Para mim foi um exercício intelectualmente desonesto, por parte dos duques, e uma abordagem demasiado americana (centrada na cultura da celebridade), por parte da Oprah. Houve muitas pontas soltas e expressões ensaiadas, comentários deliberados (reiterados em momentos chave para manipular a simpatia do expectador para com a duquesa).
Outros aspetos que não somos obrigados a saber (eu não sabia) remetem às leis de atribuição de títulos. O filho dos duques não recebeu título real. A Meghan tenta puxar a carta do racismo mas, por lei, nenhum bisneto da rainha recebe título e o Archie é bisneto.
Os filhos da Princesa Ana não tiveram direito a títulos reais (porque o título passa por via paterna) e o pai deles era um Capitão. Mas são na mesma membros da família real e cresceram em segurança sem ter a segurança paga (que protege a linha direta de sucessão ao trono, da qual Harry já não faz parte porque o irmão teve filhos).
Não gostei do discurso inquinado da Duquesa e do Duque. E, no caso, não se pode ter o melhor dos dois mundos. As altezas reais têm deveres e é uma vida dura. Não sou exatamente um fã da monarquia, mas reconheço sentido de dever e de Estado quando o vejo, e olhando para a Rainha Isabel II, vejo imenso.
As instituições são o que são, têm as suas regras e processos internos. A monarquia é o que é e pode modernizar até um certo limite, ou deixa de ser o que é. Quem entra, tem de saber as regras e estar disposto a jogar com elas. Ou não entra.
Um pouco em analogia livre, se queremos que uma casa de fados toque bossa nova, deixa de ser uma casa de fados. E se eles querem manter a tradição, ali só canta quem é fadista (mesmo que mais moderno).
