Onde as Suzana Garcia e os Mamadou Ba da vida têm holofote.
sexta-feira, julho 09, 2021
quarta-feira, julho 07, 2021
As falácias estatísticas
Li hoje que baixaram (em 3 indivíduos) os internamentos nos cuidados intensivos derivados de COVID, dito assim até parece que estamos melhor que ontem, que as pessoas melhoraram. Na realidade, morreram 8 pessoas e foram parar mais 5 aos cuidados intensivos. Há 3 camas livres, mas não é um saldo nada positivo.
terça-feira, julho 06, 2021
Deve ser sempre tão simples como isto
Independentemente de nada ser linear e de haver sempre mil e vinte justificações e coisas para pesar. Na vida, no trabalho, a permanência de algo deve ser aferida com a resposta a «Faz-te feliz?». Se não faz, não vale a pena.
segunda-feira, julho 05, 2021
As leis não protegem de tudo
Quando o deputado Ricardo Rodrigues "desviou" os gravadores dos jornalistas que o entrevistavam, fez-se uma lei que proíbe os deputados "desviar" gravadores aos jornalistas. Ou seja, o Estado resolve com mais regulação aquilo que provém do carácter. Como podemos nós impedir que pessoas de fraco calibre humano e moral cheguem ao Parlamento?
Isto traz-me, claro, ao caso Eduardo Cabrita que não tem padrão moral ou competência. O que o aguenta ali? Apenas teimosia e amiguismo. Ser do círculo próximo de um primeiro ministro não deveria ser garante de nada, a menos que ele fosse efetivamente competente.
Há anos atrás o Ministério das Finanças multou o Ministério das Finanças. Na altura parte da administração pública ficou em choque, parecia um erro ou excesso de zelo. Não foi. Aquilo foi - sim - serviço público, se outros dirigentes do próprio ministério não cumprem as regras que são para todos, têm de ser punidos. Mas vivemos tempos estranhos em que as coisas certas são as que parecem extemporâneas.
Um remodelação dos ministros prevaricadores vinha bem a calhar. O António Costa não devia ser tão teimoso porque há um país a governar. Esse devia ser o móbil principal.
quarta-feira, junho 30, 2021
terça-feira, junho 29, 2021
Não sou nada solidário com a polícia
Tal como um médico com Parkinson não pode ser cirurgião, um polícia desonesto ou violento ou preguiçoso ou que abusa da sua autoridade, não deveria ser polícia. Lógico que existem muitos bons polícias, mas existem um boa percentagem duvidosa. Creio que isso mata a imagem da classe.
O meu último caso foi no dia da vacinação. Estava SUV estacionado no parque das motas (a ocupar todo o espaço) e eu não podia estacionar. Fui ter com o polícia que estava na porta em frente a conversar. E disse «senhor guarda aquele carro está mal estacionado, está no parque de motas, devia chamar um reboque». Ele responde-me «vê algum sinal vertical a dizer que é parque de motas?». Eu continuei «não porque foi arrancado, mas no chão está também um sinal de de que é estacionamento de motas». E ele remata «se não vê nenhum sinal vertical e se não se vê nenhum sinal no chão». Eu interrompi «não vê porque o carro está em cima dele» e ele irritado continuou «se não vê nenhum sinal nem vertical, nem no chão, o carro não está ilegal, para mim está legal, boa tarde».
É por estes mimos que depois não tenho respeito pelas forças de segurança, posso ter medo de me meter em sarilhos com eles, mas respeito tenho muito perto de nada.
Para tudo é preciso sorte
sexta-feira, junho 25, 2021
Desenterrar os anos 80 - 14
quarta-feira, junho 23, 2021
Autobiografia da Sharon Stone
Não a li, mas li que tem 246 páginas. O que me diz isto? Que a Sharon Stone deve ter um poder de síntese enorme ou que está a planear escrever mais dois volumes de autobiografia. Há outro facto interessante, aparentemente foi mesmo ela que a escreveu (sem ghost writer). A seu tempo sou capaz de a ler. Sempre a achei uma mulher particular. Agora estou ocupado com a biografia da Michelle Obama (e que boa leitura esta a ser).
terça-feira, junho 22, 2021
Sucesso
Serei eu o único a pensar que o porquinho Babe foi um caso extraordinário de realização pessoal e profissional?
segunda-feira, junho 21, 2021
O mano fez anos
E de prenda recebeu um makeover da sala. A mãe meteu o dinheiro e eu tratei da decoração. Ontem, olhar para o trabalho finalizado, para as novas fotos da família nas molduras, foi uma sensação muito boa. A cereja no topo do bolo foi uma foto do gato dele (que morreu em dezembro) que eu tinha tirado e esquecido num disco externo. Ele ficou muito emocionado com a foto e, acima de tudo, estava verdadeiramente feliz. É para isto que se vive, diria, bons momentos que ficam gravados na memória.
quarta-feira, junho 16, 2021
Thandiwe Muriu
Adoro a fotografia da Thandiwe Muriu. Encontrar esta celebração da cor nos dias que correm não é comum, e se lhe juntarmos o conceito filosófico da camuflagem, embrulhado numa estilização neo-étnica, é definitivamente um festim para os meus olhos.
COVID 19 - porra da doença pá
Depois de um estudo a 2 milhões de americanos, que recuperaram da COVID19, chegou-se à conclusão que cerca de 25% fica com sintomas persistentes e desenvolve novas doenças. Também já se sabia que a COVID (na forma da variante indiana) favorece e facilita o aparecimento da mucomircose (fungo que provoca a necrose dos tecidos). Já não há paciência para esta doença, mas quanto mais se souber melhor.
segunda-feira, junho 14, 2021
Diz a Maya que interessa
‘I’ve learned that people will forget what you said, people will forget what you did, but people will never forget how you made them feel.’
Maya Angelou
Ouvi uma coisa que me arrepiou
Por causa da quantidade de casos de bullying que vai acontecendo um pouco por todo lado (o que não é nada de novo, eu próprio sofri esses abusos na escola, mas no meu tempo não tinha um nome e os média não prestavam atenção a isso) um senhor e uma senhora - na fila da farmácia - chegaram à conclusão de que o Salazar devia voltar como resposta. Isto é arrepiante e mostra o nível de ignorância e falta de capacidade de raciocínio de grande parte do nosso povo. Os meus pais e avós viveram os anos da ditadura e não era nada bonito ou bom. É interessante ouvir estas frases de quem não viveu esse tempo ou dele tem memória.
O autoritarismo não traz nada de bom, o que somos hoje tem muito a ver com os anos de ditadura e subjugação das mentes. A massa é em grande parte bruta e/ou oportunista, os nossos políticos são uma lástima e não há sociedade civil com capacidade para impor restrições. Estamos condenados a ser uma república das bananas ou subjugados. Ainda assim, prefiro estar numa república de bananas onde posso existir de forma livre.
Não deixa de doer, apesar de tudo, ver tanta gente incompetente e/ou indecente nos lugares que podem mudar o caminho da nação. Há gente de valor, claro, mas a luta seria tão dura que preferem manter a distância da política e da governação. Carreiristas, oportunistas e cultivadores de egos são a maioria dos sentados no parlamento. À esquerda e à direita. Estamos, como diria o meu irmão para bom entendedor, fecundados.
Um lugar silencioso 2
15/20
sexta-feira, junho 11, 2021
A gata do ex
Soube hoje que a gata do meu Ex morreu. Tinha um tumor e teve de ser abatida. Foi graças aquela gata que eu desenvolvi tolerância aos gatos e sem ela o Limão não teria sido adotado (teria salvo o gato na mesma, mas eventualmente não me teria aventurado a ser o humano dele). Acho que o Ex a deveria ter tratado com mais atenção. Era apenas uma pertença dele, não um membro da "família". Espero que ela tenha sido feliz a maior parte do tempo. Convivemos apenas 4 anos e não a via desde 2014, mas nunca me esquecerei dela. Até sempre Chica Cool (foste o Russian Blue mais bonito que conheci).
quarta-feira, junho 09, 2021
Aviso à navegação
Vamos deixar para sofrer pelo que é realmente trágico, e não por aquilo que é apenas um incômodo, senão fica impraticável atravessar os dias.
by martha medeiros
terça-feira, junho 08, 2021
Encontrei no top das mais lidas
No top das postagens lidas hoje (aqui no blogue) estava uma de janeiro de 2007. Às vezes acontece e vou lá atrás visitar o "eu" da altura, nem sempre o mesmo de hoje.
O post em questão era para o Ex que se portou muito mal comigo e originou a vontade de criar este blogue em dezembro de 2006 (tenho a agradecer-lhe isso). Verifico que mudei mesmo e não sei se gosto.
Dizia na altura "estejas onde estiveres, com quem estiveres, quero que estejas bem. Quero que estejas/sejas feliz. Apesar dos pesares, é o pensamento mais frequente que tenho a teu respeito. Cresce e sê feliz".
Li isto e a primeira coisa que pensei foi, se fosse hoje queria lá saber se ele estava bem ou não. Só quereria obliterá-lo do meu pensamento e da minha existência. Acho que estou bem mais intolerante com a idade.
A realidade é real?
"Confusão, desinformação, comunicação. Até que ponto é real o que ingenuamente costumamos chamar realidade?" Paul Watzlavick
Talvez um dos pontos de vista mas interessantes a que fui exposto durante o curso de sociologia (o outro foi o interacionismo simbólico através da Representação do Eu na Vida Quotidiana de Erwin Goffman.)
A realidade é tão frágil e quebradiça.
segunda-feira, junho 07, 2021
Como transformar o início de férias num pesadelo
Aproveitei o feriado da semana passada para tirar 5 dias de férias no Algarve. Pensei que era giro levarmos a cadela do namorado, uma vez que ele está menos tempo com ela do que gostaria.
À chegada, abri a porta de casa e descobri que toda a poeirada das obras exteriores do prédio tinha entrado por baixo da porta. Pensei que seria bom verificar o terraço, mas a persiana da sala caiu mal puxei a fita. O terraço parecia um cenário pós apocalíptico cheio de tinta e manchas. Pensei não há stress tratamos disto amanhã.
Acordamos fizemos o pequeno almoço e fomos passear a cadela. Deixamos a cadela em casa e fomos comprar a comida. Quando voltamos havia água a sair pelas escadas do prédio tipo cascata e vinha de onde? Da nossa casa. Tinha rebentado um cano. A cadela estava toda nervosa e encharcada, a inundação chegou à casa inteira e estava um cenário daqueles. O primeiro dia de férias foi passado assim, a tirar água de casa, a limpar e a tentar que as mobílias e as portas não se estragassem.
No final do dia estávamos mais podres do que quando chegamos. E juntemos a isto um Labrador que exige mimo constante. Dormi até às 12.30 do dia a seguir.
quinta-feira, maio 27, 2021
Coisas que me irritam
No saber distinguir o uso das palavras aderência e adesão. Ainda hoje uma atriz agradeceu a "aderência das pessoas" ao projeto.
quarta-feira, maio 26, 2021
Saudável de corpo e mente
O Lenny Kravitz faz hoje 57 anos. Acho que é um exemplo acabado da expressão mente sã em corpo são. E claro, se há alguém com esta forma física e forma de estar aos 57, então há esperança para todos. Viva os 50 e mal posso esperar por ver os 60. É uma inspiração.
terça-feira, maio 25, 2021
Coisas chatas
Ontem o Macaquito bateu com o meu carro. É sempre uma chatice daquelas, pelo facto em si e pelo facto de ele se sentir responsável por estragar propriedade alheia. Só não acontece a quem não anda na estrada. Do meu lado a grande chatice mesmo é ter de tratar dos sinistros com as seguradoras (tira-me anos de vida).
Festival Eurovisão
Este ano gostei de alguns países: França, Suíça, Islândia, Lituânia, Itália. Achei que os Black Mamba estiveram estupendos (apesar da canção ser um bocado morna).
sexta-feira, maio 21, 2021
Quando é que percebemos que deixámos de ser carreiristas?
Quando nos acenam com um emprego a receber 8000 euros limpos em Paris e a única coisa que nos vem à cabeça é o transtorno que pode causar à família.
quinta-feira, maio 20, 2021
quarta-feira, maio 19, 2021
Belo artigo de Patrícia Reis sobre mão de obra ilegal
Abaixo deixo um excerto relativo à situação portuguesa, mas fala de uma outra coisa que é a banalização do mal e do efeito choque durar segundos. Pode ser lido na integra aqui.
Para mim mostra também que não há esquerda e direita, há bons governos e maus governos. No nosso caso somos um país mal governado desde sempre.
«O que mais choca é saber que os diversos governos, direita e esquerda, visitaram, em várias ocasiões, as quintas onde estas situações se prolongam e... nada. Não aconteceu nada (...) Vivemos num país de voyeuristas, pois, e de cuscas. Não vivemos num país onde a dignidade da vida humana tem um limite abaixo do qual não vai. Isso não temos. Há sempre uma alma a recordar-me que, num país nórdico qualquer, isto nunca aconteceria. Nada de ilegalidade, de exploração laboral, de tráfico de pessoas. Quero lá saber, francamente, o que me importa é o que andamos nós a fazer. A ver passar a miséria dos outros? (...) Durante uns dias falamos de Odemira, falamos de condições paupérrimas de vida e depois partimos para outra direção. Como se não fosse importante manter a mão na ferida, como se não fosse crucial resolver.»
terça-feira, maio 18, 2021
Perder a fé
Tal como um cirurgião no ativo não pode sofrer de Parkinson, os lugares cimeiros da vida pública não devem, também, ser ocupados por pessoas de fraca decência ou moral duvidosa. Isto faz-me perder a fé. É assim que se perdem batalhas, porque quem perde a fé retira-se.
Lembro-me muito das palavras da minha professora de inglês do 12º ano. Ela tinha perdido a fé (tinha 48 anos) e precisava de nós (miúdos de 18 anos) para acreditar, da nossa vontade de mudar as coisas. Éramos o futuro. Quase 30 anos depois, tenho menos 1 ano que ela, e se calhar vou mais longe no descrédito.
Contudo, ao contrário dela, não me sinto infeliz por não acreditar nas organizações, por não me rever nos comportamentos de colegas no trabalho, por não me rever no população portuguesa em geral. Há mais vida.
E não me sinto derrotado ou desistente, a minha perda de fé simplesmente me diz que existem outros sítios onde aplicar as minhas energias e o que de melhor puder dar. Não há drama nenhum nisto.
segunda-feira, maio 17, 2021
sábado, maio 15, 2021
Bruno Nogueira sobre Maria João Abreu
«A tragédia da história da Maria João Abreu, contém nela própria uma beleza nem sempre fácil de ver nestes dias escuros.
sexta-feira, maio 14, 2021
Turismo Saudável (coisas extraordinárias)
Fiquei a saber que há uma semana atrás, na Roménia, começou um programa de vacinação para turistas. Quem visita o castelo do Drácula, recebe a vacina da Pfizer.
quinta-feira, maio 13, 2021
O amor
Sempre olhei para o José Raposo e a Maria João Abreu como um dos exemplos mais bem acabados de amor. E por serem pessoas tão cheias de amor, separaram-se enquanto casal e construíram uma família maior ainda, juntando à original os novos cônjuges. Hoje essa família perdeu uma das suas raízes. Tenho muita pena por essa família e pelo amor que se perde.
Tenho também muita pena pela Maria João Abreu. Há pessoas que admiro de longe e ela era uma delas. Tenho uma fraqueza por pessoas de bem, que espalham carinho, que espalham positividade, que espalham luz.
Fazemos parte de algo maior, por isso ela vai continuar cá, viva durante muito tempo - tal como o meu pai, vivo nas vidas e memórias de todos os que tocou. Esta realidade conforta-me muito. Foi assim que aprendi a lidar com a morte. O amor fica, as pessoas que espalham amor ficam entranhadas na existência.
quarta-feira, maio 12, 2021
Festejos do Sporting
Apesar de ter ficado muito contente com o título do Sporting, não deixo de sentir indignação pela permissividade face aos festejos nos moldes em que se desenrolaram. Na época em que vivemos é, no mínimo, triste e bastante vergonhoso. Nem a Câmara de Lisboa, nem a Administração Interna (tanta competência do Ministro Eduardo Cabrita) fizeram alguma coisa a respeito. As incongruências são mais que muitas. Os espetáculos culturais continuam fechados, os estádios fechados ao público, mas depois permitem-se milhares de pessoas em aglomerados, sem máscara, a consumir bebidas alcoólicas.
terça-feira, maio 11, 2021
47 (+ 1 dia)
Resolvi tirar ontem o dia de férias e fiz bem. Aproveitei para estar em casa a relaxar, depois fui fazer umas compritas e à noite levei a família a jantar a um restaurante novo. Para a minha mãe é muito importante esta ritualística da celebração do aniversário. Assim, uma vez que a família está dentro do limite da DGS, lá fomos os 6 jantar, e foi muito bom.
Agora é esperar para ver se todo esta boa energia se vai colar a elementos mais estruturais da minha vida - particularmente naquela mudança que tanto necessito. Dedinhos cruzados e sigamos para bingo.
domingo, maio 09, 2021
Ministros Eduardo Cabrita e Mariana Vieira da Silva
A escala do "a sério?!" já não se aplica, é mesmo um grande What the fuck!?? Não dá para rir, porque o caso dos emigrantes em Odemira é deprimente.
Godzilla vs Kong
11/20
sexta-feira, maio 07, 2021
A três dias dos 47
Normalmente, todos os anos por esta altura, ando a ver se encontro um significado existencial para o ano que passou. Este ano nada. Tenho apenas uma enorme vontade de seguir em frente. Vejo este novo ano como uma porta de saída de um lugar apertado para outro mais aprazível. Apenas. Talvez não tenha gostado assim tanto da minha existência nestes últimos 12 meses. Deve ser por isso.
quinta-feira, maio 06, 2021
Novas Cartas Portuguesas faz 50 anos - IV
Excertos das Novas Cartas Portuguesas
Primeira carta última e provavelmente muito comprida e sem nexo
e apenas me deixo em herança o indispensável,
então é cada dia, sem data que dos outros seja, o meu natal,
onde me consinto existir sem esse esforço do claro que aos outros não parece matar.
E de onde me ponho, tudo reconheço e muito pouco escolho;
um só pacto sempre adiado (…)
A postura da espera definitiva
que desconversa dia-a-dia sem resolução com a esperança que insiste.
A diferença de sexos e outra, diferença na condição humana (ah, les gros mots)
Faz lugares de vácuo onde não se passa nada.
Quanta força centrífuga tem a roda, manas.
Meu lugar não escolhido – mind you – é o centro, a asfixia provisória.
Na saga das famílias pedimos, pois, nós os ausentes,
desculpa por estas e por outras interrupções.
O programa é para ser alterado.
Novas Cartas Portuguesas faz 50 anos - III
Excertos das Novas Cartas Portuguesas
Terceira carta IV
necessária por bem agarrar este fulcro da questão, talvez até sua origem histórica,
e que tanto se quer escamotear na arengada promoção da mulher.
Mas a esta leitura é necessário acrescentar
todos os sistemas de cristalizações culturais
que vieram sustentando, reforçando, justificando essa dominação da mulher
(e não só essa dominação), porque a alteração da situação económica e política
- que agora nela se baseia -
não traz necessariamente a destruição de todas as cristalizações culturais
em que a mulher é imbecil jurídica, irresponsável social, homem castrado,
a carne, a pecadora, Eva da serpente, corpo sem alma, Virgem-mãe, bruxa,
mãe abnegada, vampiro do homem, fada do lar,
ser humano estúpido e muito envergonhado pelo sexo, cabra e anjo, etc. etc.
e digo, é tudo isto no presente,
porque contra estas imagens nunca houve combate de raiz,
apenas se foram pondo em causa
as consequências lógicas e práticas de algumas delas.
Novas Cartas Portuguesas faz 50 anos - II
Excertos das Novas Cartas Portuguesas
Segunda carta III
bem sabemos, entretanto, que nosso limite é só o tempo,
e que estamos sempre longe de nos definir até à nossa morte.
Absurda é essa ideia de se fazer das pessoas conjuntos fracionáveis,
e se nos dizem todos que absurda é a morte,
Como se compraz alguém de nos fixar num presente sem fim,
Os homens sempre se teceram e sonharam no que é forma extrovertida,
Por isso dos poços e das profundezas nada sabem, nada nos sabem (..)
Também ainda não sabemos o que inventar,
de como abandonar essa definição pelos limites (…)
Cada uma sabe a medida do seu uso e da sua defesa, e aí nos entendemos.
Novas Cartas Portuguesas faz 50 anos - I
O livro Novas Cartas Portuguesas é conhecido por muito mais pessoas do que aquelas que na realidade o leram. Na época da sua edição foi uma pedrada no charco e um documento fundamental para a visibilidade dos problemas das mulheres e para dar uma voz às mulheres; uma voz franca e desafiadora do status quo liderado e dominado pelos homens.
Por um imperativo profissional fui obrigado a ler o livro. Achei-o extraordinário em conteúdo, não necessariamente em estilo - acho que sofre de um certo pedantismo artístico que era típico aos artistas portugueses na época, quando as artes eram para os mais letrados. É barroco e difícil, mais um exercício para pares do que para o público generalizado.
Ainda hoje, tenho a certeza de que muita gente desistirá de ler o documento. É mais fácil ler os milhentos artigos e teses de mestrado e doutoramento que o interpretam. Para mim é quase contraditório que uma reflexão tão interessante e importante sobre a condição feminina seja apenas para parte das mulheres. É quase um exercício burguês.
Não obstante o que importa reter é que o valor intrínseco, independentemente do estilo, é imenso. Podemos também ver que, volvidos 50 anos, alguns dos problemas identificados sofreram apenas mudanças cosméticas (mais do que outra coisa). A ideia de mulher comercializada continua bastante atual.
terça-feira, maio 04, 2021
Ciclos
É lógico que acredito em pessoas boas e no génio do ser humano. Mas também acho que as sociedades em geral (as ocidentais em particular) estão em movimento descendente e decadente. Acho também que vamos dar cabo do planeta, e este facto, em si, enche-me de tristeza.
Mas desdramatizando, o planeta Terra já enfrentou várias extinções da vida e voltou a renascer. Muitas civilizações também nasceram e morreram. Não parece tão mau se tudo for encarado como um ciclo. É dizer adeus a tudo o que conhecemos e outra coisa qualquer será.
segunda-feira, maio 03, 2021
Descrença na Justiça
Sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF revela descrença generalizada.
- Políticos não são devidamente fiscalizados (83%)
- Justiça não tem capacidade para investigar se são corruptos (62%).
E nenhum dos nossos governos (à esquerda ou à direita) tem capacidade para dar a volta ao figurino porque, regra geral, o grau de qualidade dos nossos políticos é poucochinho. Acresce que a tradição cultural do nosso povo é olhar para o lado e esperar por Deus ou pelo D. Sebastião.
Trabalhadores imigrantes em Odemira
Os trabalhadores imigrantes em Odemira não existem há um ano existem há muitos anos e o Estado sempre soube (e as pessoas também) que eles trabalham em condições precárias e desumanas, mas enquanto a mosca não se agarra ao nosso prato vai-se enxotando com a mão. É um caso típico de hipocrisia generalizada. Por causa da COVID deixou de se poder olhar para o lado, mas a resolução do problema está a ser tão atabalhoada como a assunção do mesmo. No geral, nós portugueses, não somos assim tão bonzinhos como queremos fazer parecer.
domingo, maio 02, 2021
Ministra Alexandra Leitão
Na escala do "a sério?!" , esta senhora é cada tiro um melro, cada cavadela uma minhoca. E para bom entendedor está tudo dito.
Alívio
Este dia da mãe foi vivido com uma paz diferente. A mãe já esta vacinada o que nos deu a possibilidade de a encher de beijos e sermos os filhos lapa do costume que a enchem de abraços. Os abraços sempre ajudam a perder algumas calorias do almoço, porque uma refeição em casa dela é para alimentar um regimento. Foi mais um dia feliz.
sexta-feira, abril 30, 2021
100% Amor Puro
quarta-feira, abril 28, 2021
Dever cumprido
O evento que esteve a meu cargo foi um sucesso, mas saiu-me do corpo, parece que levei uma sova. Ter encerrado este capítulo, dá-me não só um sentimento de dever cumprido, mas também a sensação de que posso estar a entrar num novo capítulo e isso é o que mais desejo. Sem qualquer dúvida.
terça-feira, abril 27, 2021
Coisas que dificilmente encaixo
Nesta conferência onde estou (e na anterior) vieram alguns palestrantes com um corpo de serviço impressionante. E eu tinha a maior admiração por eles até ter a oportunidade de os conhecer pessoalmente. Não consigo encaixar a falta de humildade e esta mania de que toda a gente está ali para os servir. Pior, pensam que as regras não se aplicam a eles e que a sua visão é messiânica.
Exemplo: As apresentações só podem ter 1 vídeo incluído. São regras para não "crashar" o sistema. Uma senhora (bastante conhecida) envia com 3 vídeos - mesmo tendo respondido afirmativamente ao email com as regras. Diz a organização "vai ter de retirar 2 vídeos", resposta dela "você sabe quem eu sou?".
E é isto.
segunda-feira, abril 26, 2021
Não ligo a quinquilharia, mas...
Como o meu rapaz gosta, quando vou a um evento lá venho eu com os brindes para ele. Hoje foi um lápis, um bloco de folhas e uma máscara da PPUE. Enquanto houver espaço no armário das quinquilharias, vou fazendo estes mimos, apesar de achar um desperdício de recursos.
sábado, abril 24, 2021
A Ausência de Carlos
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
by Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, abril 22, 2021
Mark, este sim é um post para ti.
Caro Mark. Não nos conhecemos de nenhum lado para além da dimensão "blogosfera". Fora isso cruzámo-nos num jantar, uma vez. Não tenho a ilusão de pensar que sei algo de ti com base no escreves no teu blogue, e não sei de onde te vem a ilusão de que sabes algo a meu respeito com base no que exprimo aqui. Não percebo os teus ataques constantes, de todo. Acho bizarro o teu comportamento para comigo e mais bizarro ainda o facto de achares que estou a escrever sobre ti, quando não fazes parte de nenhuma das minhas experiências de vida.
Apesar dos teus comentários nem sempre educados, porque existem diferenças significativas entre ser sincero e frontal e entre ser agressivo e/ou grosseiro, sempre tive a delicadeza de te responder. Não obstante, chega uma altura em que certos limites se impõem e, ao dedicar-te este post, estou a marcar o meu limite. Estou a expressar que te acho abusivo.
Não me sinto magoado por ti, apenas acho o teu comportamento gratuito e rude. Permitir que continues a expressar-te dessa forma é dar um mau exemplo a quem possa passar por este blogue, é dizer que é aceitável e não é. Devo ter, no máximo, meia dúzia de leitores fixos, não mais que isso. Não são muitas pessoas como dizes, mas inadvertidamente, às vezes passam outras pessoas, como acontece comigo em outros blogues e não é o tipo de leitura que se diga edificante.
A agressividade e má educação contra terceiros sem se ser, no mínimo, provocado, não é aceitável. A cada um a sua consciência. A minha está tranquila e a tua provavelmente também. Este espaço, que está sob a minha gestão, deixou de o tolerar. Não tenho mais nada a dizer ou a justificar.
Coisas que se concluem
Às vezes até agradeço as interações/contacto com pessoas amargas e em desamor. A razão é que me fazem ganhar perspetiva e saber exatamente o que não quero no meu círculo e na minha vida. Ainda me fazem sentir valorizado e feliz, por oposição.
segunda-feira, abril 19, 2021
All Together Now
Porque é este programa um grande flop? (não necessariamente de audiências)
1- É mais reality show do que concurso de talentos (interessa mais o comentário que a canção);
2- Expõem a falta de seriedade (não consciente) dos jurados do mundo do espetáculo;
3- Expõe negativamente bons cantores que podem, porventura, perder a segurança em si mesmos;
4- Expõe o quão pequenino é o mundo da música português - em tamanho e sem sentimento.
Adenda:
5- O mundo da música pode não estar ali representado, de todo. Uns quantos cabeças de cartaz e muitos outros que na realidade competem quase diretamente com quem ali vai cantar.
Princípio, Meio e Fim
domingo, abril 18, 2021
Arora Akanksha, a millennial que quer desafiar Guterres e reformar a ONU
Há uma indo-canadiana de 34 anos a querer concorrer ao lugar de Secretário-Geral da ONU. Nunca o irá conseguir porque o sistema está demasiadamente viciado e estamos todos a borrifar-nos, grosso modo, para o coletivo e para o mundo. Mas ela tem um ponto de vista muito acertado. Vale a pena ler Arora Akanksha. Para saber mais sobre as suas ideias clicar aqui.
Tenho um amigo que trabalha na cooperação internacional. E que me disse que é ótimo para se enriquecer, porque o dinheiro angariado é fundamentalmente para pagar consultores, o que chega ao utilizador final é mínimo. E a ONU é basicamente dependente do que cinco países. A ideia até foi boa, mas...
Egos
Há pessoas que trabalham para salvar vidas. Eu inadvertidamente acabo por estar a trabalhar para salvar egos dos superiores. Acho tão mais bonito salvar vidas.
segunda-feira, abril 12, 2021
Impunidade de grupo
Em Portugal existe impunidade de grupo. Se fosse imunidade de grupo estávamos mais bem servidos.
domingo, abril 11, 2021
Defender as cores da camisola
Às vezes torna-se difícil defender a camisola que se tem vestida porque se leva porrada de todo o lado, mas enquanto se acredita no clube, estamos bem. Quando deixamos de acreditar no clube...
sexta-feira, abril 09, 2021
Chamada de atenção
Hoje tive de chamar a atenção a uma equipa de trabalhadores que está a ser muito má nas funções para que foram contratados. Quando nos pedem exemplos de erros e temos dezenas para dar, a conversa parece mais um massacre que outra coisa. E foi assim que me senti a chacinar a chefe de equipa, porque mostrei com factos a incapacidade que têm de produzir um bom trabalho.
Não tenho prazer nenhum em apontar defeitos e rebaixar pessoas, a menos que sejam pessoas com brutais egos e enorme falta de noção - o que não é o caso. São pessoas amáveis e de bom trato. Simplesmente, não assumiram que o trabalho em mãos era demasiado para as capacidades da sua equipa.
Já fiquei azedo para o resto do dia. Bom mesmo, era estar tudo a correr muito bem e eu ter só coisas boas para lhes dizer.
segunda-feira, abril 05, 2021
O meu gato faz anos hoje
Na realidade a data é simbólica. Ele foi recolhido a 5 de maio e a veterinária disse que ele teria 1 mês (mais 1 dia, menos 1 dia). O que é importante é a viagem que os dois fizemos. Eu que não gostava de gatos, aprendi com ele a arte de ceder e de relativizar. Ter um felino em casa obriga a isso mesmo, têm uma faceta muito própria que nunca será quebrada.
Curiosamente, esta convivência preparou-me para algo muito importante que estava a chegar, a relação com o meu namorado. Já estava mais preparado para relativizar e ponderar positivos e negativos (era muito literal até aí). A brincar até digo que foi uma premonição, apareceu primeiro o loiro de olhos verdes (o gato) e depois o loiro de olhos azuis (o namorado).
O Limão encheu-me a casa de amor. Nunca pensei ter tanto afeto por um bicho. Não consigo pensar a pequena família lá de casa sem ele e parece que fomos sempre os três juntos.
quinta-feira, abril 01, 2021
Coisas recorrentes nos WC da Administração pública
Os três últimos locais em que trabalhei tinham todos uma coisa em comum. O WC dos homens tem sempre pelos púbicos sobre a tampa de dentro da sanita. Blhac!
Five ways to boost your productivity, backed by science
Publicado pela (Virgin). E parecem-me princípios bastante sensatos.
1. Sleep well
A daily routine of copious cups of coffee might be your way to sharpen your wits. However, there is nothing that will help you as much as a good night's sleep. A rested brain has increased concentration, working memory and logical reasoning and is vital to being a healthy and motivated individual.
2. Big projects first
We all have different peak productivity times in the day. You might be an early bird or a late-night thinker. Choose to do your most creative or essential jobs during the time you have the most focus.
3. Stop multitasking
Are you used to second screening and juggling devices and tasks? Scarily you might want to review these habits as they are said to reduce productivity by as much as 40%.
4. Get active
Exercise is not a personal indulgence, but a tangible contributor to being more productive.
5. Be lazier
Now obviously we’re not promoting shirking your responsibilities. But authors Will Declair, Jérôme Dumont and Bao Dinh of The Extra Hour (published by Virgin Books) advocate getting strategic about your to do list and “looking for ways to sidestep as many low-value tasks as you possibly can”.
terça-feira, março 30, 2021
Importa apenas o que importa
O título parece uma redundância, mas devemos ter uma noção muito clara daquilo que importa, do que realmente nos sustenta e alimenta o nosso equilíbrio. Tenho feito aprendizagens enormes a esse respeito. O desprendimento é uma coisa que não me é natural e o Ego, às vezes, não quer deixar ir coisas que não têm importância, e não quer deixar de dar provas. De certa forma tenho deixado o campo profissional definir-me e, de certa maneira, controlar-me. Talvez porque fosse o único aspeto da minha vida onde ainda necessitava de validação externa. Não mais. E por isso, fará cada vez menos sentido ter um determinado tipo de ocupação profissional. A meu desejo de carreira acabou. Não tenho de provar mais nada, a não ser que sou capaz de descontrair e de procurar apenas fazer aquilo que me constrói e me torna melhor e mais próximo das pessoas que constituem o meu arco de equilíbrio e que merecem o meu tempo e, aqui sim, que eu lhes prove que elas são importantes e prioritárias.
E vale a pena escrever, reescrever, repetir e repetir até cristalizar.
sexta-feira, março 26, 2021
E no México um ladrão
Andava um rapaz a postar as minhas fotos de Instagram. O que me incomoda profundamente mais do que roubo da fotografia (ele rouba as fotos de corpo e não se vê a cara) é o roubo das memórias e a mentira.
Uma foto da piscina do hotel na Madeira e ele a dizer que é na Itália. Uma foto (tão feliz) das minhas primeiras férias com o meu namorado a serem indicadas como numa praia qualquer do México com os detalhes da temperatura.
São os meus lugares, as "minhas praias" com outra narrativa. E deixa-me agastado ler coisas bem parvas que nada têm a ver com aqueles lugares pessoais.
Depois de lhe ter mandado uma mensagem, e de ter vários amigos meus a denunciar, ele parou e retirou as fotos a meio de Dezembro de 2020 (depois de um ano a fazer aquilo). Mas ontem, por curiosidade, voltei lá ao perfil dele e reparei que tinha voltado a postar uma foto minha. Lá tive de denunciar de novo.
quarta-feira, março 24, 2021
O dia da gaffe brutal
Hoje foi o dia em que meti o pé na poça à grande. Seria David contra Golias, mas nos tempos de hoje o Golias Europeu esmaga os David desta vida. Consegui resolver, com uma vénia muito profunda (daquelas que mostram as cuecas). Não nasci mesmo para isto. Poker face.
terça-feira, março 23, 2021
Pessoas que sugam a nossa energia
Energy vampires are essentially people who suck all of the energy right out of you, and leave you feeling drained in their wake.
- They have intense, high, nervous energy.
- They lack self-awareness.
- They’re extremely demanding.
- They’re always negative.
- They’re incapable of staying calm.
- They don’t get you.
- They make excuses.
Eu sou um emotional eater
Quando o stress aperta a níveis descomunais, nada me dá conforto como comidaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...
Tenho andado tipo orca esfomeada.
Pronto, era só isto.
segunda-feira, março 22, 2021
Não tomando nada por certo
Agradeço imenso ter ao meu lado uma pessoa como o meu namorado. Tem sido um companheiro excelente neste último ano. Não há palavras para exprimir o compreensivo que tem sido, a boa pessoa que é. Temos 16 anos de diferença e temos crescido juntos, um a acrescentar ao outro. Nem sempre de forma linear, mas nunca tem deixado de haver comunicação. Com os desafios deste ano, as coisas poderiam desgastar-se entre nós. Mas, não tomando nunca nada por certo, temos conseguido navegar juntos e ir combatendo as intempéries.
sexta-feira, março 19, 2021
Dia do Pai
Hoje lembrei-me de uma história muito bonita do meu pai, que tem a ver com o momento que vivo. Passou-se há 30 anos anos atrás. Se ele fosse vivo teria 87 anos, mas muito certamente teria a mesma atitude comigo e o mesmo gesto que teve naquela altura. Partilhei a história no Facebook e, nos anos vindouros, será muito bom olhar para ela de novo quando as memórias deste dia aparecerem. No Facebook tenho apenas pessoas que conheço efetivamente, é uma rede social que utilizo de forma diferente. Assim, foi um momento quentinho e soube bem.
terça-feira, março 16, 2021
Harry e Meghan - A entrevista
Para mim foi um exercício intelectualmente desonesto, por parte dos duques, e uma abordagem demasiado americana (centrada na cultura da celebridade), por parte da Oprah. Houve muitas pontas soltas e expressões ensaiadas, comentários deliberados (reiterados em momentos chave para manipular a simpatia do expectador para com a duquesa).
Outros aspetos que não somos obrigados a saber (eu não sabia) remetem às leis de atribuição de títulos. O filho dos duques não recebeu título real. A Meghan tenta puxar a carta do racismo mas, por lei, nenhum bisneto da rainha recebe título e o Archie é bisneto.
Os filhos da Princesa Ana não tiveram direito a títulos reais (porque o título passa por via paterna) e o pai deles era um Capitão. Mas são na mesma membros da família real e cresceram em segurança sem ter a segurança paga (que protege a linha direta de sucessão ao trono, da qual Harry já não faz parte porque o irmão teve filhos).
Não gostei do discurso inquinado da Duquesa e do Duque. E, no caso, não se pode ter o melhor dos dois mundos. As altezas reais têm deveres e é uma vida dura. Não sou exatamente um fã da monarquia, mas reconheço sentido de dever e de Estado quando o vejo, e olhando para a Rainha Isabel II, vejo imenso.
As instituições são o que são, têm as suas regras e processos internos. A monarquia é o que é e pode modernizar até um certo limite, ou deixa de ser o que é. Quem entra, tem de saber as regras e estar disposto a jogar com elas. Ou não entra.
Um pouco em analogia livre, se queremos que uma casa de fados toque bossa nova, deixa de ser uma casa de fados. E se eles querem manter a tradição, ali só canta quem é fadista (mesmo que mais moderno).
sexta-feira, março 12, 2021
Eu sei que sou gay, mas não é para tanto...
A minha Unidade de Saúde Familiar acabou de me convidar a fazer o rastreio ao cancro do colo do útero. :D
Desenterrar os anos 80 - 8
Inseguranças
Na segunda feira voltei a sentir uma instabilidade no coração. Isso fez-me ficar ansioso. A ideia de que poderei ter de me adaptar a uma vida diferente e deixar de lado muitas das coisas que me caracterizam como pessoa incomoda-me muito. Mas, no fim, não sou diferente de ninguém que já teve de passar pelo processo. É, no fundo, um trabalho de reinvenção. Espero que não seja preciso, mas se tiver de ser, tem de ser.
Miguel Sousa Tavares
Eu acho que o Miguel Sousa Tavares é demasiado arrogante e se leva demasiadamente a sério. nem sempre acerta, mas quando acerta é com distinção. Quase 1 ano depois, este comentário é ainda mais atual, o que é uma enorme pena. A tragédia brasileira não tem explicação. Quem não se arrependeu de votar em Bolsonaro, ou tem má índole ou é néscio.
É uma lição para a humanidade, as consequências das decisões tomadas pela raiva. A raiva ao PT (que não censuro) culminou no voto no perfil mais oposto (que censuro 100%). Os meus sentimentos para com o Brasil, esse maravilhoso país que poderia ser uma grande nação.
segunda-feira, março 08, 2021
Rúben Amorim e Sporting acusados de fraude
Ora cá está um bom exemplo de corrupção no futebol, mas não por parte do Sporting. Eu sou benfiquista, mas não suporto as tricas de bastidores, nas quais os melhores cérebros serão (suponho) os Presidentes do dois maiores clubes em Portugal. O Rúben foi inscrito como treinador adjunto e não como treinador principal (mas ele não tinha o curso de treinador completo, o que também se passou no Braga, mas aí sem queixas).
Gosto do Rúben Amorim porque é (até mais ver) uma pessoa limpa que faz o seu trabalho e vive o jogo, não os jogos de poder e quezílias. O último que apareceu assim foi Bruno Lage, de quem também gostava muito.
Se o Sporting ganhar este ano é porque merece. Tem estado a ser a equipa mais consistente. Triste é ver os poderes ocultos a tentarem atacar esta estabilidade a ver se conseguem recuperar pontos para as suas equipas. É muito desanimador que estas coisas sejam possíveis. O jogo em si tem muita beleza. Não fossem os presidentes, os agentes e o dinheiro. It's all about the money.
Dia Internacional da Mulher
É pena que ainda tenha de existir um dia Internacional da Mulher para lembrar que os direitos são humanos e não do homem. Hoje o patriarcado vai andar a "encher" as senhoras de flores e dizer coisas politicamente corretas e para o ano há mais (não necessariamente mais direitos).
Quando mais é demais
A Cristina Ferreira já foi alguém que eu admirei imenso, na sua totalidade, e que segui com regularidade e interesse no seu caminho até ao final da sua estadia na SIC. Acho que é uma brilhante empresária e tem uma sagacidade fora do comum para identificar oportunidades de marketing e de proveito. A queda, para mim, deu-se na forma como saiu da SIC em conjunto com a desonestidade intelectual dos seus argumentos. Passei, por causa disso, a tomar mais atenção ao fato de usar causas de direitos humanos para se promover (como é o caso da petição sobre bullying para poder promover o seu livro Pra Cima de Puta - coisa que poderia ter feito anos antes se realmente se interessasse pela causa, per se, uma vez que fez muitas entrevistas sobre bullying antes). Deixei de a apreciar do ponto de vista humano, mas continuo a achá-la uma extraordinária empreendedora e uma pessoa de fibra.
Não obstante, e como já referi aqui, acho que há demasiado ódio nas redes sociais. É uma estupidez, repito estupidez, ir à sua conta de IG para dizer que os programas em que aparece são maus e que é isto e é aquilo. Ser uma figura pública (qualquer uma) não justifica o ódio e a mesquinhez alheia contra si.
Se não gostam da Cristina Ferreira não vejam os seus programas, não vão às suas redes sociais, não a comentem. Obliterem. Quem tiver opiniões a dar que as dê nos seus espaços pessoais, se os tiverem, ou ignorem de todo.
Chega de ódio gratuito. Já é demais. Todos temos direito a uma opinião, mas não temos necessariamente de a dar a "torto e a direito" quando ela nada acrescenta e só incita à malvadez e à negatividade. A maior forma de desprezo é o não querer saber e cada um seguir com as suas vidas cheias (ou não) de significado próprio .
quinta-feira, março 04, 2021
Morte
No dia 28 de fevereiro morreu um rapaz que eu conhecia. Era um bom miúdo e talentoso. Morreu de paragem cardiorrespiratória aos 26 anos. Automaticamente veio-me à cabeça a condição que me levou a ser operado ao coração em Outubro e que me livrou de um destino idêntico.
Chorei um bom bocado por causa da morte dele, achei um desperdício enorme. Acho sempre um enorme desperdício o término prematuro de uma vida. Ao mesmo tempo, não pude deixar de me sentir enormemente grato, por ter tido a oportunidade de continuar a viver.













