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quarta-feira, abril 15, 2026

O que ficou.

A minha última relação foi muito intensa. Foi a pessoa de quem mais gostei e aprendi uma coisa altamente significativa: quero muito ser gostado como gostei dele. Deixei de procurar um grande amor, aliás, acho que perdi a capacidade de me dar em total vulnerabilidade e tenho isso a agradecer a esta última aprendizagem. Não perdi a capacidade de me dar e de cuidar de alguém e de ser muito bom para quem me respeite, mas perdi a capacidade de me diluir na ideia de felicidade do outro. Estou muito mais duro e, por isso, mais inacessível. Poderia ser uma pena, mas não é. Atingi um nível muito grande de satisfação com a vida e com aquilo que tenho sozinho. Só posso ser acrescentado, a partir daqui. E se não me acrescenta, não tem lugar na minha vida, porque o resto já tenho, a completude. Sei que, no futuro, já não sofrerei em mim ou por mim. Não me falta nada. Onde não há faltas não há fome, onde não há fome não há insaciedade incontrolável. Posso crescer muito ainda, ser muito mais com alguém que, contudo, nunca me fará sentir vazio na eventualidade de se tornar ausente. A minha casa é de pedra, sólida e íntegra. Pode ficar mais bonita com novos pisos e anexos, mas desfeitas as configurações adicionais, será sempre a casa íntegra. Todo o conforto de que preciso. O que preciso tenho. Tudo o que puder ter a mais é bem vindo, mas não é necessidade. 

quinta-feira, outubro 10, 2024

Overthinking

Pensar demasiado nas coisas faz mal. Quando deixamos o nosso cérebro em roda viva conduzido pelas nossas emoções é uma caca (para não dizer merda). Acho que às vezes é melhor mesmo sentir o que vai no corpo. Escutar a intuição mais primordial. Acho que algumas das minhas melhores escolhas foram intuitivas e não racionais. Ando a ser racional há demasiado tempo ou a "patinar na maionese" porque o cérebro tenta arranjar justificações para o que intuitivamente parece errado. Acho mesmo que as primeiras impressões são fidedignas. O que diz o corpo? O que diz o espaço dentro do peito? Acho que é melhor escutar estas impressões. Simplificar. 

quinta-feira, agosto 31, 2023

Diz que...

Diz que quando repetimos uma coisa várias vezes é porque estamos a convencer-nos de que ela é real e não que o é realmente. Mas não poderá ser que estamos simplesmente a ser repetitivos porque sabe bem saborear essas palavras a sair da boca?

quinta-feira, novembro 24, 2022

Carma?

Há muitos anos atrás uma pessoa que eu idolatrava fez-me muito mal. O nível da maldade, é inenarrável. Agosto de 2000 mudou-me e ficou para sempre marcado em mim. Lembro-me de desejar que ela recolhesse as consequências de toda a sua maldade gratuita. Soube hoje que teve uma filha deficiente e que a sua vida é bastante infeliz por isso. Não fiquei contente. Acho que no fundo gostaria, apenas, que as pessoas tivessem descoberto a má pessoa que ela era na realidade. Só isso. Tenho pena pela menina, que hoje já será uma adolescente, e até fiquei com pena da mãe. Não consegui deixar de pensar se teria sido o carma. 

segunda-feira, agosto 08, 2022

O quadro maior das coisas

Este fim de semana que passou estreei a nova casa de família, um refúgio no campo a 1h20 de Lisboa, perto do rio e com piscina. Foi num dos períodos em que estava na boia a apanhar sol que tive uma espécie de epifania - como a epifania do ovo estrelado há anos atrás - sobre como as coisas se estavam a organizar na minha vida apesar das dores provocadas pelas mudanças dos últimos 3 anos. 

Já consegui mais dos meus objetivos do que aquilo que inicialmente pensava. O novo (e desejado trabalho) também está aí à porta. E as coisas que não estão vão sendo aceites com uma nova calma que o regresso à boa forma física/psicológica me tem proporcionado.

A vida está a acontecer e tenho de aproveitar as bênçãos que aparecem - nem sempre visíveis num primeiro olhar.  Estou a ganhar fé de novo. Tomara que se mantenha este sentimento. 

quarta-feira, outubro 21, 2020

Como fomentar a união?

Quando vemos séries sobre cenários pós-apocalípticos achamos sempre aquilo incrível e pensamos que a natureza humana não pode ser assim tão má. A Covid19 será algo mais simples do que um apocalipse Zombie (por exemplo), mas não estamos a conseguir sequer impedir a propagação da mesma, trabalhando para o mesmo propósito. Uns defendem que é tudo uma farsa, é fake news, um esquema de dominação dos poderes vigentes (como se os poderes vigentes quisessem perder o poder económico que lograram ao lançar uma coisa destas) Está tudo às turras, o bom senso não consegue vingar entre o pânico de uns e a displicência de outros. Que falta fazia agora um Messias. 

sexta-feira, dezembro 29, 2017

Reflexão para 2018 - Um bom ano a todos

A minha reflexão para 2018 não é minha. Exponho-a, talvez por pensar que existem demasiados equívocos sobre o que é ser feliz, em função da racionalização excessiva da ideia de "bem" para nós mesmos e para os outros. Esquecemos, no nosso desejo de transcendência, que somos parte integrante de um equilíbrio natural e da maravilhosa realidade das coisas, interiorizada cada vez mais por via dos conceitos "das coisas" e cada vez menos pelo sentir das coisas. Assim, o meu (humilde) contributo para a vivência tranquila de 2018 é relembrar um texto de Fernando Pessoa/Alberto Caeiro. 

Se eu pudesse trincar a terra toda
e sentir-lhe um paladar,
e se a terra fosse uma coisa para trincar,
seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade,
naturalmente, como quem não estranha
que haja montanhas e planícies
e que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
na felicidade ou na infelicidade,
sentir como quem olha,
pensar como quem anda,
e quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
e que o poente é belo e é bela a noite que fica...
E que se assim é, é porque é assim.

Alberto Caeiro

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Não fazia ideia

De que existem tantas pessoas com gatos chamados Simba. Eu se tivesse outro gato acho que lhe chamava Pêro ou Pêssego. 

quinta-feira, outubro 11, 2012

Coisas que se pensam

Depois de um duro processo de trabalho em prol de um projecto, cumpri o meu objectivo e recebi elogios ao trabalho executado (das avaliadoras e da instituição financiadora, da minha instituição zero). Tem sido extenuante porque as instituições parceiras não cumprem o seu trabalho como deveriam o que deixa muito mais nos ombros do coordenador que não pode dizer "ah, as coisas não estão termminadas porque os parceiros não realizaram o trabalho que deveriam". Tenho de fazer o que os outros não cumprem e comer noites, fazer directas, etc. O meu predecessor no projecto quando se foi embora disse-me "bem vindo ao Inferno". Já percebi o que ele queria dizer. Tenho as pessoas que amo ao abandono porque o trabalho ocupa tudo quando há picos e eles são quase constantes. Nove meses depois penso se isto vai ser sempre assim. Se as instituições fizerem o seu trabalho, não tenho de fazer directas ou trabalhar noites a fio. Mas será que sim? Não sei se quero isto para a minha vida. Assim que se me afigura a ideia de mandar o projecto por muito giro que seja para os cucos e pedir para rodar dentro da minha instituição, mesmo que isso signifique um trabalho rotineiro. Tenho de pensar bem. O trabalho põe comida na mesa, mas só trabalho desnutre a alma.

segunda-feira, abril 09, 2012

Carteira nova

Comprei uma carteira nova que é cor de baba de camelo ou caramelo, a questão é que quando olho para ela não consigo deixar de pensar que é cor de diarreia. Deve ser por isso que achei que ninguém teria uma com esta cor.