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segunda-feira, fevereiro 14, 2022

O caso Bruno Carvalho e Liliana Almeida

Sempre liguei pouco ao Bruno Carvalho porque o futebol e a idiotice clubística não são muito apelativos para mim.  O Big Brother sempre achei um experiência interessante, desde que bem feita, mas as última edições não cheguei a ver por achar que eram apenas "carne para canhão" ou seja, para audiências. As escolhas da TVI têm, no mínimo lamentáveis, e neste Big brother famosos fui sabendo notícias pela minha mãe. Quando soube o que se passava com o par Bruno e Liliana, comecei a acompanhar online apenas o casal por achar que era uma situação estranha, mas de estranho passou a perigoso. Perigoso porque passou de uma relação intensa para uma relação abusiva (com laivos de manipulação e violência psicológica gritante) que todos os dias estava na TV a normalizar este tipo de comportamentos, dos quais temos de nos afastar.

É chocante que existam mulheres a achar que o que se passa ali é normal. Não é por ser o Bruno de Carvalho ou Liliana Almeida que aquila situação é grave - este tipo de comportamento é grave em qualquer relação - mas é muito grave que duas figuras públicas legitimem este tipo de comportamento abusivo, como normal. 

A pressão psicológica, a manipulação, não são admissíveis e a violência doméstica (que não significa apenas homens a bater em senhoras) é - felizmente - um crime público, que permite que uma vítima assustada ou manipulada possa ser defendida por terceiros que percepcionam a relação como abusiva.. No caso, a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género apresentou queixa ao Ministérios Público. Em boa hora! É preciso sinalizar que o que se passa ali é errado, a evolução civilizacional é todo o contrário do que se passa neste casal. É que as mulheres e homens que vivem situações idênticas à Liliana Almeida percebam que estão a ser vítimas de violência na relação.

PS. O desespero por bons resultados nas audiências não justificam tudo (talvez para a TVI e para  Cristina Ferreira e  afins de outras estações).

sexta-feira, março 12, 2010

Violência contra professores

Vi hoje uma notícia sobre um professor que se suicidou porque era alvo de chacota dos alunos. Provavelmente a escola vai dizer que não sabia de nada, um inquérito vai dizer que é não há provas e morre aqui o assunto.
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Lembrei-me de dois professores da escola onde fiz o 7º, 8º e 9º anos. As escolas dos subúrbios não são fáceis. A minha não era das piores, mas os professores fracos depois de sinalizados sofriam bastante. Lembro-me da professora Edwiges e de um outro professor de inglês. Ela era uma pessoa bastante nervosa e bloqueava com a indisciplina. Muitas coisas aconteciam na aula, desde ser atacada com bolinhas de papel soprada por canetas, fisgas de grampos, até alguém rebentou um balão de água contra a parede. Ela simplesmente estava à nora. Não se conseguia defender nem impor o respeito. A dada altura, alguns alunos (eu incluído) começamos a defendê-la contra os colegas. A directora de turma sabia de tudo e outros professores também, mas olhavam para ela com desdém por ser fraca. A realidade é que os professores também conseguem ser bem cabrões uns com os outros.
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O professor de inglês era gay. Um tipo muito pacato e calmo e pequeno. Para além de lhe chamarem nomes, de entrarem e sairem pelas janelas, de fumarem na sala, ainda se encostavam a ele (os mais altos) a fazer -lhe medo e a desafiá-lo. Lógico que ele não dizia uma palavra, as aulas eram uma balbúrdia e ele acabou por abandonar o lugar. Não me lembro de nenhum professor ter sido solidário com ele. Isto foi em 1988, 1989. Acho que o único registo destas coisas deve estar na memória de quem presenciou os factos.
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Os putos são terríveis. As criancinhas e adolescentes são de facto, predadores se sentem o cheiro a medo. É próprio da idade, estamos a testar limites. Mas pode ser mais do isso. Pode resultar na depressão e suicídio de professores, pode resultar na morte de pessoas desvalidas como a Gisberta. Tudo isto talvez porque se faz vista grossa aos factos, porque a maioria dos inquéritos servem para encerrar assuntos e não para apurar responsabilidades. As crianças sáo santificadas, as escolas são santificados. Tudo é santo e o pau é muito oco.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Violência doméstica (um caso)

Soube ontem de uma história de violência doméstica que me deixou bastante indisposto, não só pelo acto da violência, mas pela forma como a autoridade lidou com o assunto. Uma mulher foi espancada pelo ex-marido na sua casa, deixando-lhe a cara num bolo e com os dentes da frente partidos. O tipo fez isto em frente a um dos filhos ainda pequeno que lhe pedia para ele não bater na mãe. Os vizinhos chamaram a polícia que entrou em casa da vítima, onde só estava ela toda esmurrada, o marido e os três filhos. Ele com as mãos com sangue. O filho disse aos polícias que o pai bateu na mãe. Trata-se portanto de um flagrante.
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Quando na mesma noite ela saiu do hospital, o tipo estava lá à espera dela a pedir desculpa, que não queria ter feito o que fez. Não há prisão preventiva para esta gente? Foi um flagrante. E ela sai do hospital e ele está ali soltinho à espera dela? Mas que cena é esta? Se lhe quisesse dar outra sova dava.
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Há coisas que me ultrapassam. O tipo deu-lhe uma sova com base em ciúmes, quando até estão separados, e porque lhe vai ao telemóvel e interpreta mal uma mensagem que lá estava. Teve um acesso de insanidade temporária provocado por ciúmes. E fica por isto mesmo? Ela ficou toda partida e ele anda ao fresco. Há outras questões que me passam pela cabeça, os amigos dele continuam todos a falar com ele como se nada fosse? A família vai dizer «coitadinho foi um momento mau, mas ele não é assim»? Fico enjoado.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Ainda por causa dos brandos costumes...

Como refer o DN, este ano já morreram vítimas de violência conjugal mais 8 mulheres do que no total do ano passado. Se antigamente isto era típico de escalões etários acima dos 50, a tendência é que pessoas cada vez mais novas cometam o crime, pessoas nos 20 e poucos anos.
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Quando falo com amigos meus eles dizem «O quê? Diferenças entre homens e mulheres? Isso já não existe, isso era no tempo dos nossos pais». Epá, que bom. Somos uma sociedade tão evoluída. Se olharmos para cima, para o lado ou para o chão até é verdade. Se olharmos na direcção das pessoas, já mudo de idéias.
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Sim, existem imensos jovens na universidade. Sim, os tecnologias melhoraram a qualidade de vida e temos mais facilidades e informação. Não, as mentalidades não mudaram assim tanto.
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E das pessoas que lêem o meu blog, algumas irão dizer «Epá, acordaste zangado? Estás deprimido? Gosto mais quando fazes posts com piadas e tal». Bom, adoro rir, adoro as piadas e tal, mas também sou um tipo consciente de que o mundo em que vive não é perfeito e que de vez em quando é preciso falar dele e tentar melhorá-lo um bocadinho. As duas coisas podem coexistir na perfeição.