser uma voz no mar de vozes que quer ver assumida a responsabilidade criminosa de Israel. Não mais me calei e não me vou calar. 

As vozes que se calam deixam de ser um mar para se tornarem um lago. O Macklemore mostrou que o lago pode ser mar de novo e posteriormente oceano e, oxalá, um tsunami que varra o nazismo de Israel do mapa. Achei muito encorajador a quantidade de judeus que explica que o que se passa ali é nazismo puro, e que o sionismo não é ser judeu. O judaísmo é uma religião de paz, na realidade todas são. Depois temos cristãos de merda, muçulmanos de merda, judeus de merda e por aí fora. Mas o povo judeu, o povo cristão, hindu, muçulmano, nada tem a ver com as pessoas de merda que nele existem e que é uma desgraça quando chegam ao poder e usam a palavra de Deus em vão para a obtenção dos seus propósitos.

Mais pessoas têm de falar e de ilucidar sobre o que tem sido a história da Palestina desde há 130 anos, para que as restantes deixem de ser racistas, porque de todas as agressões que se passaram no mundo, apenas os Ucranianos receberam auxílio, porque são brancos. Mas importa sobretudo que Israel seja responsabilizado pela genocídio de um povo, do qual quer tomar o terrítório. Qualquer pessoa que esteja de acordo com isto, devia ter muita vergonha. O Holocausto foi isto mesmo.  Por isso, desejo do fundo do coração ver a Palestina livre um dia, e vou continuar a ser uma voz a ilucidar sobre o porquê.

Amor

Se estamos cheios dele, a vida está cheia dele. 

Eduardo Kobra

Descobri hoje este artista de grafitti que achei extraordinário. O trabalho dele que conjuga o grafitti tradiciona com o muralismo. Originário de São Paulo, tornou-se um referência mundial da arte urbana contemporânea ao pintar mais de 3 000 murais nos cinco continentes. Adoro a energia que resulta da combinação de retratos hiper-realistas com padrões geométricos vibrantes e coloridos, prismas e desenhos em xadrez. A voz da arte nunca poderá ser silenciada. 



terça-feira, setembro 22, 2026

Uma família surreal - Hugo Van der Ding

Achei muito interessante contar a história da monarquia portuguesa com humor. Não é uma novidade em termos de estilo porque já todos conhecemos o tipo de humor do autor e, por tanto, não surpreende. No entanto, é completamente uma leitura muito agradável e em dados momentos faz rir bastante. 

15/20

Um cão no meio do caminho - Isabela Figueiredo

Este romance de Isabela Figueiredo, conta a história de um homem e de uma mulher (vizinhos) que sofrem, cada um da sua forma, de solidão. A solidão de cada um é diferente, e aconteceu em virtude de incidentes traumáticos que os abalroaram durante a vida. Mas nenhum assume o mal de que padece, até a sua interação acaba por alterar os seus quotidianos para sempre.

Não foi um livro fácil para mim, porque os saltos entre histórias e personagens não foi muito bem conseguido (na minha opinião, que vale o que vale). O final é bastante interessante e foi a única altura em que consegui "sentir" o livro.

13/20 

O rio que me corta por dentro - Raul Damasceno

O primeiro romance do auto Raul Damasceno tocou-me profundamente. Já percebi que gosto muito de livros que tenham como personagens arquétipos do sertão brasileiro, normalmente pessoas com pouca escolaridade, rudes, mas com emoções pura e genuínas seja no melhor ou no pior.

Este romance tem como herói um rapaz que vive com os avós numa povoação pequena, onde a vida é dura. A mãe trabalha na cidade (em Fortaleza) e vem uma vez por ano visitar, trazendo presentes e o amor que cura a saudade que Cícero acumula durante o ano. Um ano a mãe de Cícero não volta e os anos passam com Cícero e o seu amigo de  infância - Luzimar - a fazerem-se homens que têm de assumir a dureza da terra. Mas nesse processo também nasce o amor entre eles um dos tantos segredos que o rio guarda. 

Gostei muito dos personagens todos, a escrita é muito invocativa da energia de cada um. Foi uma muito agradável surpresa.

18/20

Encontrar-me - Viola Davis


A autobiografia da atriz Viola Davis é um documento belíssimo que ilustra a força extraordinária de quem não quer viver mais na pobreza extrema e quem tem de aprender a sobreviver e a integrar o abuso na sua narrativa de vida, sem que isso a destrua. É também um excelente ensaio sobre família e racismo nos EUA. Por ser uma autobiografia a escrita é bastante honesta e crua, o que valoriza imenso todo o texto. 

17/20


Véspera - Carla Madeira

Era o único romance da autora que me faltava ler e talvez o mais famoso - por isso quis deixar passar um certo tempo para me distanciar dos outros. Este livro fala de uma mulher no limite da sua  existência, traumatizada por um casamento destroçado, decide, num acesso de descontrolo mental, deixa o filho de 5 anos no passeio e arranca com o carro. Assim que o faz arrepende-se e volta atrás ao local onde o tinha deixado, mas ele desapareceu.  A partir daí a história explora o que faz alguém chegar ao limite e a resposta não estar na pessoa em si, mas num passado familiar de medos, sombras, vícios e comportamentos manipuladores e controladores. É muito intenso e muito explícito ao nível das emoções que atestam que a Carla Madeira é uma brilhante contadora de histórias.

16/20

Ainda bem que a minha mãe morreu - Jennette

Ainda Bem que a Minha Mãe Morreu" é um livro de memórias em que Jennette McCurdy (ex-atriz e cantora americana, conhecida principalmente pela série iCarly do canal Nickelodeon) narra sua infância e adolescência sob a influência de uma mãe abusiva e controladora, explorando trauma, superação e independência. O livro é um testemunho muito duro e perturbador de como a sua mãe na vida e na morte acabou por impactar a sua vida emocional e profissional, assim como a sua sanidade mental.

16/20

Aleluia - Bruno Vieira do Amaral

Não sabia que era um livro com base em entrevistas empíricas sobre as igrejas cristãs de teor evangélico, mas li com gosto. Aborda com muito tacto a questão da religião e da fé. O livro acaba por mostrar como a organização da fé em igrejas, mais tarde o mais cedo acaba por corromper os seus princípios básicos com comportamentos incompatíveis com o que a "palavra de Deus" advoga. No fundo, todas estas igrejas cristãs (maiores ou mais pequenas, mais ou sérias ou menos sérias) acabam por sofrer os problemas sobejamente conhecidos das grandes religiões monoteístas.  A fé é o mais importante e existem essas pessoas de fé e existem essas pessoas com valores que celebram a vida e o amor ao próximo. Creio que o livro reabilita a fé e mostra que qualquer igreja organizada é um desastre pronto a acontecer.  

15/20

A vida que ninguém vê - Eliane Brum


A Eliane Brum é a autora de um dos livro mais bem escritos que li até hoje "Uma Duas" (sobre a relação tóxica entre uma mãe e uma filha e que foi o seu primeiro romance. Antes disso, Eliane Brum escreveu vários livros de crónicas sobre pessoas reais, aquelas que ninguém vê mas que estão diariamente no nosso quotidiano. O livro é bem intencionado e as crónicas bem escritas, mas ler de seguida o que foi feito para ser uma coluna semanal de um jornal tem, em certos momentos, um efeito repetitivo que torna o livro menos agradável à leitura. Não obstante há crónicas muito bonitas.

14/20




Nadar no Escuro - Tomasz Jedrowski

Resolvi este livro porque foi uma das escolhas da Dua Lipa para o seu clube de leitura. Em traços rápidos o livro trata de um romance que nasce entre dois rapazes na polónia dos anos 80, ainda sob o braço forte do comunismo, da escassez e da corrupção. É uma espécie de "coming of age" que supostamente trataria da embriaguez do amor de forma lírica e sensual. Acontece porém que não me tocou. Não achei assim tão lírico nem sensual, há algum interessa na forma como está enquadrada a falta de liberdade e a censura das sociedades comunistas do pós-guerra. Não consegui "sentir no corpo" a narrativa, que se tornou quase académica para mim. 

12/20

Indonésia

Não era um destino de eleição, mas dada a altura do ano e o facto de muitos destinos tropicais estarem em época de chuvas ou furacões, a Indonésia foi colocadas no mapa. Que bom que assim foi. A história religiosa, a mistura única de religião animista, budista, hindu e muçulmana deu uma textura muito particular aos lugares espirituais.  Foi também onde tive a minha primeira experiência de snorkel e de Quad. Nadar com tartarugas no seu habitat natural foi uma sensação maravilhosa e fazer Quad no meio da selva, arrozais e cascatas foi uma forma muito particular de sentir o local. A natureza, os templos e a paz que se viveu por lá vão ficar para sempre na minha memória. Tenho de agradecer ao meu parceiro de viagem que organizou tudo com esmero. Yogyakarta, Bali, ilhas Gili, Nusa Penida e Lombok valeram cada momento destes 17 dias e cada centavo. 

sábado, setembro 05, 2026

No outro lado do mundo

A diferença é gritante. A vontade é muita. A natureza ajuda. 

Dia 2 de Setembro

Foi uma bonita noite na aldeia, deitado sob a luz das estrelas a aprender sobre as constelações. O calor humano é o melhor dos calores em noites estreladas.