Os amigos nem sempre nos conseguem levantar, mas fazem o possível para não nos deixar cair.
Tinha um medo ao ir ver este filme, que o Joker de Heath Ledger tomasse conta do filme na sua totalidade. Fiquei contente porque acho que tal não é verdade. O último do franchise Batman não é nada mau, não sei também se é muito bom. É um filme de acção que não pode fugir muito aos seus moldes, mas, mais uma vez, Christopher Nolan oferece-nos uma contextualização filosófica que permite uma maior profundidade ao filme. O filme perturba por se ver que existem homens que são mais do que heróis (são aquilo que o mundo precisa para sobreviver) e homens que são mais do que malfeitores, mas teóricos do caos. E no meio destes muitos homens que não sabem do que são feitos, uma vaga matéria cinzenta com um largo potencial de corrupção (ou não). Quem fica de pé no fim?
Não creio ter palavras que consigam fazer justiça ao filme. A Imitação da Vida é tido como o melhor filme de Douglas Sirk e é um excelente filme com 50 anos. Sem dúvida um dos melhores retratos sociais, e da vida, que já vi. Quem pensa que não anda a imitar a vida é melhor que se desengane. Todos nós, em alguma altura, vivemos o que pensamos estar a viver e não aquilo que realmente somos. Mas quando não queremos encontrar a verdade, ela encontra-nos a nós.
Uma das melhores coisas que acontecem na vida é quando colegas se tornam amigos. Há uns anos atrás o Silvestre, o Ponte e a Pepa arrasavam por estas bandas. Fundamos um blog quando ainda não se ouvia falar nisso e eu já me tinha esquecido do nosso bom aspecto na altura. Hoje abri um baú de recordações (bem... foi mais uma pasta antiga do computador) e encontrei as nossas fotografias de perfil. A vida dá voltas, os caminhos separam-se, mas o coração continua cheio. You rock people!!!
Gus van Sant é um realizador alternativo, talvez um pouco alternativo demais para mim. acho que ele produz o tipo de filme que pretende ser uma figura de realismo americano. Não sei se sou eu que não gosto muito dos recursos estilísticos que ele utiliza ou se o que eu não gosto é do americano real. Há qualquer coisa quase voyeur na sua obra que me desagrada. Este filme, Paranoid Park, deve ter sido um exercício intelectual que me passou ao lado. Não sei se a limitação é do filme ou se é minha. Supostamente deveria retratar o tormento de um miúdo americano que se vê cada vez mais próximo de ser descoberto, depois de ter assassinado acidentalmente um guarda noturno. Não senti o tormento, não senti a intensidade da busca... se calhar o que é para ser percebido é que a sociedade americana vive uma espécie de dormência. Não faço ideia. Não gosto de filmes que não me fazem ter ideia nenhuma, que acabo por não perceber. Se alguém o percebeu pode ser que um dia me explique.
Não importa que a estrada seja um bocado confusa e até pouco inteligível, o que importa é que não se falhe o alvo. Saber qual é o ponto de chegada ajuda, quanto ao caminho... bem, esse muda à medida das necessidades, é para isso que servem os GPS. Há quem diga que os piriquitos de barriga azul também não são maus de todo com a orientação (são um bocadito tontos, mas objectivos).
Lá numa rua do Bairro Alto existe um sítio onde se compra uma caipirinha que, para além de ser boa, vem em tamanho XXL. Graças a esse litro de caipirinha já tive dois sábados muito giros e este último foi um deles. À equação junta-se uma boa companhia e um local com música do melhorio. E quando estamos divertidos até acabamos por ser atracção turística e de repente já estava a desenvolver relações internacionais com duas inglesas que, pelos vistos, apreciam quem gosta e não tem medo de dançar. E lá fica a história gira para contar aos sobrinhos... «olha que o tio quando era novo era um ganda maluco».
As Canções de Amor é um belíssimo filme de Christophe Honoré, para mim, muito superior aos anteriores Ma mére e Dans Paris. É um filme que fala de amor, do amor, das formas de amor. É incrivel como quase todos os tipos de amor se encontram neste filme (inclusive o não-amor) e é isso que aprendemos no final. O amor é tão natural e universal que é totalmente indiferente às definições biológicas e às convenções sociais.
Bem, se a vida não me correr bem posso sempre utilizar os meus 'talentos de alcova'. Quem quiser fazer o teste é só ir a http://hellarity.us/in-bed/index.php
E se de repente num cinema perto de si há um festival de reposições? Vai-se ver um filme que é uma espécie de «Alô Alô» 25 anos depois, misturado com o «4 Casamentos e um funeral». Aqui também temos um funeral complicado (nunca vi nada que corresse tão mal) e o resto só vendo. Digamos que é muito bem disposto e que as pessoas têm muitos matizes que nem sempre estão em evidência. Um dia todos se abrem e é aí que se vê a verdadeira côr.
Um filme da Pixar que não tem a qualidade da animação a que estamos habituados por este estúdio. Mas tudo bem. O filme tem uma moral porreirinha como convém, ou seja, se acreditarmos em nós conseguimos tudo. Nós somos aquilo em que acreditamos, por isso vamos lá acreditar que somos o melhor possível. A história é sobre um panda que queria ser mestre de kung-fu. E lá consegue... e ainda fica heroí.
Sempre gostei dos filmes do M. Night Shyamalan. Embora A Senhora das Águas tenha sido o seu primeiro deslize de crítica e comercial, eu gostei do filme. O Acontecimento é um caso muito diferente. O ponto de partida é brilhante, o planeta reage às ameaças a que é submetido pelo ser humano, mas todo o filme acaba por ser um chorrilho de clichés (filmados ao género dos filmes de classe B sem nunca se assumir como tal e, portanto, sem ser carne nem peixe).
Hoje fui ver um daqueles filmes em que já sabemos o fim. Continuo a pasmar-me com a atracção que tenho por estes filmes, mas acho que é pelo garante de finais felizes. Embora saibamos o final, nunca sabemos o que nos leva até ao final e acaba por ser isso que torna o filme melhor ou pior. Este filme (para lá de ter o Patrick Dempsey como protagonista) tem como ponto alto a valorização daquilo que se toma por certo e nada como o descobrir que se ama na cidade de Nova Iorque. A cidade está linda como sempre e da maneira como é filmada que vontade me deixa de largar tudo e de ir viver para lá. Voltando ao filme, 'it delivers the goods'. Saímos do filme com um sorriso na cara e passamos duas horas de boa disposição a desejar que o nosso amor seja o nosso melhor amigo.
Fui à minha primeira consulta de iridologia. Na minha opinião, em Portugal pratica-se muito pouco medicina preventiva e esse é o caminho para evitar maleitas que se podem tornar muito mais complicadas. Para quem ficar a pensar o que é a Iridologia:
Phyllis Lyon e Del Martin conheceram-se em 1951 quando foram trabalhar para a mesma revista, começaram a viver juntas em 1953. Foram despedidas, 'massacradas' pela homofobia vigente, mas a sociedade repressiva dos anos 50 não foi suficiente para as separar. 55 anos depois de tudo ter começado, são o primeiro casal do mesmo sexo a casar-se legalmente na Califórnia. Não consigo imaginar o que é passar 55 anos ao lado de alguém, mas sinto uma enorme humildade perante um amor que duas octagenárias partilham ao ponto de ainda se quererem casar uma com a outra. Os meus parabéns às duas.
Estava hiper curioso para ver este filme (trazido pelos mesmos produtores do fantástico Knocked Up). Não posso dizer que me tenha desiludido, mas também não correspondeu totalmente às expectativas. Uma coisa é certa, é bom ver que existem tipos que conseguem escrever piadas sexuais sem cairem na boçalidade das comédias para adolescentes e formato MTV.
Aproveitei a segunda feira para ir ver «O Sexo e a Cidade». O entusiasmo era bastante, na medida em que sentia que ia encontrar um conjunto de velhos amigos. Como estaria a sua vida 4 anos depois? Depois de empatar um bocado, a série acabou muito bem e há sempre a curiosidade de saber o que se passa depois de todos estarem felizes. Como é uma vida feliz? Que evolução tinham feito aquelas personagens? Bom, a resposta não foi exactamente o que eu estava à espera.
Yves Saint Laurent foi um dos costureiros mais visionários do séc. XX. A sua arte mudou a face da moda para sempre. Tinha como frase emblemática «Isn’t elegance forgetting what one is wearing?». O alcance desta frase talvez não seja perceptível a todos, mas quem a percebe, percebe também que ele tinha razão. Morreu hoje com 71 anos.
Se a dança da Pina Bausch pode ser considerada visceral e decomposta, a de Akram Khan será muscular, cheia e de uma beleza fluida.