terça-feira, fevereiro 21, 2023

O amigo bancário

O amigo bancário um dos meus melhores amigos. De há uns anos a esta parte a nossa amizade estreitou-se muito, talvez porque num momento muito complicado da vida dele eu cuidei dele - quando ninguém se apercebeu que ele precisava desse cuidado. O certo é que sei que ele também está ali para mim. Hoje tivemos mais um pedacinho a dois que me soube muito bem, o que se passa nas nossas conversas é sempre verdadeiro, ele não tem medo de dizer que eu preciso de um abanão e de acordar para a vida se assim for necessário. É isto que faz valer a pena. Estar a 100%. 

As vantagens da mão

Como diz - e muito bem - um amigo meu, é melhor usar a mão do que andar por aí a ter sexo. Eu tornei-me apologista porque assim de modo muito resumido:

- a mão não faz conversa fiada
- a mão não refila
- a mão não trai
- a mão não passa DSTs
- a mão está sempre disponível para nós

segunda-feira, fevereiro 20, 2023

A Breve Vida das Flores

Acabei de ler este romance da Valérie Perrin e gostei bastante. É muito poético e interior. Gostei dessa escrita quase sensorial que apresenta os personagens através do tacto e das emoções mais interiores. O cenário do livro é também inusitado, mas permite muitas derivações que enriquecem a narrativa - um cemitério de província. A personagem principal é uma guarda de cemitério que enterra pessoas, mas o que tem ela também enterrado dentro de si? A prosa desdobra-se em folhas múltiplas e vão-nos sendo oferecidas algumas surpresas até ao final onde esperamos por redenção. É uma escrita muito feminina e muito bonita de ler, vale muito a pena. 

Stars at Noon - Paixão Misteriosa

Ora bem, depois de um maravilhoso jantar de sushi resolvemos ir ver este filme que ganhou o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes. É a segunda vez que vou ver um filme ganhador em Cannes e que quase me vomito de mau que é. Pretensão e água benta. Acho que nunca vi nada de tão pretensioso e pseudo-cool, na tradição dos filmes franceses pseudo-cool dos anos 70. As personagens não se aguentam, primeiro ao nível da construção cinematográfica estando mal estruturadas no propósito (se é suposto ser um thriller e ter mistério) e depois como conteúdo e enquanto elementos da narrativa (eu tive vontade de estrangular a  personagem principal de tão absurda que era). Bom, foi uma bela perda de tempo. Acho que a realizadora leu umas coisas sobre a Nicarágua e pensou "e se eu fizesse um filme com americanos na Nicarágua, porque sim?". Fujam!

7/20

O amigo comissário de bordo.

O amigo comissário de bordo também esteve em Lisboa este fim de semana - sim este fim de semana fartei-me de correr de um lado para o outro para estar com toda a gente de fora que ia estar na cidade. O que era para ser um café de 1h acabou por se tornar em 5h de conversa numa esplanada ao sol (apesar de algum frio). Mas a vida faz-se das recordações que fazemos e foi bem fixe. 

O amigo enfermeiro.

O amigo enfermeiro também veio também a Lisboa este fim de semana e tivemos a oportunidade de ir jantar fora e ir para o Bairro Alto beber um copo. O problema é que eu já não estou nada habituado a beber e ele aguenta que se farta. O que quer dizer que hoje acordei ressacado. Não obstante valeu muito a pena. Vemo-nos poucas vezes no ano e foi uma noite bem passada com muito riso e histórias da nossa vida.  

O amigo médico

O amigo médico esteve em Lisboa este fim de semana e pude estar com ele de novo para nos divertirmos mais um bocado juntos. Temos o mesmo gosto pela fotografia e pela música então acabamos por nos fartar de tirar fotos e também de cantar no meio da rua e na mota plenos pulmões. Como ele é muito famoso no Instagram (e já são duas vezes que somos vistos nas stories que ele faz por dias seguidos) comecei a receber algum "hate" porque as pessoas pensam que temos algo. É engraçado como dois rapazes gay solteiros não podem estar juntos com um ar feliz ou a fazerem macacadas sem que isso seja visto como romance ou algo do género. Na realidade, nunca me importei muito com o que as pessoas pensam e vou continuar a aproveitar todas as oportunidades que puder com amigos de fora que vêm a Lisboa e o amigo médico é um deles. O que as pessoas pensam é - apenas - o que as pessoas pensam.

terça-feira, fevereiro 14, 2023

Desenterrar os 80 - 26


Miss you much - Janet Jackson

Saudades

Se há saudades? Há. Tudo o que é bom deixa uma impressão indelével em nós. Creio que há coisas que nos acompanham e acompanharão para o resto da vida. De momento, maior que a saudade é a consciência do impossível. A lucidez impede o descontrole dos sentimentos. 

Dia de São Valentim



Creio que é a melhor mensagem de são Valentim que vi hoje. 

segunda-feira, fevereiro 13, 2023

O amigo professor de hidroginástica

Hoje fui desafiado por um amigo a ir fazer uma das aulas dele no Holmes Place. Nunca pensei que hidroginástica pudesse ser tão dura. Mas depois o banho turco deu aquele final de dia que precisava. Esta é uma das amizades que foi repescada do baú dos amigos. Temos trazido muita lucidez à cabeça de ambos.

O amigo realizador

Ir ao cinema com um amigo que realiza filmes e que adora cinema é uma experiência estupenda. 

Os espíritos de Inisherin

Se fosse há 15 anos atrás talvez eu não tivesse gostado nada deste filme. É cinema puro. Não há ali nada senão trabalho 
de ator. É tudo muito espartano, desde o número de personagens aos cenários. Mas há um propósito, o filme relata um evento numa ilha isolada na costa da Irlanda onde não se passa nada. O filme é quase sobre uma não coisa em termos de argumento, mas é muito forte em significado e em termos da análise à insularidade e ao efeito do isolamento de comunidades e das pessoas que as constituem. É uma comédia pelo trágico. É um filme cómico, mas pesado, duro e desconfortável. Não gostei do desconforto, mas gostei bastante. 

17/20

Agradeço sempre

Houve muitos amigos dos quais me afastei por motivo das relações de namoro. Acaba sempre por não ser prioritário, aquele café ou aquele jantar. O namorado ganhava sempre. Três meses depois do final da última relação tenho a agradecer a generosidade com que as pessoas me deixaram voltar à vida delas. É bom. Tem-me ajudado, também, a voltar a ter uma noção de "self". Sinto-me agradecido.

terça-feira, fevereiro 07, 2023

Lista

Fiz um acordo com a psicóloga para preparar os meus dias com 1 dia de avanço, já que não tenho nada a impor-me rotinas como costumava ter e a falta de propósito deixa-me deprimido. De repente já tenho uma lista e pêras, mas é para fazer. Cada vez que acabar uma coisa, dou uma palmadinha nas costas. 

Comecei a ler outro livro

Este domingo surgiu a oportunidade de um date com uma pessoa. Eu decidi que seria bem melhor ter um date com um livro na praia e foi isso que fiz. Soube mesmo bem estar ali sozinho deitado ao sol, enquanto começava a ler A Breve Vida das Flores que está a ser uma delícia. Ando assim, sem vontade para novas pessoas. Os livros estão a ser bem mais interessantes para mim nesta fase. Como tenho 88 livros em casa por ler, acho que vou ter companhia por muito tempo. Um livro novo é, para já, a única novidade que desejo.

segunda-feira, fevereiro 06, 2023

Older


Older - George Michael


Well, you're out of time, I'm letting go, you'll be fine
Well, that much I know
You're out of time, I'm letting go
I'm not the man that you want.

Um homem chamado Ove


No início deste ano comecei um Clube de leitura com 3 amigas e o primeiro livro que lemos foi Um Homem Chamado Ove. Tive bastante dificuldade para entrar no livro. Não gostei do personagem principal (no início) e aqueles primeiros 2/3 capítulos foram penosos. Depois deu-se uma informação de caraterização do personagem que me fez olhá-lo com outra luz e até, em certos momentos, identificar-me com ele.

Estou numa fase da vida em que sinto que inspirei há muito tempo e ainda não voltei à superfície, um pouco como o Ove que nunca expirou, apenas se limitou a aguentar tudo o que o destino lhe colocava na frente com a maior estoicidade. 

Há uma lição no livro, a importância da comunidade e de pertencer a um grupo. As coisas são mais simples quando não estamos sozinhos.  Ove aprende isso muito tarde, mas aprende, e pode finalmente expirar. Fartei-me de chorar no final do livro. 

Portanto, contra todas as expectativas, acabei por gostar bastante. 

domingo, fevereiro 05, 2023

Tu

 "Se nascesse uma flor a cada vez que penso em ti, a Terra seria um imenso jardim". 

Jesus

Diz que Jesus salva. O meu amigo Jesus tem sido mesmo um boia de salvação em tempos agitados. Que o Ho’oponopono se realize.

sábado, fevereiro 04, 2023

A maré de azar

A maré de azar continua, desde Outubro de 2022. Mais problemas na casa, problemas com o carro, problemas com o telemóvel, problemas do trabalho, problemas com a saúde da mãe, etc., etc. Foquemo-nos então no positivo:

- a minha saúde vai aguentando-se 
- a minha sobrinha está uma mulher feita (e com personalidade estupenda)
- a minha mãe, o meu irmão e eu adoramo-nos
- o gato gosta de mim e também está saudável
- tenho bons amigos (aos quais não recorro porque ando armado em parvo)
- o novo telemóvel chega na 4a feira (até lá não tenho telemóvel o que também é bom)
- comprei uma planta ( há mais um ser vivo aqui em casa sem ser o Limão)

sexta-feira, fevereiro 03, 2023

Também me acontecem coisas boas

 Tenho 49 anos e ainda vejo bem ao perto. 

Reinar Depois de Morrer (em cena até 12 de Fevereiro)


Ontem fui ao teatro. Não me lembrava da última vez que o tinha feito e a volta não poderia ter sido melhor. Fui ver a peça Reinar depois de Morrer, que conta a história de Pedro e Inês com uma encenação estupenda, muito inovadora diria. A peça originalmente escrita em 1635 recebeu uma leve adaptação na linguagem, mas continua a ser desenvolvida em verso o que contra o cenário levemente futurista confere um efeito muito bom. 

Os atores estiveram muito bem todos, destacando-se, claro, os protagonistas Pedro (David Pereira Bastos) e Inês (Érica Rodrigues) e ainda Blanca de Navarra (Ana Cris) . 

Quem tiver oportunidade que vá ao Teatro Municipal de Almada para ver a peça. Está mesmo muito bem. 

quarta-feira, fevereiro 01, 2023

Sim, é estranho


Strange - Celeste 

Isn't it strange
How people can change
From strangers to friends
Friends into lovers
And strangers again?

Disse-me o meu amigo Jesus

"Às vezes tens de aceitar que não és mais do que a fantasia". É um bocadinho duro de mastigar e ainda mais de engolir. Gostaria que ele estivesse errado, mas temo que ele tenha razão. 

segunda-feira, janeiro 30, 2023

Finalmente a paz.

A relação mais longa que tive na minha vida (7 anos e 3 meses) foi com o Luís. Era um rapaz muito bonito quando o conheci. Mas foi aquela voz extremamente grave e profunda, que nos aquecia quando falava, que me atraiu mais. A relação com o Luís foi tudo menos fácil - parece que eu tenho tendência para escolher pessoas com coisas emocionais para resolver. Um dia, por mera casualidade, descobri o porquê daqueles demónios interiores e acho, sinceramente, que ninguém devia ser obrigado a viver com tanto sofrimento encerrado dentro de si - mostrando não obstante um exterior amável e divertido.

Hoje numa igreja dos arredores de Lisboa, o Luís está a ser velado. A doença que o perseguiu em vida levou finalmente a melhor aos  50 anos. Quando me enviaram uma mensagem a dizer que ele tinha morrido, só consegui pensar que o sofrimento acabou. Ele nunca mais será obrigado a lidar com a sua história, com a pouca sorte, com a malvadez. O Luís era teimoso como um burro, inflexível, mas era um homem bom, não sei se muitos com a história dele teriam conseguido ser bons também. O Luís era um homem bom.

domingo, janeiro 29, 2023

Esta canção é simplesmente perfeita


Dilúvio - A Garota não

Já vejo o céu em fogo
Há quem diga que estou louco
Nunca me senti tão só
E a dor que mais me mata
É já não te fazer falta
É fazer falta a ninguém
Já nascemos de joelhos
Já dobrados pelo meio
Ensinados a querer
Só aquilo que não temos
Só as terras que não vemos
A corrida não tem fim
E a vida fica difícil
O tempo passa tipo míssil
Derramado em suor
E o que achamos importante
Perdemos mais adiante
No fim só restamos nós
A vida fica difícil
Já vejo o céu em fogo
Cuidado que estou louco
Nunca me senti tão só
Seguimos ofendidos
Todos sérios e contidos
Inundados em pudor
Tenho medo destes muros
Pensamentos crus e duros
Sempre prontos a julgar
E eu já nem sei rir direito
Toda a graça é um parapeito
Calma, foi em paz que vim
E a vida fica difícil
O tempo passa tipo míssil
Derramado em suor
E o que achamos importante
Perdemos mais adiante
No fim só restamos nós
E a vida fica difícil
O tempo passa tipo míssil
Derramado em suor
E o que achamos importante
Perdemos mais adiante
No fim só restamos nós
A vida fica difícil
De onde vem esta saudade
Espalhar-se na cidade
Em forma de souvenir
Que venha quem vier por bem
Mas não se trate com desdém
Quem tratou deste lugar
Já vejo o céu em fogo
Cuidado que estou louco
Nunca me senti tão só
E a vida fica difícil
O tempo passa tipo míssil
Derramado em suor
E o que achamos importante
Perdemos mais adiante
No fim só restamos nós
E a vida fica difícil
O tempo passa tipo míssil
Derramado em suor
E o que achamos importante
Perdemos mais adiante
No fim só restamos nós
A vida fica difícil
A vida fica difícil

quarta-feira, janeiro 25, 2023

Pessoas

Há pessoas que nunca irão sair do nosso coração porque o nosso coração se fez delas também. Não importa o que possa parecer, importa o que é. E o que é, é algo que apenas nós sabemos, apenas nosso. O resto é imaginação de quem tenta saber.

Babylon

Um filme com a Margot Robbie tem sempre um atrativo para mim. Não sabia muito bem o que ia ver, mas achei que merecia a pena. Tinha ar de comédia, passava-se nos loucos anos 20, tudo para correr bem. Na realidade correu. Gostei bastante do filme que é uma ode à história do cinema, mas também um relato da crueldade que é Hollywood desde o seu início, quando os filmes nem som tinham. A máquina de triturar pessoas esteve sempre presente desde o início. Os diferentes atores representam, de certa forma, estereótipos que já conhecemos e que vamos esquecendo. A esperança, o abuso, o preconceito, a recompensa, a miséria, a decepção, o êxtase. Essencialmente lembra-nos como a realidade é frágil e mutável. Nada é o que parece. 

16/20

Livre

O homem livre é aquele que não receia ir até ao fim da sua razão.

- Jules Renard

Fim de semana inesperado

Tive um fim de semana inesperado, com um encontro que, na minha cabeça, estaria bem longe de acontecer. Das coisas mais agridoces que vivi, como aliás são as recordações relacionadas. Neste caso, o que mata é também o que cura. Esses dois dias foram mais um momento de cura que de outra coisa, mas no final desse interlúdio, a dura realidade voltou a instalar-se. Foi-me claro que a razão pela qual mata não desapareceu, é tudo uma grande pena. Diria até que é trágico que o universo pregue partidas destas às pessoas. O futuro é um livro ainda para ser escrito. Mas o capítulo presente já tem guião e é solitário, 

quinta-feira, janeiro 19, 2023

Epifanias

 Hoje alguém me contou uma bonita epifania. Talvez exista uma fada dos dentes.

terça-feira, janeiro 17, 2023

Os Fabelmans

Este filme é uma carta de amor do Steven Spielberg à sua família, como ele explica em viva voz no início do filme (ao jeito de nota introdutória). Penso que esse simples passo nos leva imediatamente para um estado de empatia para com o filme.

É um bom filme, é clássico. A Michelle Williams está estupenda como sempre (e o Paul Dano não fica atrás), mas não deixo de pensar que há algumas pontas mal resolvidas - como se necessitássemos de mais informação. A história do amor e desamor dentro da família é o mais importante (para mim) do filme o que deixa a paixão cinematográfica do personagem principal um pouco abandonada (pelo menos a meu ver).

Não amei o filme. Não acho que seja uma obra prima e talvez eu estivesse à espera disso. Mexe bastante conosco em momentos, é cómico de certa maneira, é trágico de certa maneira. Vale a pena ver não obstante. 

PS. Acho que usar um ator de olhos azuis (em criança) e outro de olhos castanhos (em adolescente) para o mesmo personagem é algo que podia ser evitado. Na minha cabeça retira realismo, distrai-me do filme. 

15/20

Glass Onion: Um Mistério Knives Out

Tendo adorado o filme Knives Out, estava com natural expectativa em ver o novo tomo. Ocorre que o novo tomo, apesar do brilhante elenco e do luxuoso cenário, não teve metade do mistério do primeiro e não teve propriamente reviravoltas surpreendentes - atrevo-me até a dizer que passamos dois terços do filme a encher chouriços. O final lá nos dá um certo ar de graça, mas mesmo assim não chega para fazer UAU, é mais um meh...

13/20

Ontem

3 meses sobre o início do fim. 

E se inventado, o teu sorriso for
Fui inventor
Criei o paraíso assim (...)
E se perder vou tentar esquecer-me de vez
Conto até três se quiser ser feliz.


Um, dois, três.

segunda-feira, janeiro 16, 2023

Balões de Oxigénio

Tive um fim de semana excelente. Recebi um amigo de fora da cidade e andamos a visitar lugares por Lisboa que ele queria rever e divertimo-nos imenso. Na Quinta de Monserrate em Sintra começamos a cantar num canto escondido da sala de música (que tem uma excelente acústica) e recebemos uma ovação dos turistas que estavam na sala e que nós não víamos  de onde estávamos. Ele ficou roxo de vergonha e não queria sair do nosso recanto e eu saí e fiz uma vénia de agradecimento e ele lá veio atrás. Fartamo-nos de rir. 

Quando deixei este amigo na Estação do Oriente ainda fui jantar com outro casal de amigos. É bom saber que mesmo nas piores alturas temos pessoas ao nosso lado que não duvidam de nós por um segundo porque nos conhecem bem. Cheguei a  casa de alma limpa, de coração satisfeito e de corpo cansado, mas feliz. Venham mais fins de semana assim. 

sexta-feira, janeiro 13, 2023

Há coisas que libertam

Dizia a Michelle Obama "when they go low, we go high". É muito libertador não descer ao mesmo nível. 

quinta-feira, janeiro 12, 2023

Cinnamon Girl - Lana Del Rey



Cinnamon Girl - Lana Del Rey 

(adoro)

O PT fofinho - III

Hoje o PT surpreendeu-me com um presente. Esta semana foi à terra e trouxe-me um belo queijinho alentejano. Para me alegrar - disse ele. 

Saúde

Tenho-a mantido. O coração não deu mais problemas, a ansiedade não se expressou mais. Yeeiii.

A incerteza das coisas

A incerteza das coisas é uma constante. Em Novembro do ano passado parecia que estava a resolver a minha vida. Alguns aspectos iam ser revertidos, outros iam ter finalmente ter concretização. Mas afinal, o que ia ser concretizado caiu, o que ir ser revertido não foi, e a aprendizagem continua a ser como suster a respiração e não definhar. Simplesmente aguentar e não sentir os pulmões quando queimam. Uma ou outra vez inspiramos, como me aconteceu na saída à noite do sábado passado; depois é fazer render esse oxigénio até poder inspirar de novo. 

24 anos depois

O meu pai teria feito 89 anos no dia 10 de Janeiro. Sem dar por ela, já passei metade da minha vida sem ele. O tempo corre sem perdão. Pergunto-me pai, o que teria eu agora para te mostrar?

segunda-feira, janeiro 09, 2023

90 Dias

Há quem diga que 90 dias é o tempo necessário para limpar o nosso sistema de um hábito ou uma pessoa. Não sei se esta regra é assim tão linear. Pelo caminho da coisa vão ser mais 180 dias, mas um homem tem que fazer aquilo que tem de fazer.

A noite de sábado

A noite de sábado foi simplesmente perfeita. Ri, diverti-me imenso e dancei ainda mais. Estive com um grupo de pessoas para quem eu era apenas mais um da leva. Há muito tempo que não me sentia tão integrado e em sintonia com um grupo. 

A sensação de liberdade (o estar ali apenas para me divertir e passar um tempo bem passado, sem ter de preocupar com etiquetas ou com o que X ou Y pode estar a pensar) foi tão boa. Acho que vou voltar a sair com a priminha e os amigos dela. 

Creio que purguei bastantes das minhas tristezas dos últimos meses. 

sexta-feira, janeiro 06, 2023

A Psicóloga

Ontem tive uma excelente consulta. Às vezes sou demasiado duro comigo, mas ela consegue desconstruir-me e reconstruir-me, sem deixar as pontas soltas para eu poder ir lá desfiar a coisa de novo. Gosto quando as pessoas me mostram verdades imutáveis. 

Dançar

E o que se faz quando os nossos amigos já não querem sair para dançar e não estamos para andar por aí a conhecer gente nova? Vamos para a night com a prima de 25 anos. Pronto, assunto resolvido. 

Dia de Reis/Ode à família

De novo, hoje vou estar com a família e vem a minha sobrinha também. E vai ser novamente, excelente como nas últimas vezes. 

When I get lonely and I need to be
Loved for who I am
Not what some want to see
Mother and brother
They've always been there for me
We have a connection
Home is where the heart should be

I wouldn't change it for another chance
This blood is thicker
Than any other circumstance.

quarta-feira, janeiro 04, 2023

To let a good thing die - Bruno Major



Delay of gratification

Delay of gratification, the act of resisting an impulse to take an immediately available reward in the hope of obtaining a more-valued reward in the future. The ability to delay gratification is essential to self-regulation, or self-control.

O Limão

O Limão voltou a viver comigo no dia de Natal. Há presente mais bonito? Este gato traz-me tanta felicidade. É uma delícia tê-lo sobre o meu peito, no meu colo. Sinto-me grato. 

O trabalho

Recomecei hoje o trabalho. Não me deixaram sair para onde eu queria voltar. Tenho de tragar este emprego até ao final de Setembro. Estou tranquilo, é como se fosse uma pena de prisão. Tem data marcada de soltura. Um dia serei livre. 

A casa

Fiz obras na minha casa e correram mal. Gastei uma pipa de massa e tenho acabamentos de segunda, as janelas mal colocadas deixam entrar água e tenho a parede a empolar, a base de duche estragada, mas teria de partir a casa de banho de novo para substituir, as janelas dos quartos (mal calafetadas) deixam entrar mais ruído do que quando não tinha vidro duplos, as portas cheias de gotas de tinta. Ainda não consegui limpar a porcaria toda que foi deixada e estou a viver aqui desde 22 de Dezembro de 2022. 

Reclamei. Supostamente não vai dar em nada. 

Qual a lição? Primeiro, não deixar que outros pensem pela minha cabeça para lhes agradar. Segundo, não posso mudar o que está feito, integro e sigo. Terceiro, contratar a empresa do amigo de adolescência para refazer o que está mal. 

A passagem de ano

Tal como no Natal procurei a minha "raiz", aquilo que nutre e passei com a família. Foi um jantar excelente, um serão excelente. Vesti-me com inspiração escocesa, estreei um kilt feito com muita amizade pela mãe de uma amiga. Senti-me muito confortável e muito bonito. Era importante sentir-me bonito e valorizado. Entrar o ano com essa sensação, que não sentia há muito tempo. Insuficiente, foi o que mais me senti em 2022, nunca no ponto certo, sempre errado ou inadequado em alguma coisa. 

A minha mãe voltou a provar-me que sabe ser uma mãe sem igual, mesmo quando a passar por momentos pessoais atribulados, os filhos são sempre os filhos. E se existiu uma coisa naquela casa, naquela noite foi muito amor de e entre todos.

terça-feira, janeiro 03, 2023

A despedida do Amor

Existem duas dores de amor. A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro (...) Mas quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por ninguém. Dói também.

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir de uma época bonita que foi vivida, passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação com a qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente e que só com muito esforço é possível alforriar.

Martha Medeiros

O Luto

Fugi de tudo o que era mau e que tinha a certeza de não querer/merecer na minha vida. Não obstante, o bom agarrou-se de tal maneira à pele que este luto arranca pedaços. As incoerências da autodeterminação. 

O natal

Tenho de agradecer a mãe, o irmão e a sobrinha que tenho. Fizeram-me sentir que a casa estava normal, fizeram-me sentir que o Natal era igual a todos, apesar de todo o pesar. 

Tenho de agradecer a amiga que se recusa a atravessar a ponte, a menos que pense que é mesmo necessária aqui em Lisboa. 

quinta-feira, dezembro 22, 2022

A Isabel morreu hoje

Se de facto existe Deus, ele já deve estar arrancar a barba pelo facto da Isabel andar a fumar às escondidas na casa de banho dos arcanjos, de ter feito um decote lá no traje do paraíso e de andar a rir-se dos anjos mal arrumadinhos. Ela gostava de pensar que era uma diaba, mas agora a ver-se ali no paraíso deve ter percebido que diaba era só como Diaba Vermelha pela devoção ao Benfica. Ninguém vai para o Inferno por pregar partidas, por viver a vida os prazeres da vida, vai-se sim por se ter mau coração. Portanto, Deus deve estar a rezar a ele mesmo por ter de levar com frontalidade e a energia da Isabel até à eternidade, mas se ele a observou bem, vai saber que apesar de ela não ser de miminhos, quando ele estiver em baixo, ela vai meter-lhe a mão no ombro e olhar para ele de frente com aquela expressão de olhos que diz "estou aqui se precisares de alguma coisa". 

Quanto aqueles que são da Isabel e que cá ficam, coragem a todos para ultrapassar a privação física. Histórias de certeza não vão faltar para relembrar até ao fim das nossas vidas. A Isabel vai ficar aqui por muito tempo.

segunda-feira, dezembro 19, 2022

2023

 Tanta esperança que tenho para este ano, o último desta década em que marcho.

Este Natal

Este Natal vai ser na minha casa e eu não me sentia tão fora do espírito desde 2006. Curioso que nesse ano de caca o Natal também foi na minha casa e mostrou que não importava o facto de não ter nada de natalício para comer, nem decoração, nem nada. A minha mãe dizer-me que bastava eu estrelar uns ovos que estaria bem foi prova de que o Natal é este amor, o estarmos juntos apenas. Acabei por fazer costeletas de porco com molho de pêssego e uma massa com coentros (era o que tinha em casa para cozinhar). Mais um ano em que vou colocar à prova o amor da minha família. Pode ser que ainda consiga fazer a árvore de Natal. 

sexta-feira, dezembro 16, 2022

Mais lenha na fogueira

Mais duas decepções se juntam aos planos que tinha. O lado bom disto é ver que a terapia com a psicóloga está a fazer efeito. Não estou dramático, ou a sentir o fim da linha ou a ausência de caminhos. Isto é como um pena de prisão, tem princípio e fim. Até lá é ir descontando dias.

Badalo

Que grande badalada foi por esta Lisboa hoje. 

O PT fofinho - II

Enquanto fazia sinais com os olhos para apontar discretamente para um tipo que treinava no ginásio, diz-me o PT:

"Olhe este atrás de mim, tem mais de 35 anos, não acha? Não gosta?"

Eu olhei e até gostei, mas tinha sérias dúvidas sobre ele ser gay, veste um bocado de cor, mas penso que é 'as far as it goes'. E expliquei-lhe.

"Olhe, mas com aquele de branco ficava bem servido. Já está no seu intervalo e eu já o treinei e é muito boa pessoa".

Não tenho coragem de lhe dizer que agora mesmo estou mais interessado em estar sossegado e passar tempo comigo do que arranjar um novo namorado. Mas continuo a achar que é terrivelmente fofo, por parte do PT, o querer arranjar-me alguém porque lhe falei das minhas frustrações afetivas durante os treinos. 

quarta-feira, dezembro 07, 2022

Difícil de digerir

A mesquinhez é uma das coisas que me é bastante difícil digerir, especialmente em pessoas de quem gosto ou por quem tinha consideração. 

terça-feira, dezembro 06, 2022

Dia 15

Dia 15 será o primeiro dia do resto da minha vida profissional. Diz-se que não devemos voltar onde não fomos felizes, mas eu volto. Volto porque já não sou a pessoa que era quando saí de lá há 3 anos. As minhas prioridades alteraram e a forma de ver o mundo também. Com esta história da Isabel percebi que ali tenho uma "família" e que não deixei de fazer parte dela. 

Volto a um sítio onde já sei quais são os problemas e, entretanto, descobri um modo de lidar com eles de forma estável. Não ganho mais nem menos e ainda vou poder ter tempo livre para trabalhar para organizações internacionais em regime de voluntariado. Percebi que também não almejo a ser rico, o que tenho é muito confortável e não preciso de voltar a esganar-me mais para ter mais ordenado ou subir na carreira. O efeito aproximação dos 50 anos começa a fazer-se sentir.  

Ansiedade

 É tão bom viver sem ela. 

O PT fofinho

Tenho um PT. Não é algo que desejasse, mas houve um mal-entendido com o rapaz que me fez o plano de treinos no ginásio e depois tive vergonha de dizer que não. Apesar do corpanzil, é um menino de 28 anos, muito discreto e muito querido. Nestes meses complicados acabou por ser um terapeuta também. É quase um coach motivacional (indeliberadamente) com a sua forma simples de ver a vida.

Tem uma relação de 8 anos com a namorada e isso enternece-me, que alguém consiga encontrar a sua cara-metade tão jovem. Agora quer também ver se arranja alguém adequado para mim entre os alunos dele no ginásio. Achei fofinho da parte dele, mas disse-lhe que as coisas não funcionam assim. Está muito otimista. Não obstante, soube bem saber que ele me tem em consideração. Acho que não largo este PT nunca mais, nem que seja pela conversa. 

2022

Não sou uma pessoa dada a muitos balanços anuais. O que é certo é que este ano de 2022 foi dos fortes em termos de provações, provações essas que serviram para me restruturar a cabeça de uma forma que já não acontecia desde há mais de 10 anos.

Outubro e novembro foram os mensis horribilis com a minha mãe doente, as obras da minha casa a darem constantes problemas, a minha saúde a dar problemas, o trabalho a ser a pior desilusão de sempre, eu afastado do meu (gato que não pode estar comigo por causa do problema de saúde da minha mãe), o tumor da Isabel e, last but not least, a minha relação a dar as últimas. Esta foi mesmo a sensação de estar no "olho do furacão".

Mas como sempre o caos resolve-se pelas partes. Acabei a relação, despedi-me do trabalho, investi na saúde. Pude pelo menos mexer naquilo que eu podia controlar e o resto o tempo resolve, na medida do fluxo natural das coisas. 

Percebi que o que realmente importa para mim e como tudo na minha vida deve ser estruturado em torno destas necessidades básicas: paz, estar saudável de corpo e mente, amar e ser amado, desenvolvimento pessoal, viver com leveza e humor. 

É tempo de digerir e tempo de reconstruir o caminho.

segunda-feira, novembro 28, 2022

Isabel a Guerreira

Hoje foi o aniversário da Isabel - 57 anos. Como combinado lá fomos os colegas com balões e estava lá a família e amigos ainda com mais balões e um pudim de aniversário que ela adora. Conheci o irmão da Isabel que me disse que ontem ela quase tinha morrido. Que apagou e que depois de estar a oxigénio lá voltou, mas como se alguma coisa tivesse ficado para trás. Para ele é muito duro o que se está a passar e a ideia de saber que hoje era o último aniversário da irmã. Fiquei também a saber que a Isabel sabe que tem um cancro terminal.

Hoje ela estava um pouco mais apática, a conseguir falar menos. Talvez por isso as pessoas estivessem um pouco mais tristes e a tratá-la mais como "doente". Achei que faltava música, estava um ambiente um pouco taciturno, e disse "Isabel, falta aqui uma musiquinha, hoje é dia de festa!" Uma colega nossa disse-me que o que ela gostaria era de estar no B'Leza a dançar uma kizomba. Eu agarrei no telemóvel e meti "Bo tem Mel" a tocar.  A Isabel começou a mexer os lábios sem que se percebesse o que era. Com a mão que ainda funciona a tentar empurrar a mesa de apoio à frente dela. A cunhada perguntou se ela queria fazer xixi, se queria algo, e queria sim... queria dançar.

Disse-lhe "Isabel se queres dançar não tenhas medo que eu agarro-te, não te deixo cair". Meti-a de pé, agarrei-a com um braço pela cintura e com a minha mão, a outra mão dela que não funciona bem. E ela dançou um bocadinho movendo a anca e os ombros e trauteando a música fazendo boquinhas. Até o cansaço a ter vencido de novo.

Tenho a certeza de que enquanto viver não vou esquecer este dia. Estive sempre sorridente e bem-disposto, mas quando sai do quarto para me vir embora, fartei-me de chorar. A Isabel não desiste. Outra pessoa estaria a deixar-se morrer, a Isabel está a tirar o máximo de cada sopro de vida que ainda lhe resta. Que lição. Só penso literalmente: Foda-se Isabel, que guerreira! Tomara um dia conseguir ser como tu. Que privilégio poder aprender contigo. 


quinta-feira, novembro 24, 2022

Paz

 Só quero paz.

Carma?

Há muitos anos atrás uma pessoa que eu idolatrava fez-me muito mal. O nível da maldade, é inenarrável. Agosto de 2000 mudou-me e ficou para sempre marcado em mim. Lembro-me de desejar que ela recolhesse as consequências de toda a sua maldade gratuita. Soube hoje que teve uma filha deficiente e que a sua vida é bastante infeliz por isso. Não fiquei contente. Acho que no fundo gostaria, apenas, que as pessoas tivessem descoberto a má pessoa que ela era na realidade. Só isso. Tenho pena pela menina, que hoje já será uma adolescente, e até fiquei com pena da mãe. Não consegui deixar de pensar se teria sido o carma. 

Contraproposta

Tenho estado a detestar o meu trabalho, mais do que alguma vez detestei os anteriores. Ao fim de 45 dias decidi ir embora. Hoje a Vice-Presidente soube que eu queria sair e quis perceber porquê, quando eu expliquei tudo fez uma contraproposta - colocar-me a trabalhar com ela acima das minhas atuais chefias e reformular todo o serviço. Fiquei abananado. Já tinha decidido voltar ao lugar onde sou quadro, porque ali (e ainda mais devido à história da Isabel) sei que somos uma família, há amigos a sério. E com tanta confusão na minha vida neste momento, acho que não tenho energia para comprar a luta de renovar o equivalente a uma direção-geral e mudar a cultura organizacional da instituição onde estou. Preciso de sossego. Acho que vou dizer que não. 

Fui visitar a Isabel

Fui hoje visitar a Isabel. Seria o que ela teria feito. Não foi tão mau como eu pensei, foi aliás muito bom. Quando me viu entrar a porta ficou extremamente feliz, não estava minimamente à espera que eu aparecesse ali (não trabalhamos juntos desde março de 2020). Ela estava bonita, bem tratada, apesar de não ter as suas pestanas postiças e a sua maquilhagem do costume. Não consegue falar mais do que algumas palavras e percebe-se a sua frustração por não conseguir dizer uma frase que nitidamente tem na cabeça, mas que não sai pelos lábios. 

Mostrei-lhe fotos minhas em tronco nu (para manter a tradição) e disse que lhe ia arranjar mais cartões, porque os que as enfermeiras deixaram não estavam completos ia levar-lhe: "pindéric@", "malvad@" e o famoso " TAU!". Ela riu-se bastante, não esteve muito desorientada. A colega que foi comigo - e a tinha visitado na segunda-feira - disse que nesse dia a coisa estava mesmo agreste, mas que hoje havia um salto na disposição. 

A colega que foi comigo, e que eu não conhecia bem em privado, disse que estava a pensar organizar uma surpresa de aniversário no domingo (se a minha irmã fosse viva fazia anos no sábado), vamos levar balões com pilas, adereços de princesa, muita coisa cor-de-rosa e purpurinas. Espero que seja outra boa recordação que fica. E vamos ver, tumores no cérebro são erráticos, há falsas melhoras, piora-se, e anda-se neste loop por meses. Enquanto houver vida, marcho para o hospital. Hoje fui importante ali, se posso trazer conforto e alegria, é ali que quero estar. 

Ps. Outra surpresa foi a colega que foi comigo. É uma pessoa extraordinária e eu não sabia. Como as vidas podem ser parvas, com a pandemia (e por estar noutro departamento) ela nem percebeu que eu já não trabalhava com elas. Não importa o que se passou antes, o dia acabou em beleza. 

terça-feira, novembro 22, 2022

A Colega Tiazorra Porreiraça

A Colega Tiazorra Porreiraça (de quem tanto aqui falei no blogue) tem um nome, chama-se Isabel. É uma das pessoas mais vibrantes que já conheci. Viveu a vida como quis sempre rebelde, afetuosa com os que gostava, educada com os cordiais e mordaz e acutilante contra os impossíveis/imbecis.

Custa-me muito que esteja a acabar a sua "ride" espetacular aqui neste lado da vida. Ontem deu entrada no hospital e está nos paliativos, fortemente sedada, com cancro em fase terminal. Gostava muito de ir vê-la, mas estou desfeito e não sei se um choramingas não lhe iria fazer pior nestes últimos momentos.

Estou a escrever este texto porque não quero esquecer-me dela e das particularidades dela, a maravilhosa loira vistosa, que só vestia azul, vermelho, rosa, branco e preto, com saltos impossivelmente altos, calças justas, casacos de cabedal. Benfiquista do mais ferrenho que há. Voz e trato de "tia", mas depois 13 piercings nas orelhas. Era assim como uma Britney Spears Hard Rock. 

Aqueles 2 maços por dia que fumava não caíram bem à saúde, mas viveu como quis. Vai embora ainda nos cinquentas, mas a sua vida foi uma celebração e será celebrada por isso também. Ninguém lhe era indiferente e quando ela gostava de nós fazia-nos sentir, o que era muito bom. No início de me conhecer olhou para mim com alguma desconfiança, observando-me à distância até que me incluiu no grupo dos seus afetos. 

Gostava do facto de eu ser um rapaz sem papas na língua profissionalmente (como ela), e eu fazia-a rir com as minhas piadas secas ou politicamente incorretas e adorava as minhas fotos em tronco nu. Foi muito bom ter sido colega da Isabel e não me vou esquecer daquele dínamo de energia e positividade. O melhor que poderei fazer para celebrá-la é viver a minha vida à altura desta Rock Star. Isabel, gosto tanto, mas tanto de ti. 

Para não me esquecer de tudo o que dizia fui registando e vai ser sempre bom recordar.

«Tiazorra: Já sei que o colega é um moderno, mas quando colar arte na parede, lembre-se que eu sou clássica e tenho de olhar para a sua parede o dia todo. Perdoo-o porque o quadro do Michael Jackson faz-me rir».

«Tiazorra: Você sem barba ninguém lhe dá mais que trinta anos. Mas falta-lhe qualquer coisa. Não fique mais novo senão deixo de gostar de si».

«Tiazorra: Ó colega. Conte lá mais das suas piadas secas que me farto de rir. Você é mau».

«Tiazorra: Olhe, ontem contei na reunião do Jójó aquilo que me ensinou da borboleta sexual. Ninguém sabia o que era. Fiz um brilharete».

«Tiazorra: Tem de vir comer connosco, mas não se esqueça que este lugar é meu. Se alguém se senta aqui fico mais irritada do que quando me chamam Belinha. Vai logo corrido».

«Silvestre: Hoje vem vestida para matar, isso é que é dar nas vistas. 
Tiazorra: Claro, é sexta-feira e vou para a farra. Tenho muito tempo para ser discreta quando estiver morta.»

«Colega sensível: Está triste hoje?
Tiazorra: Ó querida deve estar a ver mal. Não há tristeza na minha vida... vá, talvez nos 10 minutos a seguir a uma derrota do Benfica. Mas só durante 10 minutos, percebeu?»

«Silvestre: O Donald Trump é abjecto.
Tiazorra: O menino nem me diga, aquele homem é uma esfera. Não tem ponta por onde se lhe pegue.»

«Tiazorra: O que é isto? Não acredito, esta sala está espetacular. Isto foi uma conspiração dos meninos contra mim. No meu tempo não era nada disto. Estou morta de inveja. Pareço um carapau com três dias de feira já a ficar podre».

«Tiazorra: Olá colega está bom?
Silvestre: Olá, eu estou bem e você?
Tiazorra: Eu estou sempre maravilhosa. Não tenho culpa de ter uma autoestima fantástica, não é?»

«Tiazorra: Ó colega, quero que saiba que o menino está no meu top três dos homens mais estilosos da nossa instituição. É o PC super fashion, o RV super clássico e o menino assim entre o giraço e o bruto.»

«Tiazorra: Ó colega, estou a ter um dia péssimo, mostre-me lá umas daquelas fotografias suas em tronco nu para ver se me fico a sentir melhor.»

«Tiazorra: Vi-me agora ao espelho estou cheia de má vida à volta dos olhos.  Quem pensar que é rugas está muito enganado. São muitas bebedeiras, muitos cigarros e muitas noites mal dormidas.»

«Tiazorra: O menino quer ser transferido porque não o deixam ser eficiente? O menino é um idealista. Eu pedi muitas vezes transferência de serviço, mas só porque me davam mais dinheiro. Eu cá sou como as putas, vou sempre com quem dá mais.»

«Tiazorra: Ó colega já viu, estive de férias 3 semanas na praia e venho branca. Passava as noites todas na borga e a lua não bronzeia, não é. Sou mesmo galdéria. 

«Tiazorra: Estou super infeliz. Aproveitei o domingo para apanhar sol e deixei um anel posto no dedo e fiquei com a marca. Agora parece que sou casada e que tirei a aliança. Vou mandar uma imagem errada aos homens. Vão pensar que não sou solteira. Tenho de meter base.»

«Tiazorra: Ai...morri. O seu namorado é tão giro, adorei vê-lo ao vivo. É bom que o colega continue a fazer muito ginásio para não perder aquilo. A minha vontade era despir-me toda (sim porque o corpinho ainda não caiu), mas como sei que não ia adiantar fiquei vestida»

Adoro esta canção. Absolutamente maravilhosa


Flying :)) - Tom Odell

quarta-feira, novembro 16, 2022

Escreveu o Luís Osório sobre a Dina Aguiar (gostei bastante de ler)

POSTAL DO DIA

O casamento de Dina Aguiar com um homem mais novo é uma notícia importante

1.
Dina Aguiar é jornalista na RTP desde que me lembro de existir.

Quando comecei no jornalismo, há cerca de 30 anos, já apresentava telejornais há mais de dez. Fez parte da célebre equipa do Jornal 2, com António Mega Ferreira e Miguel Sousa Tavares. Aprendemos a vê-la. E a respeitá-la como alguém que faz parte da família.

É engraçado que a Dina nunca foi uma estrela, nunca ganhou mundos e fundos, nunca foi amada pelo povo, nunca estraçalhou audiências. Porém, sempre existiu e sempre foi fiável como alguém que nos lembramos que existe mesmo quando não a vemos há muito tempo.

2.
Talvez algumas pessoas achem que é negativo o que digo. Acho precisamente o contrário.

As estrelas por quem nos apaixonamos têm, com exceções, vidas muito mais curtas. Por tanto as termos “amado”, por tanto as termos seguido, chega uma altura em que nos cansamos com igual intensidade.

Com a Dina Aguiar foi sempre uma relação calma. Certamente que teve e tem muitos seguidores, muita gente que dela gostava ou gosta, mas sem excessos, sem o stress doentio da audiência, sem fogachos ou fogo de artifício.

Também por isso se mantém. Aos 69 anos mantém-se entre os pivots da RTP. Correndo até o risco de exagero, há momentos em que a Dina Aguiar é a prova viva de que a RTP ainda faz serviço público.

3.
Dina anunciou nos últimos dias que vai voltar a casar com o médico que tratou do seu pai e que o acompanhou até ao seu último dia. E foi aí, nessa viagem que terminou como todas as viagens, que Dina o reconheceu. Como se já o conhecesse de sempre.

4.
Não é uma notícia mais importante do que muitas que aqui hoje poderia trazer.

Não é decisiva para o curso da guerra no coração da Europa.

Não ajuda a explicar o funcionamento do Partido Comunista na escolha do novo secretário-geral.

Ou a ignóbil escolha do Qatar para sede do próximo mundial.

5.
Mas é, ainda assim, uma notícia importante. Porque Dina Aguiar tem 69 anos e não desistiu de se iludir com a vida.

De se abandonar à ideia que tem mais passado do que futuro. Não desistiu por já ter o vivido o suficiente, por já ter sofrido o suficiente, por sentir que o tempo fez o seu caminho.

É admirável que se mantenha acordada. Viva. Com mais esperança do que medo. Com vontade de ir a jogo, com vontade de o fazer até ao último sopro da sua vida. Que extraordinário exemplo nos dá. A todos.

6.
E a todas as mulheres para quem o recomeço parece sempre ser mais difícil. Para quem voltar a acreditar parece ser coisa impossível a partir de determinada altura – por não parecer bem, por não parecer próprio, por isto e aquilo.

E que maravilha ele ser mais novo. Dez anos mais novo. Mais um preconceito derrubado, mais uma pedra do muro da vergonha da discriminação.

Por isso, não me digam que a notícia não é importante. Diria até que é a notícia mais importante que a Dina Aguiar nos deu. A que dela ficará para a história.

A partir de hoje, quando a pensar, será a mulher que não desistiu de uma ideia de felicidade até ao último dia da sua vida.

Não é coisa pouca.

terça-feira, novembro 15, 2022

O mundo tem 8 biliões de habitantes

Este marco histórico é terrível. E percebi que ainda devo ser vivo quando chegarmos aos 10 biliões. Mas pronto, a Terra vai sobreviver a uma nova extinção em massa (a primeira provocada por uma das suas formas de vida).

segunda-feira, novembro 14, 2022

Contas feitas

Há umas semanas coloquei-me a considerar os aspetos positivos na minha vida. Deu amigos/família, saúde e finanças. Pois a saúde está oficialmente fora, os problemas de coração voltaram. Fiquei a saber que tenho um coração maior do que o normal. Parece que corações grandes, medicamente, não são bons. Já em termos sociais e emocionais sim. 

quinta-feira, novembro 10, 2022

Desenterrar os anos 80 - 26


What about love? - Heart

Mais sobre amor

 «O amor é como o corta-unhas, nunca está onde a gente pensa».

segunda-feira, novembro 07, 2022

«O amor não sabe matemática!»

Esta foi a resposta dada por Cher aos 'Velhos do Restelo' que a estão a criticar por ter assumido um romance com um homem 40 anos mais novo. Em vez do vitríolo, penso sempre porque não podem a maioria das pessoas ficar feliz por outras pessoas (sobre a vida das quais não temos nada a ver) que estão felizes sem prejudicar ninguém. O mundo não aprende e está pior. Há muita azia e acidez desnecessárias.

PS. Eu fiquei contente. Fico sempre quando sei que as pessoas ainda estão vivas em plena 3ª idade, seja a Cher ou o Sr. X que se apaixonou pela Sra. Y num Lar de Idosos em Fornos de Algodres ou outro qualquer lugar esquecido. 

As relações de amor são uma coisa estranha

As relações de amor são uma coisa estranha - pelo menos para mim. Ando nisto há 28 anos e continuo sem perceber nada da dinâmica, da orgânica e da lógica. Diz que sentir é suficiente, mas é mais de o "diz que".

Obras de Santa Engrácia

As obras na minha casa continuam a derrapar e eu vejo-me a viver na margem sul em casa da mãe, a ter o gato em casa do irmão e as minhas coisas plantadas um pouco por todo o lado. É uma caca. Mas do que eu tenho mesmo saudade é do gato ao pé de mim.

As pequenas/médias cidades

A semana que passou estive de férias em Saragoça e depois dei um saltinho a Madrid, mas é sobre a primeira que me debruço. A capital de Aragão e do extinto Reino de Aragão é uma pequena surpresa cheia de história desde os tempos da República Romana - onde se converteu no mais importante porto da península. Ali nasceu a Rainha Santa Isabel e o homem (Fernando II de Aragão) que criou - debaixo da égide do catolicismo - o Reino de Espanha. Para além dos monumentos, ruínas e cultura, a cidade revela ainda uma coisa pouco comum em Espanha, o gosto pela pastelaria e doces. Há muitas lojas de doces e pastelarias por lá. A quem for aconselho vivamente a provar um prato, este salgado, que se chama Modejas, e que consiste em intestino de cordeiro. É delicioso. 

Depois disto já começo a planear uma visita a Toledo, que foi capital espanhola, até Filipe II mudar as cortes para Madrid em 1561. E outras se seguirão...

sexta-feira, outubro 28, 2022

Uma coisa nova

Meti ontem aparelho nos dentes. Digamos que dói um bocadito e ainda é só a parte de baixo. Demorei 15 anos para tomar esta decisão. Vai ser duro, mas não me arrependo. E como disse, tão bem, a Agrado do filme Tudo sobre a minha mãe:

«En estas cosas no hay que ser rácana, porque una es más auténtica cuanto más se parece a lo que ha soñado de sí misma»

Voilá.

quarta-feira, outubro 26, 2022

Letras que ecoam - II

Enjoy your body. Use it every way you can. 
Don't be afraid of it, or what other people think of it. 
It's the greatest instrument you'll ever own.
Dance, even if you have nowhere to do it but in your own living room.
Read the directions, even if you don't follow them.
Do not read beauty magazines; they will only make you feel ugly.

Expressão engraçada

Hoje, a falar com a minha prima sobre o caos em que a minha vida esta neste preciso momento, ela saiu-se com uma expressão que achei bastante piada: "há que fatiar o elefante". É disso mesmo que se trata resolver uma coisa de cada vez. Mas nunca tinha ouvido.

terça-feira, outubro 25, 2022

The Minstrel (supostamente de William Shakespeare)

After a while you learn the difference, the subtle difference between holding a hand and chaining a soul. And you learn that love does not mean leaning. And company does not always mean security. Begins to learn that kisses are not contracts and presents are not promises.

Begin to accept your defeats with your head up and your eyes ahead with the grace of an adult and not the grief of a child.

Learn how to build all your roads on today because tomorrow's ground is too uncertain for plans and futures have a way of falling down in mid-flight.

After a while you learn that even sunshine burns if you get too much time.

And you learn that no matter how much you care, some people simply do not care ... and accept that no matter how good a person, it will hurt you every once in a while and you need to forgive her for that. You learn that talking can relieve emotional pain.

Discover that it takes years to build trust and only seconds to destroy it ...

And you can do things in a moment of which you will regret for life. Learn that true friendship continues to grow even over long distances.

And what matters is not what you have in life, but who you have in life.

And what good friends are the family we choose.

Learn that we do not have to change friends if we understand that friends change ...

Realizes that his best friend and you can do anything, or nothing, and have good times together. Find the people you most care about in life are taken from you so quickly ... so we should always leave loved ones with loving words, may be the last time we see them. You learn that the circumstances and environments have influence on us, but we are responsible for ourselves. Begins to learn that you should not compare with others, but the best it can be.

Discover that it takes a long time to become the person you want to be, and that time is short.

You learn that no matter where it came, but where you're going ... but if you do not know where you're going, any road will do.

You learn that either you control your acts, or they will control ... and that being flexible does not mean being weak, or have personality, because no matter how delicate and fragile the situation is, there are always at least two sides. You learn that heroes are people who did what was necessary to do, facing the consequences. You learn that patience requires a lot of practice.

You discover that sometimes the person you expect to be kicked when you fall is one of the few that help you get up.You learn that maturity has more to do with the types of experiences you had and what you learned from them than with how many birthdays you've celebrated. You learn that there are more of your parents in you than you thought.

You learn that you should never tell a child that dreams are silly ...

Few things are so humiliating, and would be a tragedy if she belived in it.

You learn that when you are angry has the right to be angry, but that does not give you the right to be cruel. Discover that just because someone does not love the way you want love does not mean that someone does not love you with everything you can because there are people who love us, but do not know how to show or live that.

Learn that it is not always enough to be forgiven by someone ...

Sometimes you have to learn to forgive yourself.

You learn that with the same harshness you judge, you will be convicted at some point.

You learn that no matter how many pieces your heart was broken, the world does not stop for you to fix it. You learn that time is not something that can come back.

So plant your own garden and decorate your own soul instead of waiting for someone to bring you flowers.

And you learn that you really can endure ... that is really strong, and can go much farther than you think you can not anymore. And that life really has value and that you have value in life! Our doubts are traitors and make us lose the good we could win if it were not afraid to try.

sexta-feira, outubro 21, 2022

Taylor Swift

Nunca fui muito fã da música da Taylor Swift. Em 7 álbuns gostei de 4 músicas. Achava a composição musical um bocado irritante. Depois vieram os brilhantes Folklore e Evermore - diria mesmo que o Folklore é um dos álbuns da minha vida - e pensei "será que temos aqui cantora?". 

Hoje pelas 24h saiu o novo álbum que ouvi com muita curiosidade e.…achei uma seca. Não gostei de nada. Continuarei a achar que ela é uma letrista estupenda, mas a voz dela tolera melhor um registo indie e a intenção de canto também. Fico grato pelo Folklore e a vida segue.

quinta-feira, outubro 20, 2022

Uma bela canção e um belo vídeo


Andorinhas - Ana Moura

Não é muito normal para mim gostar de música pop portuguesa (seja pura ou de fusão), mas a nova Ana Moura mostrou-me que posso adorar uma cantiga e ainda o seu vídeo. Adoro a canção, cada dia mais e faz-me feliz ouvi-la e ver as imagens oficiais que a acompanham. Não falta ali saúde. 

Letras que ecoam


And they called off the circus
Burned the disco down
When they sent home the horses
And the rodeo clowns
I'm still on that tightrope
I'm still trying everything 
I'm still a believer but I don't know why
I've never been a natural
All I do is try, try, try
I'm still on that trapeze
I'm still trying everything.

Pensamento aleatório

Eu não faço a menor ideia de como lidar contigo. Não te percebo, não percebo os teus humores, as tuas inconstâncias, aquilo que se pode dizer, o que se pode fazer na tua presença. Vivo constantemente na dúvida sobre o que é adequado ou não, sobre o que é admissível. Fiz vários planos sobre como lidar contigo, mas correm todos mal e não tenho confiança em nenhum dos que meto em prática e dos que possa vir a fazer. A minha falta de compreensão da tua pessoa gera-me ansiedade. O problema não és tu sou eu.  

Procurar o que nos dá prazer

Ontem cozinhei uma refeição inteira para a família do namorado. Há muito empo que não cozinhava e foi um deleite poder fazer uma coisa que me dava tanto prazer no passado e que por força de namorar quem gosta de cozinhar acabou por ficar para segundo plano. A entrada foi um pão recheado com queijo, bacon linguiça, depois um frango teriyaki e para sobremesa uma tarte de maçã e uma delícia de côco e chocolate negro. O ponto alto foi a tarte de maçã, mas toda a gente ficou muito satisfeita.

Confesso que ajudou, por um dia, a suavizar parte de insatisfação que me assola. É apenas um paliativo pois o problema é mais estrutural e requerer "tomates" para resolver. Mas é uma pescadinha de rabo na boca - preciso de estabilidade emocional para resolver as questões que me tiram a estabilidade emocional. Portanto, no entretanto, venham mais dias de culinária.

terça-feira, outubro 18, 2022

Desenterrar os anos 90 - 25


Sandalwood - Lisa Loeb

Desenterrar os anos 90 - 24


Doo-Wop -Lauryn Hill

Estará algo podre no reino da Dinamarca?

É melhor passar a ação para a Dinamarca, para tirar os "maus cheiros" aqui da terra nacional. Há uns dias falei com um amigo sobre o início desde blogue e sobre a pessoa que era. Vejo ali um rapaz sempre feliz, mesmo quando emoções ou sentimentos desconfortáveis apertam, mas que fazem parte da vida como elementos naturais. 

Os últimos anos, não têm o mesmo gosto quando os leio. Há ali alguém cansado, desvitalizado, pessimista, entre outras coisas cinzentas. Parece que as minhas decisões desde 2015 não têm sido brilhantes, sinto que não estou a fazer a coisa certa. Imagino que a coisa certa é algo que nos deixa energizados, que nos deixa com uma sensação de satisfação na e pela vida. E não é o caso. Agarro-me ao que posso para ver as coisas positivas, sabendo que tudo isto tem de levar uma volta dos diabos.

Neste dia escrevo de um lugar onde devia sentir um lar, um porto de abrigo e onde apenas me sinto um estrangeiro. O meu refúgio não é aqui. Sinto-me bastante sozinho num lugar onde nada é meu. Meu aqui só o meu corpo, a roupa e os meus pensamentos, que bem posso guardar para mim. Há que aprender a ser invisível e não aceite com graciosidade. Até poder respirar de novo.

Like...damn

Às vezes digo que é bom não falar alto para o diabo não ouvir, mas é quando o tinhoso mais escuta. 

segunda-feira, outubro 17, 2022

Os quatro eixos

Um amigo que muito prezo falou-me sobre um sistema de avaliação da satisfação com os diferentes aspetos da vida (uma espécie de índice de satisfação média) com 4 eixos: amor, amizades/família, trabalho e saúde. Pontua-se cada um destes eixos até 20 e divide-se por 4. Ficamos com a percentagem de satisfação média com a vida. No momento estou em 64. Não é brilhante, mas é o que há. 

sexta-feira, outubro 14, 2022

Sinais dos tempos

Um monge budista com sandálias Croc azul forte. As sandálias de cabedal devem andar pela hora da morte.

quarta-feira, outubro 12, 2022

Até sempre Jessica Fletcher

Morreu a atriz Angela Lansbury que se eternizou como a escritora Jessica Fletcher na série «Crime, disse ela». Teve uma carreira cheia e reconhecida e para além disso era uma pessoa interessante, divertida e serena. É o tipo de pessoa que me sabe bem observar e assimilar. Foi um prazer Angela.

terça-feira, outubro 11, 2022

Sou quadrado

É estranho que a simples brincadeira sobre trios me incomode, no contexto da minha relação. Se um namorado quisesse fazer trios teria de arranjar outros dois participantes e um novo namorado.  Sou tradicionalista neste aspeto, no entanto, sou a favor de todos os modelos de relação, tipos de sexualidade e práticas sexuais, acho que as pessoas têm de experimentar e expressar aquilo que as faz plenas. 

Creio que atribuo às minhas relações amorosas (apenas), uma sacralidade que passa pela união romântica e sexual exclusiva. A culpa é do Walt Disney e vá... dos meus pais que tiveram um casamento que funcionou demasiado bem. Se não é a dois, não quero. Prefiro estar sozinho.