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quarta-feira, abril 08, 2026

(im)perfeita mente

"Eu não sou responsável pelo bem-estar dos outros, a tristeza faz parte da vida, eu não posso salvar os outros (...) eu acredito que - se for uma relação saudável - não é a imposição de limites que vai estragar uma relação (...) há pessoas que entram em pânico de serem abandonadas, rejeitadas, de perderem aquela relação. Mas então essa relação não é segura. Será que nos faz bem? Se a relação não aceita os nossos limites é um bocado por aí (...) colocar limites é das coisas mais desafiantes que existem, e não nos podemos, também, colocar em situações em que colocar aquele limite nos traz mais angústia que leveza. Não é suposto. Temos de sair desse lugar."

Hoje, ao ouvir o podcast (im)perfeita mente reconheci e revivi a luta sobre imposição de limites pela qual passei durante muito tempo e a dificuldade que tive em estabelecê-los e em transformar-me num espaço com fronteiras definidas e legislação própria que tem de ser respeitada. A imposição de limites é uma questão basilar na saúde mental de cada um. 

sábado, julho 05, 2025

Certo/incerto

Estou de novo doente. Não estava à espera, mas faz sentido. A última vez que estive doente foi em 2022. Curiosamente é a minha mãe que me dá sinal, porque me acha diferente do meu normal. Dois picos emocionais enormes um negativo e outro positivo no ano passado, depois fui sendo mesmo muito infeliz no trabalho, depois tive um novo pico negativo em março e desde aí tem sido um ioiô, semanas boas e semanas más, uma montanha russa emocional. 

Tive a felicidade de ir à médica a tempo, antes de as coisas serem piores e há várias perguntas que se impõem fazer, mas a principal é  "porque é que eu não tomo conta de mim?", depois talvez seja "porque é que eu não sei ensinar a tomar conta de mim?"

A realidade é que apenas posso confiar na médica e nas suas orientações para cuidar de mim. Gostava de dizer que é solitário, mas que eu tomo conta de mim. Seria uma mentira, se alguém anda aqui solitário a tomar conta de mim é a médica. Tem feito um trabalho estupendo em 18 anos. Ela só me pede que eu faça a minha parte do nosso acordo desde 2007 e eu volta e meia espalho-me (2012, 2020-2021, 2022), pensei que estava de novo numa linha temporal boa. Vou ter de acrescentar 2025 aos meus espalhanços e começar a contar de novo. Agora estou muito centrado em não deixar de tomar conta de mim e manter os níveis de stress emocional baixos. Mas será que vou aprender? O que é que eu aprendi em 18 anos? E aquilo que origina cada um dos espalhanços, saberei eu evitar? Alguém me vai ajudar? É tudo incerto. O único certo é a médica e a sua excelência profissional. A única coisa realmente perene em que posso confiar neste processo.

segunda-feira, setembro 20, 2021

Saúde mental

É um assunto muito importante e temos de lidar com ela sem tabus. Nunca esquecer que a nossa preservação é essencial e quando somos roubados na nossa saúde mental somos roubados de quem somos, passamos a ser outra pessoa qualquer que tomou o nosso lugar dentro do nosso corpo. Quando começamos a emergir de novo e reconhecemos a nossa voz, as nossas ideias, as nossas expressões e trejeitos característicos do corpo, a sensação é maravilhosa. Podemos ser um bocadinho egoístas às vezes porque depois de tanto tempo sem a sensação de quem somos realmente só nos concentramos nessa mesma sensação, porque só queremos sentir e sentir e sentir.  Não é por mal, é que o ar de repente é mais puro e nem nos lembramos de mais nada - apenas encher os pulmões de oxigénio.