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segunda-feira, janeiro 04, 2010

A adopção internacional reportagem, no jornal TVI 24h

Acabei de ouvir a responsável pelos serviços de adopção em Portugal dizer que os (futuros) pais portugueses que querem adoptar não são racistas. Não adoptam crianças de outra raça que não a caucasiana porque é perfeitamente natural que, não podendo cumprir a parentalidade por via biológica, procurem uma criança que corresponda ao máximo a uma reprodução de si mesmos e dos seus traços. Custa-me ouvir uma coisa deste teor à responsável pelos serviços. Quem acha natural que futuros pais escolham uma criança por estes critérios, devia fazer as malas.
Vendo bem, quando os futuros pais também têm de preencher um formulário de adopção que pede idade, raça e sexo da criança que vêem integrado no seu projecto de vida, informação essa que será tratada do modo mais burocrático possível «ai estes queriam uma menina de 4 anos e só temos um menino de 5, fica em espera». Viva a burocracia! Não me admira que se adopte no estrangeiro. O especial interesse das crianças my ass.

quarta-feira, março 14, 2007

Bébés

Quando se tem 3 grávidas no emprego, é natural que o tema de conversa à hora de almoço seja... bébés. É incrível o fascínio que o tema exerce sobre as pessoas. E é engraçado como as expectativas pessoais dos pais (neste caso, das mães) se começa a desenhar tão cedo. Hoje falava-se de crianças bonitas e feias, de quem tem os pés do pai, o umbigo da tia, os olhos da tetaravó. Tudo isto são manifestações de pertença e de declarar a criança como herdeira de um património familiar que começa pelos genes. Para a grande maioria dos pais, parece-me, um filho é mais deles, quanto maior for a parecença consigo, com os seus hábitos e sistemas de valores.

Se eu for para a frente com a adopção de uma criança o meu filho ou filha, nunca terá o nariz da avó, nem as orelhas do pai. Para já porque, em Portugal, pessoas com a minha orientação sexual estão proibidas de adoptar em casal (o curioso é que se eu mentisse sobre a minha orientação já me deixam, mas que raio de exemplo estaria eu a dar a um filho, ao começar a nossa convivência com base na mentira); e depois, como irei adoptar ao estrangeiro devo ter um filho chamado Lin-You Tang ou Makelembe Tibulu e, por conseguinte, com traços diferentes dos meus .

O facto de, à partida, me estar vedada a transmissão de um património genético. Aquilo que eu espero de um filho (filha) é que tenha uma grande personalidade, que seja curioso e ávido por apreender o mundo. Do resto terei de tratar eu e o outro papá. E esperemos que corra tudo bem, se acontecer. Até lá vou ganhando experiência com o Alex que está lindo e cada vez mais parecido com o pai (desculpa Alexa). Serão as bochechas recém-adquiridas?