terça-feira, julho 28, 2015

Coisas que os gays fazem que eu não percebo

Frequentar a igreja católica: 
Eu compreendo que se tenha fé em Deus, mas existem igrejas cristãs que não dizem que a homossexualidade é um pecado e que os homossexuais são aberrações (como faz a Igreja Católica Apostólica Romana). Fazer parte de uma comunidade que não nos aceita e que nos renega como pessoas dignas é no mínimo masoquismo, mas eu aponto mais para a estupidez. 

Votar no PSD e CDS:
O CDS tem um Presidente homossexual e o PSD tem uma Presidente da Assembleia da República lésbica que votam  contra os direitos fundamentais dos homosseuxuais, que impedem crianças filhas de pais homossexuais assumidos de ter uma vida normal ao não legitimar a co-adopção pel@s parceir@s dos pais, entre outros mimos dos quais este é apenas um exemplo.

Hoje ainda li a pérola do Deputado do PSD Carlos Peixoto que disse numa entrevista à rádio:

«Se estamos a admitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo, então também podemos admitir, pelo mesmo princípio, casamentos entre pais e filhos, entre primos direitos e irmãos. Ao admitir-se este tipo de nova ligação, chegamos ao ponto quase surrealista de admitirmos soluções muito mais vanguardistas e perigosas até do ponto de vista da procriação».

Eu sou "Straight Acting"
O que me chateia no invocar desta expressão é a ideia escondida de que o gay "masculino e viril" é superior ao efeminado. Guess what? Um é tão gay como o outro, gostam os dois de homens. Se alguém gosta de imitar a Beyoncé na rua, seja. Desde que ninguém me obrigue a mim a fazer o mesmo, estamos bem. A mim o que me chateia mesmo são pessoas que fazem mal umas às outras e que falam gratuitamente mal umas das outras. E isso tanto se aplica a um gajo com ar de lenhador ou a um gajo vestido de Hello Kitty.


9 comentários:

Eolo disse...

Concordo nos pontos todos, o primeiro já levou a várias discussões com desfechos menos bons porque as pessoas não entendem a distinção entre ser cristão e ser católico apostólico romano, não me interessa quais são as interpretações que podem fazer da Bíblia, até porque é a posição da Igreja que dita regras, mas isso sou eu que de cristão só tive a educação da minha mãe até ela já não diz ser católica.

Votar nos ditos partidos, sim pelas mesmas razões e o straight acting ou os supostos discretos não sei o que têm de pior se discriminação dentro da comunidade LGBT ou a misoginia de que por se ter traços efeminados ou um comportamento dito efeminado torna a pessoa inferior assumindo assim que as mulheres são inferiores aos homens.

Um post refrescante no mínimo Silvestre.

Anónimo disse...

E, infelizmente, os mais preconceituosos somos nós... Também não percebo essas três atitudes que tão bem referiste. Enfim!

O Anfitrião de Lisboa disse...

Fiz tudo o que havia para fazer na igreja. Não por convicção, mas porque os outros iam e lá ia eu também. E depois fui deixando. Porque não me sentia bem-vindo. Mas uma questão é a fé, outra o acreditar numa instituição que se afirma como mensageira mas é autoritária, e que faz com que os gays que lá circulem o façam de forma secreta.

Quanto aos partidos de direita, consigo perceber melhor um gay votar num PSD, por causa das ideias economicas liberais mais associadas à direita. Quanto ao PP, não percebo mesmo. Acho tudo tão hipócrita.

Quanto ao straight acting, somos todos preconceituosos porque é tudo muito novo, muito recente. Este caminho para a normalização ainda é muito tenrinho, e a dita normalização os "despreconceito" vai durar gerações.

Horatius disse...

Frequentar a igreja católica:
Não é a Igreja que tem essa atitude, mas sim alguns daqueles que a constituem. Eu sou Cristão (diferente de católico), e acredito em algumas coisas que vêm da Igreja e outras nem tanto. Porque a Igreja é formada por homens, e os homens erram. E sim, frequento a igreja. Já participei mais ativamente na vida da minha comunidade, hoje não renho a mesma disponibilidade que tinha. E não acredito no inferno nem em nada dessas coisas. Deus é Amor, para mim, e não um ser cruel e vingativo que te vai mandar para o fogo do inferno se não fores à missa...
(grande testamento... LOL)

Votar no PSD e CDS:
Eu acrescentaria o PS a essa lista. Não esquecer que o PS chumbou um projeto de um partido à esquerda (já não lembro ao certo, mas acho que era conjunto de BE e PEV) para aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, apenas para o poder usar como arma de campanha eleitoral, para captar votos de um determinado nicho. Quanto ao Sr. Carlos Peixoto, se começasse a foder para ser feliz, a sociedade agradecia...
(outro grande testamento... LOL)

No Limite do Oceano disse...

Silvestre eu tenho uma opinião bem formada em relação À religião católica, fiz tudo o que tinha para fazer, menos casar...temos pena lol mas a partir do momento em que comecei a ver a vida com outros olhos, a palavra que me vem sempre à memória é hipocrisia.

Em relação a ser gay, macho ou efeminado, o problema para mim reside no seguinte: por mais que se diga que se aceita o próximo tal e qual como ele é, nem sempre se faz isso. Tenho mente bem aberta e há coisas que não me entrem na cabeça, mas estou também a aprender :-)

Little Tiago Boy disse...

Concordo plenamente contigo, mas repara, quanto ao ponto 1 muitas vezes (digo eu!) pode partir da educação que se teve em criança e acabar por se manter o hábito de frequentar a igreja...

silvestre disse...

@eolo: nem mais. Ser mulher é visto como inferior.

@anfitriao: tem a ver com as pessoas. Nos países nórdicos é tudo também muito novo, se pensarmos que eram países quase rurais nos anos 30 e que em 60 anos ficaram no topo evolucional.

@horatius: o cristianismo é uma doutrina bonita e amar o próximo é um princípio com muito alcance. Mas a igreja em si é uma instituição podre.

@oceano: a aceitação exercita-se, principalmente se perspectivarmos em termos relativos.

silvestre disse...

@liitle Tiago: tens razão. mas o sentido crítico deveria ter uma papel activo. há pouco dele.

N a m o r a d o disse...

Concordo e subscrevo. Muitas dúvidas que também tenho e que me levam a ponderar sobre o que é o povo português.