terça-feira, novembro 06, 2012

O espelho da minha casa de banho


Este espelho na foto faz parte da minha casa de banho. Há dois anos atrás fui obrigado a "abandonar" uma relação com aquele que era o amor da minha vida (parece piroso, mas é assim que o sinto). Dois dias depois, porque estava meio em estado de choque e porque resolvi deixar de ser um herói romântico ao estilo da Disney (coisa a que estava habituado desde o início da minha vida amorosa), porque tive a oportunidade, resolvi "ser moderno" e pela primeira vez ter um 'one night stand'. Foi esquisito e diferente, uma coisa apenas sexual com alguém boa onda e já está. As expectativas eram zero e isso a uma sensação foi estupenda. Era uma situação segura. Uma pessoa de fora, residente em Espanha, terminava e acabava. Não senti nada de especial por ele, mas era divertido, conversador e enérgico. Pensei que ia para Espanha e não ouvia falar mais dele. Bom, ele também me achou divertido, conversador e enérgico. Telefonou-me. Convidou-me para ir à cidade dele no fim de semana seguinte. Fui. Foi tudo super divertido. Convidei-o para me encontrar na casa do Algarve no fim de semana posterior. Era tudo muito fácil e simples. Ríamos imenso, gostávamos de coisas idênticas, o sexo funcionava. Achei que estava a ter um caso. Uma coisa inconsequente que terminava quando assim tivesse de ser e isso era refrescante. Por ser espanhol, acho que nunca lhe dei muito crédito. Tenho este preconceito de que os espanhóis são muito volúveis (putas). Mês e meio depois disse-me que eramos 'novíos'. Eu senti um calafrio na barriga. De repente é que me caiu a ficha. Afinal tinha acabado com o Ex e estava metido noutra relação. Não tenho emenda, estou sempre metido em relações (apesar desta ser um acaso total. Não a escolhi, foi acontecendo). Admiti que éramos 'novíos' mas sempre à espera de quando é que a coisa ia quebrar. Por ser uma relação à distância, vivida aos fins-de-semana, disse para mim mesmo que isto não durava (e ele espanhol ainda por cima). Nunca tive expectativas e continuo a não ter. Mas dois anos depois tenho, pelo menos, de lhe dar crédito. Já não é tudo fácil e simples (conhecemo-nos bem demais para isso) e, às vezes, é complicado. Mas continuamos a conseguir fazer o outro sentir-se especial. No meio da confusão que às vezes se torna esta relação, há um gesto e/ou um olhar perfeitamente puro que faz tudo valer a pena. Às vezes temos vontade de dar uma marretada na cabeça um do outro. Mas isto faz sentido. E gostamos um do outro. Não somos de longe nem de perto o "estereotipo de homem ideal" do outro. Mas até que dure esta sensação de que este errado é tão certo, estamos para "as curvas". Nunca tinha falado dele aqui no blogue, sempre achei que esta relação estava a prazo e a realidade é que está, mas não sabemos a duração do mesmo. Quem sabe? A única certeza que temos é que quando nascemos começamos a morrer. Tudo o que nasce morre e ninguém passa a vida a pensar nisso. Até lá que sejam comprados muitos batons na loja do chinês só para escrever no espelho da casa de banho. O amor é eterno enquanto dura. Eu tenho-me sentido amado e ele também. Quando terminar... We'll always have Paris.

7 comentários:

Pedro disse...

É um belo sítio :P

silvestre disse...

;)

Namorado disse...

Tudo acaba é verdade :) Mas nunca sabemos quando. Então porque perdemos tempo a pensar já no fim, enquanto devíamos exclusivamente aproveitar? Quem sabe se estes dois anos não se vão multiplicar por 10? 20? Nunca se sabe. Não penses no fim. Deixa isso para depois.

silvestre disse...

Não penso, é exactamente o contrário. Não penso em nada, temos deixado acontecer e acontece há 2 anos :)

Arrakis disse...

O amor vive-se melhor assim, sem amarras...

Alex disse...

Muito... Muito interessante...

Ricardo disse...

A história é muito bonita e como eu gosto de dizer "Que seja eterno enquanto dure" :)