Mostrar mensagens com a etiqueta direitos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta direitos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, julho 06, 2020

Um frase importante

«Dar direitos a todas as pessoas, não retira direitos a ninguém.»

segunda-feira, julho 08, 2019

A redenção de Miley Cyrus



Miley Cyrus nunca esteve dentro do radar das artistas que considero, não obstante ter gostado bastante dos singles Can't Stop e Wrecking Ball. Nessa altura achei que a imagem dela era absolutamente gratuita e tudo o que fazia em espetáculos e/ou videos, tinha apenas um valor choque de rebeldia sem causa. Ficava desagradado apenas por vê-la. Incomodava-me. Entretanto, após a sua epifania pessoal e o aparecimento de um álbum country e algumas sessões de free Jam, apercebi-me  de que até havia muita música e qualidade dentro dela. Estabilizou acho, organizou-se como pessoa (não sei o casamento teve influência) e volta com um novo registo pop electrónico bem forte. utilizando a sexualidade feminina ao máximo, mas com um propósito. A glorificação da mulher como o seu próprio objecto e experimento. E simplesmente adoro este vídeo onde se reclama a sexualidade para todos os tipos de mulher. Lógico que nas formas artísticas as imagens não são para ser levadas de uma forma literal como sei que irá acontecer. Por exemplo, a letra «I'm nasty, I'm evil» não quer dizer que a mulher é má e maligna, simplesmente é uma ironia ao que os homens pensam de uma mulher abertamente sexual, mas nos seu próprios termos (mais ainda se nos colocarmos culturalmente nos EUA, que tem uma forma de puritanismo diferente da Europa, mais acutilante).Claro que vai ser acusada de estar a fazer isto para vender, etc etc. Como todos os artistas que expressam uma visão política através da sua plataforma, neste caso a música. A própria Taylor Swift está a enfrentar uma rejeição pública por fazer uma vídeo que expressa da sua visão política sobre os direitos dos homossexuais, apelando à assinatura de um documento de igualdade de direitos. Digam o que disseram, gosto de ver pessoas (neste caso mulheres) a lutar abertamente pelos direitos da sua auto-determinação. A Madonna foi percursora, muitas outras se seguirão e muitos outros o têm feito também a respeito de causas terceiras e outros tipos de direitos fundamentais. Palmas.

quarta-feira, julho 19, 2017

Cristiano Ronaldo e a compra dos bebés

Como já referi aqui várias vezes tenho o maior apreço/respeito pelo Cristiano Ronaldo como profissional/jogador e também como  familiar que cuida dos seus. Individualmente, como pessoa,  já  me sinto bastante distante dele e até o acho ridículo em muitos aspectos. Não obstante, dou por mim várias vezes a defendê-lo junto de colegas que o criticam por razões que eu não acho válidas, como é agora o caso dos bebés.

Foi um capricho? Pode ser. Mas ele é nitidamente uma pessoa que foi criada num regime de clã familiar, logo a família é muito importante. É natural que queira ter a sua prole e não tendo uma relação estável (e sabendo eu que as pessoas das ilhas são geralmente pais muito cedo, em particular as que não têm estudos independentemente do seu status financeiro) é natural que recorra a um meio que lhe possa dar os seus filhos. O seu sistema familiar permite fazê-lo, as crianças nunca irão crescer desapoiadas ou desprovidas de afecto (antes pelo contrário) e terão sempre presente modelos masculinos e femininos disponíveis, não necessitando da presença de uma "mãe oficial".

Quando me dizem que ele podia adoptar, porque já existem crianças no mundo que necessitam ser amadas, eu respondo que isso é válido para todos os casais heterossexuais que têm filhos biológicos. As razões que os leva a ter filhos e não adoptar serão as mesmas que levam o Cristiano Ronaldo a querer ter filhos biológicos em vez de adoptar. E não me venham dizer que é diferente porque não é. 

Acho que as pessoas que não têm uma relação estável e que querem ser pais têm todo o direito a sê-lo se existem meios disponíveis que o permite, e se têm um circulo familiar onde a criança se pode desenvolver de forma saudável. 

Posso achar o Cristiano Ronaldo um pirralho rico que pensa ser mais do que aquilo que é, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. 

terça-feira, julho 08, 2014

quarta-feira, junho 26, 2013

Greve

Amanhã faço greve. Nunca fiz greve antes. Acho apenas que tudo está a ir longe demais. Sou funcionário público, mas nunca me importei de trabalhar 10h por dia sem receber horas extraordinárias. Bastava-me saber que estava a fazer um trabalho bem feito e que era respeitado por isso. As coisas têm mudado muito. Há aqui um equívoco enorme quando o Governo apela ao discurso da produtividade e que temos de trabalhar mais horas para ajudar o país. Bom, o que eu observei no último ano e meio é que as condições para desempenhar o meu trabalho se deterioraram, reduziram-me o vencimento duas vezes (a segunda através da introdução do subsídio de férias em duodécimos, o que me  fez subir o escalão de IRS e perder mais dinheiro do que não ter o subsídio), passei a ter de picar ponto, acabaram com as progressões, acabaram com a formação no trabalho, querem aumentar o número de horas obrigatórias, a avalliação de desempenho não é feita e depois passam-me com a nota administrativa. Sinto que estou sempre a perder. O que dava antes de bom grado, deixei de ter vontade de dar. Fala-se de produtividade, mas não existe um sistema de incentivos (quanto mais não fosse o reconhecimento verbal por parte das chefias).  Eu era um funcionário exemplar e agora apetece-me cumprir apenas os mínimos, ou seja o que me é pedido por lei. Como eu devem haver imensos. E por isso estou a lixar-me para que me descontem o dia, e por isso se arranjar outro trabalho onde sei que posso progredir como profissional vou-me daqui embora, e por isso faço greve amanhã e quero que o Governo e a Administração Pública e Portugal se lixem todos. Ah é verdade, Portugal já está lixado. É que não podemos pedir ao povo brasileiro que venha resolver os nossos problemas e vamos continuar nesta passividade ancestral.

quarta-feira, julho 25, 2012

quinta-feira, junho 16, 2011

Gay Pride Portugal

Pois que anda aí uma discussão acesa entre gays que participam no Pride em Lisboa e os que não participam. Uns a chamarem folclóricos a quem desfila e os outros a chamar cobardes a quem não dá a cara. Eu do meu lado acho um pouco lamentável que assim seja. Por um lado compreendo que o activismo é necessário, por outro lado acho que a pedagogia no dia a dia acaba por ser um complemento para o que é chamado à atenção com o desfile. Eu que já estive em vários e que não meto lá os pés à uns anos, sei que os meios de comunicação acabam sempre por dar destaque às "aves raras". De facto, se houvesse mais gente com uma atitude descontraída e comum, não se veria tanto o "exótico", mas ninguém pode ser obrigado a cumprir uma via com a qual não se sente confortável (seja por desfilar ou por deixar de ser exótico).


Chamar cobarde a quem não desfila pode (em muitos casos) ser abusivo, uma vez que nem toda a gente que não desfila está no armário. Há muitos homossexuais a realizar trabalho pela igualdade no seu emprego, junto dos amigos da família, junto dos sítios que frequenta com o companheiro(a), etc.


Por outro lado chamar folclórico e radical a quem está a desfilar também me parece abusivo. O papel de que desfila é muito importante para colocar a questão na agenda, dar visibilidade e ser fortificado pelos outros que se assumem como casal no dia a dia e que não participam nas marchas. Eu sei que há quem vá para provocar reacções, mas muita gente (a maioria) vai de coração em prol de direitos iguais.


As duas coisas são importantes. Do meu lado gostava que as pessoas coneguissem sair da sua perspectiva e compreeder a do outro. Acho que se conseguiria algo de estupendo. Quem sabe um dia destes aparecerá alguém com o carisma suficiente para fazer a ligação entre as duas perspectivas e lançar a união e formar uma consciência colectiva. Era bom.

segunda-feira, maio 02, 2011

Pessoas de quem se devia falar



Morreu a 17 de Abril (com 94 anos) Alfred M. Freedman. Este senhor foi um brilhante psiquiatra e o grande responsável pela eliminação da homossexualidade como patologia do foro psicológico, em 1974. Enquanto Presidente da American Psychiatric Association (APA) apoiou uma resolução proposta por um representante de um grupo de jovens psiquiatras reformistas, acreditando ser uma das resoluções mais importantes que poderia tomar na matéria dos diagnósticos psiquiátricos.


Este foi, dos factos históricos recentes, um dos mais importantes para a progressão da luta e reivindicação de direitos fundamentais pela população homossexual. Graças a esta decisão muita coisa se tornou possível. E já que nos jornais se tem falado apenas de crise, futebol, mercados financeiros e afins, através do meu blogue procuro dar-lhe alguma visibilidade e reconhecimento.

quinta-feira, outubro 14, 2010

segunda-feira, junho 07, 2010

1º Casamento Homossexual

Teresa e Helena são oficialmente casadas. É justo e quase poético que sejam as primeiras pessoas dentro da sua orientação sexual a contrair matrimónio. Foram estas duas mulheres as maiores responsáveis pela discussão que se gerou em torno da matéria desde Fevereiro de 2006 (quando tentaram casar pela primeira vez). Parabéns às duas e que sejam felizes. Mais informação aqui.
.
A esta hora a Paula Bobone deve estar a perguntar-se porque é que não foi convidada para organizar o evento depois de ter escrito «Cara-metade: o casamento finalmente correcto» com sugestões para um casamento chique. :-p

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Casamento Homossexual - O início

E começou o processo. Hoje o Parlamento aprovou. Agora serão uns bons 8 meses até que a lei esteja pronta para ser aplicada. Não creio que vá ser fácil a transição. Mas alguém terá de sofrer os primeiros impactos. Digo isto porque não me esqueço nunca dos «brandos costumes». O português é alguém que não se importa muito abertamente com uma questão até que ela lhe bata a porta. Antes disso pode fazer comentários em ambientes protegidos, fruto de alguma cobardia ou deixa andar. Depois também não somos, no geral, particularmente instruídos, inovadores ou progressistas. Tenho receio da tacanhice e do medo. Percebo que há pessoas que têm efectivamente medo da homossexualidade, e por isso reagem com agressividade ou violência ou apenas estupidez natural.
.
Como será quando os casais homossexuais expressarem livremente o seu afecto em público? Estão casados. Reconhecidos pelo Estado. É legítimo. Não creio que a resposta vá ser animadora nos primeiros anos. Tem de se ter coragem. Muita gente nos séculos anteriores ao nosso tiveram a coragem de se expor para que hoje os seus semelhantes podessem usufruir de direitos fundamentais. É o mínimo que se pode fazer. Ter coragem.

segunda-feira, novembro 16, 2009

O Terceiro sexo

A Índia é o único país do mundo onde todos os documentos oficiais para preenchimento dos cidadãos têm as opções de preenchimento: sexo masculino, sexo feminino e outro (transsexuais, hermafroditas e eunucos). Este outro é conhecido pelo "terceiro sexo". Na Índia existe pelo menos 1 milhão de pessoas do que se enquadram nesta categoria.
.
Mais informação aqui

sábado, outubro 24, 2009

Referendo ao casamento gay? Referendar direitos?

Foi noticiado hoje que os socialistas católicos querem um referendo sobre o casamento homossexual. Dizem que todos os portugueses devem poder decidir. Desde quando é que os direitos fundamentais devem ir a referendo?! Isto é tão escandaloso como não deixarem as mulheres votar em alguns países islâmicos. Também deve ir a referendo o direito de elas poderem decidir sobre o futuro do país do qual fazem parte?
.
Estou tão cansado, mas tão cansado destes argumentos estafados (para não dizer um palavrão). Porra dos católicos. Mas quem é esta gente? Preocupem-se mais com evitar os abusos sexuais por parte do seu clero a miúdos indefesos. Preocupem-se com as suas vidas.
.
É um direito fun-da-men-tal! O matrimónio é um direito civil. Ninguém quer casar pela igreja. O casamento, infelizmente, traz uma quantidade de benefícios entre casais que não se conseguem de outra forma. Para mais o nosso Estado é laico. Será que os socialistas católicos sabem o quer dizer Estado laico?
.
E o argumento dos Bispos de que o casamento homossexual é um erro numa altura em que a natalidade está tão baixa e que há cada vez menos casamentos dá-me vontade de rir, mas para não chorar. Eu, se não casar com um homem, não o vou fazer com uma mulher. Ainda estão na fase em que a homossexualidade se cura? E dizem que a pobreza e o desemprego são prioridades mais importantes, mas permitir o casamento homossexual impede alguma destas coisas? São de uma desonestidade intelectual impressionante.
.
A homossexualidade existe e não são 14 pessoas, são milhares, muitos milhares que em Portugal contribuem com impostos, com trabalho, como qualquer pessoa. Se eu tenho obrigações como qualquer pessoa quero ter os mesmos direitos de qualquer pessoa. É muito difícil esta equação? Eu não sei se quero casar. Mas quero ser eu a decidir se o vou fazer ou não. Quero que dizer 'não' seja uma escolha e não uma imposição. Não sou escravo de ninguém. Não sou propriedade de ninguém. Não é um católico que me vai dizer o que eu posso ou não posso fazer. O catolicismo é a religião com mais sangue agarrado às unhas, é a religião que cometeu mais atrocidades e continua a cometer, que moral têm? Quem é esta gente? É só o que me ocorre.

sábado, fevereiro 03, 2007

As mulheres são machistas? Algumas sim...

Apesar de ter de respeitar as opiniões alheias porque todos temos direito à nossa opinião, às vezes deparo-me com situações em que não consigo deixar de argumentar em contrário. Assim aconteceu numa conversa de almoço com uma colega a propósito do Referendo ao Aborto. Dizia-me ela:

«Eu não sei se vou votar. Não, não vou mesmo votar porque eu não tenho a certeza do meu voto. Uma mãe é mãe desde o primeiro momento, eu sou mãe e por isso não sei. Estou muito dividida, por isso não voto. Eu, se calhar, até acho que em certas situações as pessoas tem de fazer um aborto, agora de certeza não quero andar - como contribuinte - a pagar os abortos dos outros. É claro que as pessoas vão andar a fazer abortos porque é mais prático assim.

Depois também não concordo nada com essa história de que o aborto é um direito fundamental da mulher e que ela tem direito ao seu corpo. Qual direito? As coisas não são assim. O pai também tem direitos. Se o pai quer ter o filho, a mulher não tem o direito de fazer um aborto. Acho muito mal que a mulher decida sozinha. Acho muito egoísta. Está bem que é o corpo da mulher, mas o pai tem todo o direito de ter o filho».


Quando confrontada com o facto do voto ser um dever fundamental do cidadão ela respondeu:

«Pois, pode ser, mas eu também tenho o direito de não votar. E depois já tanta gente vai votar que não precisam do meu voto para nada. Ter de sair de casa só para ir votar em branco. Eu tenho o direito de como cidadã não ir votar, ou não? Bem, mas com isto tudo que me estão a dizer, já me estão a deixar ficar a sentir mal. Pronto, se o meu marido for votar, eu vou com ele».

Confesso que esta conversa me deixou um bocado angustiado. Custa-me perceber que pessoas da minha idade possam pensar de uma maneira tão redutora e contra si mesmas. Tenho de aceitar, o que não quer dizer que o faça de forma passiva (daí toda a argumentação que tive com ela). E quanto ao voto, ele é de facto a única via que temos de expressar a nossa opinião e de (pelo menos) tentar mudar o estado das coisas.

Quanto ao referendo, sou totalmente a favor do sim. Acho que só se pode ser a favor de todos os abortos ou contra todos os abortos. Eu sou a favor de todos.

Acho extremamente manipulador o argumento de que se está a matar uma vida. E quando se trata de um feto com malformação ou com qualquer doença genética? Não estamos a falar de uma vida também? Ou a higienização da sociedade já justifica a medida? Ou a «caridadezinha» que tanto me irrita também a justifica?

SOU A FAVOR DO SIM!