terça-feira, dezembro 22, 2009

Roma III



Dormi a manhã e às 12.30 lá estava à porta do MACRO (museu de arte contemporânea de Roma). O museu é dedicado a artistas italianos e é preciso ter sorte com o que está exposto. Eu tive azar. Era tudo muito fraquinho (ou pelo menos pouco apelativo para mim). Havia esperança no Palácio das Exposições e lá fui eu a pé, passando pela Porta Pia, Piazza Vittorio Emanuele e mais umas ruas que não me lembro agora. Mais uma vez azar, a maior exposição era sobre astronomia, a outra era de trabalhos do Calder. Não estava na «mood» para nenhuma das duas. Resolvi ir ver as Basílicas. Santa Maria Maggiore, San Giovanni in Laterano, San Pietro in Vincoli. Lá vi o Moisés do Miguel Ângelo (que me impressionou menos do que na última vez).
Como ainda havia claridade, fiz-me ao Coliseu que é dos monumentos que mais gosto em Roma. O arco de Constantino também. Ainda pensei em dar um volta maior, mas um pássaro cagou-me em cima do mapa (que grande cagada) e achei que era um sinal para dar por finalizado o passeio. Com os pés em muito mau estado (derivado a uns sapatos para fazer penitências), mas teimoso como um burro lá segui até à Stazione Termini passando pela Piazza della Republica. Acabei o dia com os pés de molho em água quente e a comer uma belíssima salada de rúcula, salmão e um crostini qualquer delicioso.

Texto sem a letra «O»

Quiseste dizer-me, repetidamente, que me amavas. Lembrei-me de rir nesse instante. Há alturas em que nada mais existe na vida, para lá de uma gargalhada. Ri uma maré de decibéis. Ficaste sem pinga de sangue, qual vítima de uma mulher sem deferência pelas tuas ternuras. As tuas palavras ficaram esquecidas na minha rigidez. Se pudesse agarrava as entranhas para acalmar esta ardência arrebatada, mas sabes bem que é inviável nesta cama a que fui submetida em vinte e três punhaladas, na cama a que me submeteste. Direita. Estanque. Paraplégica para a vida, disseram eles. Pedir-me desculpa? Amas-me? Fazer-me rir é única vantagem que me une a ti.

Ponto de vista...

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Desempacotar sucks, mas está a valer a pena

Mais uma manhã dedicada a arrumações no novo local de trabalho. Desempacotar e arrumar é a maior seca desta vida. Pergunto-me o porquê de não ter deitado mais coisas fora antes de fazer os caixotes. Contudo, o que interessa é que o gabinete é enorme, tenho um lugar de janela com luz natural, não existe alcatifa, é silencioso e vou poder colocar um puff no chão para descontração vespertina naquela meia hora que me sobra do almoço. Talking about upgrading, yeeeiiiii...

domingo, dezembro 20, 2009

Avatar


Fui ver sem grande expectativa, talvez por culpa de toda a publicidade sobre como este filme vai mudar a história e o futuro do cinema. Não fui ver a versão 3D e fico muito feliz por isso, porque me pude concentrar na história. Gostei muito do filme. Muito mesmo. A maior parte do tempo esqueci-me de que estava a ver animação. Claro que os efeitos especiais ajudam à espectacularidade das cenas, mas é um forte manifesto político, cultural, humanista e ambientalista. A história é clássica. Um variação dos filmes de heróis messiânicos da antiga hollywood. Nada de novo, mas não obstante, brilhantemente contado, filmado e cheio de subtilezas - as quais não estou certo de serem apreendidas por todos os espectadores do filmes.
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Em certa medida, este filme pode ser dar "pérolas a porcos" porque muita gente nunca irá apreciar a exposição das questões políticas e citações que são incluídas nas frases dos personagens assim como quem não quer a coisa. Os americanos da era Bush (se não fossem tão estúpidos) ficariam a ranger os dentes pela crítica a que «metaforicamente» são submetidos no filme. É meu desejo que muita gente saia inspirada da sala de cinema. Não sei se isso vai acontecer. Mas se assim fosse, talvez este filme fizesse mais pelo planeta Terra do que aquilo a que a cimeira de Copenhaga alguma vez se propôs.


18/20

Finalmente...

A árvore de Natal está feita. Este ano foi um parto difícil. Todos os anos me surpreendo com ela depois de feita. Estou feliz.

Coisas que se fazem...

Uma amiga no trabalho teve um filho há cerca de 5 meses e como tem muito leite tem de estar a bombar ao longo do dia para não ter dores. Resultado, o frigorífico tem uma boa dose de saquinhos de leite congelado. Eu, nas brincadeiras do costume, perguntei-lhe durante o almoço se o sabor era bom, porque assim podia comer flocos de manhã sem gastar dinheiro em leite.
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Ela levantou-se e foi buscar uma chávena de café com leite dela. Disse-me «aí tens, prova e já ficas a saber como é» Eu que raramente fico envergonhado, corei. E o resto da malta que está habituada a nunca me ver embaraçado mais gozou pelo facto de eu ter corado. Bom, se ajoelhei tinha de rezar. E lá provei. Posso dizer que não pensei que fosse doce e baunilhado. De qualquer forma vou contnuar a comer os meus flocos com leite da Mimosa.

Natal que fica na história...

Este Natal recebi umas das prendas mais originais de sempre numa troca de presentes, uma ratinha. É branca e é de corda e corre pelo chão como um ratinha normal. Também ofereci uma trança de alhos. As velinhas e afins já eram...

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Nirvana em micaelense ?

Não sei se alguém já reparou, mas a primeira frase desta música é «não há pão quente» cantado com a pronúncia da ilha de S. Miguel. Terá o Grunge nascido nos Açores? :-p

Quando uma tipa é cabra, nem a maternidade a muda

O espírito natalício por vezes é o espírito do cão. Tenho a certeza disto, em especial, quando ou a lojas de brinquedos e roupa para crianças. Há muitas mães que só me apetece dar-lhes uma bolachada e perguntar-lhes porque é que são tão mal-educadas. Confesso que isto me deixa doente. Continuo a achar que há pessoas que vão criar os filhos à sua imagem e, como tal, vão criar seres tão desrespeitadores e mal-educados como elas.
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Hoje na Chicco, uma mãe que pensou que eu lhe estava a passar à frente, fez um escândalo com as senhoras da loja, porque pediram as minhas coisas para embrulhar em vez de pedir as dela. Podia ter dito simplesmente «eu estou primeiro». A empregada diria «desculpe» e estava o caso arrumado. Depois de eu ser atendido uma das empregadas disse «esta caixa vai fechar». A senhora que estava a seguir a mim disse «eu acho muito mal, já viu que temos estado à espera aqui na fila?», a empregada respondeu «mas eu tenho de jantar porque vou ficar a fazer turno até às 24h e demoro pouco», a senhora (ou melhor, cabra snob) atrás de mim continuou «pois fique a saber que eu acho muito mal, daqui a pouco tenho de ir buscar o meu filho à escola e é uma falta de respeito». Parece que o facto de ser mãe lhe dá algum direito especial e que as empregadas de uma loja não são pessoas.
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Que as pessoas estão cada vez mais egoistas e rudes, é um facto. De qualquer forma, sempre pensei que a maternidade pudesse amaciar a "aspereza" de algumas gentes. Às vezes dou por mim a desejar que algumas pessoas fossem estéreis e isto também não é bonito. Há que respirar fundo e pensar que faz parte da diversidade da espécie.

Dia de mudanças

Diz-se que «ano novo vida nova». Tomara que seja assim. Hoje toca a empacotar tudo, porque na segunda feira vamos trabalhar em novas instalações. Arrumar ainda é mais chato do que empacotar, mas vamos para um edifício bem melhor. Que seja o início de boas e grandes mudanças.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Marcar ponto.

Hoje foi o almoço de Natal da instituição. Foi um pouco estranho. No ano passado fiquei num canto da mesa com um grupo que já se foi embora. Foi muito divertido. Este ano fomos menos e a malta divertida ficou toda em linha, estando de frente para os «menos divertidos» (eufemismo de cortesia). Comi que me fartei, porque a conversa fluia como cimento para lá de apontamentos circunstanciais. Numa zona da mesa, em que os «menos divertidos» estavam de frente para outros igualmente divertidos, não se trocava uma única palavra. Nem um «hoje está calor» ou «o mar está revolto». Nada. Viva as confraternizações institucionais!

O tremor de terra hoje...

Pode bem ter sido a natureza a dizer que se a Conferência de Copenhaga não vai a lado nenhum, mais década menos década está a mandar-nos todos à merda. E como (penso eu que por este andar) não vai mesmo a lado nenhum, o melhor é habituarmo-nos ao castanho.

O Natal dá...

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Coco & Igor

O filme que relata a breve affair entre Coco Chanel e Igor Stravinsky em 1920, ano da criação do famoso Chanel nº5, não é uma obra cinematográfica, mas é uma obra cenográfica. A cenografia e o guarda-roupa são belíssimos e o filme é filmado com mestria, ajudando para isso uma actriz que fica bem em qualquer ângulo e que dá uma dimensão quase estatuesca a todos os planos em que aparece.
É um filme lento que pretende ser poético e tenso. A tensão está lá: a força da Coco, a religiosidade e o temperamento másculo de Igor, a revolução estética e artística do início do século XX. As personagens estão lá. O desenho está lá. Talvez esperasse eu, um pouco mais de argumento, não obstante reconhecendo que o filme era para ser simplesmente o que é. Um exercício estético e poético.
15/20

Bom vídeo

Bad romance - Lady GaGa

terça-feira, dezembro 15, 2009

Eventualmente...

...numa próxima vida podemos estar a desejar ser aquilo que somos hoje, por isso, toca a viver muito bem com o que temos e fazer o máximo disso.

Perspectivas.

Roma II

Era sábado e dormi muito bem. Já não havia dor de costas. Em conversa com a B. disse que andava a tirar um curso de história de arte e que na última aula tinha falado de art noveau e art déco. Isso ditou os planos da tarde. Levou-me a ver um bairro com arquitectura art noveau e de seguida iriamos à Villa Torlonia para almoçar e ver uma espantosa casa em art déco. Fiquei contentíssimo porque não é o tipo de coisa que se saiba que existe em Roma. Na Villa Torlonia comi um Calzone insano. Realmente anda a malta aqui em Portugal a pensar que come italiano e depois bem vistas as coisas, puft...
À noite fomos para a «Música no Museu», uma iniciativa que promove a abertura dos museus durante a noite para receber actividades como música, dança e canto. Gratuito. Fomos surpreendidos (positivamente) por uma banda de homenagem à Gianna Nanini. A miúda tinha uma voz brutal mais potente que a própria Gianna. E para acabar a noite fomos ver outra banda que cantava música soul. WOW... foi só o que me veio à cabeça. Outra miúda, que se fosse preta podia candidatar-se a ser a próxima Aretha.

Roma I

Primeira lição, nunca levar uma mala gigante sem trolley. Muitos encontrões e uma incrível dor de costas depois cheguei a casa da B. Foi excelente reencontra-la depois de 6 anos. Eu constatei que ela continuava a mesma pessoa calma e doce do costume e ela constatou que eu continuava o mesmo tagarela do costume. Já havia planos para a noite e, depois de um jantar leve, fomos para o Livraria do F. e da L. onde ia haver um concerto de uma banda alternativa com ideais New Age. A livraria é um espaço muito giro onde servem refeições, dão cursos de provas de vinho, fazem clubes de leitura, recitais, etc. Um espaço muito vivo e agradável. Ah, vendem lá «o verdadeiro pastel de nata português» que na realidade é uma queijada enorme. Tive muita dificuldade em explicar-lhes o que era um pastel de nata, mas como sou português eles lá acreditaram em mim. Ficaram de reclamar com o fabricante. Eu simplesmente lhes disse para dizerem que vendem «a verdadeira queijada portuguesa» e pronto.